Bem Me Quer.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Graham bocejou, estava tranquilo. Aos poucos foi abrindo os olhos, o quarto estava claro e não tinha ninguém ao seu lado, logo imaginou que Regina deveria ter ido trabalhar. Estendeu a mão para a cômoda que ficava ao lado da cama de casal, alcançou o celular e o desbloqueou. Nove horas. Ah ótimo! Ainda faltava alguns minutos para seu alarme tocar, teria mais tempo para se arrumar.
Graham levantou-se e foi para o banheiro, enxaguou seu rosto e reparou numa mancha vinho nas costas de sua mão, começou a encarar o espelho e depois desviou seu olhar diretamente para a mancha. Era a marca de uma boca, dos lábios de Regina.
E que lábios..
Deu um sorriso apaixonado e voltou a se arrumar, colocando uma calça marrom, camisa social cinza com uma gravata azul marinho e sua jaqueta de couro preta por cima. E claro, não poderia se esquecer, o distintivo de seu cargo.
*
Regina encarava atenciosamente para a tela de seu notebook, suas mãos corriam numa rapidez pelo teclado ali presente que era preciso agilidade para acompanhar tais movimentos, seus dedos pressionavam cada tecla com a delicadeza de uma dama.
"Regina.." — Aurora estava na porta, com metade de seu corpo à mostra, entre a porta e a batente.
"Entre." — a prefeita sequer tirou os olhos da tela para encarar o rosto de Aurora, dando sua resposta ainda concentrada no que estava fazendo, ocupadíssima.
"Hoje um tal de HoliPark ligou aqui enquanto não estava. Desculpe, esqueci de avisar."
"Ah sim, sei sobre o que se trata.. Continue, o que disseram?" — finalmente Regina virou-se para Aurora, a olhando atenciosa.
"Que estava tudo certo com o aluguel e que passariam aqui em Storybrooke, no dia combinado, para montar os brinquedos e barracas."
"Oh céus, obrigada." — o tom utilizado pela prefeita Mills demonstrava alívio, Aurora imaginava que aquilo seria para o dia do minerador. Ela estava morta de curiosidade mas não sabia se deveria se atrever e perguntar.. Mas assim o fez.
"É para o festival?" — mesmo diante da coragem que a tomou no momento, continuava receosa sobre qual seria a resposta da prefeita.
"Sim."
"Pensei que seria igual ano passado, que não havia contratado nada de novo."
"C'mon, sou uma mulher de novidades." — riu. — "E além do mais, não seria o dia do minerador se não houvessem surpresas." — Regina a olhou, intrigante. — "Da mesma forma que não seria surpresa se minha secretária soubesse antecipadamente, certo?"
Aurora havia entendido o recado: Regina queria segredo.
"Mas serão brinquedos enormes já que é um parque de diversões.. Aposto que saberão, antes do festival começar, quando verem aqueles escorregadores de tapete ou barracas de doces sendo montadas naquele terreno totalmente descoberto, né!" — brincou, ironizando.
"Outra novidade: não será no terreno. Será no antigo parque de diversões, aquele abandonado caso não se lembre, daqui da cidade e.." — Regina excitou pensando se realmente deveria estragar a surpresa toda ou não. Deixe para lá, é sua secretária.. Que mal tem? – "Sabe a roda gigante que não funcionava a anos por aqui? Mandei concertar."
"Re-gi-na! Todos vão amar!" — dizia a ruiva, espantada.
"Sim, eu sei. Admita que sou ótima no cargo!" — e fez uma careta, esticando o pescoço e levantando apenas uma de suas sobrancelhas, indicando superioridade.
A menina observou com atenção a brincadeira de Regina e riu. "Sim, você é ótima."
"E amanhã vamos prender os panfletos nas ruas, ok?"
"Você? Na rua, prendendo os cartazes?" — imaginando a cena vindo de uma pessoa 'de classe' como Regina, Aurora não podia deixar de ironizar a situação.
"Sim! Sou gente como você, viu.. Sem brincadeiras." — deu um tapa no braço da secretária, brincando com esta. Ultimamente elas estavam muito próximas e Regina era uma pessoa de poucos amigos, daí vem a importância de cada momento com Aurora. Ela era muito fechada e a última pessoa que havia se aproximando verdadeiramente de Regina era Emma Swan e depois do que aconteceu a prefeita só pode concluir que o problema era si própria.
"Com apenas a diferença de dez salários mínimos e uma cidade na palma das mãos.. Com certeza, gente como eu." — riu, juntando-se em uníssono com a risada da morena. Era bom ter Regina Mills como chefe.
*
Graham tinha ido caminhando até a delegacia. Faltando apenas dois quarteirões para alcança-la, Emma apareceu do outro lado da rua.
Ela lançou um olhar ameaçador para o xerife e começou a caminhar em sua direção. Afinal, o que ela estava fazendo? Eles tinham se visto inúmeras vezes depois do incidente e ela nem o olhava na cara.
"Graham!" — ele virou-se vendo a loira atravessando a rua, acenando. Ela usava uma calça jeans bem escura, botas de couro as quais usava com frequência, uma blusa soltinha branca e de alças e segurava um jaqueta de couro vermelha em sua mão.
"Emma!" — ele estranhara — "Tudo bem com você?" — Ele estava feliz em vê-la, gostava bastante dela e se ela permitisse, gostaria que fossem amigos.
"Eu que te pergunto.. Minha vida está normal, como sempre, diferença que agora tenho uma casa, finalmente! Não via a hora." — falou, num tom de alívio.
"Ah sim, eu estou bem também."
"Com Regina." — Emma abaixou o olhar, com irritação.
"Emma, eu.." — Ele ficara completamente desconfortável com a colocação da moça, ele posicionou suas mãos dentro do bolso e debruçou os ombros num gesto de cansaço. Não sabia o que falar e agradeceu aos céus quando ela o interrompeu.
"Eu sei. Tudo bem, eu já superei isso." — Ele tinha a impressão de que ela estava mentindo, Graham realmente não queria ter feito aquilo, nem machucado Emma mas a sensualidade de Regina era torturante. Qualquer um teria feito o mesmo, inclusive ele, repetiria o erro.
"E Henry, onde está? Regina não o vê desde.. você sabe."
"Sim, eu sei e não pretendo fazê-lo voltar a vida dela." — Emma tinha uma expressão de durona, não ia bancar a corna mansa com Regina, muito menos a mãe derretida. A loira sabia a influência que a prefeita tinha na vida de Henry e sabia que o filho ia querer vê-la mas mesmo assim mantinha sua postura em relação ao assunto: deixaria as coisas fluírem naturalmente. Se eles se encontrassem na rua, ótimo mas levá-lo para ver Regina, nada feito.
*
Aurora já estava arrumando as coisas para sair do serviço quando alguém entrou. Ela ouvia o ranger dos sapatos pisando duro na porcelana do piso, não poderia ser Regina. Não, com certeza não era Regina se não teria ouvido rangidos de saltos, o que não era o caso. A secretária estava agachada arrumando uns papéis que estavam na parte debaixo do balcão, bem próximo ao chão. Num movimento gracioso, ela virou com a cabeça para o local da onde surgia o barulho e levantou os olhos calmamente.
Robin.
A secretária já estava se irritando, que cara insistente! O que ele queria dessa vez?
"Hm, boa noite. A Regina está?"
"Não, ela já saiu e já estamos fechando. Caso tenha algum problema tem que ligar no número do escritório da casa dela."
"Ah sim" — ele abaixou o olhar — "Venho amanhã então, mais fácil."
"Sim, concordo." — a moça deu um pequeno sorriso, falso.
Ele se despediu, vendo que a moça não estava interessada em tê-lo como companhia, e foi para casa. Não havia necessidade de ligar para o escritório da casa de Regina e ele sabia disso, mas não se contentava. Estava com muita vontade de estar com ela e ele ao menos sabia o porquê. Mas é claro que ele sabia, só não queria acreditar.
*
Olhos fechados, semblante angelical. Era dessa forma que Regina dormia, graciosamente. O quarto estava escuro e deveriam ser umas três horas da manhã, a rua estava calma sem um ruído sequer.. Com exceção de um tilintar, parecia uma pedrinha de asfalto sendo tacada no metal da janela.
O barulho não parava, quem quer que fosse o responsável por tal não se cansava. Regina foi acordando aos poucos e resolveu ir até a janela. Nada viu.
Vestia uma camisola bem curta e de cor bege escuro.Com alguns detalhes de flores feita a renda nas beiradas do corpo e na região dos seios da prefeita. Eles estavam bem chamativos e super espremidos naquele decote, quase pulavam para fora do bojo. Regina era o pecado, ativaria os sensores de libido de qualquer homem vestida daquela forma.
Assim que se virou para deitar novamente, ouviu o barulho mais uma vez e voltou, com certo incômodo, para a janela já pronta para dar um basta no que quer que fosse aquilo.
Viu Graham.
"Graham! Pare já com isso, os vizinhos vão acordar." — afirmou, num sussurro.
"Eu não me importo. Você é a prefeita." — disse, em descaso.
Ela sorriu, dando uma risadinha leve e infantil. Estava debruçada na janela vendo o homem no andar debaixo, olhando-a atentamente.
"O que faz aqui?"
"Estou sem sono.." — deu de ombros — "Pensei em você.. E eu, irmos na praia."
"O sol está radiante, um minuto e já coloco meu biquíni." — ele riu da ironia de Regina.
"Não, sua besta. Vamos andar só."
Ela parecia relutante e ele estava certo de que a prefeita recusaria o convite. Foram necessários exatos dois minutos para convencer a mulher, ela já perdera o sono mesmo, não haveria mal nenhum uma caminhada. Mesmo aquela hora da noite.
"Está bem. Já desço, fique exatamente no mesmo lugar."
*
Bares, restaurantes, casas noturnas. Era esse o caminho que admiravam e percorriam até chegar a praia, caminhavam no meio da rua e de mãos dadas. Regina tinha colocado um vestido solto num branco quase transparente e de sapatilhas. Graham estava com uma calça jeans muito clara e com uma camisa vinho.
Ao chegarem na praia, Regina suspirou profundamente, sentindo a maresia de olhos fechados e tendo seus pensamentos cortados por Graham que a puxou, caminhando em direção a areia e sentando-se.
Estavam um do lado do outro, olhando o mar e as ondas indo e voltando, vendo o oceano as formando e deixando que se quebrem ao entrarem em contato com o litoral. Regina encostou sua cabeça no ombro do xerife, que prendeu a respiração por alguns segundos, na tentativa estúpida de não incomodá-la. Ele entrelaçou seus dedos nos dela, levou a mão dela até o rosto e beijou a costa de sua mão.
"Recompensa pelo beijo de hoje mais cedo." — ele disse, se referindo a mancha de batom que havia encontrado em sua mão. Regina achara o momento uma gracinha, Graham realmente era. Antes que a morena pudesse se manifestar dando-lhe qualquer resposta, ele se levantou, tirando a camisa. Ela não pode deixar de notar o abdômen sarado daquele homem, já havia o visto centenas de vezes e mesmo assim, toda vez se impressionara.
Humbert olhou para ela, ainda em pé. "Você não vem?"
Ela riu. "Por que você sempre me impressiona?"
"Achou mesmo que te chamaria para vir à praia e ficar olhando as ondas sem desfruta-las?"
Regina riu, mais uma vez, e fez um gesto com a cabeça dizendo sim.
O homem resolveu ir antes, percebendo a demora da prefeita. Ele andava em direção ao mar com a tranquilidade de uma pessoa totalmente isenta de problemas. Tendo seus pés em contato com a água, Graham mergulhou.
Regina ficou admirando-o por alguns segundos, vendo o homem nadar. O jeans dele já estava completamente colado em seu corpo e os cachos castanhos caídos sobre os olhos dele. Num sorriso, Regina Mills levantou-se rapidamente e correu em direção a ele, gargalhando feito uma criança.
A água estava gelada, ela gritou alto. Eram os gritos da mulher se juntando em perfeita harmonia com o barulho das ondas e o ar, a maresia que preenchiam a natureza daquele local e cada batida do coração de Graham.
Ele a pegou no colo, a tirando completamente da água. Regina ficou pasma em descobrir que ele tinha força o suficiente para aquilo. Depois, ele a colocou sentada em seus ombros e começou a se debater contra a água que já batia em sua cintura, na tentativa frustada de correr contra o mar. Mills sentia frio lá de cima, queria que ele a soltasse e nisso começou a dar soquinhos leves nos braços musculosos dele, gargalhando cada vez mais alto com seus gracejos. O frio já estava insuportável e Regina o puxou pelos cabelos, fazendo-o olhar para cima e lhe deu um selinho. Ela sabia que aquele beijo o deixaria todo derretido e dessa forma ele a obedeceria.
Assim que o xerife atendeu seu pedido e a colocou em contato com a água novamente, ela se jogou nele, abraçando a nuca de Graham com seus dois braços femininos. Soletrando a primeira letra do alfabeto num grito que quase ensurdece, ela pulou em cima dele, colocando todo seu peso contra o quadril masculino, o envolvendo com as pernas.
Depois que se soltou, a mulher deu um mergulho e Graham pode ver sua calcinha. Perdera a prefeita de vista mas pouco tempo depois a viu surgindo da água, um pouco mais a sua frente. Os cabelos molhados caiam sobre seus ombros perfeitamente e assim que ela se virou ele pode ver os bicos de seus seios marcados no tecido fino do vestido branco. Antes era impossível perceber que ela estava sem sutiã, e Graham confessou nunca ter amado a praia de forma tão intensa.
Regina sorriu para ele assim que percebeu os olhares fixos em seus mamilos, ela sorria maliciosamente até perceber que Graham estava correndo em sua direção. Seria aquilo uma espécie de pega-pega? Não faz mal, ela queria ser pega.
Ele chegou ao alcance dela e a abraçou, beijando-a na testa e depois se desvinculou-se desta, tachando-lhe a água salgada no rosto da prefeita, apenas tomando cuidado para não deixar cair em seus olhos. Ela retribuiu o gesto e ficaram assim por alguns segundos: ela se jogando nele, rindo dando aquela gargalhada infantil, correndo um do outro, brincando.
Há tempos Regina não se divertia daquela forma, ela estava desanimada e quase solitária diante da abstinência que sentia de Henry e até, de Emma. Graham fazia um ótimo papel lhe dando conforto e todo o amor que ele podia oferecer mas a prefeita sabia que aquilo não seria o suficiente. Ela poderia o retribuir com todos gestos ou com todas as palavras de afeto conhecidas pelo homem, mas não seria real. Estaria vivendo uma mentira caso assumisse algo a mais com ele. Regina estava preenchida por arrependimento e um vazio em seu coração. Ela tinha apenas Aurora e Graham. A secretária estava indo na direção certa a cativando, mas ainda não era igual a amizade que tinha com Swan. Regina pensava exatamente dessa forma até aquele momento. Estar na praia com Graham, brincando e não se importando se teriam que trabalhar amanhã, não se importando se seriam posicionados diante de toda aquela nuvem de problemas no dia seguinte, a fez pensar melhor. Ela já estava se conformando com o fato de Emma a impedir de todas as formas que Henry volte para sua vida, bloqueando todo e qualquer contato que Mills poderia voltar a ter com o menino e isso a feria de uma forma imensurável e aquele momento a faz querer e ter como maior objetivo não deixar com que aquele homem, Graham, se machucasse. Foda-se os sentimentos que ela tinha ou deixava de ter, ela não o decepcionaria.
Estaria pronta quando ele quisesse.
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