Bem Me Quer.

8 Capítulo 8


"Amor?"

Se você foi um dos que realmente acreditaram que Robin de Locksley caminharia até Regina sem hesitar, estava mais que enganado. Foi só ouvir a voz calma de sua mulher o chamando que já se remoeu todo. "O que eu estava pensando?" — respirou fundo, estava imaginando demais. Dessa forma, voltou o rosto para onde Marian estava e disse:

"O que foi, meu bem?" — a forma como perguntou era de um tom suave quando na verdade ele tinha vontade de gritar. Estava em um conflito interno gigantesco e não sabia o que fazer. Ir em direção a prefeita com certeza era a primeira opção da lista de melhores coisas do mundo e de coisas que ele gostaria de fazer mas também era algo completamente sem nexo.

"Infelizmente, ela está acompanhada de outro homem e para piorar, não havia demonstrado interesse nenhum em mim." — pensava.

O conflito momentâneo de 'ir ou não ir até ela' acabou quando Robin realmente se convenceu de que a melhor opção era ficar ali onde estava e também quando admitiu para si que mesmo se tivesse escolhido ir, não teria coragem e traquejo para tal.

E assim se passou mais uma hora de festa. Sem novidades: Robin e Marian sentados comendo, Graham e Regina conversando com os amigos enquanto trocavam malditas carícias. Parece que agora o casal havia decidido se expôr à cidade inteira e não haveria evento melhor para fazê-lo se não fosse ali.

"Vou comprar uma bebida" — Robin levantou-se e se pôs a caminhar já não aguentando mais a visão que tinha.

"Amor, espere!" — Marian o impediu segurando-o pelo antebraço. — "Eu já vou embora, vai que Roland acorda e.."

"Está bem. Vou ficar mais um pouco, ok?" — disse numa interrupção.

Ele havia deixado Roland em casa logo no início do festejo pois o garoto estava quase capotando de sono e assim Marian que antes tinha dito que ficaria em casa, acabou decidindo vir ao festival com o marido.

Ela acentiu com a cabeça e o deu um selinho — que foi assistido de camarote por Regina Mills.

Aí se foram mais meia hora desde que a esposa de Robin foi embora e ele continuava lá, bebendo horrores mas se mantendo sóbrio, assistindo com determinação o casal Regina&Graham. E foi numa dessas espiadas que Robin pôde perceber que todos ali estavam se levantando (Graham, Lacey, Regina e Gold).

"Será que já vão embora?" Continuou observando até que reparou que o xerife se despedia de Regina, assim como os outros. Nisso, foram todos embora e deixaram a prefeita ali.

O sorriso do cara não pôde se conter, Robin sorriu feito um idiota e agora sim a determinação de ir até ela havia voltado. E dessa vez era para valer.

*

Regina estava virada para a garçonete e olhando o cardápio, precisava comer algo afinal tinha bebido muito e estava de barriga vazia. Quando finalmente decidiu seu pedido, passou rapidamente as mãos pelos bolsos e percebeu que tinha esquecido a carteira.

"Droga! Deixei o dinheiro com Graham." — exclamou.

"Eu pago para a milady." disse Robin, anunciando sua chegada e virando-se para a funcionária, esta que já se direcionada para a cozinha a fim de passar o pedido para os cozinheiros.

A prefeita olhou rapidamente para o homem, abriu a boca para dizer algo mas foi interrompida pelo mesmo.

"Posso lhe acompanhar com estas?" — ele dizia se referindo à duas garrafas de vinho que ela havia comprado mais cedo.

Ela olhou fixamente para a garrafa e depois para o homem, ainda boquiaberta devido ao que ia falar antes de ser cortada. Por fim, Regina disse: "Eu estava pensando em usá-las numa ocasião especial mas.."

E lá estava ele, a interrompendo mais uma vez: "Esta é uma ocasião especial." — disse determinado, se virou e pegou uma das garrafas, mas antes Regina estendeu sua mão no antebraço dele, o impedindo.

"Sim, mas antes quero ir naquela barraca." — ela apontava para o tiro ao alvo e Robin acompanhou todo o seu raciocínio, não conseguindo evitar um sorriso bobo só de imaginar os dois lá se divertindo, brincando.

Ele esperou ela terminar de comer e assim foram, Regina estava meio tonta e assim enlaçou seu braço no dele, em busca de apoio. O advogado encarou seu braço, depois olhou nos olhos da morena. Ela sorria olhando para ele, que retribuiu o sorriso.

Chegando no tiro ao alvo, eles receberam instruções sobre o brinquedo e depois ficaram cientes do preço, o qual Robin pagou e assim puderam aproveitar: Regina começou, ela inclinou-se e segurou com precisão a arma a sua frente, mirou cautelosamente o alvo e atirou. Pontuação ruim, não acertou o alvo principal, fazendo assim 20 pontos. Mais uma vez — afinal eram 4 tiros cada — e mesmo resultado. E denovo, só que desta última vez foram 10 pontos.

Robin olhava ela jogar e ria, era mais fácil ela acertar o moço da barraca do que o alvo de 100 pontos. "Deixa que eu te ajudo." — foi indo atrás dela quase a encoxando e passou seus braços envoltos a ela, seu dedo indicador agora estava encima do da morena, no gatilho. Ele ia conduzindo ela a mirar certo e assim que o fez, disse que ela já poderia atirar… Não obteve resposta.

Ele olhou para ela, ainda na mesma posição, curioso sobre o porquê de a prefeita não ter atirado. Ela virou o rosto para o lado fazendo o mesmo que ele. Regina havia fixado o olhar nos lábios do rapaz, Robin reparou. Os rostos estavam incrivelmente próximos e ela sentia o cheiro de menta que saía dos lábios dele, sentia o calor da proximidade. De Locksley foi aproximando o rosto ainda mais, quase partindo para um beijo mas foi cortado por Regina que virou o rosto rapidamente em direção a arma e atirou.

Robin estava tão perdido em pensamentos que se assustou com o barulho. 100 pontos!

"Uou! Parece que alguém é boa." — gritou o moço responsável pela barraca.

"Não!" — Regina sorriu e virou o rosto para o advogado. — "O que parece é que fazemos uma boa dupla." — disse, referindo-se à ela e Robin.

Regina fez pontos o suficiente para escolher um brinde da prateleira mais alta. Lá haviam desde brinquedos até coisas para adultos, como perfumes baratos e coisas afins. O advogado a olhou com ternura quando a viu escolher um macaco de pelúcia e o direcionando para onde estava Robin, estendendo suas mãos entregando-lhe o presente.

"Para Roland, aquele anjinho." — o sorriso de todos os dentes, lá estava ele. Os dentes brancos da morena, os lábios marcando aquela boca pequena em forma de coração. Ter a prefeita diante de si, era uma tentação para Robin e ele se virava da melhor forma que podia, contendo-se para não agarrá-la ali mesmo, contendo seus braços firmes para não correr e abraçá-la forte. Todos aqueles sentimentos travavam uma batalha dentro de seu peito, por dentro ele era uma bomba atômica de emoções pronta para explodir, ferindo quem quer que fosse.. Graham, Marian. Não importava! Mas por fora aquele homem mantinha sua postura. Sorrindo.

*

"Robin pelo céus, não me deixe cair!" — o braço do homem estava por cima dos ombros de Regina Mills, e o dela estava em sua cintura, o abraçando. Ela tentava ao máximo se equilibrar em seus saltos e também em sua embriaguez. Avistando de perto um outro brinquedo.

Ela queria se divertir e teria que ser com ele, com Robin. "Vamos naquele."

"Pensei que fosse só o anterior e depois beberíamos…" — ele não reclamaria nem se ela quisesse ir à mil brinquedos antes de saboriar o conteúdo das garrafas mas não queria demonstrar que estava totalmente na dela, totalmente caído pela prefeita.

Totalmente apaixonado.

Ela lançou um olhar de repreensão para ele, o desafiando. "Está bem, você me convenceu. Vamos nesse também."

*

Foram para um brinquedo típico de parques de diversão. Um brinquedo formado de duas rodas paralelas que giram em torno do mesmo eixo, suspensas em duas torres verticais e sustentando em suas circunferências bancos oscilantes para duas pessoas: exatamente, a roda gigante.

O brinquedo era absolutamente para casais. Casais de verdade ou pais com seus filhos. Os bancos de cada cabine eram um de frente para o outro e assim os dois se sentaram, Robin e Regina, um de frente para o outro.

Inicialmente, Regina admirava a cidade. A roda dava uma vista completa de Storybrooke e era bem romântico tanto o brinquedo, quanto a vista e a situação. Robin revezava as vezes em que olhava a paisagem e o semblante da prefeita.

De repente, uma troca de olhares. Robin tentou disfarçar, fingir que não estava olhando para a morena quando percebeu que ela também o olhava. "Meu Deus, que vergonha!" — pensava.

Instantes após, depois de superado a timidez, ele a olhou. Ela o olhou. E assim ficaram até completar mais algumas voltas pelo brinquedo, se olhando e trocando sorrisos.

Ela o encarava fundo e a mesma situação do tiro ao alvo se repetia. Já era a segunda vez que se olhavam de maneira tão profunda.

*

Próxima parada, um novo brinquedo.

Parece que não era só a gargalhada da prefeita que remetia lembranças infantis. A mulher parecia uma criança querendo desfrutar de todas e quaisquer máquina de diversão do ambiente. Robin já estava cansado, mas não se queixava. Não para Regina Mills.

O novo brinquedo era bem semelhante à uma piscina de bolinhas mas ao invés dessa, havia uma escada ao lado e uma cadeira bem acima de onde se localizavam tais bolinhas. Ao lado, um botão.

Encaixando as peças, o casal imaginou que era preciso acertar o botão e fazer com que o companheiro caia. Ótimo! Pena que Regina Mills não está de vestido dessa vez.

Esperaram um casal com seu filho desocuparem o brinquedo e assim o usaram. Como Robin tinha se recusado a desfrutar do primeiro divertimento, nada mais justo que ele fazer as honras de começar com aquele.

"Vamos, suba!" — a voz de Regina lhe atingia o ouvido como um anjo lhe dando conselhos. Ela segurava o terço médio do braço de Robin com força e com suas duas mãos, o chacoalhando na tentativa de o convencer.

Ele atendeu o pedido da moça, ainda meio relutante.

Subiu. Sentou-se.

Regina estava sozinha tentando acertar o alvo para que Robin caísse. Era difícil..

O loiro continuava a olhando dali de cima, na cadeira. Ela jogava uma bolinha e com pressa já ia em busca de outra, levantando o braço denovo e mirando. Cada vez que ela levantava seu braço, sua blusa cropped subia lhe permitindo uma vista melhor da barriga dela. A mesma barriga que dava amostras grátis a Robin, Graham, Gold e a todos os outros homens grudados no vidro, fissurados com a figura da prefeita dançando, descendo, se entregando ao som, à voz da cantora e ao álcool. Perder-se em pensamentos e devaneios já era algo cotidiano na vida de Robin, desde que conheceu Regina Mills. E foi perdendo-se nestes que o loiro caiu com tudo daquela cadeira, indo de forma escancarada até as bolinhas. A danada demorou para acertar o botão, mas por fim acertou.

O advogado ria demais, reerguendo-se e saindo da 'piscina'. Agora era a vez da moça.

Subindo a pequena escada com algumas dificuldades de equilíbrio, Regina Mills era um pesadelo vestido de sonho para os olhos do loiro, isso porque ainda se encontrava vestida.

Ainda.

Esperou ela se sentar, se acomodando da melhor forma. Foram preciso três tacadas e nada mais, acertou na terceira tentativa.

"Assim não tem graça!" — protestou Regina. Estava sentada, cabelos bagunçados e aquela quantia imensurável de bolinhas atrapalhava sua saída. Robin reparou na dificuldade que ela se encontrava, "Por quê ela entrou no brinquedo de saltos?" — pensou, virando-se para ajudá-la.

Ele posicionou de forma segura suas mãos em ambas as deltóides do braço da moça e a puxou para si, levantando-a. Ela foi puxada e num impulso, jogou-se de forma desengonçada contra o corpo de Robin. Seu rosto quase encostando no peito deste, seus olhos totalmente fixados naquele peitoral másculo, de músculos marcados. Levantou o olhar, Robin a encarava boquiaberto. Ficaram se olhando nos olhos por minutos, ela com metade do corpo ainda na piscina.

Os olhos cor de grama do homem perdiam-se na cor escura das íris daquela mulher. Ela admirava até o branco do olhar dele, no momento. O olhar dele refletia inocência e carinho, já o olhar dela era sedutor. Rezava a lenda sobre sereias que estas costumavam a tomar banho nos rios e cantavam uma melodia irresistível, desta forma os homens que as vêem não conseguem resistir a tais encantos e desejos e assim, pulam dentro do rio. O dom de tais sereias eram a voz, a fonética, a recepção auditiva. Já o dom de Regina Mills era o olhar, simplesmente o olhar. Não subestimando o poder de seu corpo, de maneira alguma. O corpo da morena à sua frente era, de toda certeza, a oitava maravilha do mundo mas os olhos.. Ah, os olhos disputavam com as outras sete. O olhar da prefeita disputava o pódio com o Coliseu, na Itália ou até com o Cristo Redentor, de Rio de Janeiro. Afinal, de quê valia as setes maravilhas do mundo se não houvesse os olhos das pessoas para admirá-las? Oras, se o que mais encanta em Regina era o olhar, então seguindo este pensamento, aqueles olhos escuros como a madrugada ganhavam.

Regina abaixava o rosto, encarando novamente o peitoral do loiro. Ela desvinculou-se dele e terminou de sair da piscina, haviam mais pessoas querendo usar o brinquedo.

Robin sorriu. Percebeu que algo paralisou a prefeita desde o ocorrido. Eles caminhavam pelo festival e ela permanecia em silêncio absoluto. "Vamos beber ou você desistiu da idéia?" — Robin criou coragem e quebrou as muralhas do silêncio que o impediam de conhecer melhor sua amada.

Olhou para ele e fez que sim com a cabeça, permanecendo na droga do silêncio.

Mas de Locksley não desistiria, não mesmo. Virou-se para as barracas das freiras, que estavam ao lado deles.

Ele andou em direção a uma das barracas com as velas, Regina ficou parada o olhando e depois resolveu segui-lo.

Uma das freiras percebeu o casal chegando, não como se fosse impossível percebe-los, já que a barraca estava completamente vazia. Disse animada: "Vão querer velas?" — Astrid era o nome dela. De primeiro não viraria e nem desejava virar freira mas seu pai a obrigou, ela estava se envolvendo com um tal de Leroy que morava na cidade e os parentes dela o achavam mal sujeito, o odiavam. A mandaram para o internato assim que descobriram que, mesmo com a proibição, ela se encontrava às escuras com o desventuroso.

Astrid odiava o internato, foi mandada para lá ainda muito jovem e levava uma vida solitária. As freiras eram pessoas de coração totalmente puro e uma bondade sem tamanho, ela não se via nesse grupo de pessoas. Simplesmente não se encaixava. Ela não enxergava aquela perfeição em si mesma, se olhava no espelho e via uma pessoa cheia de pecados, que amava um homem e fantasiava noites e noites que estava em seus braços, por baixo de seu corpo. Contava ela que as freiras viviam dizendo para todos ali do internato que deveriam dormir sem pecados, pois caso contrário, o diabo vinha de noite e lhes puxavam os pés. Astrid não era de muita crença, mas sabia que todas as noites dormiria com as pernas dobradas, devido a seus inúmeros pecados e o medo de se arriscar.

"Vamos levar todas." — A voz de Regina era fria. Não importava como, mas pelo menos dessa forma ela havia quebrado o gelo. — "Mande colocar a conta em meu nome, comprarei todas não importe quanto custar."

Astrid abriu um sorriso de orelha a orelha e logo foi gritando a novidade para o resto das freiras. Que benção! se livrariam da dívida com Mrs. Gold!

Robin olhou para a prefeita, rugas em sua testa de tamanha a curiosidade. "O que faremos com todas essas velas, milady?"

"Iremos para a praia, acenderemos todas e beberemos lá." — a morena respondeu, dando ordens.

Notas finais
Comentem o que acharam! Isso me motiva, e muito.