Notas iniciais
Tá aí pra vocês o 2° galera. Espero que gostem.

Pov's Thomas

Acordei com o toque estridente do meu celular.

Tateei o aparelho sobre o criado-mudo e atendi sem olhar no visor.

-Alô?

-Tenho uma ótima notícia pra você- disse Lanza animado.

-Manda.

-Consegui as nossa férias! Nós vamos ter quatro dias de sossego.

Me sentei e sefreguei os olhos.

-É sério?

-Claro. Eu já sei até pra onde nós vamos.

-Onde?

-Pra fazenda da minha tia, no Mato Grosso.

Sorri.

-Fico feliz que você tenha entendido o meu conceito de sossego.

-Eu sei tudo sobre você, Thominhas. Agora acho bom você começar a arrumar a sua mala porque daqui duas horas já é o nosso voo.

Sobressaltei-me.

-Nós vamos viajar hoje?

-Sim. Nossa férias começam a contar a partir de amanhã.

-Tá. Vou me arrumar- murmurei ainda surpreso.

-Estaremos aí em uma hora. Tchau.

-Tchau.

Desliguei e fiquei alguns segundos parado, tentando absorver todas as informações.

-Uma hora!- lembrei-me

Tirei uma mala de cima do guarda-roupa e joguei algumas peças de roupa dentro dela sem prestar real atenção no que eu fazia. Em seguida tomei um banho rápido, me troquei, terminei de arrumar os acessórios e fiquei esperando. Dez minutos depois a campainha soou e eu fui atender.

Koba estava parado na porta com os cabelos despenteados e uma puta cara de sono. Ele olhou minha mala assustado.

-Thomas, nós vamos pro Mato Grosso, não pra Bahia.

Dei de ombros.

-Aqui só tem o básico.

Ele revirou os olhos e uma buzina estridente soou do outro lado da rua.

-Vamos logo!- gritou Pe Lu que estava ao volante.

Atravessei, guardei a mala e me larguei no banco de trás.

Pe Lanza se atirou ao meu pescoço.

-FÉRIAS!!!!

-Ei, você vai me enforcar- brinquei.

Ele me soltou sorridente.

-Não falei que eu ia conseguir?

-Você é um diabinho mesmo. Sempre consegue tudo o que quer- disse ajeitando sua franja.

-Você podia ter nos dito que precisava de um tempo- comentou Pe Lu.

-Desculpem. É que vocês sabem que...

-Que você tem mais facilidade pra se abrir com o Lanza? Sim, nós sabemos. Mas além de sermos uma banda nós também somos amigos, seria legal se você não nos excluísse totalmente- disse Koba entre irritado e divertido.

Fiz um coração com as mãos.

-Eu amo vocês igualmente.

-Mentiroso! Você e o Lanza têm muito mais química, isso é perceptível até pra quem está de fora- disse Pe Lu rindo.

-Que história é essa de química? Nós não somos gays- disse Lanza também rindo.

Me calei e duarante o resto do trajeto não pronunciei uma palavra.

Quando chegamos ao aeroporto a confusão foi geral. Nós estávamos atrasados e nosso voo já havia sido anunciado, Pe Lu só teve tempo de entregar o carro a sua mãe.

Depois de finalmente termos conseguido passar as malas pelo raio-x, nós chegamos ao portão de embarque. Entregamos as passagens afobados e literalmente corremos para o avião.

-Cara, achei que nós fôssemos perder o voo- comentou Pe Lu quando encontramos nossa poltronas

Lanza me deixou ficar na janela e sentou-se ao meu lado.

-Vem cá, você não podia ter escolhido um lugar mais perto?- perguntei ainda ofegante.

Ele deu de ombros.

-Você disse que queria sossego.

-Sim, mas eu me contentava com uma casa em Ubatuba.

-Afe! Como eu queria que tivesse uma mina qui pra você ficar beijando e parar de reclamar- disse Koba da poltrona de trás.

Coloquei os fones no ouvido e fiquei curtindo meu Ipod.

-O que você tá ouvindo? — perguntou Lanza.

-Ira- respondi sem olhá-lo.

Ele puxou um dos meus fones e encaixou no ouvido.

-Envelheço na cidade. Eu curto essa música.

-Eu curto todas. Pena que acabou.

-Verdade.

Ele encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos.

-Se você dormir eu vou dormir também- disse.

Meu amigo riu e seu hálito brincou em meu rosto.

-Então faça isso.

Suspirei e imitei-o. Pouco tempo depois o sono me venceu e eu adormeci.

Fui desperto por um flash tão forte que quase me deixou cego.

-Que merda é essa?- questionei.

-Chegamos- anunciou Koba que estava com a câmera na mão.

-Vocês estavam tão bonitinhos que a gente teve que bater uma foto- explicou Pe Lu.

-Não liga pra eles- disse Lanza.

Saímos do avião e depois de pegar a bagagem nos dirigimos à saída.

-E agora?- perguntou Pe Lu.

-O João veio nos buscar- disse Lanza apontando para uma Hilux prata estacionada em frente ao saguão.

João era o caseiro da fazenda, nós o conhecíamos desde pequenos.

Ele nos saudou com um grande sorriso.

-Garotos! Eu só esperava vocês em dezembro.

-Era a intenção, mas teve gente que se estressou antes- disse Pe Lu olhando pra mim.

Mostrei a língua pra ele.

Entramos no carro e João ligou o rádio numa estação de música sertaneja.

-Quanto tempo até lá?- perguntou Koba.

-Duas horas.

Otimo. Duas horas só de terra e mato.

-Eu desligaria o celular se fosse vocês, eles não vão pegar na fazenda- alertou João.

-Pérai! Quatro dias sem internet e celular?- perguntou Pe Lu inconformado.

-É isso aí- confirmou Lanza

Koba suspirou.

-Se pelo menos a gente tivesse umas gatinhas pra se divertir...

-Bom, tem a Milou e a Tchuca, mas não acho que você vá poder fazer muita coisa com elas- disse João.

Nós três caímos na gargalhada e durante o resto do caminho Koba foi motivo de gozação. Ficamos tão entretidos com a brincadeira que mal percebemos quando João estacionou.

-Chegamos crianças.

Pulei do carro rapidamente e me espreguiçei. Só ali, respirando ar puro, pude perceber que o perrengue havia valido a pena. A vista era maravilhosa.

-Tom, vamos levar as malas pra dentro- disse Lanza.

Peguei minha bagagem e carreguei para a enorme sala.

-Meninos, será que vocês se importam de se dividirem em dois quartos? Nós não tivemos tempo de arrumar os outros.

-Sem problemas- comentou Pe Lu.

-Ótimo. A geladeira e o armario estão abastecidos, mas se vocês precisarem de alguma coisa é só chamar. E vocês vão precisar de alguém pra cozinhar?

-Não. A gente se vira- respondi.

-Então eu vou deixar você se acomodarem. Até mais.

-Até- respondemos juntos.

-E aí, como vai ficar a divisão dos quartos?- questionou Koba.

-Eu e o Thomas juntos- sentenciou Lanza.

-Claro, claro. O casal não pode ficar separado- brincou Pe Lu.

Joguei uma almofada em seu rosto.

-Vamos logo levar essa malas.

Subimos as escadas e escolhemos os quartos. Lanza preferiu ficar com o da esquerda

Enquanto desfazíamos nossas malas meu amigo fitou-me com carinho.

-Você está feliz?

-Claro. Só falta os meninos pararem de zuar com a nossa cara pra ficar tudo perfeito.

Ele me abraçou.

-Deixa de ser bobo! É só não dar atenção. Anda, vamos descer logo.

Suspirei e acompanhei-o sem emoção.

Durante o resto da tarde nós mal tivemos tempo pra respirar, os afazeres domésticos nos deixaram totalmente ocupados. Só tivemos tempo de descansar à noite, depois do jantar, sentados na varanda com os violões em mãos.

Eu estava com um copo de leite nas mãos e recostado no ombro do meu melhor amigo. Estava tão canasado que eu podia sentir que ia capotar dentro de poucos minutos.

Pe Lu começou a dedilhar uma música que eu só reconheci quando Lanza puxou o refrão.

-Eu te amo e pra sempre com você eu quero estar/viver em meus sonhos é te encontar/eu te amo e pra sempre com você eu vou estar/e aqui ou em qualquer lugar.

Fechei os olhos e seu perfume dominou todos os meus sentidos, eu não queria sair dali nunca mais.

-Vou pegar um copo d'água- disse ele.

-Não!- protestei, puxando-o de volta.

Ele riu.

-Tominhas, eu não quero morrer de desidratação

-Não quero que você saia daqui- murmurei já semi-inconsciente.

-Ok. Se eu sou tão bom travesseiro assim...- ele acariciou meus cabelos.

Senti uma corrente elétrica percorrer todo meu corpo e de repente todo o sono havia desaparecido. A explosão de compreensão veio do nada e eu olhei para sua corrente assustado. Todos os momentos juntos, as brincadeiras e as brigas passaram em flashs na minha cabeça, e eu finalmente pude entender. Por menos que eu quisesse aceitar aquilo, não havia mais dúvidas: eu estava apaixonado pelo meu melhor amigo.

Notas finais
Galera, obrigado pelos reviews e por acompanharem a estória. Agora só postarei o 3° no começo de janeiro. Então feliz natal e feliz ano-novo pra todos.

To louca pra saber a opinião de vocês.