E finalmente, meu quarto estava arrumado. Um longo suspiro se soltou de meus lábios e me permiti cair sobre a cama, agora com a cabeceira encostada na parede, um criado ao lado. Uma poltrona no canto do quarto, uma estante do teto ao chão com diversos livros e meu armário, uma escrivaninha abaixo da janela lateral e tudo estava perfeito, não poderia estar mais satisfeita.

Era pouco depois das quatro e meia e eu queria relaxar. Fui até minha estante. A princípio, eu começaria um livro novo, um dos que eu tinha comprado, mas estava só enfeitando a prateleira até o momento, mas no meio de tantos gêneros, encontrei um romance que me agradou desde sempre, que falava sobre uma garota que ficava hospedada em um castelo assombrado onde vivia um príncipe amaldiçoado. A Bela e a Fera. No final, ele desfazia o feitiço e a garota já tinha se apaixonado por ele, de modo que os dois ficam juntos. Já havia sido lido várias vezes, mas eu não me importava. Sem mencionar o fato de que seria um ótimo livro para inaugurar a casa, abrir a temporada sem fim de leitura.

Deitei-me na cama a procura de uma posição perfeitamente confortável e quando a encontrei, mergulhei de cabeça num universo paralelo de contos de fadas. Parecia bobo, mas me encantava o romantismo e a magia dos livros.

O sol se punha alaranjado no horizonte quando terminei o conto. Abri a janela e contemplei as rosas vermelhas do vizinho, tão bem-cuidadas e delicadas.

Uma melodia tranqüila chegou até meus ouvidos e proporcionou grande calma em meu interior. No outro quarto, meu pai tocava piano e me envolvia com as notas, quase que me empurrando para dentro de minha mente e me fazendo viajar por lugares jamais imaginados.

Atravessei o quarto chegando a janela de frente para a rua e me debrucei sobre ela. O pôr do sol era maravilhoso, bem de frente para mim, algumas estrelas despontando do outro lado o céu escuro. A rua estava relativamente deserta, por vezes algum carro passava e as árvores que acompanhavam a calçada tinham um tom mais vivo àquela hora.

Foi naquele momento que um garoto chamou minha atenção ao atravessar a rua e andar em direção à esquerda. Ele era alto, tinha os cabelos muito escuros e bagunçados contrastando com sua pele clara. Usava uma jaqueta de couro preto e jeans surrados. O modo como andava era seguro e confiante de si mesmo, ainda que estivesse somente com as mãos nos bolsos e um olhar vago para o horizonte. Nem sequer reparou em minha presença quando passou pela minha casa. Achei que ele fosse sumir depois de algumas outras construções assim que virasse a esquina, mas ele parou em frente ao vizinho e andou em direção a porta. A partir daí, eu já não enxergava mais.

Então ele mora aqui?

Primeiro dia de aula. Acordei mais cedo para não chegar atrasada e conferi meus livros para não esquecer nada. Não estava muito animada, é claro, afinal, era escola, não havia muito que se animar, mas eu estava ansiosa. Tudo era novo, tudo era diferente, então havia o medo de ser rejeitada, a curiosidade relacionada aos professores e alunos que eu encontraria e um pouco de tristeza por estar em uma escola que não era a que eu sempre estudei.

Desci as escadas com a mochila em um dos ombros e, assim que cheguei à sala, joguei-a no sofá e segui em direção a cozinha.

Uma xícara de café com leite e duas colheres de açúcar me esperava no balcão. Peguei com as duas mãos com cuidado, pois estava muito quente e assoprei, dissipando o vapor que subia de vez em quando. Meu pai estava sentado na mesa com um jornal em uma mão e uma torrada na outra.

- Bom dia! – Ele cumprimentou alegre quando me aproximei para sentar de frente para ele.

- Bom dia. – Respondi não tão empolgada e me sentei.

- Nossa, Bella, vejo que está muito animada para o primeiro dia de aula! Esse sorriso no seu rosto ilumina o meu dia e me inspira a cada manhã! Chega a ser fascinante seu comportamento matinal, sempre tão contente...

- É mesmo pai? Sua ironia também me inspira... – Respondi com um notável sorriso amarelo.

Ele estava prestes a responder, mas uma risada contida ameaçava a se desprender de meus lábios. Então, com um sorriso largo, ele afagou meus cabelos e levantou-se da mesa.

- Sua mãe vai te levar para o colégio, eu já estou indo para a faculdade.

- Boa aula... – falei mandando um beijo e observando-o caminhar até a porta.

- Vamos então? – Minha mãe apareceu na cozinha repentinamente com uma sacola gigante debaixo do braço indicando a porta com a cabeça.

- Já?

- Já, mocinha...

Fomos até o carro e eu a ajudei com as sacolas. O caminho até o colégio foi relativamente silencioso, considerando que uma música eletrônica tocou o trajeto todo. Virando uma esquina, via-se uma construção grande, um conjunto de prédios baixos, era possível deduzir um pátio no centro, como se os prédios formassem um círculo, e uma grande escadaria que levava a entrada. Vários alunos se encontravam ali na frente e faziam piadas sobre as férias, se abraçavam, riam e comentavam alguma coisa sobre um professor novo. Lembrei-me de Kate e tentei encontrá-la no meio da multidão, o que não deveria ser difícil, observando que a garota tinha cabelos cor de fogo, mas se ela já estava ali, eu não consegui vê-la.

Minha mãe estacionou o carro alguns metros a frente da escola.

- Seu pai vem te buscar aqui mesmo. Boa sorte! – E me empurrou para fora do carro.

Caminhei a passos lentos. O carro não estava tão perto, mas agora parecia que minha mãe tinha estacionado quase dentro do colégio. As pessoas não prestavam muita atenção em mim, mas eu tinha a impressão de ser o alvo de muitos comentários. Insegurança. Típico de primeiro dia.

Atravessei um bando de amigas que falava de um garoto do terceiro ano e me impediam de passar. Senti seus olhares me fulminando. Ignorei e comecei a subir as escadas. Pelas escadas, nenhum sinal da Kate. Olhava de um lado para o outro na esperança de encontrar a minha única conhecida, mas não estava com sorte. Desisti e adentrei a escola.

As paredes eram brancas, gélidas, e os armários eram de um tom azul acinzentado. No final do corredor, virando a direita, havia uma porta com uma janela interna de vidro bem grande onde se lia “secretaria”. Fui até lá com o objetivo de me localizar um pouco, saber onde seriam minhas salas e afins.

Na porta da secretaria se encontrava uma mulher de meia idade que parecia enlouquecer internamente. Seus olhos castanhos, por trás das grossas lentes dos óculos, corriam por entre os alunos procurando alguém, e seu pé direito batia incessantemente no chão, batidas compassadas que, por vezes, se faziam ouvir por entre o barulho.

Aproximei-me dela com cautela para não assustá-la, afinal, ela estava muito compenetrada, porém chamei mais atenção do que deveria ao tropeçar em algum caderno caído no chão e minha mochila ser arrastada de uma maneira nada discreta. Percebendo o que havia acontecido, ela deixou a porta da secretaria e correu em minha direção. Levantei-me um tanto desajeitada e tentei parecer normal de novo.

- Você está bem? – Ela perguntou gentil.

- Sim, eu estou bem, obrigada... – Falei tendo a certeza de que estava vermelha.

Algumas pessoas riam a minha volta. Eu tentei bravamente me livrar do meu jeito desastrado, mas meu jeito desastrado jamais se livraria de mim assim tão fácil.

- Na verdade, eu estava indo para a secretaria... – Continuei até ser interrompida por uma luz que iluminou o rosto da mulher e a fez falar sem parar.

- Você é a Isabella! Eu estava te esperando! Que bom que veio, seja bem-vinda a nossa escola! Espero que seja muito bem acolhida, nosso ensino... — E assim ela continuou numa propaganda sem fim da escola, como se eu precisasse de propaganda... Eu já estudava ali, qual era a necessidade de me convencer a estudar lá? Mas tudo bem, deixei-a falar.

Enquanto ela gesticulava e apontava o ar falando do colégio, fui conduzida a uma sala dentro da secretaria onde ela começou a me entregar mil papéis. A essa altura, era impossível me concentrar na voz dela, que era doce e calma demais, mas que falava a uma velocidade insana, em que as palavras saiam da boca dela como uma cachoeira de letras. Num segundo ela falava da cantina e em outro, estava falando dos banheiros. Fiquei completamente perdida. Interromper a mulher era uma atitude desprezível e fora de opção, mas eu já não entendia nada. Tentei perguntar, mas ela era inalcançável, não mantinha o assunto. Ela mexia freneticamente nos óculos vermelhos. Ela era a distração em pessoa, agitada demais. Quando enfim passou a falar mais devagar, foi apenas para dizer: “este é o seu horário, corra até sua sala e tenha uma boa manhã”.

Com esse desfecho, sai de lá e passei a andar sem rumo pelos corredores.

“Ótimo, a única chance que eu tinha para me localizar aqui dentro foi desperdiçada”, pensei. Olhei no relógio, eu tinha algum tempo até o sinal bater. Primeira aula: física. Ah, não era tão ruim...

Meus pés me conduziam por corredores e escadas aleatórias na busca pela sala de física. A cada minuto, menos pessoas caminhavam pelo corredor, o que significava que meu tempo estava acabando. Mas a escola não podia ser tão grande, uma hora eu encontraria. Kate. Onde ela estaria quando eu preciso dela? Certamente já estaria em sala. Bem, talvez nem estivéssemos no mesmo horário.

As portas começaram a se fechar atrás de mim, o tempo deveria estar passando mais rápido somente para me irritar, o que estava funcionando. Parei de andar em frente a mais um lance de escadas. Pessoas. Preciso encontrar pessoas e perguntar aonde eu devo ir. Seria constrangedor, mas era necessário. No entanto, os corredores estavam desertos àquela hora.

“Não pode ser”, praguejei. “Tem que ter alguém aqui”. Subi as escadas, tornei a descer, atravessei mil corredores e passei por quinhentas salas, mas ninguém ainda se aventurava pelos armários. Andei tanto a procura de alguém que fui para no pátio, um lugar aberto no meio dos prédios. O pátio era basicamente uma área grande com bancos em lugares específicos e algumas plantas. Por sorte, ou como eu preferi chamar no momento, sinal divino, encontrei uma mulher simples de cabelos amarrados, curvada e usando luvas amarelas tirando algumas folhas do chão.

Corri desesperadamente até ela.

- Oi! – Sorri ao me aproximar.

A mulher tirou os olhos do que estava fazendo e se levantou. Retribuiu o sorriso quando me viu.

- Olá, querida... O que faz aqui? Matando aula? – Ela falou quase como se fosse minha cúmplice.

- Não, não! Pra ser sincera, eu me perdi... Era pra estar em uma aula de física agora, mas não sei pra onde vou...

- Ah, claro! – A mulher levou as costas da mão até a testa num sorriso envergonhado. – Eu te levo até lá.

Fui guiada até outro prédio e conduzida por corredores que pareciam idênticos a todos os outros que eu já tinha passado. Aliás, de repente, eu até já tinha passado por ali, mas não sabia qual era a sala.

- Segundo ano, não é? – Ela perguntou se aproximando de uma das portas.

- Isso. – Confirmei.

- Então é aqui. Boa aula!

Só então percebi que as portas tinham pequenas plaquinhas indicativas onde se lia o professor, a matéria e a turma. Que vergonha. Meu nível de distração naquela manhã estava alto demais para suportar.

- Ah... Obrigada! E desculpe! – Despedi-me dela enquanto abria a porta e encontrava um homem rechonchudo com a barba por fazer me olhando sério.

- Atrasada. – Ele falou como um decreto.

Como era simpático esse professor. Deduzo que estava dando alguma bronca na sala antes de eu entrar, me deu boas-vindas da maneira mais agradável que eu podia imaginar e ainda bateu a porta atrás de mim quando entrei.

- Bom dia. – Eu disse simplesmente.

- A senhora pode se sentar em qualquer lugar, mas seja rápida, não perca mais tempo do que já perdeu enquanto perambulava pelos corredores. – O professor arrumou a gola da camisa xadrez e gesticulou para que eu me sentasse.

- É que eu... – Tentei me explicar.

- Também não perca tempo se desculpando, muito menos encobrindo o que quer que estivesse fazendo. Não se explique. – Dessa vez ele gesticulou com ênfase para eu me sentar numa carteira do lado da janela e eu não o contrariei.

Alguns alunos olhavam pra mim como se eu fosse uma parede de vidro e outros já olhavam como se eu fosse uma escultura de pedra.

Sentei-me e o mau humor voltou. Se eu estivesse no outro colégio, tudo seria melhor. Eu já tinha amigos, conhecia meus professores, conhecia, principalmente, os corredores. Se eu estivesse no outro colégio, não ficaria perdida o tempo todo e não levaria broncas de professores de camisa xadrez. Se eu estivesse no outro colégio, no antigo colégio, no melhor colégio do mundo, qual eu não queria ter abandonado, eu estaria feliz fazendo piadas como todos os outros alunos, conversando sobre as férias e não sendo essa pessoa distraída, desastrada e sozinha.

Infelizmente, eu não estava no outro colégio, no colégio antigo, eu estava neste e eu deveria começar a suportá-lo.

Foi dado início a aula. Não houve apresentação, introdução, nada, apenas o nome do professor escrito no quadro e as palavras saindo de sua boca. O conteúdo era fácil, difícil era me concentrar. Qualquer coisa parecia mais interessante do que aquela aula. As nuvens lá fora, as folhas voando lá em baixo, um pássaro que vez ou outra pousou em um fio.

Abri meu caderno e comecei a rabiscar algumas frases distintas. Fragmentos do que o professor falava foram anotados, algumas letras de músicas foram inscritas e até mesmo frases marcantes de livros que eu tinha lido. Mas o tempo não estava ao meu favor novamente e insistia em passar devagar demais.

Meu lugar era relativamente na frente, sendo específica, na terceira carteira encostada na janela. O fato de ser encostada me favorecia, porque eu poderia ficar mais confortável sentada de lado e nessa posição, eu via a sala completamente, inclusive um garoto sentado mais para o fundo que não parava de olhar para mim. Não sei qual era seu nome, mas ele era loiro, bronzeado e tinha os olhos verdes. Já que física não era meu interesse, me ocupei em desvendar aquele menino, que me olhava de maneira tão profunda.

Ironicamente, o tempo passou mais rápido.

O garoto loiro foi um dos primeiros a sair, apesar de estar no fundo, e foi acompanhado de mais dois amigos que mais pareciam guarda-costas.

Peguei meu papel com os horários. Literatura. Enfim! Nada melhor do que literatura para me despertar depois de uma aula maçante de física. Dessa vez, era uma questão de necessidade encontrar a sala a tempo. E agora eu tinha uma vantagem, as plaquinhas nas portas. Como eu havia sido tão cega antes?

Abri espaço por entre outros alunos, alguns com a mesma expressão que a minha e outros despreocupados. Naquela confusão de gente, acabei esbarrando em alguém. Ou alguém esbarrou em mim caminhando rápido para a minha frente.

- Desculpa! – Eu disse, ainda que não tivesse sido culpada pelo esbarrão.

Era um garoto alto, de pele clara, usava roupas escuras e um casaco de couro, absurdamente parecido com o garoto que eu vira no dia anterior, meu vizinho. Não sei dizer ao certo se era realmente ele, mas nem percebeu que tinha se chocado contra mim e continuou andando. Talvez tivesse percebido, mas continuou andando rápido e logo desapareceu. Tudo bem então.

Virando algumas esquinas, avistei ágüem de cabelos ruivos às gargalhadas.

- Achei você! – Ela disse com um sorriso dando um tapinha em meu ombro e se aproximando assim que me viu.

- Eu que estava te procurando! – Falei.

- Então agora nos achamos! Vem, temos Literatura agora. – Ela falou me puxando.

- Como você sabe?

Ela apontou o papel na minha mão e depois sorriu:

- Também tenho Literatura, agora vamos.

Kate me conduziu até a sala, que não era muito longe e, assim que entramos, reconheci a figura sentada na última carteira. Então o rabugento do corredor estava na mesma classe. Não dei muita atenção a ele, continuei andando até encontrar uma mesa que houvesse um lugar vago ao lado para poder sentar perto de Kate.

- Como está o primeiro dia? – Ela perguntou.

- Mais ou menos, comecei com física e cheguei atrasada. – Respondi franzindo a testa.

- Física? Pegou o pior professor para a primeira aula então. Que azar. Eu comecei com Português, o professor é mil anos mais legal. – Ela falava enquanto mexia nos cabelos e sentava em cima da mesa.

Ficamos conversando até a professora chegar à sala. Dessa vez prestei atenção do início ao final da explicação dela, uma introdução do que teríamos ao longo do ano. A mulher era simpática, tinha os cabelos loiros lisos e olhos amendoados, mas o que deixava sua aula agradável era o sorriso que sempre tinha estampado no rosto.

As aulas seguintes tiveram um rumo parecido com a aula de física, ou seja, rumo nenhum. Aquilo não me incomodava, porque era apenas o primeiro dia. Já tinha me animado consideravelmente depois que me encontrei com Kate, ela me conduziu pelo colégio, me apresentou às pessoas e fez questão de me enturmar com a roda de amigos dela, por mais que não fossem tantos, já era um progresso imenso para mim.

Minha timidez ainda atrapalhava um pouco na hora de conversar ou erguer a mão para responder aquela pergunta dificílima do professor de História, mas eu previa que Kate seria meu caminho para a “’libertação”, como ela chamou quando eu toquei no assunto.

Assim que o último sinal tocou e todos saíram, recolhi meu material e me dirigi com calma até a entrada do colégio. Kate perguntara sobre carona ou se ela deveria me esperar para ir embora, mas eu não quis incomodá-la e fui sozinha esperar meu pai.

Alguns grupos estavam reunidos ao longo da escada e calçada esperando seus respectivos pais ou ônibus, ou até, de repente, simplesmente esperando que um do círculo fosse embora para dispersarem logo depois. Desci as escadas como se não tivessem fim, minhas pernas mal agüentavam meu peso depois de tanto andar a procura das salas certas, e logo no final, minha bolsa começou a vibrar. Meu celular.

Continuei descendo, mas agora segurando a mochila na mão procurando meu celular. Devia ser meu pai avisando que tinha chegado e que estava esperando, algo do tipo, mas para descobrir eu precisava atender, algo que eu não estava conseguindo fazer. Muitos cadernos, papeis, estojo e, num piscar de olhos, tudo parecia mais bagunçado. Não daria tempo, o celular ia parar de vibrar.

Minhas mãos dançavam dentro da mochila até que meus pés perderam o controle. Os degraus haviam acabado e num passo em falso, perdi o equilíbrio. O garoto que estava na minha frente também não ajudou muito, visto que estava perdido em seus pensamentos. Resultado: cai em cima dele. Legal.

Como minha bolsa estava aberta, tudo que estava dentro dela foi ao chão, incluindo meu celular, que parou de vibrar.

- Me desculpe! – Falei tentando me levantar. Estendi minha mão para ele e reparei em sua jaqueta de couro, o menino irritado do corredor.

Ele levantou sem ajuda, bateu com as mãos na calça jeans e ficou de frente para mim.

- Qual o seu problema? – Foi o que ele disse.

Seus olhos eram de um azul elétrico, tendenciosos a eletrocutar meninas que são desastradas e caem em cima dos outros. A expressão em seu olhar era de raiva e irritação. As palavras saiam como balas de sua boca, prontas para destruir o que viesse pela frente. Até podia ser considerado bonito, mas era rude.

- “Qual o meu problema”? Não foi de propósito! – Falei recolhendo minhas coisas do chão.

Ao invés de ajudar, ele ficava olhando com aquela mesma expressão. Suas palavras poderiam ser agressivas, assim como seu olhar, mas ele no geral não parecia afetado por nada, se não fossem os olhos, a expressão seria quase nula, como se ele estivesse entediado ou simplesmente sério. As mãos nos bolsos davam ar de despreocupação e ele nem estava com mochila nenhuma.

- Olha por onde anda. – Ele disse antes de se virar e sair andando.

- Obrigada pela ajuda! – Gritei, mas não o vi olhar para trás.

Bom saber que as pessoas são bem legais e educadas quando se trata de cair.

Notas finais
Espero que estejam gostando! Quando conseguir, postarei mais de um capítulo por semana, mas preciso saber o que estão achando!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.