Believe It Or Not
26 Capítulo XXV
Notas iniciais
Acordei dolorida, a cadeira do hospital não é tão confortável. Ryan estava dormindo, em seu braço esquerdo entrava soro, com o acidente, ele havia perdido muito sangue, por isso estava de observação. Pelo menos ele estava bem. Segundo os médicos, se ele estivesse andando em alguma velocidade, teria morrido. Sim, ele estava parado. Um carro havia simplesmente bater nele enquanto estava parado, suspeito, não? A rua não estava movimentada, se ele não me ligasse, sangraria até a morte.
Isso chegou aos ouvidos da policia, e consequentemente, de Bruce, que estava esperando que Ryan acordasse novamente. Ele havia dito que voltaria logo, e logo depois que falei o pouco que sei para ele, finalmente dormi, acordando só agora, com fome. Sai do quarto e fui comer algo na cantina, comprei um pedaço de torta e uma Coca Cola. Voltei ao quarto e comi lá, até que seu olhar parou em mim. Senti uma felicidade ao saber que ficaria tudo O.K. com ele.
– Oi – Ele falou baixo – Você vem sempre aqui?
Meu coração quase saiu do peito, por um tempo achei que ele morreria e eu nunca escutaria a voz dele, nem esse tipo de piada lerda dele.
– Desculpa – Eu disse e ele me olhou confuso – Droga, Ryan! Isso é culpa minha, e eu quase te perdi.
Eu saí da cadeira onde eu estava e sentei ao lado dele na cama, abraçando ele apertado.
– Culpa sua o quê? – Ele ainda parecia não entender.
– Se você não estivesse indo à minha casa, nada disso teria acontecido.
– Não, para com isso. – Quando o soltei, o vi revirando os olhos. – E se for por você, eu faria tudo de novo.
Cheguei perto dele novamente, e deitei somente a cabeça no peito dele. Ele beijou minha cabeça e me senti tranquila.
– Tô com muita fome, tipo de 10 mendigos juntos. – Ryan disse do nada, me fazendo rir.
– O.K., vou chamar alguma enfermeira.
Dei um beijo na testa dele e sai para procurar alguém, foi quando eu encontrei Bruce no corredor.
– Ele está acordado? – Bruce perguntou assim que me viu.
– Sim...
– Já pode falar, né? Tenho que ter uma conversa com ele.
***
Ryan comeu e logo em seguida estava no quarto com Bruce. Eu fiquei do lado de fora. Passei longos dez minutos esperando a conversa terminar, mas então Winny chegou.
– Não faz mais isso, não sai correndo do nada, fiquei preocupada para caralho – Ela raramente falava palavrão.
– Eu estou bem como pode ver, e Ryan também. Esse filho da puta só quis nos dar um susto. – Falei com ódio, toda vez que eu pensava nisso me dava raiva.
– Quem?
– O assassino, quem mais seria? – Sorri irônica – Parece que está só brincando com a gente, sondando o terreno, para do nada matar alguém, ele deve estar se divertindo muito, mas eu não tenho mais medo dele, não vou dar esse prazer à ele.
– Você acha mesmo que foi o assassino de Jenn que fez isso?
– Sinceramente? Eu não tenho duvidas. O que eu não entendo é o porquê disso tudo, se ele quer nos matar, por que diabos ele não faz isso logo como fez com Jenn?
Winny não disse mais nada, ela parecia aflita com o que eu disse. Então do nada ela me abraçou. Não me permiti chorar, por mais que eu quisesse. Tudo que eu queria era fugir com todos que amo e me trancar no quarto da casa dos meus pais e chorar, como eu fazia quando mais nova. Porém a partir de hoje eu tomarei as rédeas da situação. Respirei fundo e soltei do abraço de Winny.
– Vou ligar para a mãe de Ryan. – Avisei a Winny, e sai de perto um pouco para conversar com a mãe dele.
Ela ficou desesperada ao saber de tudo, afinal, que mãe não ficaria?
Bruce saiu do quarto coçando sua barba mal feita. Parecia estar meio frustrado.
Entrei logo em seguida junto com Winny, e Ryan estava lá olhando para o teto, pensativo e distante. Então ele notou nossa presença.
– Eu não lembro.
– O quê? – Winny o olhou confusa.
– Não lembro a merda da placa do carro, e tenho certeza que vi.
– Tudo bem, Ryan... Isso não importa. – Winny tentou reconforta-lo.
– Claro que importa, se eu soubesse, pegaríamos o responsável – Ele bufou.
Passamos um tempo conversando com Ryan, a enfermeira veio trocar o soro e disse que logo ele receberia alta. Após isso, a mãe de Ryan chegou. Abraçou ele exageradamente, parecia que ele era uma criancinha que havia se perdido no shopping e a mãe ficou desesperada atrás dele.
Deixamos Ryan com a mãe por um tempo, até que ela veio até o corredor para falar comigo.
– Kate, vá para casa, você ficou por aqui por muito tempo.
– Quero ficar até ele receber alta.
– Não, você já fez demais –Ela sorriu – Vá para casa descansar, eu ficarei aqui com ele. Quando ele sair, ele vai à sua casa.
– O.K. então.
– Obrigada por tudo.
Sorri para ela e voltei para onde Winny estava. E fomos para casa.
***
Dois dias depois, as coisas se acalmaram demais, ninguém invadindo minha casa, ninguém sofrendo acidentes. E eu finalmente me sentia tranquila e segura. Hoje todos viriam para minha casa, era a ultima semana de férias, só essa semana para aproveitar o tempo livre.
Winny já estava na cozinha junto com Brad, ele estavam fazendo a comida para todos. Eu e Derek estávamos um em cada lado do sofá, ele estava me encarando, e eu tentava não rir (é a brincadeira mais idiota que a gente faz). Ele estava serio, e ficava hilário dessa forma. Provavelmente eu perderia.
Foi quando soltei uma gargalhada da careta que Derek fez (que não foi proposital), então a porta se abriu, William entrou gritando “montinho” e veio correndo e pulou em cima de mim, que estava quase deitada. Ryan passou pela porta rindo, Brad saiu correndo da cozinha e pulou em cima de Will, seguido por Derek e Ryan. Eu estava gritando que nem louca com o pouco ar que me restava por estar com todo aquele peso em cima de mim. Winny apareceu rindo.
– Saiam de cima dela! – Ela empurrou os meninos, que caíram esparramados ao lado do sofá – Não posso ficar na cozinha um minuto que as crianças fazem bagunça. – Ela falou fazendo pose de autoritária, e depois começou a rir da minha cara, então voltou para cozinha, e Brad foi junto, mandando uma piscadela para mim antes.
– Já escolheram o filme? – Ryan perguntou.
– De volta para o futuro. – Derek respondeu sorrindo e eu taquei uma almofada dele.
– Vai ser Frozen. – Winny gritou da cozinha.
– Olha minha cara de quem assiste Frozen. – Will disse serio, fazendo todos rirem.
Winny veio com dois pratos brigadeiros e Brad com três baldes de pipoca. Derek se levantou e buscou o Refrigerante.
– Minha casa tem ordens, a principal, é que eu mando nela. Não é uma democracia, é ditadura. – Winny argumentou com Will, e acabou que fomos ver Frozen.
Eu, Derek e Ryan dividimos um dos pratos de brigadeiro, e a pipoca eu dividi com William, todos estavam no chão. O filme é ótimo, eu amo esses filmes da Disney, e as musicas ficam sempre na cabeça.
Faziam um tempo que eu não tinha uma tarde tão boa, as coisas estavam calmas e certas, eu me sentia completa, mesmo sem Jennifer entre nós.
Ryan e Derek conversaram quase o filme todo. Will, por incrível que pareça, prestou atenção no filme e gostou bastante. Tanto é que assim que acabou o filme William estava cantando Let It Go.
Todos dormiram lá em casa, afastamos os sofás para colocar dois colchões, nos quais eu, Winny e William dormimos, muito apertados devo dizer. Brad e Ryan dormiram no sofá e Derek dormiu numa rede.
***
Eu corri, e não sabia para onde, era como se alguém estivesse correndo atrás de mim, mas eu não via ninguém quando eu olhava para atrás. Só que eu sentia que tinha alguém.
Era infinito, eu não chegava em lugar nenhum. Até que finalmente cheguei em casa. Um alivio percorreu meu corpo, e entrei em casa. Tudo em silencio.
– Winny? – Chamei, caso ela estivesse. Sem respostas.
Ouvi um grito distante. Meu Deus, cadê Winny? A porta do quarto de Jennifer estava. O que era extremamente estranho, ninguém mais entra lá, está sempre fechada. Entrei lá, sem medo, e me deparei com Jennifer deitada em sua cama sendo agredida por um homem, e eu não conseguia ver quem era. Ela gritava, eu não conseguia me mexer, estava paralisada, uma angustia, eu só podia assistir aquela criatura bater na minha amiga.
Jennifer caiu no chão indefesa, ela chorava, e era como se eu chorasse também, eu ouvia meu choro, mas não sentia as lagrimas. O homem começou a esfaqueá-la e seus gritos agudos ficavam ensurdecedores, parecia que ela gritava no meu ouvido, o sangue inundou o chão, Jennifer finalmente se calou para a eternidade.
– Você está aí? – O assassino sussurrou – Kate? – Eu não conhecia essa voz, mas me deu medo.
Quando olhei para Jennifer, não era mais ela, e sim Pricilla.
– Você acha que eu mereci isso? Eu acho que não, e se eu estivesse viva, faria ele pagar por tudo – Jenn apareceu do meu lado do nada, tinha ódio em seus olhos, assim como ela ficava quando falava de seus pais, assim como ela ficava quando se sentia fraca.
– Isso é tudo culpa sua – Pricilla murmurou do chão, ela estava deitada na poça de sangue e era de Jennifer, mas ela estava toda melada.
Senti falta de ar, e me levantei de repente, Acordando daquele pesadelo torturante. Eu estava respirando com dificuldade e meu coração estava acelerado, Nada daquilo era real.
Fiquei em pé, e fui até a cozinha beber água, para tentar me acalmar, eu queria chorar, mas isso foi só um sonho. Bebi água, e quando eu estava para voltar para sala, Ryan aparece perto da geladeira, me fazendo pular de susto. Ele sorriu e me senti confortável.
– Você me acordou... Quando saiu da sala, pera, está tudo bem? – Ele parecia confuso, afinal, tinha sido acordado do nada.
– Sim, tive um pesadelo horrível com Jennifer, só isso.
– Está tudo O.K., as vezes eu tenho também. – Ele me abraçou sem dizer nada mais que isso.
Eu só queria ficar ali, me sentindo segura com os braços de Ryan em torno de mim.
Só que eu sabia que essa era apenas a calmaria antes da tempestade.
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