Believe in Yourself
5 Limite
— E então? Como vamos chegar até ele? – Perguntou Blaze.
— Não adianta. Não podemos ir a pé de qualquer maneira, Eggman vai nos atacar. E aqui desse jeito, vamos morrer congelados. Desviar com o Cyclone dos mísseis foi um puro golpe de sorte.
— E o que faremos então? — Amy perguntou.
— Vamos tentar com o novo Tornado.
Amy não acreditou.
— V-você trouxe o Tornado?
Tails sorriu.
— Claro que sim! Sempre trago um deles comigo. Vamos lá pegá-lo.
— Certo.
O trio voltou ao Cyclone. Tails indicava o caminho onde havia posto o avião, que, inusitadamente, começava na sala de controle. Em meio a todos aqueles botões e teclas, o raposo apertou um que parecia acender um brilho maior que os outros. Logo, um som de atrito metálico se tornou audível em toda a grande nave. Algo surgia em uma parede da sala: uma porta. Todos seguiram e entraram no compartimento que tinha logo à frente um minúsculo painel em um lugar que parecia apenas mais uma parede metálica e sem graça. Tails apertou dígitos com sua habilidade incrível. Uma nova porta se abriu e o raposo amarelo correu até o Tornado e sinalizando às amigas para segui-los.
Blaze admirou o novo Tornado. Estava deslumbrante, até mesmo melhor que o X-Tornado. Além da imensa tecnologia acessível, o avião possuía uma linda pintura de revestimento, discreta, porém imponente. Tails, você é incrível. – Blaze pensou consigo.
— Só faltava um pouco de rosa... – Brincou Amy.
Blaze riu com a observação. Percebeu que a velha Amy não havia morrido completamente, só estava um pouco escondida, apagada.
Após todos sentarem, Tails sinalizou a partida. As duas garotas acenaram um gesto positivo. O Novo Tornado iniciou o lançamento. Assim que a contagem iniciou, Tails já estava preparado, com todos os controles precisos ativados.
A decolagem fora perfeita. A nave Cyclone permitiu o lançamento do Tornado, adquiriu impulso suficiente. Já em pleno ar, Tails fazia a mesma pergunta a todos sempre que realizava um lançamento:
— Todos estão bem?
— Sim.
— Certo. Vamos chegar à base em dois minutos. Por favor, não se esqueçam de ativar os cintos.
Os dois minutos mais pareceram ser três segundos, pois a figura imóvel do esconderijo do cientista já podia ser vista de longe. Tails explicou alguns detalhes do plano para elas, a expectativa era muito grande, assim como as perguntas. Terá sido Eggman que capturou Sonic? Quem sabe ele tenha criado mais uma de suas cápsulas à prova do meu radar. – Pensou Tails, apesar de duvida um pouco. Seu radar era tão poderoso por perto, que mesmo que estivesse em uma cápsula, resquícios do sinal do ouriço certamente iriam ser detectados pelos seus computadores.
— É isso aí, pessoal, estamos chegando. Se preparem! Os ataques podem começar a qualquer momento.
Tails já tinha um plano para as investidas de Eggman. Sentia-se mais que preparado.
Poucos segundos depois, mísseis, tiros, laser, e canhões dispararam contra o N-Tornado. Para o raposo não havia dificuldade alguma em se esquivar naquele avião. Desviava das armas com muita rapidez e ao mesmo tempo revidava atirando contras elas mesmas. Agora era a sua vez de agir.
— Amy, procure a porta!
A ouriça já estava preparada, pois usava um binóculo de visão noturna de grande alcance. Tails sabia que aquele material que revestia a base era realmente muito resistente, então, não seria penetrado com facilidade. A porta não poderia ser tão pesada assim.
— Encontrei! É aquela. – A ouriça, sinalizou com um laser. Tails já sabia o que fazer.
— Blaze! Me dê cobertura enquanto eu ataco contra aquela porta.
— Ok! – A gata saiu do seu assento e se posicionou em uma asa do avião. Assim que algum ataque chegava, a felina logo despertava um dos seus poderosos ataques de fogo. Amy se admirava com o poder dos ataques, mesmo estão tão acostumada a vê-los. Já o raposo chegou a se impressionar com uma grande esfera de proteção de fogo, que por alguns minutos parecia impenetrável.
Num instante de devaneio, Tails gostaria de ser assim, poderoso em batalha. Mas seu limite era o limite de suas suas máquinas.
— Tails! Vai logo! – Blaze que já estava ficando extremamente cansada, gritou por Tails, acordando-o, e afastando-o do pensamento. Ele concentrou-se no objetivo, e logo percebeu que não havia outra opção a não ser ativar o canhão de luz, a arma mais poderosa do Novo-Tornado. Nenhuma arma que estava no Tornado parecia ser páreo para aquela forte proteção. O Canhão levava alguns minutos para carregar, e enquanto isso, o raposo tentava desviar e mirar nas armas restantes.
Três minutos depois, tudo estava quase pronto. O canhão por fim absorveu a luz restante, enquanto Tails ajustava o alvo com cuidado. Havia uma única chance.
— Já! – Tails apertou o gatilho do canhão.
O raio incidiu na porta com eficiência total. A explosão foi tão brilhante e sonora que impressionou até o próprio raposo. Destruiu a porta com certa facilidade.
— Incrível. – Admirou Amy.
— Agora pessoal! Pulem do Tornado até a entrada!
Todos obedeceram e saltaram do avião, caindo em terra seca e firme. Tails ativou o controle de camuflagem da nave, que rumou até uma das dunas. Os três correram até a entrada e, à medida que iam recuperando o fôlego se impressionavam com a nova base de Eggman.
As paredes eram feitas totalmente de um metal reluzente, e com toda a certeza, muito resistente. Gigante e austera era a estatura. Apesar de não haver lâmpadas ali, a luz no térreo era presente e manifestava-se através das sucessivas lâmpadas nos andares superiores, visíveis graças ao teto de vidro blindado e tão transparente que chegou a passar despercebido por alguns intantes.
Blaze olhou para cima, estarrecida com aquele lugar. Percebeu que no último andar do prédio, havia uma sala diferenciada, pois esta não possuía assoalho de vidro e sim de metal. Presumiu que era o lugar onde Eggman dava suas ordens. Apontou para os amigos.
— A gente vai para lá? – Perguntou Amy.
— Acho que sim, mas tenho certeza que Eggman já sabe que estamos aqui. Por isso vamos tomar cuidado. Tudo pode acontecer. – Advertiu o raposo.
Os próximos minutos foram difíceis para a turma. A cada passo que eles davam, uma nova armadilha era ativada. Amy e Tails já haviam perdido as contas de quantas vezes foram salvos por Blaze que, por sinal, já estava exausta. Resolveram parar alguns instantes para descansar. Amy estava sentada, e fitava as paredes do local onde havia mais do mesmo: armadilhas, e um símbolo em cada uma delas.
— Não aguento mais essa adrenalina toda. – Advertiu Amy aos amigos, que, por sinal, também estavam muito cansados.
Tails olhou para baixo e tentou pensar em uma solução. — Que fiasco! Só percorremos dois andares dessa imensa base e já estamos nessa situação? Não temos como poupar energia para conseguirmos chegar à sala de controle. E se continuarmos, logo ficaremos mais cansados ainda, com risco de sermos sequestrados e assim perder tudo de vez. Hoje parece que Eggman me venceu.
— Vamos voltar. – Tails já anunciava, com sentimento de derrota.
— O quê? – Amy e Blaze ficaram pasmadas.
— Se ficarmos, podemos ser sequestrados ou até morrer. Não podemos com o Eggman. Ele está muito mais forte agora. O subestimamos sem pensar nas consequências.
Amy não se conformava com a decisão do raposo. Ela já deveria saber do motivo: Tails estava preocupado também com suas vidas, pois a missão lhe parecia um suicídio. Não faltaram palavras para Amy expressar tudo o que sentia para Tails:
— Voltar? Não estou te reconhecendo. Não me parece o Tails determinado que eu conheço.
Tails sabia o que tinha dito, mas sentia-se tão rebaixado pela possibilidade de Eggman ter crescido em suas habilidades, que não conseguia pensar em mais nada além daquela opção.
— Amy, eu sei que nós temos que achar o Sonic. Mas é muito difícil para nós. Não somos mais páreos para Eggman. E nós estamos em perigo também!
— Tails eu fiz uma promessa que iria encontrar Sonic, mesmo que precisasse arriscar minha vida. Acredito que você fez também. Não se preocupe com a gente. Vamos ficar bem se ficarmos juntos!
Amy disse isso em um tom firme e incentivador. Tails olhou para a gata lilás que estava ao lado da ouriça, que apesar de ficar em silêncio, seus ouvidos estava atentos para a conversa. O sinal positivo de Blaze com a cabeça o fez acordar. O seu espírito guerreiro logo voltou ao seu corpo, com mais vontade de lutar. Balançou a cabeça, e esticou os braços num sinal de que sua aspiração por aventura havia retornado. Levantou-se estonteante e logo disse:
— Obrigado, Amy. Já tenho até uma ideia!
Ainda havia uma solução.
...
Onde estou?
Sonic havia acordado.
Percebeu que estava em uma sala escura. Usou as mãos para tentar se situar, mas encontrou uma barreira física. Logo reconheceu aquele pulsar eletromagnético: estava em uma cápsula de energia.
À medida que seus olhos iam percebendo melhor o ambiente, Sonic pôde ver que essa parede de energia era feita de ondas que emitiam uma leve cor azulada. A iluminação era tão precária que quase não existia, pois a pequena lâmpada direcionava seu brilho para sua direção por cima. Tudo à sua volta estava negro. Até que ouviu uma voz.
— Acordou, ouriço?
Aquela voz.
— É você?
Por um instante ouviu-se uma risada maligna que ecoava por toda aquela sala e por sua extensão. Sonic concluiu era um lugar realmente grande.
Pyro está aqui. – Pensou o ouriço. Sonic sentiu um ódio profundo e começou a dar socos nas paredes daquela cápsula, mas, era previsível que fosse realmente impenetrável.
— Onde estou?! Me responda!
— Acalme-se... Você está no local preparado para você e para os outros.
— Que outros?!
O dono da voz deu mais uma risada. Desta vez discreta.
— Você pensa que será o único a ficar aqui?
Um estalo soou, o que fez iluminar mais três cápsulas: uma na cor rubra, outra na cor roxa e mais uma na cor lilás.
— Por que você está fazendo isso?!
— Para que meu plano de destruição se realize.
— Destruição? Você já conseguiu o que queria! Que plano é esse?
— Você logo saberá. Voltarei quando seus amigos forem mortos.
Sonic surtou novamente revelando grande preocupação com seus amigos, pois este se sacrificou para salvá-los.
— O que vai fazer com meus amigos?!
— Nada. Nesse exato momento eles estão atrás de você.
O ouriço ouviu passos, que lentamente se afastavam. O locutor havia saído daquela grande sala, mas isso apenas deixou o ouriço mais receoso do que podia acontecer a qualquer um que fosse.
— Amigos, por favor, se cuidem... E me descubram logo. – Sussurrou.
...
No último andar daquele grande prédio de metal, havia uma sala de controle. Era um grande compartimento onde metade era ocupada pelas máquinas e computadores e o restante por papéis espalhados pelo chão, em grande parte projetos rejeitados e desenhos descartados de estrutura de robôs. O lugar era escuro e a única iluminação era proveniente dos computadores.
Eggman estava concentrado o suficiente pra não perder nenhum movimento dos três peregrinos que tentavam alcançá-lo. Estava um pouco satisfeito, pois pela primeira vez havia conseguido impedir que sua base fosse aniquilada — sem a presença de Sonic, claro. Aquelas armas demoraram muito tempo para serem construídas. Algumas outras já estavam lá.
Entretanto, alguns instantes atrás percebeu que os havia perdido de vista. Simplesmente pareciam ter evaporado completamente, o que não era um bom sinal.
— Mas, onde estão vocês? — Pensou alto segundo antes de ser surpreendido.
— Estamos bem atrás de você, Eggman – Disse uma voz atrás dele. Apesar do susto, Eggman não se impressionou. Seu subconsciente sabia que iriam conseguir. Eles sempre conseguiam.
Tails é uma peste, mesmo.
Podia enxergar em uma das suas mãos um pequeno pendrive. Ele certamente havia hackeado as câmeras e confundido o cientista. Agora não havia mais escapatória.
— O que vocês querem?
— Temos algumas perguntas a fazer. – Tails estava com aparência um pouco sádica e segurava um segundo pequeno dispositivo.
O detector de mentiras.
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