Believe In Magic: Um novo começo.
10 Capítulo 09
Depois que os encontros da Armada de Dumbledore começaram, Amélia esteve tendo menos pesadelos que antes, um segredo luminoso que lhe ajudou até mesmo a suportar as aulas de Umbridge. A AD estava resistindo debaixo do nariz dela, fazendo exatamente o que Umbridge e o Ministério mais temiam, e sempre que devia estar lendo o livro de Wilberto Slinkhard, durante as aulas, se regalava com as agradáveis lembranças das reuniões mais recentes, revendo como conseguiu executar um Feitiço Redutor com tanta perfeição que reduziu a pó a mesa em que estavam os bisbilhoscópios.
Estava quase impossível fixar uma noite por semana para as reuniões da AD, porque precisavam acomodar os treinos de três equipes de quadribol diferentes, em geral remarcadas por causa das más condições do tempo; mas Amélia não lamentava todas as noites que não tinha reunião, ia para a biblioteca e ficava lendo livros sobre feitiços defensivos ou então levava para o seu dormitório e ficava treinando por lá; sentia que estava se saindo muito melhor.
Hermione não tardou a inventar um método muito inteligente de comunicar o dia e a hora da reunião seguinte a todos os membros, caso precisassem mudá-los de um momento para o outro, porque pareceria suspeito se os alunos das diferentes Casas fossem vistos atravessando o Salão Principal para conversar uns com os outros com muita frequência. Ela deu a cada membro da AD um galeão falso (Rony ficou muito excitado quando viu a cesta de moedas e convenceu-se de que Hermione estava realmente distribuindo ouro).
— Vocês estão vendo os números na borda das moedas? — explicou Hermione ao final da quarta reunião, erguendo uma para mostrar. A moeda brilhava maciça e amarela à luz dos archotes. — Nos galeões verdadeiros, este é apenas o número de série referente ao duende que cunhou a moeda. Mas, nas moedas falsas, os números vão ser trocados para informar o dia e a hora da reunião seguinte. As moedas ficarão quentes quando a data mudar, então se vocês as carregarem no bolso poderão sentir. Cada um vai levar uma, e quando Harry mudar os números na moeda dele, porque eu usei um Feitiço de Proteu, todas mudarão para se igualar à dele.
Um silêncio total acolheu suas palavras, e Hermione olhou desapontada os rostos que a encaravam.
— Bom... achei que era uma boa ideia — disse insegura -, quero dizer, mesmo que a Umbridge nos mande virar os bolsos pelo avesso, não há nada suspeito em carregar um galeão, há? Mas... bom, se vocês não quiserem usar as moedas…
— Você sabe fazer um Feitiço de Proteu? — admirou-se Terêncio Boot.
— Sei.
— Mas isso... isso é nível de N.I.E.M. — comentou pouco convencido.
— Ah — respondeu Hermione, tentando parecer modesta. — Ah... bom... é, suponho que seja.
— Como é que você não pertence à Corvinal? — perguntou Boot, fixando-a com um olhar próximo ao assombro. — Com uma inteligência dessa?
— Bom, o Chapéu Seletor pensou seriamente em me mandar para Corvinal — contou Hermione animada -, mas acabou se decidindo pela Grifinória. Então, isso quer dizer que vamos usar os galeões?
Houve um murmúrio de concordância e todos se adiantaram para apanhar uma moeda na cesta.
— Sabe o que essas moedas me lembram? — Amélia comentou para Hermione e Harry, quando foi pegar o seu galeão.
— Não, o quê?
— As cicatrizes dos Comensais da Morte. Voldemort toca em uma delas e todas ardem, e seus seguidores sabem que devem se reunir a ele.
— Bom... é — disse Hermione em voz baixa só para que Amélia e Harry pudesse ouvir -, foi de onde copiei a ideia... mas você vai notar que decidi gravar a data em metal em vez de gravá-la na pele dos nossos colegas.
— É... prefiro do seu jeito — disse Harry, sorrindo ao enfiar a moeda no bolso.
— Imagino que o único perigo é que a gente possa gastar a moeda sem querer — Amélia falou.
— Não tem a menor chance — disse Rony, que estava examinando o seu galeão falso com tristeza -, não tenho um galeão verdadeiro para confundir com este.
Quando o primeiro jogo da temporada, Grifinória contra Sonserina, começou a se aproximar, as reuniões da AD foram suspensas porque Angelina insistiu em fazer treinos quase diários. O fato de que a Copa de Quadribol não se realizava havia tanto tempo que aumentava o interesse e a excitação que cercava o próximo jogo; os alunos da Corvinal e da Lufa-Lufa estavam vivamente interessados no resultado, porque eles, é claro, estariam jogando com as duas equipes no ano seguinte; e os diretores das Casas das equipes competidoras, embora tentassem disfarçar sob um falso espírito esportivo, estavam decididos a ver o seu próprio time vitorioso. Amélia percebeu o quanto a Profª McGonagall queria derrotar a Sonserina quando ela se absteve de passar dever de casa na semana que antecedeu ao jogo e todos os alunos pareciam intensamente gratos por isso.
— Acho que no momento já temos muito com que nos ocupar — disse com altivez. Ninguém quis acreditar no que estava ouvindo até vê-la olhando diretamente para Harry e Rony, e dizer muito séria: — Me acostumei a ver a Taça de Quadribol na minha sala, rapazes, e realmente não quero ser obrigada a entregá-la ao Prof. Snape, então usem o tempo extra para treinar, sim?
Snape não foi um partidário menos óbvio; reservou o campo de Quadribol para a Sonserina com tanta freqüência que a equipe da Grifinória teve dificuldade em encontrá-lo livre para treinar. Fazia-se também de surdo com relação às muitas queixas de que os alunos da Sonserina estavam tentando azarar os jogadores da Grifinória nos corredores da escola. Quando Alicia Spinnet apareceu na ala hospitalar com as sobrancelhas crescendo tão densa e rapidamente que obscureciam sua visão e tampavam sua boca, Snape insistiu que a garota devia ter experimentado nela mesma um Feitiço para Engrossar os Cabelos, e se recusou a ouvir as catorze testemunhas -onde Amélia era uma delas- que confirmavam ter visto o goleiro da Sonserina, Milo Bletchley, lançar o feitiço nas costas da garota quando ela estava estudando na biblioteca.
Amélia, como uma fascinada declarada pelo esporte, sabia que a Grifinória tinha uma boa chance de ganhar aquele jogo, a sua única preocupação real era que Rony estava deixando que as táticas da Sonserina o perturbasse mesmo antes de entrarem em campo. Harry, naturalmente, aturava os comentários maldosos deles havia mais de quatro anos, por isso, murmúrios como: "Oi, Potty, ouvi dizer que Warrington jurou derrubar você da vassoura no sábado", em vez de gelar seu sangue, o faziam rir. "A pretensão de Warrington é tão patética, que eu ficaria mais preocupado se ele estivesse mirando na pessoa ao meu lado", retrucava ele, o que fazia com que Amélia, Rony e Hermione gargalhassem e apagava o sorriso presunçoso da cara de Pansy Parkinson.
Amélia passava boa parte do seu tempo livre na biblioteca, estudando ou fazendo seus deveres, mas parecia que os alunos da Sonserina acreditavam que mexendo com ela, de alguma forma, o time abalado. Então um dia, quando estava sozinha na biblioteca duas garotas mais velhas apareceram, fazendo gracinhas:
— Ouvi dizer que ela é a nova paixonite do Potter, eu posso até odiá-lo, mas tenho que admitir, ele merecia algo melhor.
Mas seja qual fosse os comentários, Amélia apenas fingia que não era com ela. Até Hermione estava sofrendo com os ataques, mas, como contou a Belmont em um dia que estudavam juntas, ignorar era a solução, fazia isso há mais de 4 anos.
Outubro terminou numa investida de ventos uivantes e chuvas impiedosas, e novembro chegou, frio como uma barra de ferro congelada, com espessas geadas matinais e correntes de ar cortantes que queimavam as mãos e os rostos desprotegidos. O céu e o teto do Salão Principal estavam um perolado cinza pálido, os picos das montanhas que cercavam Hogwarts, cobertos de neve, e a temperatura do castelo caíra tanto que muitos estudantes, como Amélia, usavam grossas luvas de pele de dragão para se proteger quando saíam para os corredores no intervalo das aulas. E a manhã do jogo alvoreceu clara e fria.
O Salão Principal estava se enchendo depressa quando Amélia, Rony e Harry chegaram, a conversa mais alta e o clima mais exuberante do que o normal. Quando passaram pela mesa da Sonserina, o barulho aumentou. Amélia viu que, além dos habituais cachecóis e gorros verde-e-prata, cada um deles estava usando um distintivo prateado, que, na forma, lembrava uma coroa. Por alguma razão, muitos deles acenaram para Rony, às gargalhadas. Belmont tentou ver o que estava escrito nos distintivos, mas Harry estava tão preocupado em fazer Rony passar rápido pela mesa que acabou a puxando também.
Os dois garotos foram recebidos entusiasticamente na mesa da Grifinória, onde todos usavam vermelho e ouro, mas, em lugar de animar Rony, os vivas pareceram acabar de minar a sua moral; ele se largou no banco mais próximo, parecendo estar diante da última refeição da vida.
— Eu devia estar maluco quando fiz isso — disse num sussurro rouco. — Maluco.
— Não seja tapado — disse Harry com firmeza, passando-lhe uma seleção de cereais -, você vai ficar ótimo. É normal se sentir nervoso.
— Sou uma meleca — crocitou ele em resposta. — Sou um trapalhão. Não sou capaz de jogar nem para salvar a pele. Onde é que eu estava com a cabeça?
— Controle-se — disse Harry com severidade. — Olhe aquela defesa que você fez com o pé ainda outro dia, até o Fred e o Jorge disseram que foi genial.
Rony voltou um rosto torturado para Harry e para Amélia.
— Aquilo foi por acaso — sussurrou infeliz. — Não era minha intenção, escorreguei da vassoura quando vocês não estavam olhando e, quando tentei me endireitar, chutei acidentalmente a goles.
— Bom — disse Harry recuperando-se rapidamente da desagradável surpresa, enquanto Amélia, de cabeça baixa, ainda estava com os olhos arregalados — mais alguns acasos iguais àquele e o jogo está no papo, não acha?
Hermione e Gina sentaram-se de cada lado do corpo de Belmont, usando cachecóis, luvas e rosetas vermelho e ouro.
— Como é que você está se sentindo? — Gina perguntou a Rony, que agora contemplava o resto de leite no fundo da tigela vazia de cereal, como se considerasse seriamente a possibilidade de se afogar ali.
— Ele está só nervoso — Amélia disse.
— Bom, é um bom sinal, acho que a pessoa nunca se sai tão bem nos exames se não estiver um pouco nervosa — disse Hermione com entusiasmo.
— Alô — cumprimentou uma voz vaga e sonhadora às costas deles.
Luna Lovegood viera da mesa da Corvinal. Muitos estudantes a seguiam com os olhos, alguns davam gargalhadas e a apontavam sem disfarces; Luna conseguira arranjar um chapéu em forma de cabeça de leão em tamanho natural, e o colocara precariamente na cabeça. E Amélia estava completamente apaixonada por ele.
— Estou torcendo pela Grifinória — disse, apontando sem necessidade para o chapéu. — Olhe só o que ele faz…
Ela ergueu a mão e deu um toque de varinha no chapéu. O leão escancarou a boca e soltou um rugido extremamente real, que sobressaltou todos que estavam por perto.
— Que demais, Luna — Amélia falou, sorrindo para ela.
— É ótimo, não é? — disse Luna, feliz. — Eu queria que ele estivesse mastigando uma cobra para representar a Sonserina, entendem, mas o tempo foi pouco. Em todo o caso... boa sorte, Ronald!
Ela se afastou como se flutuasse. Os garotos ainda não tinham se recuperado do choque que fora o chapéu de Luna quando Angelina se aproximou correndo, acompanhada por Katie e Alicia, cujas sobrancelhas tinham sido misericordiosamente restauradas por Madame Pomfrey.
— Quando vocês estiverem prontos — disse ela -, vamos direto para o campo, verificar as condições e trocar de roupa.
— Estaremos lá daqui a pouco — Harry a tranquilizou. — O Rony precisa comer alguma coisa.
Mas, passados dez minutos, ficou claro que Rony não conseguiria comer mais nada, e Harry achou melhor levá-lo para os vestiários. Ao se levantarem da mesa, Amélia e Hermione os acompanharam, e Mione, segurando o braço de Harry, puxou-o para um lado.
— Não deixe Rony ver o que tem naqueles distintivos do pessoal da Sonserina — cochichou pressurosa.
Amélia e Harry a olharam curiosos, mas ela sacudiu a cabeça num gesto de aviso; Rony ia na direção deles, parecendo perdido e desesperado.
— Boa sorte, Rony — disse Hermione, ficando na ponta dos pés e lhe dando um beijo na bochecha. — E para você também, Harry…
— É, boa sorte — Amélia deu um beijo na bochecha de cada um e rapidamente saiu do Salão Principal, estava atrás de um certo ruivo irmão de Rony quando sentiu alguém tapar sua visão.
— Porque as pessoas gostam de fazer tanto isso em mim? Eu nunca acerto mesmo.
— Calma aí, Srta. Sou Bravinha — disse Jorge, tirando sua mãos do rosto da garota.
— Desculpe — ela sorriu enquanto falava. — Estava te procurando.
— Encontrou, pode falar.
— Só queria lhe desejar boa sorte, faça um estrago naqueles caras.
— Pode deixar comigo — ele bateu continência e os dois riram.
— Você é um idiota.
— Jorge, vamos, já estamos atrasados — gritou Fred, de longe. — Oi Mel.
— Oi Fred.
— Tenho que ir — Jorge anunciou.
— Boa sorte — a garota desejou novamente e lhe deu um beijo na bochecha. — Acaba com eles.
Acabou encontrando os Oliver e Caleb na descida da escada de pedra, e, juntos, saíram para o ar gelado. A grama coberta de gelo produzia um ruído de trituração sob os pés ao caminhar pelos gramados em direção ao estádio. Não havia vento algum e o céu estava um branco perolado uniforme, o que significava que a visibilidade seria boa, sem o transtorno de receber a luz do sol direto nos olhos.
Sentaram em um lugar mais afastados e ouviram os sonserinos cantando alguma música, apesar de não entender a letra, Amélia sabia que não era coisa boa.
Quando o time da Grifinória entrou no campo, sobre as vaias e vivas, o time da Sonserina já estava em campo. Os capitães apertaram as mãos, cada um montou em sua vassoura e Madame Hooch soprou o apito.
As bolas foram soltas no ar, e os catorze jogadores dispararam para o alto. Amélia viu Rony passar como um raio em direção às balizas. Harry continuou a subir em alta velocidade, se esquivou de um balaço, e começou a dar uma grande volta pelo campo; do outro lado do estádio, Draco Malfoy fazia exatamente a mesma coisa.
"E é Johnson — Johnson com a goles, que jogadora é essa garota, é o que venho dizendo há anos, mas ela continua a não querer sair comigo..."
— JORDAN! — berrou a Profª McGonagall perto do microfone.
"... é só uma gracinha, professora, um toque de interesse humano — e ela se livra de Warrington, passa por Montague, ela — ai — foi atingida nas costas por um balaço lançado por Crabbe... Montague apanha a goles, Montague torna a subir pelo campo e — belo balaço agora de Jorge Weasley, um balaço na cabeça de Montague, que larga a goles, quem a apanha é Katie Bell, Katie Bell da Grifinória atrasa a bola para Alicia Spinnet e Spinnet se afasta..."
Os comentários de Lino Jordan ecoavam pelo estádio, e Amélia fazia esforço para escutá-lo apesar do assobio do vento em seus ouvidos e do vozerio do público, que berrava, vaiava e cantava.
"... foge de Warrington, evita um balaço — esse foi por pouco, Alicia -, e o público está adorando o jogo, ouçam, que é que eles estão cantando?"
E Lino parou para escutar, a cantoria soou alta e clara na seção verde-e-prata da Sonserina nas arquibancadas.
Weasley não pega nada
Não bloqueia aro algum
Ei, Ei, Ei, Ei, Weasley é o nosso rei.
Weasley nasceu no lixo
Sempre deixa a bola entrar
A vitória já é nossa, Weasley é o nosso rei.
"... e Alicia passa outra vez para Angelina!", gritou Lino, as entranhas de Amélia fervendo com o que acabara de ouvir, como alguém consegue ser tão desocupado para criar uma coisa como aquela? Ela percebeu, grata, que Lino estava tentando abafar a cantoria.
"Vai Angelina — agora ela só precisa passar pelo goleiro! — ELA CHUTA — ELA — aaah... "
Bletchley, o goleiro de Sonserina, defendeu bem; lançou a goles para Warrington, que saiu em velocidade, ziguezagueando entre Alicia e Katie; a cantoria das arquibancadas se tornava cada vez mais alta, Amélia estava se segurando para não ir até lá, azarar todos.
"Warrington tem a goles, Warrington vai em direção aos aros, está fora do alcance dos balaços e tem apenas o goleiro pela frente..."
Uma grande onda sonora se elevou das arquibancadas da Sonserina:
Weasley não pega nada
Não bloqueia aro algum…
"... é o primeiro teste do novo goleiro da Grifinória, Weasley, irmão dos batedores Fred e Jorge... é um talento que promete — vamos garoto!"
Mas o grito de alegria veio do lado da Sonserina: Rony dera um mergulho às cegas, de braços muito abertos, e a goles passara entre eles, atravessando direto o seu aro central.
"Ponto para Sonserina! — entrou a voz de Lino entre os aplausos e vaias do público embaixo — dez a zero para Sonserina — que pouca sorte, Rony!"
Os alunos de Sonserina cantaram ainda mais alto:
WEASLEY NASCEU NO LIXO EI, EI, EI, EI…
"... e a Grifinória retoma a posse e temos Kátia Bell atravessando o campo com energia...", gritou Lino se enchendo de coragem, embora a cantoria agora estivesse tão ensurdecedora que ele mal conseguia se fazer ouvir.
A VITÓRIA JÁ É NOSSA WEASLEY É O NOSSO REI...
WEASLEY É O NOSSO REI, WEASLEY É O NOSSO REI...
WEASLEY NASCEU NO LIXO…
"... e aí vem Warrington de novo — berrou Lino — que passa para Pucey, Pucey ultrapassa Alicia, vamos Angelina, dá para pegar ele, afinal não deu, mas foi um belo balaço de Fred Weasley, quero dizer, Jorge Weasley, ah, que diferença faz, foi um dos gêmeos, e Warrington larga a goles e Katie Bell... hum... larga também... então a goles sobra para Montague que sai voando pelo campo, vamos Grifinória, bloqueia ele agora!"
WEASLEY NÃO PEGA NADA…
"... e Pucey se livra mais uma vez de Alicia e ruma diretamente para o gol, segura a bola, Rony!"
Amélia, que esteve com a mão no rosto, não precisou olhar para saber o que aconteceu, ouviu um gemido terrível no lado da Grifinória, acompanhado de novos gritos e aplausos dos alunos da Sonserina. Olhando para a torcida oposta, viu a cara de buldogue, Pansy Parkinson, bem na frente da arquibancada, de costas para o campo, regendo a torcida da Sonserina que urrava:
EI, EI, EI, EI
WEASLEY É O NOSSO REI
— Vinte a zero não é problema, ainda tem tempo para a Grifinória igualar o placar ou capturar o pomo. Uns três gols e nós tomamos a dianteira como sempre — Benjamin tentou tranquilizar a amiga.
Mas Rony deixou entrar mais dois gols. Havia um toque de pânico quando Amélia desejou que Harry encontrasse o pomo imediatamente. Se conseguisse capturá-lo logo, terminaria o jogo de uma vez.
"... e Katie Bell da Grifinória escapa de Pucey, se abaixa para fugir de Montague, bela virada, Katie, e atira para Angelina, que agarra a goles, ultrapassa Warrington, está voando para o gol, vamos, agora Angelina... E É PONTO PARA GRIFINÓRIA! Quarenta a dez, quarenta a dez para Sonserina, e Pucey tem a posse da goles..."
Amélia ouviu o chapéu de leão de Luna rugir no meio dos vivas da torcida.
"... Pucey atira para Warrington, Warrington para Montague, Montague devolve a Pucey... Johnson intercepta, Johnson toma a goles, atira para Bell, a coisa parece boa — quero dizer — ruim — Bell é atingida por um balaço de Goyle, da Sonserina, e é Pucey quem retoma a..."
WEASLEY NASCEU NO LIXO
SEMPRE DEIXA A BOLA ENTRAR
A VITÓRIA JÁ É NOSSA…
Finalmente Harry o viu, Amélia soube assim que o viu mergulhar. Em questão de segundos, Malfoy foi varando o céu à esquerda de Harry.
O pomo contornou a base de uma das balizas e saiu para o outro lado das arquibancadas; sua mudança de direção beneficiou Malfoy, que estava mais próximo; Harry inverteu o rumo da sua Firebolt, e ele e Malfoy estavam agora emparelhados.
A curta distância do chão, Harry ergueu a mão direita da vassoura, esticou-a para o pomo... à direita, o braço estendido de Malfoy também esticou, tateou…
Tudo terminou em dois segundos desesperados, esbaforidos, vertiginosos, Harry empinou a vassoura, apertando na mão a bola que se debatia, e os espectadores da Grifinória gritaram aprovando o lance…
Estavam salvos, não importava que Rony tivesse deixado entrar aqueles gols, ninguém se lembraria desde que a Grifinória tivesse ganho...
TAPUM.
Um balaço atingiu Harry nos rins e ele foi lançado para fora da vassoura. Por sorte, estava a menos de dois metros do chão, pois mergulhará muito baixo para apanhar o pomo. Amélia ouviu o apito agudo de Madame Hooch, um clamor nas arquibancadas em que se misturavam assobios, berros furiosos e vaias, mas a garota já corria em direção ao campo e agradecia mentalmente por Caleb ter insistido para ficarem perto da entrada. Amélia conseguiu chegar em tempo de ver Angelina tentando ajudar Harry.
Madame Hooch voava velozmente em direção a Crabbe.
— Você está bem? — Amélia perguntou quando chegou mais perto, um frio na barriga que nunca sentira antes.
— Claro que estou — respondeu Harry carrancudo.
— Foi aquele bandido do Crabbe — disse Angelina, furiosa -, atirou o balaço no momento em que viu que você tinha capturado o pomo... mas nós ganhamos, Harry, nós ganhamos!
Ouviu-se um bufo às costas e se virou: Draco Malfoy pousara ali perto. O rosto branco de fúria, mas ainda assim conseguia desdenhar.
— Salvou o pescoço do Weasley, não foi? Nunca vi um goleiro pior... mas também, nasceu no lixo... gostou da minha letra, Potter?
Harry não respondeu. Viraram para se reunir ao resto da equipe que agora aterrissava, um a um, berrando e dando socos no ar; todos, exceto Rony, que desmontará da vassoura próximo às balizas e parecia estar caminhando lentamente para os vestiários, sozinho.
— Queríamos acrescentar mais uns versos! — gritou Malfoy, enquanto Katie e Alicia abraçavam Harry e Amélia abraçava Angelina. — Mas não encontramos rimas para gorda e feia, queríamos cantar alguma coisa sobre a mãe dele, sabe…
— Inveja mata — Amélia disse, lançando a Malfoy um olhar enojado.
— ... também não conseguimos encaixar "fracassado inútil"... para o pai dele, sabe…
Fred e Jorge perceberam o que Malfoy estava dizendo. A meio caminho de apertar a mão de Harry, eles se retesaram, encarando Malfoy.
— Deixa para lá! — disse Angelina na mesma hora, segurando o braço de Fred.
— Deixa para lá, Jorge, deixa ele gritar, ele só está frustrado porque perdeu, o metido... — Amélia falou, nervosa.
— ... mas você gosta dos Weasley, não é, Potter? — continuou Malfoy, caçoando. — Passa as férias lá e tudo, não é? Não sei como você aguenta o fedor, mas suponho que para alguém criado por trouxas, até o pardieiro dos Weasley cheira bem…
Harry agarrou Jorge, tentando ajudar Amélia. Entrementes, eram necessários os esforços conjuntos de Angelina, Alicia e Katie para impedir Fred de pular em cima de Malfoy, que ria abertamente. Belmont olhou para os lados procurando Madame Hooch, mas ela ainda estava brigando com Crabbe por seu ataque ilegal com o balaço.
— Ou vai ver — disse Malfoy, recuando com um sorriso debochado — você se lembra como a casa da sua mãe fedia, Potter, e o chiqueiro dos Weasley faz lembrar dela…
Harry largou Jorge, e como sozinha Amélia não tinha força, os dois um segundo depois estavam atracados com Malfoy.
— Harry! HARRY! JORGE! NÃO!
Amélia e as garotas estavam gritando, Malfoy berrando, Fred xingando, um apito tocando e os urros do público, mas Jorge e Harry não deram atenção a nada. Até Madame Hooch lançar o Feitiço Impedimento, e Harry ser derrubados de costas no chão por força do feitiço, mas não desistiu da tentativa de socar cada centímetro de Malfoy ao alcance de sua mão.
— Que é que você acha que está fazendo? — berrou Madame Hooch, quando Harry se levantou de um salto. A juíza segurava o apito em uma das mãos e a varinha na outra; largara a vassoura a alguns passos de distância. Malfoy estava dobrado no chão, choramingando e gemendo, o nariz ensanguentado; Jorge exibia um lábio inchado; Fred ainda estava sendo contido à força pelas três artilheiras, e Crabbe dava gargalhadas mais atrás. — Nunca vi um comportamento igual, já para o castelo, os dois, e direto para a sala da diretora de sua Casa! Vão! Agora!
Harry e Jorge saíram do campo, ofegantes, sem trocar palavra.
Angelina foi até Amélia.
— Eles estão encrencados, não é? — Amélia perguntou quando viu Profª McGonagall sair e logo atrás a Umbridge.
— Muito — respondeu ela.
Juntos ao restante da equipe, Amélia, Lisa, Benjamin, Caleb e Hermione foram para o Grande Salão, mais preocupados com o que aconteceria do que feliz por terem vencido o jogo. Ficaram sentados no Salão Comunal depois do jantar, esperando os garotos passarem pelo retrato da Mulher Gorda.
— Proibidos — ressoou a voz de Angelina, quando os garotos contaram o que havia acontecido. — Proibidos. Sem apanhador e sem batedores... que meleca é que nós vamos fazer?
Nem parecia que haviam ganho o jogo. Para todo o lado que olhava havia rostos desolados e enfurecidos; os jogadores da equipe estavam largados em volta da lareira, todos menos Rony, que não era visto desde o final da partida.
— É tão injusto — disse Alicia, atordoada. — Quero dizer, e Crabbe e aquele balaço que ele lançou depois que o apito já tinha tocado? Ela proibiu o Crabbe?
— Não — Amélia respondeu infeliz, estava sentada alisando o cabelo de Jorge que estava deitado no seu colo, com os olhos fechados. — Crabbe recebeu frases para escrever, ouvi Montague contar isso às gargalhadas na hora do jantar.
— E proibir o Fred quando ele nem fez nada! — admirou-se Alicia furiosa, batendo com o punho no joelho.
— Não é minha culpa se não fiz — disse Fred, com uma expressão feroz no rosto -, eu teria quebrado aquele merdinha todo se vocês três não estivessem me segurando.
Amélia olhou para Harry que contemplava, infeliz, a vidraça escura. A neve caía. O pomo que ele apanhara mais cedo voava sem parar pela sala comunal; as pessoas acompanhavam sua trajetória como se estivessem hipnotizadas, e Bichento saltava de uma cadeira para outra, tentando apanhá-lo.
— Vou me deitar — disse Angelina, levantando-se devagar. — No final, a gente talvez descubra que tudo isso não passou de um sonho mau... talvez eu acorde amanhã e descubra que ainda não jogamos…
Logo Alicia e Katie a acompanharam. Fred e Jorge subiram algum tempo depois, fechando a cara para todos por quem passavam, e Gina não se demorou muito mais. Somente Amélia, Harry e Hermione continuaram ao pé da lareira.
— Vocês viram Rony? — perguntou Hermione em voz baixa. Amélia balançou a cabeça.
— Acho que ele está nos evitando. Onde é que você acha que ele…
Mas, neste exato momento, ouviram um rangido, o retrato da Mulher Gorda girou e Rony atravessou o buraco do retrato. Estava de fato muito pálido e havia neve em seus cabelos. Quando os viu, ele parou de chofre.
— Onde você esteve? — perguntou Hermione, ansiosa, se erguendo.
— Andando — murmurou. Ele ainda usava o uniforme de Quadribol.
— Você parece enregelado — disse Hermione. — Vem sentar aqui com a gente!
Rony foi até a lareira e se largou na poltrona mais distante de Harry, sem olhá-lo. O pomo roubado sobrevoava as cabeças dos quatro.
— Sinto muito — murmurou ele, olhando para os pés.
— Pelo quê? — perguntou Harry.
— Por pensar que sabia jogar Quadribol. Vou pedir demissão logo de manhã.
— Se você pedir demissão — disse Harry irritado -, só sobrarão três jogadores na equipe. — E quando Rony o olhou intrigado, ele informou: — Fui proibido de jogar definitivamente. Fred e Jorge também.
— Quê? — gritou Rony.
Amélia contou-lhe a história toda. Ela sabia que Harry não suportaria repeti-la e Hermione não esteve lá o tempo todo. Quando terminou, Rony pareceu mais agoniado que nunca.
— Tudo isso foi minha culpa…
— Você não me fez bater em Malfoy — respondeu Harry zangado.
— ... se eu não fosse tão ruim em Quadribol…
— Não tem nada a ver.
— ... foi aquela música que me deixou nervoso…
— ... teria deixado qualquer um nervoso.
Hermione se levantou e foi até a janela, para se afastar da discussão, olhar os flocos de neve caírem em rodopios contra a vidraça.
— Olha aqui, para com isso, tá! — explodiu Harry. — Já tá bem ruim sem você se culpar por tudo!
Rony se calou, mas ficou sentado olhando infeliz para a barra molhada das vestes. Passado algum tempo, disse, sem graça:
— Nunca me senti tão mal na vida.
— Entre para o nosso clube — respondeu Harry com amargura.
— Bom — disse Hermione, a voz ligeiramente trêmula: — Sei de uma coisa que pode animar os dois.
— Ah, é? — disse Harry, incrédulo.
— É — respondeu ela se afastando da janela escuríssima, salpicada de flocos, um grande sorriso a iluminar seu rosto: — Hagrid voltou.
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