Bem Me Quer.
1 Capítulo 1
Ondas sonoras provenientes das risadas de Regina e Graham se perdiam por meio daquelas quatro paredes, o motivo de tanto riso eram os tropeços do homem.
"Inferno!" — dizia Graham enquanto vestia seu jeans batido e descia apressadamente as escadas — "Regina, precisamos parar de fazer isso."
"Saia logo, Graham! Assim toda a cidade vai desconfiar."
A relação dos dois era baseada em encontro ás escuras, tudo muito sigiloso. Tão sigiloso que quase todos da cidade já sabiam, alguns apenas desconfiavam. Mas a verdadeira pergunta era: E quem não saberia algo sobre a prefeita?!
Regina Mills. Nome que dificilmente você esquecerá... Nome que faz jus a uma mulher de cabelos negros como as madrugadas daquela pequena cidade, uma mulher totalmente independente. Seus olhos esbanjavam poder e bem resolvimento pessoal. Ah, e que mulher! Seu corpo, com toda a certeza, fazia parte dos sonhos mais enlouquecidos de cada homem daquele recinto. Um corpo tão esbelto e com curvas tão bem delimitadas porém intocáveis. E absolutamente, Regina era uma mulher intocável.. a não ser por Graham.
Era óbvio que o xerife não sairia pela porta da frente, também não sentia nenhum desejo em pular a janela do segundo andar. Sendo assim, saiu da mansão pulando a janela da cozinha, logo no primeiro andar ao lado das escadas. Mas antes de ir embora, já do lado de fora da casa, deu um beijo rápido na bela mulher que se encontrava a sua frente com a cabeça para fora da janela.
Storybrooke, Maine. Segunda-feira, 7h30. Granny's.
Usando seus bionda castana pretos com um vestido vermelho colado que ia até a altura de seus joelhos e que deixava as curvas de seu corpo ainda mais tentadoras, estava Regina atravessando o restaurante. Avistou de longe uma cadeira vazia de frente para a bancada e sentou-se.
"O que vai querer hoje, prefeita?" — disse Granny, atendendo a mulher.
"O cappuccino de sempre, com canela."
"Canela? Pegou a mania da Ms. Swan, huh?"
"Parece que sim" — um leve sorriso formou-se em seu rosto mas logo desapareceu diante das lembranças. O nome daquela mulher não passava de um lembrete de que antes havia uma amizade que agora não existia mais.
A relação entre Emma Swan e Regina Mills, no momento, era apenas movida por rancor e ódio.
Num passado não muito distante elas foram muito próximas. Chegaram até a morar na mesma casa logo quando Emma foi para a cidade junto de seu filho, Henry, que considerava Regina como sua segunda mãe e isso apenas dificultava ainda mais as coisas.
Flashback on:
Era noite de chuva estrondosa, Emma nem Henry estavam na mansão. Ambos saíram da cidade para resolver os últimos assuntos da transcrição escolar do garoto e acertar o aluguel do antigo condomínio em que moravam. Já fazia alguns meses que estavam morando na casa da prefeita e Emma não achara uma casa barata e confortável para comprar desde que havia ingressado em Storybrooke.
Logo quando Emma foi para Maine já se envolveu com o xerife Graham.
Graham Humbert era um homem surpreendentemente tentador, seus lábios carnudos eram uma tentação ao pecado, seus cabelos cor de mel levemente ondulados e a barba. Nossa! Aquela barba! Aquela barba que ia diretamente de encontro com o bigode e deixava muitas mulheres perdidamente loucas. Aquela barba que era apenas de Emma Swan, assim como seu dono. Pelo menos até onde a loira sabia..
Regina estava completamente bêbada, assim como o xerife. Haviam bebido muitas das garrafas de vinho e champanhe da adega de Regina, mas ambos estavam terrivelmente conscientes do que estavam fazendo. Seria a primeira vez deles… No início era só conversinha, afinal a prefeita "merecia saber o que acontecia na delegacia", certo? Graham chegava com uns xavecos para cima de Regina e a besta, no momento, não estava nem aí pensando em Emma, não mesmo. Não diante daquele homem vestido com aquela calça de couro preta. Meu Deus! Como aquela calça marcava as nádegas dele, redondinhas. Ah! E como a prefeita queria ser aquela calça, apertando-as.
Um passo para frente e assim Graham estava quase colado nela, não a beijou. Envolveu seus braços na cintura dela e a puxou, anulando qualquer centímetro de distância que poderia haver entre seus corpos. Ela era bonita.. Maravilhosa, para ser mais específico.
Ela suspirou. Ele suspirou.
Ele tentou roubar-lhe um beijo, mas ela virou o rosto, rindo. Ele tentou novamente mas ela abaixou um pouco, fazendo-o beijar-lhe na testa.
"Droga Regina!" — disse rindo — "Me deixe fazer isso."
Ouvindo aquelas palavras, ela virou-se, ficando de costas para o homem e tirando os braços dele envoltos em sua cintura. Caminhou até a adega e pegou mais um champagne.
"Só depois desse delicioso Joseph Perrier." — disse a mulher, mexendo a boca e fazendo bico, de maneira muito sensual.
"Esse é dos caros."
E assim se passou mais algumas horas de conversas e bebedeiras. Até que Graham se manifestou:
"Você ainda me deve aquele beijo."
"Do que está falando?"
Graham foi andando em sua direção, ela estava encostada na bancada, ele chegou tão perto e colocou suas mão sobre o rosto feminino à sua frente, acariciando-o com os dedos.
"Você sabe do que estou falando."
Colocou suas mãos sobre a nuca de Regina e a puxou num beijo profundo, suas línguas se envolvendo, pareciam estar travando uma batalha, a boca dela tinha gosto de cereja. Aquele ponto a boca dele já estava toda lambuzada do batom escuro que ela havia passado, mas isso não o incomodara, nem um pouco.
Terminado o beijo, eles afastaram um pouco os rostos mas continuaram com os corpos colados. Ele estava com uma camisa social branca, cuja Regina começou a abrir os botões, apenas três. Regina parou e ficou admirando o peito daquele homem, aquele peitoral de poucos pêlos, perfeitamente delineado.
"Está ficando quente aqui, não?" — continuou olhando, mexendo a íris como que analisando todo o local, maravilhada.
"Sim, talvez em seu quarto esteja menos abafado.." — ele disse, rindo — "Lá em cima tem ar condicionado, certo?"
"Aham, mas aqui também tem." — disse a prefeita, olhando para cima e apontando com os olhos o ar que ficava no teto do recinto aonde estavam.
"Tá quebrado."
"Na verdade não es.." — começou a falar mas não conseguiu terminar a frase, sentindo Graham a pegando no colo, beijando seu pescoço, subindo as escadas.
Subiu cada degrau com cuidado, com a mulher de pernas cruzadas envolvendo a cintura dele.
Chegando no quarto, ele a jogou na cama e arrancou ferozmente a camisa social que estava usando, subindo em cima do corpo da prefeita logo depois. Beijou cada parte do piedoso corpo de Regina, desde o rosto até as coxas. Foi descendo com os lábios percorrendo todo um caminho, lambendo, beijando. Chegando na altura da coxa, começou a arrancar o vestido branco que ela usava, subindo-o e percorrendo com as mãos segurando firme na pele dela. Quando o vestido chegou na altura da cabeça Regina terminou de tira-lo, jogando-o no chão, sem piedade.
Vestia uma lingerie de renda preta com detalhes pratas.
Sério, Regina? Ele tinha a total certeza de que não aguentaria, um minuto sequer, transando com ela. O corpo dela era tão 'suculoso', grosseiramente falando, que ele gozaria antes mesmo de penetrá-la.
E assim foi.
Se beijaram novamente, ela sentia um calor na região do quadrante inferior. O gosto de cereja da boca de Regina ainda não se desgastara, ele acariciava o seio dela com uma mão e com a outra puxou as calças dele, tirando-a, sem quebrar o beijo, e ela gemeu em aprovação. O clima estava ficando cada vez mais quente. Ele, só de cueca e ela, com a lingerie que a deixava ainda mais sexy, se é que era possível. Ele percorria todo o corpo da moça com sua boca, abocanhando um dos seios ainda cobertos pelo sutiã da lingerie, lambendo, chupando. As mãos dela estavam na cabeça dele, os dedos entrelaçados nos fios enrolados do cabelo cor de mel, ela virou-se, ficando em cima dele, sentada. Ela o puxou para um beijo, forte e caloroso. Depois deitou em seu peito, fazendo desenhos imaginários com os dedos, acariciando o peitoral dele. Olha só o abdômen desse homem, Regina! Tão sarado..
Tão..
"Emma?!" — Graham se assustou, sua feição era de quem havia visto um fantasma.
Regina virou o rosto em direção a porta, não conseguiu ver nada além de um vulto dos cabelos loiros da mulher, que estava saindo. Ela se desvencilhou de Graham, rapidamente pegou um roupão preto de cetim que estava em cima de uma poltrona qualquer e foi vestindo apressadamente, correndo na intenção de alcançar a amiga.
"Regina, volta aqui!" — disse ele, ainda deitado e dando de ombros, com cara de despreocupado.
"Já volto Graham, inferno!"
"Deixa ela." — ele sentou-se na cama, pegando Regina pelo antebraço.
"Vou consertar a bagunça que você fez." — soltou-se do homem e foi em direção às escadas.
Desceu cada degrau, apressadamente, avistando Emma abrindo a porta com raiva.
"Emma, espera!" — gritou, ainda faltando cinco degraus e a distância da sala para alcança-la.
"Agora não, Mills."
"Mills? C'mon Emma, você nunca me chamou assim.." — disse, com cara de piedade.
Não obteve resposta e se prontificou de quebrar o silêncio.
"Não pode ter raiva de mim a vida toda. Foi ele quem começou, eu juro."
"Ah claro Regina!" — disse revirando os olhos e voltando-se de frente para Regina — "E enquanto ele estava com a língua em sua boca, você ainda era a vítima, né? Olha, se for caso de estupro sabe que vai ter que reclamar com o xerife, não? Que por sinal, é ele."
"Emma me desculpe, eu ao menos estava sóbria."
"E agora está sóbria demais a ponto de se desculpar?!"
"Eu achava que voltaria só amanhã.." — declarou Regina, baixando o olhar.
"Imagine se tivesse.. Ia ficar fazendo papel de trouxa, não teria descoberto vocês."
"Emma.." — ela não tinha mais palavras para usar, e se tinha uma coisa que Regina era realmente boa era tentando convencer as pessoas, bastava uma frase para todos estarem na palma de suas mãos. Mas naquele momento não havia nada que ela dissesse para agravar a situação, ela estava errada e sabia. Completamente errada.
"Por favor Regina, se situe. Volte para cama e termine o que estava fazendo. Obrigada pela estadia e passar bem! Eu e meu filho vamos achar uma casa para morar." — virou-se, indo em direção a porta e batendo-a com força assim que saiu.
Henry tinha ficado na casa dos avós, que moravam na cidade de onde eles vieram. Ainda bem.
'Onde será que Henry está?' Regina pensou, subindo as escadas com a cara péssima. Confesso que Regina estava mais preocupada com Henry do que com Swan. Chegando no último degrau, olhou para a porta de seu quarto, a luz estava acesa. Não deu mais nenhum passo, ficou apenas observando a porta e a luz que saia fazendo sombra na parede, estava com nojo de si mesma e de Graham.
Poucos minutos depois, o homem apareceu, encostando na batente da porta. Estava com a cueca branca, o peito descoberto.
Nojo? Sério que havia pensado isso? De jeito nenhum.
E se atirou em Graham, beijando-o de forma enlouquecedora e ironicamente obedecendo às ordens de Emma: "Volte para cama e termine o que estava fazendo."
Flashback off.
Depois de tomar seu cappuccino, a mulher virou-se caminhando em direção à porta. Tinha reunião de noite e as coisas não se organizariam sozinhas, certo? Ela e a secretária iriam arrumar o salão principal da prefeitura.
"Bom dia, Aurora." — disse Regina, anunciando presença assim que entrou no recinto, embora Aurora já a tivesse notado simplesmente pelo cheiro floral do chanel N°5, perfume o qual a prefeita usava com frequência e pelo eco proveniente do ranger dos saltos no piso de porcelana refinado.
"Bom dia! Regina, está quase tudo pronto. Não tem com o que se preocupar, eu fiquei aqui ontem no final da tarde e adiantei o serviço."
A secretária era uma jovem bonita, cabelos ruivos e olhos claros. Regina simpatizava com ela e não seria para menos, já que a jovem a ajudava muito.
"Pelo visto terei que te pagar hora extra." — disse Regina, num sorriso encantador.
"Não será necessário, Sra. Mills."
"Bem, e o que teremos para hoje?"
Aurora escutava a chefe enquanto ia arrumando as coisas, com pressa.
"Teremos.. Ah droga, esqueci de pegar o relatório! E os papéis das verbas, convênios.." — O rosto da moça aparentava desespero, ela estava absurdamente preocupada em organizar tudo sozinha enquanto Regina não demonstrava tal preocupação. — "E ah, virá na reunião os.. Caramba! Onde será que deixei esse maldito relatório?"
"Aurora se acalme, você está me deixando nervosa." — disse interrompendo-a.
A ruiva abriu um sorriso e deu uma pequena risada, ela estava pirando diante de tanto trabalho. Precisava de férias.
"Me desculpe, Regina." — riu baixo, novamente — "Enfim, na reunião todos os moradores foram convidados com exceção dos novos que foram convocados."
"Moradores novos, é?! Ouvi dizer o nome de alguns mas receio que não lhes fui apresentada ainda.. São muitos?"
"Não.. não os conheceu, por isso mesmo que foram convocados. E não, são apenas quatro pessoas: uma família de três e uma outra moradora que veio sozinha para cá."
"Espero não ter problemas com eles como tive com Emma Swan." — disse a prefeita, em tom de brincadeira.
A secretária riu. Ela sabia que as duas se odiavam mas, assim como todos na cidade, não sabia o porquê de tal ódio. Desconfiavam do relacionamento de Regina e Graham, como já havia relatado, e alguns imaginavam que seria por este motivo mas nada era confirmado, ainda.
"Creio que não, Sra." — estendeu as mãos mostrando o relatório que havia achado. — "Eles não demonstraram ser problema."
"Bom assim, tenho cuidado por anos dessa cidade como se fosse membro da família. Se alguém entrar aqui demonstrando ser perigo é melhor que nem dê as caras.. Não vou arriscar um aumento na taxa de criminalidade."
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