Bem-vindo ao Colégio Van Helmont
7 Capítulo 7
*01/04 – Domingo* Continuação:
Diante dos meus olhos estava uma situação bem incomum hoje em dia... Michael devia ser mais inocente do que eu pensava e Roger estava certo sobre ele ser o tipo de pessoa que não guarda um segredo por muito tempo.
– Um assassinato? – Perguntou Rebekah fazendo uma cara de quem não sabia de nada.
– Olha, provavelmente você está me achando um completo idiota mas eu não podia falar lá dentro do colégio, e eu sou inteligente o suficiente para perceber que isso que você tem no seu braço esquerdo é um chip de GPS. Eu vi enquanto te carregava naquele dia para a enfermaria, então não temos muito tempo. Escute com atenção.
– Como voc... – Rebekah agora parecia surpresa, eu também.
Michael continuou sua história o mais rápido possível antes que pudesse perder mais 1 segundo.
– Você sabe que eu sou da família Willow e eu sei que você não é estudante coisa nenhuma. Continuando: Meu pai trabalha com a robótica do país, ele desenvolveu a maioria dos robôs que você vê circulando por ai. A mulher dele é estéril, então não foi capaz de ter filhos, o que gerou casos com uma empregada e eu nasci. Mesmo sendo filho bastardo ele nutre uma grande afetividade por mim e me colocou nesse colégio para melhorar minhas habilidades. Serena, ou qualquer que seja seu nome, EU criei um monstro! Estava trabalhando em um protótipo de robô de segurança para a empresa de meu pai, assim ele poderia me assumir em público como sucessor da empresa. Só que alguém roubou meus protótipos e está usando-os para matar os alunos do colégio! Ou seja, eu sou responsável por cada morte que ocorreu, mas ao mesmo tempo não tenho nem ide...
Foi a vez de Rebekah interromper.
– Calma ai papa-léguas, você quer mesmo que eu acredite que esses acontecimentos são culpa de robôs? Tipo, os seus?
– Não parece ter sentido agora, mas eu posso mostrar, posso explicar. – Continuou tão rápido quanto antes.
– Hm... Faça-me o favor e “tente” explicar essa sua ideia mirabolante e me convença que você não é mais uma pessoa que ficou louca depois de ficar tanto tempo estudando.
– Não é ideia mirabolante. Eles estão por todos os lados, não consegue ver? Estamos sendo vigiados 24 horas por dia, eles tem acesso a cada parte do colégio e podem fazer tudo aquilo que o dono está mandando. Essa pessoa que pegou meu protótipo, que é um chip, pode colocar-lo em qualquer máquina que ele quiser e ela o obedecerá. Eu andei vendo as câmeras de vigilância e percebi que o fluxo deles vem aumentando, eles estão desligando as câmeras dos ataques, fui eu também que levava a Doutora Helena para perto dos corpos, assim ela poderia ajudar.
– Foi você?
– Sim!
– Robôs não podem entrar em água, como você explica o afogamento?
– Esses são os novos robôs à prova d’água que chegaram no início do ano, eu tenho todos os inventários em meu quarto, também tenho mais um protótipo que posso te mostrar...
Começamos a ouvir o som de viaturas subindo a montanha, eles estariam aqui em cima a qualquer segundo, o tempo estava acabando.
Rebekah colocou as mãos nos ombros de Michael, olhou em seus olhos e falou séria.
– Quando eles chegarem aqui vão me sedar, isso quer dizer que irei apagar por 2 dias. Eu ainda não posso acreditar nessa história e nem você pode falar isso para mais ninguém além de mim, se isso for verdade qualquer pessoa próxima de você é suspeita ou uma futura vítima. Continue sua vida do jeito que você estava, no guarda-roupa do meu quarto tem um cofre, a senha dele é: culpada. – A sirene parecia cada vez mais perto, daria tempo? — Repetindo: culpada. Lá dentro tem um remédio que Mags desenvolveu que evita a perca de memória, enquanto eu estiver sedada eu quero que você dê um jeito de injetar em mim, porque geralmente quando o sedativo acaba eu perco a memória das últimas semanas e isso não pode ocorrer. A segurança no meu quarto estará baixa, o colégio não permite seguranças de fora. Conto com você.
Quando ela terminou de falar 5 policiais armados retiraram-nos do carro e jogaram no chão. Sem dizer uma palavra eles apenas aplicaram um sedativo em mim, e tão rápido quanto eles apareceram minha vista foi ficando pesada e as coisas turvas. Essa era mais uma fuga bem sucedida. Espero.
*03/04 – Quarta* Hora do almoço:
Acordei lentamente e tentei me levantar. Tudo doía, cada pedaço do meu corpo parecia pesar 100 quilos, qual era minha última lembrança mesmo? Ai como minha cabeça dói!
Desisti de tentar lembrar de algo por enquanto. Levantei, fui ao banheiro e lavei o rosto, quando levantei a cabeça vi que tinha um recado colado no vidro: “Quando se lembrar de mim venha no meu quarto. Ala D – 21. Michael.”
Era isso!
Ainda bem que minhas memórias não foram embora, teria sido um saco ter que correr atrás de todas as informações até agora, se bem que não eram muitas, mas não é legal perder uma parte da memória porque você tem um alter ego que tem tara por fugir dos locais...
Wow! Robôs! Será possível? Será que a humanidade já chegou a ponto de usar-los para matar? Pelo menos as prisões não vão ter que se preocupar com a super lotação, isso é fato.
Tomei um banho, me arrumei e fui procurar algo para comer, eu estava faminta!
No caminho da cantina Mags veio ao meu encontro.
– Ui... Decidiu fugir de novo?
– É, você sabe, adoro esse gostinho de liberdade. – Falei enquanto fazia uma falsa comemoração com o braço.
– E de sedativos por sinal... Acho que o que você gosta mesmo é se drogar e tirar um belo cochilo! Vou tentar um dia desses. – Ela falou enquanto pegava uma Aquarius na máquina de bebidas.
– Vá por mim, não é tão bom assim. Obrigada mais uma vez por aquele remédio, é uma mão na roda de tão prático. – Peguei uma Coca e me dirigi ao balcão para pedir um almoço caprichado, tudo pela conta do governo, viva!
– De nada, precisando é só pedir.
Nós pegamos a comida e sentamos em uma mesa desocupada.
– Conte-me o que eu perdi esses 2 dias...
– Hm... Alex saiu do armário! Ele deu uma mega festa no quarto dele, todo mundo estava lá e f...
Tive que interromper ela, não estava a fim de ouvir sobre uma festa, tinha mais o que me preocupar.
– O que teve no trabalho mesmo?
– Terminei a autópsia de todos os 7 corpos. A única coisa em comum é que eles tinham em partes diferentes do corpo algumas ligas metálicas, até que morreram por envenenamento tinha alguns compostos férricos diluídos em seu sangue. Nunca vi nada assim, provavelmente é algum psicopata louco por máquinas...
É sério mesmo? Eu só estava analisando a possibilidade de Michael, será que poderia ser?
– E a que morreu afogada?
– Na nuca dela tinha uns arranhões, aquilo não foi feito por seres humanos, definitivamente. Se brincar a guria exagerava no robô massagista, só isso.
– Robô massagista?
– É! Aqueles que ficam perto da piscina...
– E o que? Ela ficou tão relaxada que “caiu” na piscina e morreu?
– Sim, talvez. Relaxe, de todas as mortes essa pode ter sido por causas naturais...
Era o começo de uma neura nascendo em minha cabeça, não podia ter sido isso.
– Mags, eu perdi o apetite. Tenho que ir ver um amigo agora, encontro vocês depois, certo?
– Tudo bem, até mais tarde!
Ela acenou alegremente enquanto eu me afastava e ia em direção a Ala D. Eu estava com um pressentimento que talvez aquele filho da mãe pudesse estar certo.
Cheguei na porta dele o mais rápido que eu pude e bati incesavelmente até o momento que ele abriu.
– Serena! Como vai? – Ele abriu um sorriso instantâneo e eu fechei a cara.
– Tá, pode para com isso, se brincar você já sabe que meu nome de verdade é Nadia e você só conversou com Rebekah, me deixe entrar. – Empurrei ele da minha frente e entrei na força.
– Ok, eu sei quem você é só não posso falar isso nos corredores onde tem câmeras vigiando. Tentei desconectar as daqui, mas instalaram um vírus bom demais para eu conseguir me livrar...
– Me responde: É possível ou não é possível que você esteja certo?
– Prefiro a Rebekah sabia?
– Ah é? Bem, todo mundo prefere. Responda minha pergunta por favor... Isso está me agonizando, como pode ser robôs o culpado?!
– Tanto pode ser como é. Venha aqui... – Ele foi em direção da estante e puxou um dos livros, uma porta se abriu e nós entramos. – Bem vinda ao meu laboratório!
Ele acendeu as luzes e vi o laboratório mais completo que entrei em minha vida! Tudo tecnologia de ponta, reluzente, bonita, computadores para todos os lados que você possa imaginar! Não é a toa que essas coisas saem andando por ai!
– Wow! Estou no paraíso das máquinas?
Ele sorriu.
– Parece que você também tem um senso de humor, venha aqui, vou te mostrar o meu protótipo.
Segui ele até um cofre na parede. Ele destravou e pegou o que era um micro chip.
– Isso aqui dá uma vida a qualquer máquina, ou melhor, mais vida ainda. – Ele explicou. – Veja bem, se eu colocar isso nesse robô faxineiro aqui, por exemplo, ele vai largar a vassoura e vai obedecer exatamente o que a minha voz mandar.
Ele pegou uma chave de fenda e começou a tirar os parafusos do robozinho, logo em seguida ele acomodou o chip em seu sistema e ligou a máquina. O que ela fez foi exatamente o que ele disse, largou a vassoura no chão e disse:
– P-348 pronto para o serviço! Bip!
– P-348, eu quero que você vá lá no jardim e pegue uma margarida para mim. – Michael pediu.
– Margarida! Bip-Bip!
E ele se dirigiu em direção a porta e saiu de nossas vistas...
– Estou sem palavras... Como você fez isso? – Minha expressão deveria estar perplexa, as máquinas geralmente só eram específicas para uma função e não para aquilo!
– Ai ai... – Ele sorriu de novo. – Muitos anos de estudo e dedicação. Esse seria a minha estréia na empresa, infelizmente foi roubada.
– A gente precisa descobrir quem foi e logo.
O robozinho estava de volta, em suas mãos metálicas ele carregava uma margarida.
– P-348, entregue a flor para a dama aqui. – Ordenou.
– Sim! Bip!
Ele estendeu sua mão para mim e me entregou a flor.
– Obrigada, mas como eles entraram aqui dentro? Tudo parece seguro para mim...
– Eles não entraram, eu fiz alguns chips e coloquei em robôs para fazer testes por ai, dai eles seqüestraram eles, simples.
– Quantos você acha que tem por ai?
– Uns 10? Eu acho que possam ser mais, já faz mais de 1 mês, provavelmente já descobriram um jeito de clonar-los. Nadia, preciso de você para achar o culpado disso tudo.
– Michael, eu vou ter que falar para a equipe, a situação mudou completamente. E como vamos achar as máquinas que estão com esses chips?
– Eu não fiz um GPS, mas ele também é sensível ao calor. – Ele pegou algo parecido com uma faca. – Pegue isso, sempre segure pelo cabo, vai aquecer a mais de 1000 graus. O suficiente para parar qualquer robô que ataque vocês. Esses serão os que tem os chips.
– Agora não sei é como vamos achar eles. Já olhou quanta coisa tem nesse colégio? É como procurar uma agulha no palheiro!
– Vai demorar, mas alguma coisa ainda vai continuar acontecendo. Precisamos ficar atentos.
– Bip!
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