Bem Vinda Ao Campo
49 Um Presente do Führer
Notas iniciais
Boa Leitura.
Não fosse por obrigação teria voltado para casa no mesmo momento em que chegara ao campo.
Sentia uma falta terrível dos filhos, e um desejo incontrolável de ter Anne nos braços novamente. Já fazia um mês desde sua partida.
A guerra como estava interferiu em sua rotina de trabalho. Os treinamentos estavam cada vez mais curtos, antes duravam de quatro à seis meses, em um mês havia sido obrigado a liberar quatro turmas diferentes, uma por semana.
A enorme maioria dos soldados era habilitado para a guerra sem estar sequer minimamente preparado. Heinrich abominava isso.
Sentia que o general Löhnhoff também estava descontente com a situação, as saudações à Hitler eram cada vez mais raras.
As notícias sempre eram preocupantes, Berlin e o resto da Alemanha continuavam a ser bombardeadas, nas frentes de batalha um número absurdo de homens morria.
As fornalhas crematórias de Auschwitz trabalhavam constantemente. A fim de cortar gastos os prisioneiros eram eliminados como nunca antes.
Oficiais como o capitão Engels lamentavam o fato, assim tinham menos tempo para torturá-los.
Heinrich rezava todas as noites ajoelhado no seu quarto do alojamento. Nunca mais fora dormir em sua casa na Polônia.
Pedia sempre pelas mesmas coisas, que sua família ficasse bem e a salvo das bombas, que Deus lhe desse forças para continuar, e que a guerra não tardasse a acabar.
Estavam em dezembro de 1943, a guerra já durava quatro anos, e não só ele como boa parte dos militares já tinha certeza de que estava perdida.
Meses antes recriminara o infeliz marechal-de-campo Von Paulus por ter se entregado aos russos, mas naquele momento o entendia.
Não havia o que fazer senão se entregar aos inimigos. No fim eles eram muito menos piores que Hitler. A Alemanha estava perdida.
Enquanto mais e mais jovens alemães eram enviados para uma morte certa, o Führer enganava-se em seus delírios febris, bradava a superioridade do povo ariano e progressos que só ele mesmo enxergava.
E em meio aquele pandemônio, aproximava-se o Natal.
Como deboche com os prisioneiros judeus, o comandante Höss selecionou os que eram artistas e os obrigou a ensaiar a encenação de um auto de Natal para divertir os oficiais que passariam a data no campo.
Heinrich já não acreditava mais na possibilidade de voltar para casa, já era dia 23 de dezembro e ainda não havia recebido seus papéis de dispensa.
Apesar disso estava animando naquela quinta-feira. Rudolph lhe telefonara de Berlin para avisar que estava para chegar a Auschwitz. Esperava por ele no pátio ao lado dos alojamentos.
Não era o que havia esperado para o Natal e provavelmente passar o feriado no campo não havia sido o plano de Rudolph, mas sentia-se bem de pensar que teria ao menos um de seus entes queridos consigo.
Fumava um cigarro despreocupadamente quando o médico saltou sorridente do carro. Era um homem plenamente renovado.
– Nem dá pra dizer que só tem um mês que se acidentou. – observou Heinrich, a aparência de Rudolph estava ótima.
– Tive uma enfermeira muito dedicada.
– Kristina continuou te visitando?
– Sim, nos tornamos bons amigos.
– Amigos, sim...
– Heinrich ela é só uma menina, e o pai dela me detesta.
O major deu de ombros com uma expressão divertida. Jogou o cigarro no chão e pisoteou-o para apagar.
– É um sujeito engraçado o pai dela.
– Eu diria que furioso.
– Você o conheceu?
– Sim, ele me procurou para avisar que se eu continuasse vendo Kristina, ele seria obrigado a chutar o meu traseiro nazista.
Deram risadas. Hans Kriegel tinha uma rabugice cativante.
– Então não se viram mais?
– Não, mas estamos nos correspondendo por cartas.
– Pff... e ainda me diz que são só amigos.
– Somo só amigos. Por hora, é o que somos.
E tudo ficou entendido. Heinrich admirava Rudolph pela paciência e controle, gostaria de ter feito o mesmo com Anne.
– Desejo boa sorte para vocês.
– Obrigado, mas acho que quem está com sorte é você.
– Porque diz isso?
– Tenho um presente para você.
– Que presente?
Com um sorriso Rudolph entregou-lhe um envelope.
– O que é isso?
– Abra e veja você mesmo.
Abriu apressadamente, correu os olhos sobre o papel e logo voltou-se para o amigo com um enorme sorriso.
– É isso mesmo?
– Sim, é uma licença emitida pelo próprio Führer para que você passe as festas em casa.
– Céus, é perfeito! Mas e você?
– Recebi uma também, vim apenas para buscar você.
– Fala sério?
– Sim, veja dentro do envelope, tem uma passagem.
Conferiu e encontrou a dita passagem ali.
– Bem, nesse caso acho que não temos mais nada a fazer aqui... – disse ele muito sério.
– E então?
– Vamos logo! Não vejo a hora de reencontrar minha família.
Sorria. Teria sua família no Natal.
Notas finais
Que assim seja...!
--X--
Pois bem, sinto muito pelo atraso e juro que ele é super justificável.
Então, por incrível que pareça eu comecei as aulas essa semana. Exato, em pleno dezembro.
Explico. A questão é que com a greve das faculdades federais , as turmas de segundo semestre da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) tiveram o ingresso adiado a fim de que pudessem repor as aulas da turma do primeiro semestre.
Por conta disso, comecei meu curso de Design Gráfico nessa segunda-feira, e sabe como é, tudo muito novo e envolvente, e exige adaptação. Acabei ficando sem tempo para postar.
Tentarei fazê-lo o quanto antes, caso demore, garanto que a partir do dia 21 de Dezembro (quando começarão as férias, isso se o mundo não acabar... HAHAHAHAH) voltarei àquele esqueminha de postar pelo menos uma vez por semana.
Muitos beijos, e por favor, não me abandonem! ;*
Até o próximo suas LINDAS!
Fale com o autor