Berserker

2 Våldsam


Notas iniciais
O fim e o começo são apenas reflexões, a morte é uma certeza e a bebida um fruto, a violência é um prazer e a sobrevivência um dever, a força é nossoo escudo e a mente nosso machado, sejamos sempre vikings!

Meu coração está muito acelerado, tenho que manter a calma, passos estão se aproximando da caverna e não sei que desafio terei, preciso me concentrar. A sombra aparece e fica parada na porta, eu em alerta fico esperando qualquer movimento para atacar quando uma voz afeminada me surpreende.

Ela -O filho da mãe já acordou, um nórdico nessas terras não vai durar nem cerca de 2 dias, logo a lua cheia vai surpreende-lo.

A sombra voltou a caminhar e quando entrou, pulei em cima dela com a faca indo em direção a sua garganta mas ela segurou meu braço e quando caimos no chão, o joelho dela me acertou bem no meio das pernas, girei para o lado gemendo de dor enquanto ela ria sarcasticamente.

Ela -Achou mesmo que poderia pegar uma caçadora de surpresa e ainda sair ileso?, maldito nórdico ingrato, eu salvo sua vida e é assim que me retribui?

Respondi ainda com dor

Eu -Me salvar de que? de minha própria aldeia?

Do nada a face dela ficou séria como se algo tivesse acontecido e foi quando percebi sua face bela e bruta, ela se parecia com uma nórdica também mas com uma cicatriz no pescoço como se tivesse sido atacada por algum tipo de animal, cabelos pretos como a noite, uma pele clara que mostrava bem as queimaduras feitas pelo sol, e um olhar penetrante como se soubesse tudo sobre você.

Ela — Pare de drama e levante, temos muito o que fazer até você ficar apresentável ao ancião.

Me Levantei e quando me apoiei na parede ela jogou em mim uma pilha de vestimentas feitas com o que parecia ser pele de urso pardo.

Ela — Se troque logo enquanto eu acendo a fogueira.

Quando saí da caverna eu percebi o tamanho do acampamento em que estava, era como um abrigo usado frequentemente, porém pequeno o suficiente para não chamar muita atenção e ser útil a noite. Fui até a fogueira onde ela estava ainda tentando atear fogo usando a habilidade de arco e pensei em entender melhor o que estava acontecendo, ela disse que me salvou, e depois teve aquela expressão e sem falar que agora estou na montanha Kjerag em Lysen, tomara que minha familia esteja bem.

-Vou dar uma explorada pelo local, ja volto.

Saí e decidi escalar o rochedo a fim de chegar no pico da montanha, foram praticamente 30 minutos de escalada intensa, machuquei minha canela numa rocha que quebrou e quando finalmente cheguei ao fim me veio aquele sentimento de novamente me sentir homem, aquela brisa de vento rarefeita de quando se está a mais de 1000 pés do nível do mar, aquela vista linda e aquela sensação de confiança e poder, como se ao escalar a montanha, eu tivesse dominado ela. O momento de climax passou quando eu avistei, a mais ou menos 2 km ao norte da montanha uma pequena tribo de caçadores.

—Aquela é a minha tribo, os Våldsams.

Ela falou enquanto observava a vista ao meu lado, eu nem percebi ela chegando porém não me incomodei com isso, o fato de ver uma tribo de caçadores num lugar desses já me era desconfortavel o suficiente, eles poderiam me matar, poderiam ser canibais, poderiam fazer muitas coisas, eu tinha de tomar cuidado a partir de agora.

—O que você pretende fazer comigo?

Perguntei à selvagem.

—Apenas ver se sua pele é facil de tirar, brincadeira, vou te apresentar ao meu amigo Oze, ele vai saber o que fazer com você.

Aquela sensação de que eu iria morrer bateu forte em meu peito, desci até o acampamento e aproveitei que a selvagem entrara na caverna e decidi correr um pouco, fui descendo a montanha o mais rápido que podia sem tentar perder a noção de direção da tribo Våldsam. Quando cheguei na base da montanha não tinha nem sinal da selvagem, lembrei de ter avistado uma floresta próxima à montanha e corri até ela, mesmo sem meu arco, apenas com uma faca e minha nova roupa de caçador. Chegando na floresta percebi estar um pouco desidratado e exausto, me ajoelhei para me concentrar e me veio à tona, água, comida, abrigo, fogo, segurança.

Com faca empunhada fui caminhando pela mata fechada procurando por alguma fonte de água e focado em qualquer som de cachoeira, rio ou correnteza. Passaram-se quase 2 horas desde que entrei nessa floresta e até agora não achei sequer um pingo de água ou ser vivo, mesmo que fosse uma aranha, eu só precisava comer e beber um pouco, senti uma coceira na perna e quando olhei tinha uma espécie de espinho preso em minha panturrilha, minha vista ficou turva e desmaiei.

Acordei numa espécie de templo de pedra, nunca tinha visto algo igual, era grande, bonito, e um bocado velho, levantei-me e no fim de um salão gigante avistei uma porta aberta, uma passagem para o que parecia ser um local cheio de neve, era branco e fofo, aquele sentimento de estar em casa finalmente enchia meu coração novamente. Comecei a correr em direção à porta, tentando entender onde estava e o que acabara de acontecer. Quando empurro a porta terminando de abri-la vejo uma estátua gigante do Mjölnir, o lendário martelo de thor esculpido num material metalico e com o cabo de ouro e prata solto no chão de neve. Uma das visôes mais lindas que ja tive, era surreal uma estátua ser tao perfeita, quando toquei ela, um estrondo enorme aconteceu no templo, quando me virei vi um raio acertar o centro do templo em cheio e destruir a construção, quando me virei novamente o martelo não estava mais a minha frente, agora havia um homem com vestimenta feita com pele de urso cinzento e um tapa-olho.

—Papai, papai, acorda, já está de manhã e a mamãe está te chamando para comer.

Me levanto da cama assustado, mas que merda acabou de acontecer?, aquilo tudo foi apenas um sonho?, levantei inteiro dolorido, como se tivesse tomado um coice de cavalo na coluna, e vou à mesa.

—Hoje tive o sonho mais estranho de toda minha vida, sonhei que tinha sido capturado por uma selvagem e depois acordado num templo com o martelo de Thor em minha frente, depois um raio e depois Odin apareceu para mim, o que será que foi tudo aquilo...

Minha esposa engole a carne de lobo e comenta.

—Deve ter sido mais um de seus sonhos loucos.

De qualquer maneira, foi algo bem confuso, mas de volta à realidade, preciso ir caçar com Erik, Ivar e Rurik. O famoso quarteto de nórdicos que nunca voltam sem comida para o jantar, encontro todos no celeiro da vila, cada um com seu machado, faca e arco, prontos para brincar na floresta nevada.

—Hoje quero pelo menos um javali para o jantar, estou enjoado de lobo, esses cachorros tem a carne mais dura que a esposa do Niels.

Ivar sempre gostou de provocar Niels por ter uma esposa nervosa.

Rimos um pouco mas logo um uivo ecoou por toda a floresta.

—Malditos lobos de carne dura.

Gritou Ivar.

—Cale-se, carne é carne do mesmo jeito.

Exclamei.

Começamos a caçada ao caçador e alguns passos depois percebi onde estava, no mesmo local do meu sonho, e agora seria a hora que...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.