Assim que Amy chegou ao bangalô, se deparou com Tails e Silver esperando-a próximo à porta:

– O que houve?

Silver esperou que Tails se pronunciasse primeiro. Mas o raposo não abriu a boca. Mas alguém tinha de falar:

– Amy, Tails teve um sonho perturbador. E ele acredita que tenha muita ligação com quem seja lá o guardião.

A ouriça rosada parecia já ter se acostumado com notícias estranhas como essa. Mas ali, ainda na porta do bangalô, fechou os olhos e respirou por alguns instantes. Conduzida pelos dois, Amy então sentou-se no sofá azul na pequena sala e prestou a atenção a tudo pelo qual Tails disse que ouviu e viu. O raposo, apesar de ainda estar um pouco confuso, parecia convicto. Amy se interessou pelo ocorrido e assim que a história cessou, perguntou:

– Você se lembra da música?

Tails mordeu os lábios.

– Não muito. Mas eu consegui anotar alguns versos. E até anotei. – Tails entregou o pequeno bloco de notas à Amy que leu cautelosamente:

O sorriso daquela que faz o sonho de um lar, pode ser o carinho, o afeto e o amar.

As palavras fluíam em sua mente como se tivesse de lembrar aquela música. Mas não encontrava a localização daquele verso em seu subconsciente. O raposo percebeu na expressão da ouriça algo diferente.

– Lhe lembra algo? – Tails perguntou esperançoso.

– Sinto que devia... Lembra, pelo menos, da melodia dela?

– Não, esqueci. Foi algo muito rápido para mim. Até tentei jogar isso na internet, mas não encontrei nada.

– Que droga! – Amy gritou. Quando algo parece ser finalmente importante, simplesmente some em questão de minutos. – Será que é uma música conhecida aqui nesse planeta?

– Talvez, mas... Fica difícil saber, já que não conhecemos muito sobre ela... Mas você está certa. Se o sonho aconteceu aqui, é fato que esteja relacionado a Shield.

...

– Lorde Pyro, já temos tudo pronto para a captura da próxima guardiã.

– Excelente. Capturem-na.

A segunda voz pareceu hesitar à ordem.

– Senhor, acredito que ela tenha algo peculiar que pode prejudicar nossos experimentos.

– Que impossibilidade é essa?

– É uma criança. Talvez não resista à nossas invasões, Senhor.

– Aí que você se engana. Lumina também é muito nova e pôde suportar muito bem todos os efeitos. Isso não nos impede de continuar.

– Mas, lorde... Se ela vier a falecer, teremos de esperar a próxima geração.

– Que esperemos! – Pyro gritou, ríspido. – Eu não tenho mais tempo para aguentar que essa criança cresça. Se ela vier a morrer, pelo menos os que investigam o meu plano também morrerão!

– Então devemos concluir o processo de captura, mestre?

– Exatamente. Mas para lhe mostrar o quanto tudo vai perfeitamente bem em nossa melhor invasão, quero que a própria Lumina termine esse serviço. Diga para ela trazer a criança para mim.

– E o seu pai?

Breve silêncio.

– Deve ser morto.

...

– Amy, e aí? Passou na loja de artigos de mergulho?

– Sim, pelo que eu vi, tem muita variedade de equipamentos, mandei algumas fotos pelo Comunicador de Pulso.

– Tudo bem, mas como não tenho muito conhecimento, pode ser de qualquer espécie. Não servirão para visitar as cidades submersas, e sim para uma possível exploração no fundo do mar. Silver, você pode ir com ela para ajudá-la a pegar os equipamentos e alguns mantimentos?

– Sim, claro que sim.

...

Depois da decisão, tudo começou a se mover conforme o planejado. Tails ficou em casa enquanto Amy e Silver foram ao mercado com a lista dos objetos a alugar em mãos. Assim que a porta foi aberta, dividiram-se. Amy para os mantimentos, e Silver para os equipamentos. Após perder o ouriço prateado de vista, a ouriça passeou por entre as prateleiras por um tempo. Então, pôde avistar uma criança por perto. Pela semelhança e raça, — era uma loba também – percebeu ser filha do mercador. Então algo quase inesperado ocorreu. A pequena loba começou a entoar uma canção:

Ao meu berço minha mãe me abraçou.

Seu afeto me cobriu, tanto me amou.

O sorriso daquela que faz o sonho de um lar,

Pode ser o carinho, o afeto e o amar de uma criança.

Amy sentiu um grande choque. É essa a música. – Pensou.

A ouriça, que ainda não sabia o que fazer por ter a chave de todos os seus problemas ali em sua frente, se aproximou da criança. Abaixou-se, apoiando seu corpo em um dos joelhos.

– Olá.

A loba sorriu timidamente.

– Oi...

– Fiquei sabendo que é você que faz aquelas pulseiras coloridas...

– Sim... S-sou eu...

– São lindas, sabia? Você tem um talento incrível, me lembrou até minha amiga Cream.

– Obrigada.

Amy percebeu que a pequena estava descalça e possuía uma tornozeleira do mesmo tipo.

– Posso dar uma olhada nessa aqui?

A ouriça rosa não precisou de resposta. Pôs os olhos no tornozelo dela. E viu algo que já estava esperando. O símbolo estava ali, marcado como se marca um símbolo em brasa viva. A loba estava em perigo agora, poderia ser a próxima. Precisavam sair dali.

– Querida. Meu nome é Amy, será que você pode fazer uma daquelas pulseiras, por favor? É para dar a alguém especial.

– Claro. – A loba sorriu mais uma vez. Era uma criatura peculiar. Era um pouco menor que Amy, apesar de ser arroxeada, algumas regiões sua pelugem era caramelada. O seu sorriso era luminoso, o que tornava a loba, de uma criatura sombria, para uma doce e agradável criança.

Amy precisava falar com Silver. Levantou-se e procurou-o. Estava terminando de juntar alguns dos objetos da lista.

– Silver, largue isso! O guardião não está no fundo do mar! É aquela criança que está ali!

O ouriço então colocou o pescoço para fora da secção e observou. Franziu a testa.

– Tem certeza?

– Absoluta. Ela tem o símbolo. Vamos logo avisar a Tails. Demolish pode já estar aqui caçando-a.

Amy tentou chamar Tails por seu comunicador, mas ele não atendia. Depois de desistir, puxou Silver para fora do mercado em direção ao bangalô. Acabou encontrando o raposo no caminho que voltava do lugar onde havia aterrissado o Cyclone. Amy contou tudo o que viu para Tails, que não perdeu tempo.

– Se ela cantou a música e tem a mesma marca no tornozelo, com certeza é ela a guardiã! Vamos rápido, até lá!

Tudo foi deixado para centrar as atenções naquela garota. Os três, juntos, correram para o mercado.

Então ouviram gritos de desespero e pessoas correndo para fora do estabelecimento que não estava longe. Estava prestes a term uma desagradável surpresa. Por entre as paredes de vidro era possível se observar uma figura já conhecida.

– Ah, não! É a Lumina! – Amy gritou de ódio.

A porta estava a alguns metros e logo entraram, mas nenhum deles esperava ver a cena que estavam prestes a testemunhar. A pequena loba ao vê-la entrar, correu para os braços de Amy em pranto e Lumina vinha logo atrás tentando pegá-la.

– Alto lá! – Silver tomou a frente e impediu a raposa de prosseguir, que rangia os dentes de raiva.

– O que houve? – Amy perguntou para a loba, ainda em choro perturbador.

A criatura não encontrou forças para falar. Levantou apenas seu braço frágil e trêmulo indicando algo que de fato a traumatizou. Seu pai estava ali jogado ao chão ao seu redor uma poça de sangue. Os olhos de Amy não suportaram ver esta cena e abraçou mais forte a criança:

– Eu sinto muito, querida...