Berklee Romance

36 Capítulo 36, The Middle.


Notas iniciais
:')

POV DEMI

No dia anterior, Joe tinha se lembrado de mim e posso dizer que foi um dia bastante emocionante. Eu chorei muito, mal acreditava que todo aquele pesadelo tinha acabado e que ele tinha realmente se lembrado de nós, do que passamos, de como nos conhecemos e também de outras coisas. Joe tinha voltado para mim oficialmente, e nada poderia nos separar daqui pra frente. Depois do nosso beijo, nós conversamos por horas e eu contei tudo o que tinha acontecido enquanto ele ficou em coma, tudo o que eu passei, aonde Taylor foi parar e minha felicidade por ela estar distante de nós. Adormeci deitada na barriga de Joe e quando percebi, fui dormir encolhida no sofá. Joe ainda dormia, e eu fiz o suficiente para não acordá-lo, tendo sucesso. Quando contei a Denise, ela tinha ficado extremamente feliz com o ocorrido e contou para todos. Minha vida só tendia a melhorar daqui pra frente, e eu tinha certeza disso, ainda mais com ele do meu lado.

Quando acordei, Joe ainda dormia e Denise também, então aproveitei para tomar café da manhã na lanchonete do hospital. Seria o primeiro dia no qual eu comeria com vontade e sem desânimo. Sentei-me em um banquinho e pedi um suco natural de laranja, acompanhado de um sanduíche natural de peito de peru. Não demorou muito para que meu pedido fosse entregue, pelo fato da lanchonete estar completamente vazia pelo horário: 6:00. O máximo que eu fazia quando ia até lá, era beber um pouco de café ou qualquer tipo de besteira somente para me manter acordada. Assim quando terminei de tomar o café, voltei para o quarto e os dois continuavam intactos, então saí do quarto e liguei para Selena do corredor.

– Selena, oi. – falei animada.

– Hey Demi! Eu já estou sabendo de tudo, Nick disse para Miley e Miley me contou. Eu não tenho ideia de como você está... Quer dizer, eu sei que está feliz, mas meu Deus, né?

– É muita felicidade, Selly. Eu estou com vontade de sair pulando por todo o hospital. Ainda não acredito.

– Eu sabia que tudo ficaria bem. O amor de vocês sempre foi maior do que tudo, uma hora ou outra ele iria se lembrar. Ainda bem que lembrou logo...

– Sim, agora só quero que ele saia daqui para nós termos a nossa vida, sabe? Eu pensei que comigo saindo de Berklee tudo ficaria bem, mas só trouxe problemas e...

– Não se culpe. – me cortou. – Toda a culpa foi de Taylor, somente dela. Você só quis o bem de vocês e acabou no que deu, são coisas da vida...

– Eu nem quero mais pensar nessa cachorra, quero distância. Espero que ela fique longe de mim por muito tempo, que mofe na cadeia.

– Eu fico tentando imaginar Taylor na cadeia e sempre dou risada. – Selena riu abafado. – Cara, imagina aquela garota metida junto com aquelas presidiárias que cometeram crimes horríveis? Vão acabar com aquele rostinho angelical.

– Só o rostinho, né? Alma do capeta aquilo ali. – revirei os olhos e suspirei. – Quero que as presas afoguem aquele cabelo de miojo dela dentro da privada e deem descarga.

– Ai Demi. – ela gargalhou. – Cabelo de miojo foi ótimo.

– Obrigada. – ri também.

– Nem acredito que tenho aula agora, cara, como eu odeio aquele professor. – pude ouvir um suspiro vindo do outro lado da linha.

– Ah, eu tenho que esperar Joe acordar... Não tem nada pra fazer aqui, sabe? Não vejo a hora de sair daqui, junto dele.

– É óbvio que ele não vai acordar agora né, Demi. Está muito cedo. Se eu fosse você arrumaria algo pra fazer, vá tomar um banho, troque de roupa, sei lá. Deve tá só o caco.

– Nossa, valeu viu? Eu estava pensando nisso mesmo, mas se eu tomar banho lá no quarto, vai fazer um barulho imenso. O chuveiro é barulhento, e não quero acordar Joe e Denise.

– Esse povo do hospital deve ter algum outro lugar, sei lá. Só perguntar. Então, eu estou indo, ok? Eu te amo, Demi! Se cuide, e cuide de Joe.

– Ok, eu também te amo Sel. Pode deixar, boa aula.

– Ha, impossível. – desligou.

Realmente, eu estava somente o caco. Selena estava certa. Como eu já estava no corredor, procurei por algum médico para me informar aonde eu poderia tomar banho e explicar toda a situação. Encontrei com uma senhora que aparentava ter entre cinquenta a cinquenta e cinco anos e trajava um jaleco branco escrito ''Dr. Gilbert.''

– Olá, Dra. Gilbert. – cumprimentei. – Você pode me informar sobre uma coisa?

– Oh, claro, mocinha. O que você deseja saber? – perguntou atenciosa.

– Eu queria saber se há um banheiro aqui onde eu possa tomar banho... – nesse momento ela me olhou confusa. – Eu sei que há nos quartos dos pacientes, meu namorado está em um. O problema é que eu não quero acordá-lo, está muito cedo e o chuveiro de lá é barulhento. Você pode me ajudar?

– Olha, os banheiros ''públicos'' do hospital não têm chuveiro, nem nada do tipo. Mas os médicos têm alguns banheiros aonde existem sim chuveiros, aonde o acesso é restrito somente a eles. – nesse momento eu suspirei, mas que saco... – Eu posso te emprestar a chave de um banheiro, qualquer coisa eu falo que autorizei. – ela estendeu uma mão me entregando a chave. – Quando acabar, me procure, estarei no quarto 509, ok...?

– Demi. Me chamo Demi. – falei sorrindo. – Muito obrigada mesmo, você acaba de salvar uma vida. – falei e a médica sorriu em resposta, ela tinha sido bastante gentil.

Voltei para o quarto de Joe e apenas peguei uma roupa para vestir, junto de um pente para pentear meus cabelos e algumas outras coisas. Fui até o tal banheiro seguindo as placas e cheguei, aonde havia uma porta e uma placa enorme escrito ''acesso restrito'', porém eu tinha a chave e tinha sido autorizada. O banheiro estava vazio, tranquei a porta, e haviam vários boxes e eu escolhi o que estava mais no fundo. Deixei minhas coisas do lado de fora do box e comecei a tomar banho, deixando a água cair em meus cabelos e aproveitei para lavá-los. Ao terminar o banho, me enxuguei e me vesti, colocando uma calça jeans junto de uma camisa de banda e uma camiseta xadrez. Já estava sentindo falta de me vestir assim, eu nem ligava muito para isso enquanto sofria esperando por uma resposta. Calcei minhas botas pretas favoritas e fui até o enrome espelho que se encontrava no banheiro me maquiar. Eu estava radiante e exaltava felicidade. Saí do banheiro e coloquei minhas coisas usadas toda na sacola que eu tinha levado. Fui até o quarto que a Dra. Gilbert falou e ela me olhou estranhamente; eu estava realmente um caco, feia, horrível, acabada e estava totalmente arrumada dessa vez, até eu estranharia. Agradeci e saí de lá. Já tinham várias pessoas no corredor, inclusive médicos e alguns visitantes homens. Quando eu passava, todos me olhavam e eu me senti desconfortável, mas lembrei-me que ela pelo fato de eu estar bonita. Eu tinha demorado mais ou menos uma hora para tomar banho, me arrumar, me maquiar e quando fui até o quarto de Joe, ele estava acordado com uma bandeja de café da manhã no colo. Deixei minhas coisas em um canto e fui até ele.

– Bom dia. – abaixei-me e beijei seus lábios que estavam com gosto de mel, graças as panquecas.

– Bom dia, amor. – ele falou. Como eu sentia falta dele me chamando de amor e senti vontade de me beslicar ali mesmo. – Você está linda. – falou, e eu corei imediatamente.

– Obrigada. – agradeci. – Finalmente você acordou, hein?

– Sim... Eu acordei para tomar café, na verdade, minha mãe me acordou. Vai ser a primeira refeição que eu como sem ser essas vitaminas que eles inserem na veia. – suspirou irritado. – Então escolhi panquecas. Você está acordada a muito tempo?

– Sim, sim.. Estava somente esperando para que você acordasse. – respondi.

– Ah, você poderia ter me acordado, né? – fingiu um bico e eu o beijei.

– Não, não, não... – separei minha boca de Joe com vários pequenos beijos. – Você estava tão lindo dormindo que eu não quis te acordar, não seria justo.

– Não é justo você estar tão linda assim e vários caras ficarem dando em cima de você nas minhas costas. – fingiu estar bravo. – Vou bater em todos eles!

– Até parece... – ri. – Só você que me interessa, Joe.

– Acho bom mesmo. – ele ainda estava fingindo estar bravo, mas depois deixou escapar um belo sorriso.

Enquanto eu e Joe conversamos, tinha esquecido da presença da mãe dele que apenas observava tudo e fiquei com um pouco de vergonha, mas depois desconsiderei isso pois ela sabia de tudo que eu tinha passado e tinha me acompanhado o tempo todo em todos os momentos em que passei no hospital. Nós tinhamos nos tornado amigas, e ela nem parecia ser minha sogra, e sim uma amiga próxima, como Miley e Selena. Me sentia confortável com a situação e já me sentia da família, como Danielle. Denise não disse nenhuma palavra, apenas observava e me virei para ela e dei um sorriso. Ela retribuiu e depois de uns minutos o médico de Joe entrou na sala.

– Então, rapaz. Finalmente você lembrou-se de Demi, não é mesmo? – o médico bateu de leve no ombro de Joe. – Essa garotinha aqui te ama de verdade.

– Finalmente, é... – Joe sorriu. – Eu sei, eu também a amo.

– É uma graça o amor jovem. – o médico falou. – Então, rapaz. Vim conversar com você sobre a sua alta. Você precisa falar comigo sinceramente e me dizer como está, pois os aparelhos não conseguem fazer isso, somente você pode ajudar. Está sentindo alguma dor?

– Olha doutor, antes de eu me lembrar de Demi eu senti uma forte dor na cabeça, mas depois do que aconteceu, não. Eu estou bem. – Joe falou e eu apenas observava, junto de Denise. Torcia para que ele saísse dali logo.

– Ok, Joe. O fato de você ter sentido aquela dor forte, foi pelas memórias voltando novamente, foi completamente normal. Creio que você esteja lembrando de tudo agora. – Joe balançou a cabeça positivamente. – Nós podemos te dar alta amanhã, e você tomará alguns remédios. Mas antes disso, você terá que fazer uma prova para ver se seus raciocínios estão indo bem, é um teste para seu cérebro. Você pode fazer isso?

– Sim, senhor.

O médico saiu do quarto e voltou depois com uma folha em sua mão. Como Joe já tinha acabado de comer, tirei o copo e o prato da bandeja e deixei-a vazia para servir de suporte pra folha, como não tinha sujado, tudo bem. O médico entregou a folha junto de uma caneta pra Joe e deu as instruções – eram dez questões fáceis sobre inglês e matemática, coisa de quarta/quinta série e pelo fato de serem antigas, eram boas para ver se Joe realmente se lembrava de como se resolvia. Joe não demorou muito para responder a ''prova'' e entregou para o médico com um sorriso. O médico leu as questões e disse que todas estavam certas.

– Olha, você me deu uma prova com as matérias que eu mais gostava quando estudava. Moleza.

– Ótimo então, Joe. Vou ver se consigo sua alta para amanhã, mas se você passar mal, você tem que voltar imediatamente para o hospital.

– Não vou passar mal... Me sinto um novo homem, e daqui pra frente tudo irá melhorar pra mim. – ele falou e eu sorri, pois ele olhava para mim no momento.

– Perfeito. – ele anotou em uma prancheta. – Voltarei em algumas horas para dizer se meu pedido para te dar alta foi aprovado, ou não.

– Ok, doutor. – Joe falou.

O médico saiu da sala e ficamos novamente eu, Joe e Denise.

– Demi, quando eu finalmente sair aqui, eu preciso te mostrar uma coisa e te fazer um pedido. Não posso falar, e nem fazer nada deitado nessa cama... Desde quando eu fui de buscar em Berklee que eu estava com esse propósito. – Joe falou e eu me arrepiei. Me lembrei de como ele tinha me deixado curiosa.

– Ok. – foi tudo o que eu consegui falar.

Eu estava ansiosa, não sabia o que Joe iria me falar, e fazia tempo que isso tinha ficado no ar. Joe apenas sorriu em resposta pra mim, e Denise ainda somente observava. Joe novamente tinha me deixado curiosa e eu somente saberia o que estava por vir quando ele saísse do hospital, parecia que ele fazia de propósito, mas eu gostava da ideia e tinha certeza que alguma coisa boa estava por vir.

Notas finais
Reviews?