Belive In Your Subconscient!
2 Capítulo 2 - Invitations
Notas iniciais
Glossário:
"-kun" (dito por Saemi toda vez que diz o nome de Makoto) - Do japonês, tratamento respeitoso, dito após o nome de um garoto que se tem certa intimidade. O feminino é "chan".
"Onee-san" (como Makoto chama May) - Do japonês, tratamento respeitoso, geralmente como os irmãos ou irmãs mais novos chamam as irmãs mais velhas. O masculino é "Onii-san".
- Cheguei! — disse, abrindo a porta de casa. Foi eu colocar um pé lá dentro e senti sessenta quilos se apoiarem em mim com uma garrafa de saquê na mão.
- Makoto! — disse May, com uma voz, com uma voz de choro — Por que você demorou taantooo? — soluço.
- May, bebendo de novo? — eu a carreguei até a mesa da cozinha — A vó não está em casa, está?
- Aquela velha maluca trancou meu armário de bebidas com um cadeado, Makoto! Ela não entende que o coração partido de uma mulher precisa de álcool para afogas as mágoas! — sua fala era cortada por soluços com freqüência.
- Tá, tá... Me dá aqui essa garrafa e vamos para o seu quarto, ok? Chega de saquê pra você hoje.
- Makotinho, até você foi para o lado daquela velha doida! — ela tentou me socar, mas estava tão tonta que atingiu o ar, bem longe de mim — Meu namorado me deixou e agora você...
Ela tagarelou coisas sem sentido até eu finalmente conseguir deitá-la em sua cama. Ela adormeceu quase ao mesmo tempo em que seu rosto encostou no travesseiro.
- Fala sério... Até quando eu vou ter que ficar cuidando de você, Onee-san? — disse e olhei para ela, parado a porta. Fechei-a.
May é a minha irmã mais velha. Ela é bonita e bem sucedida, apesar de ficar assim toda vez que termina um namoro. Normalmente ela costuma ser bem mais formal e séria. Ela é gerente em uma loja no centro. Morava sozinha até nossos pais morrerem em um acidente, então se mudou comigo para a casa dos nossos avós. Ela e a minha avó brigam mais que gato e rato, mas no fundo se gostam.
Eu comi alguma coisa e fui tomar um banho. Ainda bem que hoje eu folgava no estágio e meu avô não precisaria da minha ajuda na floricultura (que eles têm desde que minha mãe era adolescente). Não estava afim de estudar depois de tudo que acontecera, então liguei o videogame e fiquei jogando até tarde da noite.
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Acordei na manhã seguinte bem cedo com meu celular tocando. Era Kohei.
- Alô. — disse com a voz mais rouca e tenebrosa que tinha. Eu odeio acordar cedo no fim de semana, e Kohei sabia muito bem disso.
- E aí, Mako?
- O que é que você quer, Kohei? Você sabe que dia é hoje e que horas são.
- Desculpa atrapalhar seu sono, Bela Adormecida. Não vou mais incomodar.
- Tá, foi mal, Kohei. O que foi?
- Tá afim de ir no parque hoje? Vai rolar um jogo de baseball e estamos precisando de pessoal para o time.
- Que horas? — ele informou o horário e o local onde nos encontraríamos- Ok, estarei lá então.
- Ah, e venha com uma roupa legal, vai ter várias gatinhar torcendo pela gente. — ele riu, se despediu e desligou.
Tentei voltar a dormir, em vão. Meu cachorro ouvira meu celular e disparou a latir. Levantei e dei um pouco de comida a ele. Acho que o pessoal lá de casa não dormia, entrava em coma, só assim para ninguém ter ouvido os latidos altos do Bennie. Ou, se ouviram, tiveram preguiça de atendê-lo. A segunda hipótese é mais provável.
Bennie é um labrador preto. Não lembro porque, mas o chamo assim desde criança e nunca fiz questão de mudar o nome. Ele é bem preguiçoso e calmo, quando não está com fome ou quer nos proteger.
Sonolento, tomei um banho e me arrumei. Meus avós estavam na cozinha tomando café e acompanhando o jornal na TV. Me juntei a eles.
- Ora essa! — disse meu avô — Vejam só quem resolveu acordar cedo hoje!
- Bom dia pra você também, vô.
- Por que resolveu levantar tão cedo, querido? — minha avó perguntou.
- Kohei ligou me convidando para um jogo de baseball.
- Ah, e como ele está? Faz tempo que você não o traz aqui em casa!
Nós continuamos conversando, principalmente sobre Kohei. Meus avós tinham um certo fascínio por ele. Meu avô por que ele entendia bastante de plantas (pretendia fazer faculdade de biologia) e minha avó porque adorava os doces caseiros que ele fazia e trazia para ela.
Quando deu o meu horário, peguei as minhas coisas e saí. Fazia um dia de sol, o céu limpo e com apenas algumas nuvens finas. Perfeito para um jogo.
Cheguei ao ponto de encontro, mas não vi ninguém lá. Será que tinha chegado muito cedo? Olhei para o meu relógio e de pulso. Eram dez horas em ponto, o horário que Kohei dissera (tenho o costume de ser muito pontual). Acho que eles devem ter se atrasado um pouco pensei. Sentei em um banco que tinha por ali e esperei. Dez, quinze, vinte, trinta minutos se passaram. Comecei a achar que eles não vinham mais quando vi a cabeça loura de Kohei virar a esquina. E uma garota irritantemente reconhecível ao seu lado segurando uma cesta de piquenique.
- Makoto-kuuuuuun! — Hoshiro acenou para mim. O que diabos ela estava fazendo ali? Onde estava o resto do time? Por que Kohei não estava de uniforme? Olhei para ele em busca de respostas, mas ele apenas sorriu.
-Vai ser um piquenique divertido! — disse a garota.
- O quê? Que piquenique?
- É, vai ser mesmo! — Kohei disse — Pena que eu não vou poder ficar.
- O que? Como assim, Kohei? — ela fez uma cara aborrecida infantil — Você não vai vir junto?
- É que eu tenho um compromisso...
- Espere aí! E o jogo de baseball? — eu disse.
- Sim, é pra lá que eu vou. Eu sei o quanto você queria que eu ficasse, mas eu tenho que jogar. Liguei para a Saemi, como você pediu, e combinei tudo. — ele chegou mais perto de mim e disse, mais baixo — Você precisava dar uma relaxada especial com ela né?
Eu não estava acreditando. Aquele cretino armou pra mim! Cara, eu ia matá-lo assim que tivesse chance...
- Kohei... — murmurei, me segurando para não bater nele na frente de Hoshiro.
- Bom, eu vou indo então, não quero atrapalhar vocês. — ele se afastou — Até mais, divirtam-se! — deu uma piscada para mim.
- Então... — Hoshiro disse — onde vamos sentar?
- Olha Hoshi... Saemi. Eu tenho que... -
- Ir com Kohei? Nananinanão. — ela me encarou — Você me convidou e agora quer fugir?
- Mas eu não...
- Ah, deixa de ser implicante, vai ser divertido! — ela pegou a minha mão e começou a andar para debaixo de uma árvore.
Eu suspirei e desisti. Talvez fosse mesmo divertido. Sair com uma garota, para variar.
Estava enganado.
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