Dois anos após a última aventura do Team Sonic, os amigos aproveitavam a calmaria aparente daqueles dias. Era a chance de explorar novos ares e limites. Isto era visível até para os heróis. Sonic não parava de correr por todos os cantos. Tails estava sempre trabalhando em novas invenções juntamente com Cream que se dispusera a aprender um pouco de robótica. Não tinham muitas notícias de Knuckles, mas vez ou outra, ele sempre aparecia para dar um "oi" – ou até mesmo fazer algum serviço que Tails pedia, já que este havia feito um favorzinho para o equidna na segurança da Ilha Flutuante, e o raposo concluiu que, em pagamento, Knuckles lhe devia vários favores. Rouge e Shadow saíram de Mobius em uma missão do governo e ainda não tinham dado notícias.

Ou seja, tudo estava em sua perfeita normalidade.

Em um dia ensolarado, numa das muitas praças da cidade, a alegria era a música preferida dos moradores. Era daqueles dias que o céu estava perfeito: completamente limpo, não tinha nenhuma nuvem para atrapalhar a estonteante visão azul que ele proporcionava à Mobius. O verão era a estação preferida por todos de Station Square e tudo estava sereno para as criaturas do planeta da tecnologia.

Amy, a ouriça rosa, relaxava em meio à agitação de crianças que brincavam no parquinho da praça mais próxima de sua casa. Era muito bem arborizado e possuía diversos canteiros de flores, o que já acrescentava pontos no conceito de Amy Rose. O ar era tão agradável que o simples fato de inspirar profundamente já lhe causava um renovo. Era o lugar perfeito para se tomar um sorvete, e era o que ela fazia.

Sentada, Amy pensava em Sonic e em seus sentimentos. Sempre acreditara que ele tinha sentia algo por ela, embora não o revelasse. E por muito tempo ela não entendeu porque o ouriço tinha tanto receio de demonstrar pelo menos um pouco de consideração a tudo que ela fazia por ele.

Pensamentos egoístas, ela sabia disso; sempre foram. As atitudes mimadas, os surtos de carência eram reações diretas a tudo o que ela desejava e não conseguia ter. Mas apesar de tudo, suas intenções eram boas e puras. E no fundo, sabia que Sonic não era inerte à esse sentimento, só precisava percebê-la. Mas também tinha conhecimento de que se ele precisava mudar, ela também precisaria.

Nos últimos meses, Amy vinha pensando muito sobre isso. E naquele dia, mais do que nunca, estava decidida: iria começar a mudar suas atitudes.

Acabou o sorvete. — Pensou Amy olhando para o pequeno copo vazio. Levantou-se, jogou o copo em um balde de lixo próximo ao banco que estava sentada. Começou a andar em direção à sua casa. Mas logo mudou de ideia. Vou ao laboratório do Tails!— Pensou.

Mudou seu rumo e à medida que ia caminhando, pensava em várias coisas, dentre elas, sobre si mesma. Chegou a imaginar: Qual o meu valor? Será que eu só ocupo espaço? Ou será que só sirvo ser raptada ou talvez causar problemas? — Este pensamento feriu seu coração. — Sonic é o herói. Tails o gênio. Knuckles o forte.

Mas e eu?— Refletiu.

Amy se achava a garota mais inútil. Há muito tempo esteve refletindo nisso. Não se achava forte, não tinha poderes. Um dia – daqueles em que o ócio provoca profunda reflexão – chegou a imaginar o quanto suas atitudes já causaram problemas. O seu jeito, sua maneira de resolver as coisas do modo que achar melhor só atrapalhavam. Ainda no caminho, ela deixou a cabeça cair em lamento.

Eu sou inútil.— Isso se repetia na mente da ouriça. Ecoava por cada espaço sombrio e oculto a sua mente.

Mas então, quando estava no fundo do poço, encontrou uma luz. Se talvez mudasse o seu jeito e passasse a valorizar algo como a força, por exemplo, talvez fosse reconhecida. Só precisava de disciplina. Afinal não deve ser tão difícil assim, já havia enfrentado situações piores.

Um sorriso de um novo início se abriu em seu rosto. E logo seu corpo inteiro manifestou este sentimento. Em vez de passadas curtas e lentas, agora havia uma verdadeira corrida alegre e cheia de esperança. E nesse ritmo, mal percebera e já estava chegando ao fim da rua para encontrar o laboratório de Tails. Chega vibrante ao local, abre a porta com muita animação, gritando:

— Tails!

Por um momento viu que o grito foi em vão. O lugar estava escuro, e somente o grande computador oferecia iluminação, juntamente com uma pequena janela em uma parede pouco afastada. Teve certa dificuldade para encontrar o amigo, pois este estava sentado em uma cadeira ao escuro do canto da parede segurando um pedaço de papel. Suas orelhas estavam baixas.

— Tails, o que aconteceu?

A raposa amarela teve certa dificuldade em inclinar o rosto e anunciar uma notícia que Amy já sabia que não seria boa. As palavras saíram desconexas de sua boca. Porém, eram audíveis a qualquer distância:

— Sonic foi sequestrado...

Ali mesmo, no meio da sala, Amy caiu de joelhos ao chão.

Não. NÃO! Como assim? Sonic é um herói! Não pode ser sequestrado! - Não soube por quanto tempo sua mente negou-se a acreditar. A ficha só caiu quando Tails, ainda cabisbaixo, levantou-se com muita força e foi ao encontro da ouriça. Entregou um pedaço de papel meio amassado e amarelado, onde uma caligrafia inconfundível enchia a folha. Reconheceu imediatamente a letra desajeitada de Sonic, torta e mal-feita. Começou a ler:

"Amigos,

Cei [sic] que isso pode ter sido um erro, mas, eu fiz isso para próprio bem de vocês. Tentei parar eles, mas limpo eu não consegui, são fortes. Já espero que vocês me entendam. Hoje eles me pegaram, resta vocês. Não deixem que eles ganhem. Obrigado por esse tempo que vivi com vocês. Não venham atrás de mim. Fiquem seguros.

Adeus.

Sonic."

Amy sentiu como se algo tivesse arrancado seu coração. Por quê?! Por que logo agora? — Pensou. Gotas começaram a se manifestar e abandonar seus olhos. No momento não pensou em nada. Somente no fato de que o seu amado havia sido sequestrado. Desatou as lágrimas e pranteou. Este era o seu lamento.

Tails, com a mesma expressão de antes, procurou consolar a si mesmo e a ouriça.

...

Levou um tempo até ambos se acalmarem. Quando percebeu que estava em completa sanidade, Amy começou a fazer perguntas:

— Mas, como?! Tem certeza?

— Sim, o bilhete não é falso. Tem as digitais de Sonic. E também é a maneira dele de mandar bilhetes, esses detalhes só ele faz. No computador, usei todos os recursos e rastreadores que pude para encontrá-lo. Mas ele não está neste planeta, muito pelo contrário parece ter saído dele. Seu comunicador não tem sinal.

Amy novamente ficou aturdida. Tudo dentro de si estava confuso, sem entender os motivos. Como ela iria achar alguém como o ouriço? Impossível.

Mas agora o sentimento era a ira.

— Quem quer que seja que fez isso, deve pagar! — A primeira opção era óbvia. — Eggman?

Tails deu de ombros e disse:

— Não tenho certeza, não parece ser o estilo dele.

A expressão de amargura voltou à Amy. Mas ela ainda assim, manteve a firmeza na voz e disse:

— Precisamos achar o Sonic.

Tails juntou todas as forças em um sorriso correspondente. Teriam de agir, definitivamente.

...

Quando deram por si, Amy e Tails já estavam juntando equipamentos e planejando uma viagem ao espaço. Não tinham absolutamente nenhuma pista ou por onde começar. Mas ainda assim, o clima era de vontade e determinação e eles já se preparavam para a possível partida.

Amy já havia pego tudo que precisava para a busca. Das mais simples e obrigatórias como medicamentos, roupas, aos mais especiais como a foto de toda a turma. Sempre que se sentia solitária, olhava para o retrato e percebia que não estava só, que era amada.

Ao fim, correu novamente ao laboratório do Tails. Chegando à porta, viu como o amigo fazia todo o esforço possível para encontrar e trazer Sonic de volta, mesmo que não fizesse ideia de onde procurar. O raposo devia estar na mesma situação que ela, ou seja, bastante preocupado. Logo que entrou ela perguntou:

— Tudo certo, Tails?

— Sim. Estou colocando a máquina de rastreamento no Cyclone. É a melhor nave que construí depois do Blue Typhoon. Já que vamos para o espaço, que seja com segurança e com toda a proteção possível – Disse o pequeno raposo que parecia ter bastante fé.

— Mas quem vai com a gente? – Disse Amy, cautelosa. Era difícil perguntar isso, mas ela sabia que os dois não eram fortes o suficiente para deter alguém que provavelmente derrotou o ouriço. Tails então pensou na possibilidade:

— Já sei. O Knuckles. Ele pode pedir para a Tikal vigiar a esmeralda.

— Mas nem sempre ele consegue falar com ela.

— Mas é uma emergência. Acho que dessa vez ela deve ouvir. Não podemos levar todo mundo, pois eu acho que quem sequestrou Sonic, sabia que ele nos protegia. Devemos estar em pouco número pra garantir que as coisas aqui fiquem seguras. Vamos falar com Knuckles. – Tails já estava pronto a ligar para o amigo. Quando se ouviu uma voz:

— Olá, pessoal – A voz era muito conhecida entre os dois. Era alguém que havia desaparecido há meses. Olharam para confirmar. Sim, uma gata lilás, com um colete da mesma cor e uma pedra brilhante na testa com um sorriso camuflado.

Blaze.