Bem vinda ao perigo
2 Capítulo 1 - O Começo
Notas iniciais
Estava deitada tentando enrolar ao máximo, mas sei que não conseguiria isso por muito tempo. Já havia acionado a soneca do despertador quatro vezes e se eu não levantasse em alguns minutos meu pai mandaria alguém me acordar. Ele próprio não vinha, porque há essa hora já devia estar tomando seu café para sair e chegar cedo ao escritório. Ele era um cara ocupado, e não tinha muito tempo pra mim. Mesmo assim, ele cumpria seu papel muito bem, diga-se de passagem. Éramos muito unidos, e iguais. Ambos éramos reservados e discretos com tudo, mas nutríamos uma boa e sadia relação que se estreitou ainda mais depois que minha mãe se foi. Nos unimos em nosso luto e isso nos fortaleceu.
Sinto saudade dela todos os dias da minha vida.
Estava animada para o começo da aula. Minha amiga Melissa e eu planejávamos que este fosse o momento de nossas vidas, faculdade, futuro. Planejamos sempre estar juntas nessa fase, e conseguimos. Ambas amamos Moda e escolhemos a mesma instituição para permanecermos juntas, e isso foi um alivio pra mim. Eu não tinha muitos amigos. Meu pai era um cara importante, bem importante. Promotor de Justiça, desses que mandam os piores caras para a cadeia. E isso trazia consequências pra gente. Não podia ter uma vida como a das outras pessoas. Tinha de ser reservada, evitar que qualquer pessoa pudesse se voltar contra mim, por causa do trabalho do meu pai. Eu sei que havia coisas que ele escondia de mim, mas nós sofríamos ameaças o suficiente a ponto de termos esconderijos pela casa e botões de emergência nos quartos. Eu evitava perguntar. Queria ter uma vida normal dentro do possível, então ignorava: o que os olhos não veem o coração não sente. Mal sabia eu que naquela manhã tudo mudaria.
— Bom dia pai, o senhor está bem? – perguntei surpresa por ele ainda estar tomando café. –
— Sim minha querida – ele respondeu fechando seu jornal – estou perfeitamente bem. Estava esperando por você. Precisamos conversar.
— Estou encrencada? – Perguntei tentando lembrar se havia feito algo errado, nada me veio em mente -.
— Não. – meu pai deu um sorriso cansado – você tem sido uma ótima filha como sempre. Mas receio que preciso que faça algo por mim.
— Porque receia? O que é? – Perguntei
— Querida, você sabe, que recebo ameaças constantemente por causa de meu trabalho. Não sabe?
— Sim, sei. – respondi
— A situação está ficando fora do controle. – confessou – Estamos a ponto de condenar uma pessoa importante dentro de uma quadrilha grande do País. Estamos recebendo ameaças atrás de ameaças, porque se essa pessoa for presa, a quadrilha começa a cair.
— E o que eu tenho a ver com isso? – disse sem entender
— Essas pessoas, esses bandidos, que me ameaçam, eles estão usando você para me abalar – ele respondeu, como que escolhendo as palavras. – Não acho que ele fará alguma coisa com você, mas o Ferreira sim. E ele quer estreitar a sua segurança.
— Como assim, estreitar? – Perguntei. Ferreira era como um tio, ele trabalhava como chefe de segurança da promotoria e era muito próximo do meu pai.
— Ele me ofereceu um de seus homens. Jovem, mais ou menos da sua idade, para ficar 24 horas com você. Um segurança particular.
— O QUE? – Eu basicamente gritei incrédula
— Desculpe querida. Sei o quanto gosta de ser reservada, mas não há muito que se fazer. Eu preciso ter a certeza de que você está segura. Não quero que pare sua vida por causa do meu trabalho, como eu disse, eu acho que não chegarão a ferir você. Mas se o Ferreira pensa que é melhor assim, não irei contrariá-lo.
— O Ferreira não sabe de nada na minha vida, VOCÊ é o meu pai, não ele.
— E por ser seu pai que concordei fazer isso, Alanis.
— E minha privacidade? Vou ser seguida 24 horas por dia? Isso é ridículo pai.
— O agente será o mais discreto possível. Querida, preciso que você me prometa que vai cooperar. Por favor. – Meu pai disse pegando minha mão. Seu olhar era de súplica – Não posso perder você também – Seu olhar e o fim da frase me fizeram suspirar.
— Tudo bem – cedi – vou tentar Pai. Mas isso tem que mudar o mais breve possível.
— E irá, assim que prendermos essas pessoas maldosas tudo se resolverá, eu prometo. – ele deu um sorriso simpático.
— Ok – bufei – Que escolha eu tenho. É melhor eu ir. – Me levantei pegando uma maçã – Vejo você mais tarde, se cuida.
— Josh está lá fora a sua espera.
— Quem?
— Josh, seu novo segurança.
Respirei fundo, peguei minha bolsa e saí ao encontro do meu novo cão guarda. Seja lá quem fosse não seria tão fácil assim. Eu queria minha privacidade de volta e ia recuperá-la a qualquer custo. Quando saí pela porta da entrada o tal Josh já me esperava dentro do carro. Quando me avisou, ele saiu e então eu paralisei. Alto, pele clara, cabelo castanho escuro, olho preto, corpo atlético e um sorriso arrasador, usando jeans preto, camisa preta, tênis preto e uma jaqueta de couro também preta. Josh era o cara mais lindo que eu já havia visto na minha vida.
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