Bem-vindo ao Colégio Van Helmont
3 Capítulo 3
*28/03 — Quarta* Pensamento noturno:
Creio que eu tenha ganhado outro sério problema para resolver, como Roger poderia saber?
Sempre mantive Rebekah o mais afastado da superfície possível, mas de vez em quando ela simplesmente vem à tona. Aquela vadia assume o controle sem nem pedir permissão! Eu apenas fico observando de dentro da minha mente ela se movimentar com meu corpo. Amigável demais para o meu gosto, sorriso falso, e atitudes mesquinhas. Ela tentou fugir do centro de detentos pelo menos umas 20 vezes, isso me rendeu horas e horas na solitária, fora esse GPS estúpido.
Até o médico e guardas não perceberam ela, como Roger percebeu? Principalmente porque nesses 5 meses eu me surpreendi que Rebekah só apareceu algumas vezes. Espero que ela não esteja aprontando. Espero que eu esteja ficando louca. Espero que todos morram logo.
*29/03 — Quinta*
Digamos que Rebekah estava realmente aprontando, aquela filha da puta decidiu assumir o controle hoje. ELA QUASE MATOU ALGUÉM!
Vamos aos fatos:
Quando eu acordei não era mais Nadia no comando, Rebekah começou a trabalhar cedo. Do mesmo jeito que eu consigo observar o que ela faz, aposto que ela também consegue ver o que eu faço, ou seja, ela está por dentro do caso.
A primeira coisa que tratou de fazer quando a aula de microbiologia terminou foi abordar Michael, mas é claro, do jeito dela.
Primeiro passo: Gerar um falso acidente.
Ela caiu da escada só para que ele a levasse para enfermaria! E pior, ele a carregou nos braços! Tenho que admitir, ou ele é o culpado, ou ele é muito estúpido.
– Como você está? – Falou Michael.
Ele tinha olhos verdes, usava óculos, tinha o cabelo até a altura dos ombros, era loiro e tinha um sotaque levemente estrangeiro... O suspeito poderia passar por alguém normal facilmente, ou melhor, acho que qualquer culpado pode ser o mais normal possível. É melhor duvidar.
O fato é que ela o tinha exatamente no lugar que queria: numa enfermaria, e sem pessoas a vista.
– Ai... Minha cabeça dói... – Falou com uma voz melosa de se ouvir.
– Quer que eu pegue um pouco de gelo? Um remédio? Um travesseiro?
– Ai... Um gelo seria bom... Você poderia segurá-lo em mim?
– Claro. Você caiu feio da escada, é um milagre que não tenha fraturado algo.
– Você acha? Sinto que desloquei uma costela ou outra, tudo dói... – Ela também garantiu de tossir enquanto falava.
– Nesse caso me deixa dar uma olhada, quero ser médico e esta é uma bela oportunidade de praticar.
É uma bela oportunidade de você se aproveitar seu safado. E novidade, você caiu na teia dela!
Ele levantou sua blusa e constatou que realmente tinha alguns hematomas, nada que algumas semanas não sarassem ou melhorassem, mas como ele “era” uma pessoa cuidadosa, decidiu ir ao robô de primeiros socorros pegar uma aspirina para a dor. Ok, entendemos que ele quer ganhar pontos com a bela garota.
– Está se sentindo melhor? Quer que eu fique aqui mais um pouco? – Perguntou ele.
– Por favor, fique. Estou com medo...
– Calma... Eu não vou sair já que é isso que você quer, e não fique com medo, várias outras pessoas já caíram da escada. – Confortou-a com um belo sorriso no rosto.
– Como você é gentil... Se existissem tantos médicos com a mesma disposição que você o mundo seria melhor...
Ele riu.
– Muito obrigado. Se todos os pacientes fossem como você, aposto que todos os médicos estariam mais dispostos.
Ela sorriu.
– Você está me cantando?
– Está tão óbvio assim? – Ele enrubesceu.
Meu Deus, alguém me mata antes que eu tenha que acompanhar mais um capítulo de uma novela mexicana!
– Você corou! Sou tão irresistível assim?
– Acho que seja mais o seu sorriso doce, admito que da primeira vez que te vi podia jurar que era uma pessoa mal encarada, mas te vendo assim, frágil e delicada, é impossível não sentir alguma coisa.
– Obrigada, são seus olhos... Você também é muito doce e gentil...
– Não, são os seus olhos. Eu não sou essa pessoa doce e gentil que você pensa.
Meu Deus! Ele estava confessando o crime? Durou o que? 10 minutos com ela?
– Como assim? Não creio que alguém como você poderia fazer algo errado... – Ela falou, fez beicinho e provavelmente falou com aquela cara de retardada que engana qualquer um.
– Não sei se deveria falar isso com você. – De repente ele ficou sério.
– Não se preocupe, eu sei guardar segredo... – Mais beicinho.
– Não, já fiquei tempo suficiente, tenho que ir. Te vejo por ai.
Definitivamente ele era suspeito.
Após ele sair, rapidamente Rebekah ficou de pé, era apenas mais um fingimento como sempre. Não seria uma simples escada da que iria lhe parar. Ela seguiu para encontrar meus parceiros, Mags e Roger.
– E ai? Descobriram algo? – Perguntou.
Tenho uma leve desconfiança que ela não escutou muito da conversa de ontem, sobre Roger falando suas suspeitas sobre ela, e mesmo assim ela continua do mesmo jeito de sempre: Doce.
– Oi Rebekah! Como você vai? Quanto tempo desde a última aparição? – Roger ironizou.
– Ainda com essa história? – Ela sorriu. – Olha, desse jeito você já pode começar a escrever romances de ficção! Eu apenas acordei com o pé direito querido...
– É, haja pé direito para te deixar com esse humor todo! – Continuou Mags. – Bem, nada de esquisito na minha ala por enquanto ou suspeitos por ai.
– Acho que é exatamente o contrário Mags. Alex e Daniel foram em todos os pavilhões e viram as fitas de duas semanas atrás até hoje, posso afirmar que temos muitos suspeitos. O pavilhão C que era perto da piscina tem 3 suspeitos. O da floresta são mais 2. Fora que os outros locais tem muito mais gente, aparentemente você ganhou na loteria e ficou com um local com apenas 1 suspeito. – Roger nos informou.
– Nossa! Que sorte a minha! – Ela respondeu com um belo sorriso.
– Roger, no meu foram quantos mesmo? 5 pessoas? – Mags perguntou.
– Sim, aqui estão os nomes das pessoas da sua ala. A garota que morreu é Ester Dellacourt, filha da designer famosa. Decapitada e foram encontradas peças de robôs dentro dela, não creio que usaram robôs para matá-la...
– A cada dia descobrimos coisas novas, certo? – Rebekah falou e continuou. – Foi o Alex que ficou com a ala C, não é? Quem morreu afogado?
– Sim, foi Cintia Fagundes. Ela fazia parte do time de natação... – Mags respondeu.
– Um peixe morrendo afogado não é muito comum. Pergunta: Michael apareceu em mais alguma fita? – Rebekah perguntou.
– Não, apenas naquela. – Responderam.
– Então estamos trabalhando com possíveis 6 suspeitos. Informem aos outros para abordarem todos os suspeitos. Quem morreu perto da minha ala mesmo?
– Yuri César, envenenamento. – Roger informou.
– Ótimo! Michael é ótimo com remédios, ótimo também em ajudar pessoas... Acho que ele esqueceu que o código dos médicos é salvar pessoas...
– Nadia, Michael queria ser médico? Você descobriu algo mais útil com ele do que isso? – Mags perguntou fazendo cara de preocupada.
– Desconfio que ele não seja a pessoa “doce e gentil” que todo mundo pensa, ele realmente está escondendo algo. Nada mais útil do que uma quase declaração de culpa em um crime, vou me aproximar mais dele e descobrir tudo.
– Eu invadi o quarto dele hoje, não tinha nenhuma substância, arma ou objeto suspeito. – Roger realmente tinha uma quedinha por invadir lugares!
– Provavelmente está escondendo em outro canto, eu pelo menos não esconderia lá. – Mags disse.
– Outra coisa, me disseram que os equipamentos chegam amanhã. – Roger informou.
– Perfeito! – Rebekah abriu um sorriso estonteante. – Vamos finalmente poder abrir alguém!
– Calma ai little bitch, eu vou ficar com a parte de fazer a autópsia, você não ganhou essa credencial. Sinto muito.
Com aquele comentário de Mags o sorriso de Rebekah sumiu tão rápido quanto surgiu. Algo como raiva começou a surgir dentro da gente, ela não gostava de ser contrariada.
– Então tá, vejo vocês amanhã. Estou indo para o meu quarto.
Ela não esperou ao menos alguém responder alguma coisa, como se fosse uma menina mimada ela apenas se virou e marchou para o nosso quarto. Quando entrou encontrou Milla, nossa colega de quarto, dissecando um sapo.
– Olá! Você chegou tão cedo! Ainda não tivemos tempo de nos conhecer direito, espera só mais 5 minutos e já vou conversar com você.
Antes que Milla pudesse pegar o bisturi de volta Rebekah já o tinha pegado. Ela deu uma chave de braço e colocado ele na garganta dela.
– Olha aqui, eu não te conheço e não quero conhecer, não se meta nos meus assuntos que eu não me meto nos seus. Estamos entendidas?
– S-s-sim.
– Ótimo. E tire esse sapo fedorento daqui.
Ela afrouxou o braço e largou Milla no chão, foi direto para a cama e dormiu.
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