Belive me
9 Capítulo 8
Notas iniciais
“Não espere o futuro mudar a sua vida, porque o futuro é a consequência do presente”
Veneza – Itália
1615 d.C.
Vongola Mansão
A noite estava escura e um pouco sombria, nenhum dos milhares de pontinhos prateados que normalmente iluminavam o céu poderia ser visto. O céu era coberto por uma camada espessa de nuvens e névoa, e a lua nem se quer mostrava-se viva, mesmo sendo lua cheia, tal espessura que cobria o céu, escondia qual quer iluminação que o mesmo poderia ter.
– Você alguma vez se sentiu feliz naquela época? – a voz suave de Elena perguntou diretamente para ele, o tirando do estado de contemplação.
– Feliz? – a voz é firme, um pouco amarga pelas lembranças mais ainda suave, pois a pessoa que o questionava não tinha nada a ver com o seu passado – Acho que o correto seria dizer que eu criei um estado em que a minha mente assimilava certos momentos como momentos de felicidade, mas não creio que foram verdadeiros, até porque, uma criança não tem a capacidade de entender realmente o que seria felicidade.
As mãos saíram do bolso do agasalho e alcançaram a xícara de café, para poder sorve-lo aos poucos apreciando delicadamente o sabor amargo. Fechou os olhos para apreciar com os sentidos mais apurados tanto a bebida como as reações das 8 pessoas que o acompanhavam.
Ouviu o "tch" audível do único que acompanhou-o desde sempre. Desde aquela detestável época. Abriu os olhos para observar calmamente aqueles que se tornaram importantes para si, que o acolheram mesmo sendo quem era, que educaram e ajudaram a seguir em frente. "Posso não ter sido feliz naquela vida, mas agora, ela transborda" Deu um sorriso leve. Não precisava verbalizar as palavras abertamente, não era necessário, ele tinha absoluta certeza que aqueles que estavam ali sabiam muito bem como ele se sentia agora, seu passado pode ter sido realmente amargo, mas o resquício adocicado valia a pena, pois se não fosse assim ele não estaria aqui contemplando esse perfeito cenário em completa paz.
Veneza – Itália
Presente
Vongola Mansão
14:31 da tarde
Acordou lentamente. Escutava vozes ao fundo. Um peso extra estava em sua barriga. Abriu os olhos e notou o pequeno menino deitado em cima de si. Yuu dormia calmamente sobre seu abdome. Seu cabelo estava um pouco bagunçado e ainda usava a mesma roupinha, um macacão jeans e blusa laranja. Tentou levar sua mão até ele mas foi impedido por vários fios que o interligavam a várias máquinas. Franziu o cenho e olhou em volta. Estava em um quarto branco. Totalmente branco. Enfermaria, concluiu.
Cuidadosamente ele sentou-se, levando Yuu. Acomodando-o em seu colo ele observou seu próprio estado antes de suspirar. Lembrava de estar falando com Reborn e depois nada. Devia ter desmaiado.
– Então finalmente resolveu acordar? – veio a voz firme e levemente divertida de Chequer Face.
– Como se eu tivesse escolha – resmungou virando-se para encarar a porta, encontrando o homem encostado no batente.
– Eu consegui alguns – Chequer resmungou caminhando até a cama do moreno – Não foi fácil, esperamos que estes durem por mais tempo do que algumas semanas – falou jogando as caixas de comprimidos para o moreno que as agarrou sem nenhum problema. Desta vez o medicamento era azul.
– Onde você? – perguntou desconfiado.
– Canadá, em algum lugar perto da fronteira, não me lembro bem – resmungou o homem dando de ombros. Uma gota caiu da cabeça do moreno.
– Papa? – veio a vozinha fofa embargada de sono do Yuu. Tsuna sorriu para ele – Papa! – gritou se jogando no pai.
Uma rodada de risos dispersou a tenção que estava naquele cômodo. Mas nenhum dos três viram que, enquanto eles riam, os Vongola sorriam despreocupados – e talvez aliviados – olhando as câmeras de segurança.
Vongola Família
08:35 da noite
Mansão
Veneza — Itália
A pequena comitiva adentrou a sala de estar da mansão. Estavam resolvendo os últimos detalhes da estadia do moreno e seu filho. O nono conversava calmamente com Reborn e Iemitsu. Gokudera discutia com Lambo e Onii-san com Yamamoto tentando acalma-los. Tampouco entraram na sala calaram-se. Uma voz melodiosa sussurrava uma canção de ninar ao pequeno bebê.
A noite estava escura e um pouco sombria. O céu era coberto por uma camada espessa de nuvens e névoa. A lua, firme e viva era a única coisa que mantinha o moreno sorrindo. A lua cheia em seu esplendor. Um resmungo suave escapou dos lábios da criança enquanto a mesma se acomodava mais em seu colo. Sorriu enquanto embalava o filho, voltando a cantar:
Tonto el que no entienda
Cuenta una leyenda
Que una hembra gitana
Conjuro a la luna
Hasta el amanecer
llorando pedia
Al llegar el dia
Desposar un calé
Tendras a tu hombre
Piel morena
Desde el cielo
Hablo la luna llena
Pero a cambio quiero
El hijo primero
Que le engendres a el
Que quien su hijo inmola
Para no estar sola
Poco le iba a querer
Ficaram impressionados com a voz aveludada e calma ao qual o Tsunayoshi cantou aquela música. Era uma voz que qualquer cantor profissional daria sua vida por. E além de que, o moreno estava cantando em outra língua.
Luna quieres ser madre
Y no encuentras querer
Que te haga mujer
Dime luna de plata
Que pretendes hacer
con un nino de piel
hijo de la luna
De padre canela
Nacio un nino
Blanco como el lomo
De un armino
con los ojos grises
En vez de aceituna
Nino albino de luna
Maldita su estampa
Este hijo es de un payo
Y yo no me lo cayo
Y yo no me lo cayo
Gitano al creerse deshonrado
Se fue a su mujer
Cuchillo en mano
De quien es el hijo?
Me has enganado fijo
Y de muerte la hirio
Luego se hizo al monte
Con el nino en brazos
Y alli le abandono
Em silêncio eles escutavam. A voz erguia-se e descia nos tons musicais até que no refrão, ela chegava ao ápice, mas ainda calma.
Luna quiere ser madre
Y no encuentras querer
Que te haga mujer
Dime luna de plata
Que pretendes hacer
con un nino de piel
Hijo de la luna
Y en las noches
Que haya luna llena
Sera porque el nino
Este de buenas
Y si el nino llora
Menguara la luna
Para hacerle una cuna
Y si el nino llora
Menguara la luna para
Hacerle una cuna
(Fool who doesn't understand
A legend tells that a gipsy female
Conjured the moon until dawn
Crying she asked to marry
A gipsy man the next day
"You brown skin"
From the sky spoke the full moon
"In return I want the first child
That you have with him
Because who sacrifices children
For a man is not
Going to love them much"
Moon you want to be a mother
And you can't find a love
Who makes you a woman
Tell the moon of silver
What you intend to do
With child of skin
Son of the moon
From a cinnamon skinned father
A son was born white
As the back of an "armino"
With gray eyes instead of olive,
Moon's albino son
"Damn this silhoutte!
This is a non-gipsy man's son
And you won't get away with this"
When the gipsy feels dishonoured
Went towards her woman
Holding a knife
"Whose is this son?
I am sure you have cheated me!"
He hurt her to dead
Then he went to the fiver
With the child in his arms
And left him go into a boat
And the nights the moon is full
Is because the child is happy
And if the child cries
The moon will diminish
For making a cot.)
E no silêncio da noite o moreno terminou sua canção. Embalando suavemente seu filho, já dormindo em seu colo ele andava, para frente e para trás perto da varanda aberta do quarto. O vento balançava a cortina no mesmo ritmo de sua canção. Seus cabelos castanhos cobriam parcialmente sua face sorridente. Que demonstrava alegria em poder estar ali para aquela criança.
Os Vongola entraram no quarto fazendo com que o olhar do moreno desviasse de seu filho para a porta e a comitiva. Ele sorriu, quase timidamente e voltou a fitar a criança em seus braços. O silêncio reinou por alguns instantes no recinto até que Lambo desse um passo para frente.
– Tsuna-nii? – perguntou hesitante.
– Sim? – veio a resposta em tom calmo e quase sonolento do maior enquanto o mesmo fitava o nada embalando o filho em braços carinhosos.
– Você sabia cantar assim desde quando? – dessa vez quem falou foi Takechi se adiantando.
– Desde quando? – o moreno perguntou meio pensativo, como se tentasse mesmo lembrar a data exata que tinha descoberto esse lindo dom. Por fim apenas suspirou – Desde sempre, eu acho. Sempre cantei, mas saber quando... Teria que perguntar para a mama sabe, não me lembro bem.
Um sorriso contagioso tomou conta de seus lábios. O brilho voltou aos poucos para seus olhos, como se ele estivesse acordando de algum sonho.
– Costumo cantar para o Yuu – ele começou a jorrar palavras, talvez não as percebendo – Ele somente consegue pegar no sono se alguém cantar para ele – e parou, como se voltasse a si e recobrasse o controle de sua fala – Acho melhor colocá-lo no berço, boa noite.
E assim ele se foi, saiu pela porta e logo não se conseguia mais ouvir seus passos. Apenas uma coisa passava na mente de todos:
Esse é mesmo o Tsuna?
Vongola Famiglia
Mansão
Veneza – Itália
09:00 da manhã
– Então – veio a voz suave, porém firme do moreno, já em seus dezoito, dezenove anos. A voz cortou o silêncio tenso da sala de reuniões – Vocês vão dar uma festa. E querem que eu participe?
– Exatamente – falou o nono.
– Já mencionei que odeio festas? – o moreno resmungou ironicamente.
– Ah, vamos Tsuna – falou Yamamoto com um sorriso estampado no rosto.
– Não – respondeu o menino ríspido cruzando os braços em uma tentativa infantil de faze-los declinar.
– O que teremos que fazer para que concorde em participar? – resmungou Mukuro.
– Me deixar voltar para casa? – falou o moreno irônico levantando uma das sobrancelhas. Um sorriso sarcástico adornando seus lábios.
– Você está em casa – respondeu Gokudera, firme como alguém que deveria ter sido há dois anos, quando precisou dele.
O moreno suspirou. Talvez eles não iriam declinar tão rapidamente como pensava. Bateu impaciente os dedos no braço, causando um som oco e melódico. Sua mente quase funcionava a jato, planejando novas atitudes e planos mirabolantes.
– Você precisa sair um pouco dessa rotina Tsuna – começou Iemitsu – Está sempre trancado em seu quarto. Quero que viva. Tem apenas Dezoito anos.
– Dezoito anos, mas com um filho, com responsabilidades que tenho que dar conta – retrucou o moreno, olhando para o pai biológico – Não quero que meu filho pense que não me importo com ele. Sei como é sentir isso. Acredite, eu sei.
O silêncio voltou a atormentar aquele cômodo. Os olhos de quase todos estavam arregalados diante daquela informação. O coração de Iemitsu se encheu de remorso, talvez culpa.
– Mas – continuou, conseguindo a atenção de todos para si. Descruzou os braços e sorriu – Uma festa não fará mal, né?
Veneza — Itália
06:22 da noite
Um ano atrás
Suspirou. Fitava a janela com desinteresse. Do lado de fora do táxi, as imagens passavam como um borrão pela alta velocidade. Os barcos deslizavam sobre os canais que tanto faziam a cidade bela. Carros e outros meios de transporte entupiam as ruas como gordura entope as veias sanguíneas. Chegando ao seu destino, pagou, sem muito interesse, o motorista.
– Fique com o troco.
Não ligou para sua decisão. Apesar de que, havia pagado oitenta por uma corrida que custava cinquenta. Não ligava, apesar de tudo, aquele dinheiro voltaria para suas mãos, por causa desta maldita sociedade capitalista. Era lei. Aquele motorista compraria algo, que acarretaria em juros, que iriam para o governo e por fim para a máfia. Sua Famiglia tinha um grande poderio econômico, isso, era fato. Dinheiro não lhe faltaria tão cedo.
Resmungou algo sobre o transito caótico daquela parte da cidade, ajeitando o terno e apertando o nó da gravata. Com um mero aceno ordenou que o mordomo anunciasse sua chegada. Scacchiera. Era essa sua Famiglia.
Cumprimentou o anfitrião, tão como sua família. Sorriu, alguns de seus mais doces sorrisos. Tão doces que chegavam a ser falsos.
Com o canto dos olhos já totalmente dourados, viu sem interesse, alguns homens já tão conhecidos. Talvez, teria sido uma boa ideia declinar a esse jantar ridículo. É. Talvez. Mas por hora preocupar-se-ia apenas com o presente. O futuro? Deixaria que o presente decidisse.
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