Bem Me Quer.
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Já se passaram duas noites desde que Robin voltou a dormir em sua cama. Nada indicava que a esposa o havia perdoado mas também, até onde ela sabia, nada justificava o motivo de estar brava até por que, em sua percepção, nada havia acontecido na praia.
Era dia do loiro ir ao supermercado em favor à mulher. Roland tinha feito uma bagunça de brinquedos pela sala e a criança, na inocência da idade, não iria guardar. É claro que não iria, sobraria para ela fazê-lo.
A palavra supermercado era de uma generosidade perceptível para o que mais parecia um pequeno varejo. Robin caminhava calmamente por uma das repartições do estabelecimento, onde se localizavam as cervejas mais mesquinhas, para ser mais preciso. Óbvio que este não fora o pedido de Marian, ela apenas queria que ele comprasse suco e lanche para o menino mas Robin precisava disto. Ficar de porre era a melhor fuga para todos e quaisquer problemas, ainda mais quando se tratam desses sentimentos. Principalmente, o amor.
E foi quando se dirigiu para o corredor seguinte que notou a ilustre presença de Regina e seu mais recente e assumido caso, Graham Humbert. Ela estava lá, diante de seus olhos. Robin não pôde deixar de sorrir, por mais que a cena não fizesse justiça ao riso: ela com outro. Todavia, fazia algum tempo em que ele não tinha notícias dela e não importa de que forma, apenas vê-la e saber que estava segura já era recomfortante.
Para quem estava quase se afogando em álcool e, de maneira mais literal, quase se afogando numa banheira cheia até a borda, Regina parecia estar ótima.
De Locksley não fazia a mínima ideia do episódio da banheira mas sabia que as coisas não iam muito bem na mansão Mills, afinal ele quem havia comprado a residência de Emma. E não era para menos, não iria de forma alguma voltar àquela prefeitura para resolver os assuntos decorrentes do terreno depois de, mesmo sem ter declarado isso em palavras, Regina o evitar. Sem contar que a secretária o odiava. Mas era fato: os dois estavam se ignorando, aliás nem precisavam. Afinal se não estivessem, teriam se procurado depois do beijo. Já se passaram nove dias, dá pra acreditar? Nove dias que mais pareceram uma eternidade, para ambos.
Regina vestia uma dessas jaquetas esportivas americana de cor vinho, com a letra "b" estampada no lado esquerdo do peito, as mangas eram compridas e cinzas. Usava uma calça jeans skinny bem apertada e botas pretas de salto alto que iam até a altura de sua canela, a jaqueta aberta deixando à mostra uma blusa preta básica que ficava por baixo. E, por quê diabos ela usava uma peruca? Uma do próprio supermercado, daquela parte do corredor destinada à festas de aniversário. Graham quem há pouco havia pôsto nela, uma peruca de cabelos loiros, num loiro puxado para o branco. Era curta, os cabelos falsos eram lisos e iam até aonde começavam seus ombros e também tinha a franjinha. Ela ficava uma graça de franjinha! — cogitou, logo voltando a fazer sua extensa análise sobre. Os olhos da moça estavam totalmente marcados, o lápis forte fazia um contorno sensual e que aumentava a profundidade de seu olhar, Robin nunca a havia visto dessa forma. Parecia outra pessoa, a não ser pelo batom forte e vermelho de costume.
Ela ainda não o havia visto, estava se divertindo demais com Graham para isso — considerou. Robin se atormentava, insistia em se convencer de que a mulher era apaixonadíssima pelo moreno. Seria até poético, a prefeita e o xerife. Mas seria um daqueles poemas que Robin rasgaria e queimaria no fogo de sua lareira com um sorriso de orelha a orelha, depois de gorfar inúmeras vezes lendo, é claro.
A mulher estava pendurada em pé apoiada no carrinho do supermercado, enquanto Graham a empurrava. Ela alternava o tempo em que ficava encima do carrinho e o em que girava com os braços estendidos pelos corredores numa dança desengonçada mas ao mesmo tempo graciosa, afinal não devemos nos esquecer que é de Regina Mills que estamos falando. Bebia uma caixa de leite puro recém-aberta no bico e, se não fosse pela estampa desta, Robin podia jurar que estava bêbada. Já Graham bebia o que mais parecia ser um suco de uva, também no bico. Ele sorria para ela e tinha vezes em que davam as mãos e ele a girava. Pareciam dois adolescentes apaixonados que entravam em estabelecimentos como aquele, consumiam tudo o que tinham direito e depois davam desculpas para pagar fiado, com exceção de que tanto Regina quanto Graham eram ricos o suficiente e comprariam o supermercado, se quisessem.
Por fim, agora o casal e o advogado estavam mais próximos, estando cada um num polo diferente da passagem. A prefeita o encarou pela primeira vez, não parecia estar surpresa. Deu passos, começando a caminhar em direção à Robin. Mas ela não iria o cumprimentar, pelo contrário, passaria ao seu lado de nariz empinado e ainda esbarraria em seu ombro, se fosse preciso. O esnobaria até o fim.
Depois, vendo que Graham parou no meio do caminho, Regina voltou, pegou em sua mão e o puxou. O movimento foi tão rápido que permetiu que o suco escapasse os dedos de Humbert e caísse no chão, jorrando o líquido roxo para tudo quanto é lado e não menos importante, para bem perto de Locksley, fazendo com que sua calça jeans clara se tingisse como naquelas obras que mais parecem latas de tintas que foram simplesmente jogadas no quadro. Uma lambança.
O xerife abaixou e pegou a caixa de papelão do chão, o semblante de desgosto, levantou-se e gentilmente pediu desculpas ao homem.
"Vamos, Graham, meu amor. Não se preocupe, deixe isso para lá." — disse, o puxando novamente. Era evidente que Regina queria provocá-lo, mas Robin não era de se irritar com pouco. Por mais que a prefeita trouxesse seu lado mais grotesco e o deixasse à mostra, era a primeira vez que ele experimentava tal sensação. Ela o queria com raiva e ela o teria com ódio.
Uma faxineira que ouviu o barulho do estouro da caixa em contato com o piso, veio correndo e o moreno, se preocupando com o trabalho que daria à ela, ofereceu-se para limpar o chão, pedindo logo em seguida um pano. Graham caminhou em direção à empregada e a seguiu até um outro corredor, deixando para trás Regina e um Robin irritados.
Hood encarava a parte suja de sua calça e depois fixou seus olhos no vulto de Regina que estava se retirando mas, de relance, ele segura fortemente em seu braço.
"Vai deixar as gracinhas de lado ou pretende continuar?" Provocou.
Regina virou o rosto para prestar atenção no que tinha para falar, parecia não se importar. Mas no fundo, se importava até demais.
"Me larga, doutor!" A ênfase na palavra doutor só transparecia a raiva que estava do loiro, o veneno destilava fria e diretamente por sua boca, encravando-se os dentes.
"Deixe para me chamar de doutor quando meu escritório estiver pronto." Pontos para Robin, conseguira atingir todos os pontos fracos de Regina em uma só frase: o escritório, antiga casa de Emma, Henry e a grosseria do homem pelo qual estava se apaixonando. Regina riu.
Vendo que não obteria resposta, prosseguiu. "Livre-se deste daí.." — ordenou, se referindo a Graham — "e me encontre hoje, ás 21, na Harlow Street."
A morena estaria mentindo se dissesse que não queria ir, era mais do que evidente sua vontade de estar presente. Não só pela curiosidade de desvendar o mistério por detrás desse possível encontro mas também por ter a oportunidade de vê-lo mais uma vez. "Eu não vou." — replicou, ofegante. Pura mentira.
"Sei que irá." Para ser clara ele não tinha tanta certeza. Como já retratado anteriormente, Robin era uma pessoa super insegura, se possível a maior de todas.
"Você subestima seu poder, Locksley." O uso incomum de sobrenome sendo proferido por aquela boca carnuda e de lábios perfeitamente delineados pelo batom, bastava isso e ele já sentia vontade de tomá-la nos braços e enchê-la de beijos e carícias. A proximidade apenas dificultava. Ela continuava — "Me solte, já disse. Está machucando!"
Não soltou. Ele ainda tinha raiva e ao mesmo tempo, queria jogá-la e foder a prefeita com todas as forças sob aquelas pratileiras cheias de objetos de consumo. Uma pena que ele não ligasse para nada disso, a única coisa que ele queria consumir ali era o corpo por debaixo daquela jaqueta sexy.
"Bom assim." — finalmente pôde dizer mas foi obrigado a soltá-la de qualquer maneira ao ver Humbert aparecendo por entre as pratileiras, com um pano nas mãos. Olhou para o braço da mulher, a força usada sobre eles deixara uma vermelhidão. Logo sairia! — apostou, dando de ombros.
Fale com o autor