Believe It Or Not
19 Capítulo XVIII
Notas iniciais
Descansei o dia todo depois que cheguei, e no outro dia estava pronta para a investigação. Me senti uma detetive falando assim. Ryan passou na minha casa e fomos até a delegacia.
Quando chegamos, um policial nos recebeu, e falei que queria falar com Bruce, o investigador do casa de Jenn. Entrei na sala dele, que me recebeu com um grande sorriso.
– Quando tempo não vejo vocês? Não estão felizes que não são mais suspeitas e resolveram me ver?
– Basicamente – Ryan deu um sorriso de lado. – Não somos mais suspeitas? E tem alguém em mente?
– O.K., você veio saber se temos outras suspeitas, não vejo porque esconder. Você era um suspeito muito forte, mas descartamos essa possibilidade. Porém, não sabemos muito, mas estamos investigando na sua escola, já que o assassinato de Pricilla Sampaio supostamente foi feito pela mesma pessoa.
– E como sabemos que foi feito pela mesma pessoa? – Eu questionei.
– Pelo modo em que elas foram mortas, acho que o cara usou a mesma arma do crime, ele provavelmente é canhoto, e também pela força usada, supomos que é um homem.
– Tudo suposições, nada concreto? – Foi a vez de Ryan questionar.
– Teoricamente, sim. Mas investigando todos os canhotos da escola vai acabar nos levando a um assassino. Ele não parece ser profissional, sabe?
– Como assim, profissional? – Perguntei confusa.
– Contratado para matar, assassino de aluguel, essas coisas. Ele provavelmente não é, porque não usaria esse tipo de arma se fosse. E ele está deixando algumas pistas.
– Então vocês vão pega-lo logo? Está perto de isso acontecer? – Falei ansiosa.
– Digamos que sim, ele está se incriminando aos poucos, espero que eu consiga descobrir antes que ele mate alguém. Aconselho que você não ande sozinha, Katherine. Afinal, seguindo uma certa linha de raciocino, Winny e você seriam as próximas.
Claro que aquilo me assustou, mas não demonstrei.
– Tomarei cuidado, Bruce – Sorri fraco. –Foi bom conversar com você, qualquer noticia do caso, gostaria de saber, quero muito que isso tudo acabe.
– O.K., cuidado com os mais próximos.
***
Ryan dirigiu calado até a casa de Daniel, mas quando estacionamos, ele soltou o que o incomodava.
– Você não tem medo? – Ele me olhou meio assustado. – Sei lá, eu tenho, pode parecer idiota, até porque ele só matou mulheres, mas aqui estou eu me cagando de medo e você aí toda despreocupada, como se lidar com isso fosse a coisa mais simples de todas.
– Eu não estou despreocupada, você não sabe o quanto me pergunto se serei a próxima. Mas se for ter que ser, será.
– Vai morrer virgem? – Ele disse já indo. Bati no braço dele e desci do carro, já indo em direção a porta da casa de Daniel.
Toquei a campainha e demorou um pouco, alguém gritou um "Já vai" e esperei, com Ryan ao meu lado.
Daniel abriu a porta sorrindo, parecia de bom humor.
– Hohohou, feliz ano novo. – Ele imitou o papai noel. – Kate, quem diria, te vi no shopping de mamãe noel, sei lá, eu deveria ter passado lá para tirar uma foto!
Revirei os olhos ao lembrar de ser ajudante de papal noel, foi vergonhoso, mas rendeu um ótimo Natal entre amigos.
– Feliz ano novo, Daniel – Ryan sorriu. – Como vai? E as novidades?
– Veio para saber as novidades mesmo?
– Não as suas. – Ryan fez cara de cínico. – Tá sabendo de algo novo sobre a morte de Jennifer?
– Eu procurei sobre alguém que poderia mata-la por estar devendo dinheiro das drogas. Só que não achei, já que ela nem devia tanto.
– Hum – Aquela informação não era relevante, já que Bruce havia dito que não era alguém contratado para matar, pela arma usada. – Mas alguma coisa?
– Não sei se isso é uma coisa, mas suspeito de alguém.
– Quem? – Ryan quase gritou.
– Ah, não sei bem, mas tem um cara. Existe um bar onde eu e Jennifer frequentávamos, era bem movimentado. E tinha um homem que ficava observando ela de vez em quando, ela nunca reparava nisso, e quando eu comentava isso, ela dizia que era paranoia, e que ele deve olha-la por ela ser bonita. Depois que Jenn morreu, fui nesse bar com Pricilla algumas vezes o cara também estava lá. Ele olhava para Pri, assim como ele encarava Jenn.
– Nossa, isso é um grande começo, mas você não sabe nada do cara?
– Só sei o horário em que geralmente ele está no bar, e não acho que eu deva ir com você mostrar quem ele é, já que quando eu fui com Pricilla, ela acabou também sendo morta.
– Ryan vai com você, então! – Conclui e Ryan me encarrou incrédulo.
– Ér, eu vou com você – Ryan disse meio incerto.
– O.K., passei aqui amanhã de às oito da noite. – Daniel bateu a porta logo em seguida, sem esperar resposta.
***
– Qual cor? – Winny me perguntava apontando dois esmaltes.
– O azul.
– O.K., mas acho que não vai dar tempo, Brad já está vindo me pegar.
– Cuidado, ta?
– Com o que, Kate? – Winny me encarou seria.
– Sei lá, estou com medo. Você sabe... Esses assassinatos e tudo mais, então, não sai de perto de Brad, beleza?
– Que horrível pensar assim! Relaxa um pouco, acho que você é quem não deve ficar sozinha aqui em casa, vou ligar para Derek – Winny saiu do quarto em busca do celular.
Senti um calafrio. Sabe aquela sensação de estar sendo observada? Pois é.
Olhei para janela e posso jurar que vi um vulto, mas isso deve ser só coisa da minha cabeça. Fechei os olhos lentamente, respirei fundo para tentar tirar essas coisas da minha cabeça, parece que as palavras de Bruce martelavam na minha cabeça. Ouvi um barulho na porta e pulei da cama. Mas era só Winny.
– Nossa, tá assustada, hein? – Winny riu. – Caralho, você tá muito branca. Vem tomar uma água.
– Tô bem, Winny.
– Certeza?
– Sim.
– O.K., Derek vai vim para cá de fazer companhia, então relaxa, e eu vou me cuidar bem, não vou desgrudar de Brad. – Ela sorriu para me reconfortar.
Ela parecia preocupada. Então tentei não me apavorar pelo fato de eu ter quase certeza que vi algo na minha janela, seja lá o que for.
Derek chegou uns minutos depois, mas não conseguia me sentir completamente segura, eu olhava para a janela direto, e ele parecia preocupado com isso. Eu queria que chegasse logo o dia de amanhã para que Ryan pudesse ver quem era o cara que Daniel falou.
***
Ryan não queria que eu fosse com ele para o tal bar, mas insistir em ir, eu queria ver o cara que era suspeito de Daniel.
Daniel também não gostou da ideia, por ser arriscado para mim, mas naquela altura do campeonato, dane-se o que é arriscado.
Chegando lá, olhei em volta em busca de alguém suspeito. Enquanto Ryan e Daniel se sentavam em uma mesa.
Vendo que fiquei que nem uma retardada olhando para todos, resolvi sentar também. Mas ainda sim, procurava alguém estranho.
– Dá para para, Kate? – Daniel sussurrou.
– O quê?
– Vai que ele percebe que estamos procurando por ele.
É, foi burrice. Então resolvi encarar Daniel, esperando que ele me mostrasse quem é o cara desfardadamente. Uma garçonete extremamente loira apareceu sorrindo.
– O que vão querer?
– Oh, nada, estamos aqui só...
– Traz o de sempre para mim – Daniel me interrompeu com um olhar severo, para que eu ficasse calada.
– O de sempre? Vou querer o mesmo do Daniel – Ryan sorriu simpático.
– E você? – A loira olhou para mim.
– Nada – Sorri. – Talvez só um refrigerante. Um guaraná, por favor.
– O.K.
– Kate, se você está nervosa ou ansiosa, não devia ter vindo – Ryan comentou – Winny me falou que ontem você estava meio paranoica.
– Eu não tava paranoica! – Quase gritei. – É que... Ah, você vai me achar doida se eu falar isso.
– Pode falar – Daniel pareceu ser bem compreensivo, e gostei disso, acho que ele pode ser uma ótima pessoa para desabafar, deve ser por isso que Jenn falava as coisas para ele.
– Acho que eu vi algo na minha janela, parecia alguém, e eu senti como se eu tivesse sendo vigiada. Tipo agora, tô com essa sensação também.
– Sei como é, mas agora é por causa do idiota que está te encarando. – Daniel respondeu olhando para longe, e Ryan também olhava para o mesmo ponto.
– É esse cara? O de camisa xadrez, que está sentado sozinho, ao lado de um casal?
– Sim.
– Se eu olhar agora, não vai ser muito disfarçada, né? – Segurei a vontade de olhar para o lado.
– É, ainda bem que pelo menos isso você entendeu. Vai no banheiro, volta, e depois olha para ele. – Daniel pronunciou devagar como se eu fosse uma retardada.
Revirei os olhos, e fui ao banheiro. Olhei do espelho, eu parecia bem, não estava tão apavorada como antes eu estava e tal. Agora estava tudo O.K., enrolei um pouco no banheiro, apenas me encarando no espelho.
Quando desci sai, finalmente pude ver quem era o cara.
Lá estava um cara de óculos (não pensem em óculos fundo de garrafa), ele era bem bonito, e tinha intensos olhos claros, ele me encarava. E não pude deixar de olha-lo bem. Ele até parecia um cara normal. Só que o olhar dele me incomodava. Parecia que ele me analisava, assim como eu estava fazendo com ele.
Voltei à mesa, e Ryan e Daniel riam de algo, parecendo naturalmente amigos.
– Ele é meio assustador, o olhar, sei lá.
– Eu sei... – Daniel parecia pensativo.
– E como vamos saber mais dele?
– Saber mais? O que você sugere? Que eu vá até lá e pergunte quem ele é, e se matou Jenn e Pri?
– Esquece então. Não sei porque vinhemos aqui se não vamos fazer nada – Ryan fez cara de indignado.
***
Ah, mas eu não ia deixar um suspeito passar, nem a policia sabe dele! Daniel não falou sobre isso com Bruce, o que deixam as coisas mais difíceis. Decidi chamar o cara de ''D'', por ser um suspeito de Daniel. Eu me sentia uma verdadeira detetive.
Então desci que iria com Ryan novamente no tal bar. E que eu iria falar com o D, e ainda daria em cima dele para descobrir mais coisas. Derek detestou a ideia, e ficou puto por eu estar correndo perigo fazendo esse tipo de coisa.
Mas acabei convencendo ele e Ryan de ir até o bar, demorou, tive insisti bastante.
Meu plano parecia perfeito, eu já havia planejado até o que falar, e estava ansiosa para saber quem era D.
***
Já no bar, entrei e sentei na mesa que qual fiquei ontem. Derek e Ryan me acompanharam.
– Ele está lá, na mesma mesa – Ryan sussurrou
– Ótimo! – Sorri já pensando em tudo que colocaria em pratica.
A mesma garçonete veio até nossa mesa com um sorriso.
– Hey, vocês de novo! Fico feliz em saber que aqui está bem frequentado – Ela falou em direção a Ryan, que sorriu. – Vão querer o que?
– O mesmo de ontem, né Kate? – Ryan disse prontamente, e eu concordei com a cabeça. – A proposito, eu queria jogar sinuca! Você pode trazer as bolas e os tacos?
– Oh, claro, e você? Vai querer algo? – Ela olhou para Derek.
– Ainda não, obrigado.
Passou um tempo e a loira veio com nossos pedidos. Fomos para a mesa de sinuca já com as coisas e Ryan arrumava as bolas.
– Porque não jogamos em duplas? Kate, arranja alguém para jogar com a gente – Derek falou um pouco alto, conforme o plano.
– Claro... – Respondi pensativa, olhando em volta como se procurasse alguém legal para jogar, até que meus olhos bateram no de D, que me observava, sozinho na mesma mesa em que estava sentado ontem. – Vou chama-lo – Apontei discretamente para ele, esperando que ele percebesse que iria até lá.
– O.K. – Ryan respondeu distraído.
Caminhei devagar, repassando o que eu diria mentalmente, para parecer natural. D ainda me encarava, e não tirei os olhos dele também, como se não estivesse intimidada.
– Oi – Respondi meio animada – Está sozinho?
– Sim, estou – D respondeu rápido, como se já esperasse cada movimento meu.
– Hum, legal, quer jogar sinuca em dupla? Você pode ser minha dupla, eu sou boa, serio. Sei que posso estar incomodando, mas seria legal jogar, e ai?
– Claro, porque não? – Ele disse se levantando da mesa, mas do nada parou – Qual é seu nome?
DROGA, eu não havia pensado no mais importante, devo dizer um nome falso? Eu sou idiota, não sabia o que falar.
– Quê? – Fingi não ouvi por estar distraída.
– Seu nome, qual é seu nome? O meu é Joshua, mas pode me chamar de Josh.
– Oh, o meu é Katherine, mas pode chamar de Kate – Acabei falando mesmo! Devia ter pensado mais nisso antes e combinado com os meninos. Ai que burra! – Enfim, vamos?
Ele assentiu e fomos na até a mesa de sinuca.
– Que demora para achar alguém – Disse Derek casualmente.
– Pois é, gente, esse é o Josh. Josh, esse é Ryan e Derek.
Eles se cumprimentaram.
– Ele vai ser minha dupla – Exclamei animada e Derek riu.
– Cara, ela é muito ruim jogando, espero que você não seja competitivo. – Ryan fez careta.
– Relaxa, posso ganhar por mim e por ela – Josh brincou.
Nós jogamos e conversamos besteira sobre sunuca, nada muito pessoal. Quando acabou, Josh veio sentar na mesa em que estávamos sentados antes, e começamos a conversar. Aí que meu plano entra em ação.
– E aí, Josh? O que você faz da vida? – Perguntei olhando nos olhos dele, mostrando interesse.
– Por enquanto, nada, terminei a escola esse ano e estou vendo em que universidade entrarei.
– Nossa, isso é legal. – Ryan comentou distraído.
– É, quero logo sair da casa dos meus pais.
– Sei exatamente como é, por isso decidi dividir apartamento com minhas amigas! É bem melhor que morar com os pais, fora as obrigações com a casa.
– Geralmente eu sou obrigado a ir ajudar ela na faxina – Derek comentou rindo.
– Vocês se conhecem de onde? – Josh perguntou.
– Da escola, somos melhores amigos desde sempre – Respondi sorrindo, até lembrar que Derek agora é meu namorado. Mas isso não vem ao caso.
– É, não é por nada, mas... Você conhece Daniel da onde? – Josh pronunciou o nome como se tivesse nojo. Talvez Josh só tenha ódio de Daniel, e Jennifer não tenha nada haver com isso, ou não.
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