Bem Vinda Ao Campo

40 Elogios do Líder


Notas iniciais
Demorou mas chegou!
Boa Leitura.

Heinrich lembrava-se perfeitamente do modo como havia se despedido da família naquela manhã.

Um beijo na testa de cada filho, dois nas bochechas rosadas de Nana, e um longo e apaixonado nos lábios de Anne.

Ainda sentia o gosto da boca dela na sua. Se fosse morrer naquele dia, gostaria de morrer com aquele sabor na língua.

- Está pronto? – indagou Rudolph preocupado.

- Sim.

Foi só o que disse, não se sentia animado para falar, só queria que aquilo terminasse o quanto antes.

Calados, encaminharam-se em direção ao bunker, e antes que pudessem se aproximar da porta foram detidos por dois oficiais armados.

- Pois não senhores?

Poderia ter sido simpático e usado de toda capacidade de persuasão, mas seu humor não estava nada favorável a isso.

Apenas apresentou os papeis que o general Löhnhoff havia lhe entregado em Auschwitz, a carta que ele recebera o convidando a reunião e uma outra na qual indicava o major Von Veltheim como seu substituto.

- Sinto muito major, o senhor pode entrar, mas não tem nada escrito sobre o seu amigo... – disse o mesmo oficial que falara antes.

- Esse é o Dr. Rudolph Krämer, um dos principais médicos dos oficiais em Auschwitz, meu médico pessoal, e está aqui como meu assistente.

Sem dar tempo para qualquer outra interpelação entrou no bunker, não olhou para trás, esperando que o amigo fizesse o mesmo.

Percebendo a deixa, Rudolph o acompanhou tão rápido quanto suas pernas permitiram e diante daquilo, os oficiais na porta acreditaram que não havia porque interferir, afinal, ainda haveriam muitas outras portas entre aqueles dois e o Führer.

- A partir de agora, acompanhe tudo o que eu fizer. – sussurrou Heinrich assim que se viu afastado o suficiente daqueles soldados.

Rudolph sequer se deu ao trabalho de responder, não era necessário. Tudo o que ele decidisse seria imediatamente acatado.

- Heil Hitler! – cumprimentou fervorosamente o Ministro da Propaganda que vinha andando pelo corredor.

- Heil! – responderam o major e o médico em uníssono.

- Major Von Veltheim, ouvi falar de você. — comentou Joseph Goebbels displicentemente — Se não me engano foi o general Löhnhoff que o mencionou. Mas ainda assim não o esperava aqui...

- O general Löhnhoff me pediu para vir em seu lugar, e eu aceitei imediatamente diante da oportunidade de estar mais próximo do grande Führer.

Sua atuação saíra tão boa que arrancou um sorriso do pálido e raquítico ministro de Hitler.

- É sempre bom ter homens entusiasmados como o senhor.

- Não é possível não me entusiasmar estando tão perto de ver meu líder, de falar com ele.

Mentia deslavadamente, sua única intenção para com Hitler era matá-lo o quanto antes, mas conseguia passar uma impressão totalmente contrária.

- Sua presença é muito bem vinda, mas quem é seu amigo?

- Oh sim, este é o Dr. Rudolph Krämer, é encarregado de uma das alas hospitalares do complexo de Auschwitz, mantém a saúde de nossos homens, e veio como meu assistente, isso é claro, se não for um incomodo.

Sorriu seu melhor sorriso. Era tão perfeitamente ariano, um espécime tão exemplar de soldado alemão, que Goebbels não podia lhe negar aquele pequeno favor.

- O senhor também é muito bem vindo doutor. – informou Joseph apertando a mão do médico.

***

Acompanhando Goebbels entraram na sala de reunião. Fora uma verdadeira providência divina misturada a uma maldição o fato de o terem encontrado no corredor. O positivo era que chegaram a reunião sem sofrer qualquer tipo de revista e sem ter der responder perguntas, o lado negativo é que não houve tempo para acionar as bombas.

- Mein Führer. – chamou Joseph delicadamente.

- Diga...

A voz de Hitler causou um tremendo arrepio em Heinrich, que só então se deu conta de que não estava na sala de conferências e sim dentro de um dos cômodos particulares do líder.

- Tenho aqui um oficial que o senhor gostaria de conhecer.

Os olhos azuis do Führer pousaram sobre ele. Era estranho reconhecer naquele homem o outro que fazia os grandes discursos.

Estava sentado atrás de uma grande mesa de madeira pesada e escura, não parecia um ditador, e sim um comum senhor de meia-idade.

- Quem é? – indagou ele, as íris brilhavam na direção de Veltheim.

- Major Heinrich Von Veltheim mein führer, servi na Campanha Norte-Africana ao lado do coronel Stauffenberg, depois me encarregaram de treinar novos soldados nos complexos de Auschwitz.

Hitler parecia maravilhado em ouvir o que Heinrich dizia, como se ele contasse uma história fantástica.

- Imagino que o general Löhnhoff tenha te mandado aqui. – supôs o führer acertadamente – Ele me contou sobre você, e Himmler o mencionou também.

Poderia certamente estar entrando em pânico por descobrir o quanto Hitler sabia sobre si, e por perceber o tanto que ele se demonstrava interessado, mas não sentia nada. Estava calmo.

- De fato o general me pediu para substituí-lo, aceitei de imediato. E o comandante Himmler nos visitou em Auschwitz há alguns meses, conversamos brevemente.

- Você é perfeito major, mas creio que já saiba disso...

- Não compreendi mein führer.

- É exatamente o que eu gostaria para a Alemanha. É um bom homem, completa e visivelmente ariano, e é um soldado devotado.

- Não é nada além da minha obrigação.

Em outros tempos, menos de um ano atrás, e Heinrich teria ficado orgulhoso por aqueles elogios, teria adorado escutá-los. Agora já não fazia sentido.

- Sua humildade é comovente. Mas ainda lhe carece um pouco de ambição.

- Perdoe-me mein führer, mas tenho uma filha pequena, no momento ambição não me cabe.

Hitler sorriu, estava satisfeito por ter conhecido aquele homem interessante, apreciava-o mais a cada instante.

- E quanto a este outro senhor admirável? – indagou ele simpaticamente – Como se chama meu caro?

- Rudolph Krämer, sou médico encarregado de uma das alas hospitalares de Auschwitz, cuido dos oficiais.

- Creio que nossos homens estejam em boas mãos. – concluiu o Führer sorridente – Mas agora senhores vamos nos apressar, pois a reunião já está atrasada.

Enquanto caminhavam pelo corredor ao lado do Ministro da Propaganda e do próprio Führer, Heinrich e Rudolph entreolharam-se brevemente.

Como iriam acionar as malditas bombas?

Notas finais
Hitler interessado em Heinrich...
Não sei porque, mas isso me parece bastante perigoso. =X
E as bombas? O que eles vão fazer? =0
--X--
Quero agradecer por todos os comentários, e a paciência com a demora das postagens. E um obrigado especial a DaniSantos, Minka Del Lea e Mclean que fizeram maravilhosas recomendações para a fic! Obrigada a todas você, suas LINDAS!