Believe It Or Not
7 Capítulo VI
Notas iniciais
Depois que saímos da casa do Daniel Miller, fomos a um restaurante ali perto. Não era bem um restaurante, era mais uma lanchonete bem organizada e agradável.
Ryan pediu um Milk Shake e eu pedi o mesmo, assim que ele falou "milk shake" me deu até alegria (não ache que tenho pensamento de gorda, eu só tava com fome!). Permanecemos em um silencio desagradável até que nosso pedido chegou.
Tomei um pouco enquanto Ryan permaneceu me olhando com um sorriso. Revirei os olhos.
– Dá para parar de me encarar? Sabia que é feio?
Ele gargalhou.
– Sei sim... Então, eu posso considerar isso um encontro?
– Somos dois amigos comendo, não é um encontro — falei sorrindo. Talvez (bem talvez mesmo) eu quisesse que fosse um encontro.
– O.K., vamos fingir que você não está louca por mim — ele tomou Milk Shake dele.
Eu olhei para rua, e vi o carro de Daniel passando. O que é normal, já que ele morava ali perto, mas quando observei mais um pouco pude ver com clareza que ele não estava sozinho. Cutuquei Ryan forte, que fez careta e resmungou.
– Olha aqui, idiota — falei e ele parou de resmungar.
– Não acredito! Aquilo é a...
– Pricilla — revirei os olhos.
– No carro dele! — ele parecia mais espantado. — ela disse que não o conhecia!
– Hã?
– Eu tava saindo com ela para descobrir mais coisas sobre Jennifer, e quando eu perguntei quem era Daniel, ela afirmou que nunca ouviu falar dele.
Hum, isso é realmente estranho, olhei para Ryan e resolvemos o que iriamos fazer sem nenhuma palavra. Ele me passou a chave do carro enquanto ia pagar a conta. Entrei no carro e liguei, logo em seguida Ryan entrou também, quase correndo e seguimos na direção onde o carro de Daniel passou.
Encontramos o carro sem dificuldade, parado no sinal, e Ryan o acompanhou, mantendo um pouco de distancia. Quatro quadras depois de outro sinal, o carro parou em frente a uma casa, um pouco acabada, porém grande. Pricilla desceu do carro, seguida por Daniel. Eles bateram na porta e uma mulher abriu, e logo entraram.
– Anota o endereço, a gente vem aqui amanhã. — Ryan sussurrou como se eles pudessem o ouvir. Anotei nas notas do celular e ele saiu de lá sem falar mais nada.
***
A aula de quinta passou sem acontecimentos importantes, o que estava me deixando nervosa, afinal, amanhã seria a homenagem de Jenn. Estava tentando descansar de tarde, mas eu queria fazer algo, para relaxar e parar de pensar nisso. Não acho que você deva fugir dos problemas, como muitos fazem, mas estou dizendo que as vezes é bom descontrair e parar de falar tanto em uma coisa só.
Fui até o quarto de Winny que estava com o fone e não me escutou bater na porta.
– Já to entrando — entrei no quarto — vamos sair?
– Por quê?
Revirei os olhos.
– Tem que ter um porquê? É só porque eu quero, droga!
– Calma, mas por quê?
– Só quero fazer algo.
– Já sei. — Winny estampou um sorriso enorme — vá colocar um tênis.
Sai do quarto, enquanto ela se arrumava para a gente sair. Pude ouvir ela no telefone. Ela saiu com roupa de malhar e com o cabelo preso.
– Brad está vindo
– Droga, não quero segurar vela de vocês, quero fazer algo legal!
– Eu sei, amiga. Brad esta vindo deixar a bike do primo dele e a dele para pedalarmos pelo bairro falando dos outros, que nem a gente fazia quando se conheceu! — Ri do jeito que ela falou.
Brad chegou e logo em seguida eu e Winny fomos pedalando devagar escutando uma musica no celular, a principio sem falar nada.
– Não é a mesma coisa sem ela — comentei me referindo a Jennifer.
– É. Talvez a ideia não tenha sido boa.
– Vamos para o parque da cidade, e lá nos fofocamos sobre as pessoas.
Chegando lá, deixamos as bicicletas no lugar correto. E deitamos em baixo de uma árvore com longos galhos cheios de folhas, que fazia uma sombra agradável. Sem dizer nada. Mas não ficou um silêncio constrangedor, era acolhedor, como está relembrando coisas antigas. Quando do nada um cachorro vem correndo para cima de Winny, ela começa a gritar escandalosamente e eu tenho uma crise de risos. Uma menina vem correndo em nossa direção.
– Hey, olha quem diria, as amigas da garota assassinada — era Sabrina, com seu ar de superior, ela estava um pouco suada, aparentemente por correr atrás do seu cachorro.
– Olha quem diria, a ex do meu melhor amigo, a casa agradece por ter terminado com ele! — sorri ironicamente.
Winny me olhou espantada, afinal ela não sabia que Sabrina havia terminado, Derek preferiu não sair espalhando que estava solteiro.
– Você sabe que não é bem assim.
– Sei, você não queria terminar com ele... Mas terminou! Agora ele está bem mais feliz, pode ter certeza.
– Pelo menos eu não tenho que me fazer de vítima para ter mais atenção dele, "ai, minha amiga morreu", "ai, eu sou a principal suspeita", você não tem um pouco de noção do quanto é ridícula?
– Você é louca, garota? — Winny se levantou e elevou o tom de voz — Pelo menos ela tem a atenção dele né? Diferente de você. A verdade é que ele nunca gostou de você, isso é tão obvio, dá para ver no olhar dele todos sabem que ele ama Kate e que você foi só um passatempo.
Ela ficou vermelha e saiu segurando o cachorro dela.
Ri assim que ela saiu.
– É, eu estava com saudade de discutir com alguém — Winny riu — Mas agora é serio, você gosta de Derek?
– Você sabe que sim, desde um tempo, mas não sei se estou só confundindo as coisas.
– Eu já disse que apoio?
Revirei os olhos.
– Já, algumas vezes hein.
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