Believe In Magic: Um novo começo.
19 Capítulo 18
— Agora aposto que você gostaria de não ter desistido de Adivinhação, não é mesmo, Hermione? — perguntou Parvati, sorrindo presunçosa.
Era a hora do café da manhã, dois dias depois da demissão de Profª Trelawney, e Parvati estava enrolando os cílios na varinha e examinando o efeito nas costas de uma colher. Iam ter a primeira aula com Firenze naquela manhã.
— Nem tanto — disse Hermione com indiferença, lendo o Profeta Diário. — Jamais gostei realmente de cavalos.
Ela virou a página do jornal e passou os olhos pelas colunas.
— Ele não é cavalo, é centauro! — disse Lilá, chocada.
— Um lindo centauro... — suspirou Parvati.
— Ainda assim, continua a ter quatro patas — replicou Hermione calmamente e Amélia virou para olhá-la chocada. — Seja como for, pensei que vocês duas estivessem muito chateadas por Trelawney ter ido embora.
— Estamos! — confirmou Lilá. — Fomos à sala dela visitá-la; levamos uns narcisos: não aqueles que grasnam como os de Sprout, dos bonitos.
— Como é que ela está? — perguntou Harry.
— Nada bem, coitadinha — disse Lilá, penalizada. — Estava chorando e dizendo que preferia deixar o castelo para sempre a continuar no mesmo lugar que a Umbridge, e não a culpo, a Umbridge foi horrível com ela, não foi?
Por impulso, Amélia olhou para a mesa dos professores e encontrou a professora no seu local de costume, comendo seu café da manhã concentrada no copo de suco a sua frente.
— Tenho um pressentimento de que a Umbridge só está começando a ser horrível — comentou sombriamente, ainda sem olhá-los.
— Impossível — disse Rony devorando seu pratarraz de ovos com bacon. — Ela não pode ficar pior do que é.
— Pois escreva o que estou dizendo, ela vai querer se vingar de Dumbledore por nomear um novo professor sem consultá-la — Amélia disse, colocando mais suco no copo. — Principalmente um semi-humano. Você viu a cara que ela fez quando viu o Firenze.
Depois do café, Amélia foi com Hermione para a aula de Aritmancia enquanto Harry e Rony seguiam com Parvati e Lilá para o Saguão de Entrada, caminho para a aula de Adivinhação.
— Você acha que ele será um bom professor? — perguntou a Hermione e ela a olhou.
— Para o bem da autoestima dele, espero que sim.
Quando um março monótono passou despercebido para um abril tempestuoso, as coisas pareceram terem sido transformadas em uma sucessão de preocupações e problemas mais uma vez.
Umbridge continuará a assistir a todas as aulas de Trato das Criaturas Mágicas, então significava que a qualquer momento poderiam perder Hagrid também.
Entrementes, tal como os professores insistiam em lembrar, os N.O.M.S estavam cada dia mais próximos. Todos os quintanistas sentiam de alguma forma estressados, mas Ana Abbott foi a primeira a receber uma Poção Calmante de Madame Pomfrey depois de cair no choro durante uma aula de Herbologia e soluçar, dizendo que era burra demais para prestar os exames e que queria deixar a escola naquele instante. Se não fosse pelos treinos de Quadribol, reuniões da AD e pelos seus amigos, Amélia tinha a impressão de que também estaria profundamente infeliz.
Às vezes se perguntava como a Umbridge reagiria ao ver que todos os participantes da AD receberiam um "Excelente" em Defesa Contra as Artes das Trevas.
Tinham finalmente começado a trabalhar o Patrono, que todos queriam muito praticar, embora Harry não parasse de lembrar que produzir um Patrono no meio de uma sala de aula iluminada quando ninguém os ameaçava era muito diferente de produzi-lo quando estivessem enfrentando, por exemplo, um Dementador.
— Ah, não seja desmancha-prazeres! — Amélia exclamou, animada, apreciando o seu Patrono em forma de Leoa prateada voando pela Sala Precisa durante a última aula antes da Páscoa. — Eles são tão bonitos!
— Eles não têm de ser bonitos, têm é que proteger você — disse Harry, paciente. — O que realmente precisamos é de um bicho-papão ou coisa parecida; foi assim que aprendi, tinha e conjurar o Patrono enquanto o bicho-papão fingia ser um Dementador…
— Mas isso seria realmente apavorante! — exclamou Lilá, que soltava baforadas de vapor prateado pela ponta da varinha. — E ainda não... consigo... fazer! — completou com raiva.
Neville estava encontrando dificuldade também. Seu rosto se contraía ao se concentrar, mas apenas tênue fiapinhos de fumaça prateada saíam da ponta da varinha.
— Vocês tem de pensar em alguma coisa feliz — Harry lembrava sempre.
— Estou tentando — disse Neville, infeliz, cujo empenho era tanto que seu rosto redondo chegava a brilhar de suor.
— Harry, acho que estou conseguindo! — berrou Simas, que fora trazido por Dino à sua primeira reunião da AD. — Olha... ah... desapareceu... mas era decididamente alguma coisa peluda, Harry!
O Patrono de Hermione, um reluzente lontra prateada, brincava à sua volta. Da varinha de Benjamin fios prateados saíam, mas ele parecia fazer muita força para pensar em algo feliz. Caleb olhava admirado para seu cão prateado que rodava a sala atrás do Patrono de Lisa, um gato listrado.
— Eles são bonitinhos, não são? — comentou ela, olhando-os com carinho.
A porta da Sala Precisa se abriu e fechou. Algumas pessoas viraram para ver quem entrara, mas não parecia haver ninguém. Passou-se um tempo até perceber que as pessoas próximas à porta haviam se calado. Amélia olhou assustada para Harry, a varinha em posição de ataque, mas o viu olhar para baixo.
— Oi, Dobby! Que é que você... Que aconteceu? — perguntou ao elfo aos seus pés.
Os olhos do elfo se arregalaram de terror e ele tremia. Os outros que estavam mais perto de Harry também se calaram; todos observam o tal Dobby. Os outros Patronos tinham desaparecidos em fumaça prateada, deixando a sala bem mais escura do que antes.
— Harry Potter, meu senhor... — esganiçou-se o elfo, tremendo da cabeça aos pés. — Harry Potter, meu senhor... Dobby veio avisar... mas os elfos foram avisados para não contar…
Ele correu a bater a cabeça na parede. Harry, parecendo ter alguma experiência com os hábitos de se castigar de Dobby, fez menção de agarrá-lo, mas o elfo meramente quicou na parede graças aos seus gorros. Hermione e algumas outras garotas soltaram gritinhos de medo e pena.
— Que aconteceu, Dobby? — perguntou Harry, agarrando o bracinho do elfo e mantendo-o afastado de qualquer coisa que ele pudesse encontrar para se machucar.
— Harry Potter... ela... ela…
Dobby deu um forte soco no nariz com o punho livre. Harry agarrou-o também.
— Quem é "ela", Dobby?
Mas todos sabiam; certamente só havia uma "ela" capaz de induzir pavor em Dobby, ou em qualquer outra pessoa. O elfo ergueu os olhos, ligeiramente vesgo, e pronunciou silenciosamente.
— Umbridge? — perguntou Harry, horrorizado.
Dobby confirmou, e em seguida tentou bater a cabeça nos joelhos de Harry. O garoto o segurou à distância dos braços.
— Que tem a Umbridge? Dobby... ela não descobriu isso... nós... a AD?
Amélia leu a resposta no rosto aflito do elfo, e com certeza Harry também. Com as mão presas pelo garoto, ele tentou se chutar e caiu de joelhos.
— Ela está vindo? — perguntou Harry, calmamente.
Dobby deixou escapar um ruivo.
— Está, Harry Potter, está!
Harry se endireitou e olhou para nós, imóveis e aterrorizados, que contemplavam o elfo a se debater.
— QUE É QUE VOCÊS ESTÃO ESPERANDO! — berrou Harry. — CORRAM!
Todos se arremessaram para a saída na mesma hora, embolando na porta, então passaram num ímpeto. Amélia ouviu a voz de Hermione ao fundo, gritando algo que não entendeu. Sentiu ser puxada por alguém, mas quando se deu conta estava correndo por algum dos muitos corredores do castelo logo atrás de Jorge e Fred, olhou para trás e conseguiu reconhecer algumas pessoas vindo logo atrás, rezou para que eles não fossem direto para os dormitórios.
Os gêmeos pararam subitamente e Amélia bateu nas costas de Jorge e caiu no chão.
— Não podemos ir para os dormitórios — falou enquanto se levantava com a ajuda de Jorge e tentava tomar fôlego.
— Podemos só ficar andando pelos corredores como se nada tivesse acontecido, sem pressa.
E foi o que fizeram, andaram por muitos minutos pelo castelo, se escondendo quando Malfoy ou algum dos seus amigos passavam, até dar a hora de irem para o dormitório, chegando lá encontraram Rony, Hermione e Gina que contaram como havia sido a fuga deles.
Lisa, Caleb e Benjamin chegaram depois de algum tempo e Amélia ficou aliviada por eles estarem bem. Mas seu coração não parava de bater rápido, pensando onde estaria Harry e tentando não entrar em desespero por ele ainda não está de volta
POR ORDEM DO MINISTÉRIO DA MAGIA
Dolores Joana Umbridge (Alta Inquisidora) substituiu Alvo Dumbledore na direção da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
A ordem acima está de acordo com o Decreto Educacional Número Vinte e Oito
Assinado: Cornélio Oswaldo Fudge,
Ministro da Magia.
Os avisos foram afixados por toda a escola da noite para o dia, mas não explicavam como é que todas as pessoas que ali viviam pareciam saber que Dumbledore dominará dois aurores, a própria Umbridge, o ministro da Magia e seu assistente júnior para fugir, já que Marieta se achava na ala hospitalar e Harry só contará para Amélia, Hermione e Rony. Para onde quer que Belmont andasse no castelo, o único tema das conversas era Dumbledore e, embora alguns detalhes tivessem sido alterados nas repetições, era surpreendente como o restante da informação era exatamente igual a que Harry os deu. Todos sabiam, por exemplo, que Harry e Marieta eram os estudantes que haviam presenciado a cena na sala do diretores e, como Marieta estava indisponível, todos estavam assediando o garoto para que lhes contasse a história em primeira mão.
— Dumbledore não vai demorar a voltar — disse Ernesto Macmillan, confiante, ao sair da aula de Herbologia, depois de ouvir com atenção a história de Harry. — Eles não puderam mantê-lo afastado no nosso segundo ano e também não vão poder agora. O Frei Gorducho me disse — e aqui ele abaixou a voz conspirativamente, os obrigando a ficarem inclinados para ouvir — que aquela Umbridge tentou voltar à sala de Dumbledore na noite passada depois de terem vasculhado o castelo e a propriedade à procura dele. Não conseguiu passar pela gárgula. A sala do diretor se lacrou para impedir sua entrada. — Riu Ernesto. — Pelo que contam, ela teve um bom acesso de raiva.
— Ah, tenho certeza de que ela realmente se imaginou sentada lá em cima na sala do diretor — disse Hermione maldosamente, quando subiam a escada para o Saguão de Entrada. — Reinando sobre todos os professores, aquela velha burra, presunçosa e ávida de poder que é…
— Ora, você realmente quer terminar essa frase, Granger?
Draco Malfoy saíra de trás de uma porta, seguido por Crabbe e Goyle. Seu rosto pálido e fino iluminava-se de malícia.
— Receio que vou ter de cortar alguns pontos da Grifinória e da Lufa-Lufa — falou do seu jeito arrastado.
— Só os professores podem tirar pontos das Casas, Malfoy — replicou Ernesto na hora.
— Eu sei que os monitores não podem tirar pontos uns dos outros — retrucou Malfoy. Crabbe e Goyle deram risadinha. — Mas os membros da Brigada Inquisitorial…
— Os o quê? — Amélia perguntou rispidamente.
— Brigada Inquisitorial, Belmont — disse Malfoy, apontando para um minúsculo "I" no peito, logo abaixo do distintivo de monitor. — Um grupo seleto de estudantes que apoia o Ministério da Magia, escolhidos a dedo pela Profª Umbridge. Em todo caso, os membros da Brigada Inquisitorial têm o poder de tirar pontos... então, Granger, vou tirar de você cinco por ter sido grosseira com a nossa nova diretora. Do Macmillan, cinco por me contradizer. De você, Belmont, mais cinco por ser namorada de um Weasley. E dez porque não gosto de você, Potter. Weasley, a sua camisa está para fora, por isso vou ter de tirar mais cinco pontos. Ah, é, me esqueci, e você é uma Sangue Ruim, Granger, então menos dez por isso.
Rony puxou a varinha, mas Hermione afastou-a, sussurrando:
— Não!
— Muito sensato, Granger — murmurou Malfoy. — Nova diretora, novos tempos... agora, comporte-se, Potter Pirado... Rei Banana…
Dando boas gargalhadas, Malfoy se afastou com Crabbe e Goyle.
— Ele estava blefando — comentou Macmilian estarrecido. — Não pode ter o direito de descontar pontos... isso seria ridículo... subverteria completamente o sistema monitório.
Mas, junto com os outros quatro, Amélia tinha se virado automaticamente para as gigantescas ampulhetas, dispostas em nichos na parede às nossas costas, que registravam o número de pontos das Casas. Naquela manhã, Grifinória e Cornival estavam disputando a liderança quase empatadas. Enquanto olhavam, subiram algumas pedrinhas, reduzindo seu total de bolhas inferiores. De fato, a única que parecia inalterada era a ampulheta cheia de esmeraldas da Sonserina.
— Já reparou? — perguntou a voz de Fred.
Ele e Jorge tinha acabado de descer a escadaria de mármore e se reuniram diante das ampulhetas.
— Malfoy acabou de nos descontar uns cinquenta pontos — disse Harry, furioso; enquanto observavam, viram mais pedrinhas subirem na ampulheta da Grifinória.
— É, o Montague tentou nos prejudicar durante o intervalo — contou Jorge, abraçado à namorada.
— Como assim "tentou"? — Amélia perguntou na mesma hora, virando para olhá-lo.
— Ele não chegou a enunciar todas as palavras — disse Fred, mas a garota ainda olhava para o namorado -, nós o empurramos de cabeça no Armário Sumidouro do primeiro andar.
Hermione pareceu muito chocada, enquanto Amélia estava furiosa.
— Você vão se meter numa confusão horrível!
— Não até o Montague reaparecer, e isso pode levar semanas, não sei aonde o mandamos — disse Fred, descontraído. — Em todo o caso... decidimos que não vamos mais ligar se nos metermos ou não em confusão.
— E algum dia vocês ligaram? — indagou Hermione.
— Mas é claro — protestou Jorge. — Nunca fomos expulsos, não é?
— Sempre soubemos onde parar — acrescentou Fred.
— Às vezes ultrapassávamos um dedinho — disse Jorge.
— Mas sempre paramos em tempo de evitar um caos total — completou Fred.
— Mas e agora? — perguntou Rony hesitante. Como Amélia já sabia onde aquela conversa iria dar e não gostava nada, foi se sentar para almoçar ao lado de uma menininha loirinha que parecia ser do segundo ano.
Se serviu com pouca comida, não estava com muita fome e ainda ficou brincando com a comida até sentir alguém sentar ao seu lado.
— Já conversamos sobre isso, Mel — Jorge falou baixinho.
— Não sou assim, Jorge — exclamou, um pouco alto e logo tratou de baixar a voz. — Não gosto da sensação que tenho toda vez que você apronta, principalmente por essa mulher ser a diretora agora.
— Vai dar tudo certo, nada vai acontecer a mim.
Amélia olhou para o seu prato por mais alguns instantes e antes de Jorge falar alguma coisa, disse: — Preciso de um tempo, sabe? Gosto de você, Jorge, mas não sei se consigo aguentar toda essa preocupação.
— Você está terminando comigo?
— Eu…
Eles se encararam em silêncio por tempo, Amélia confusa demais para dizer algo e Jorge magoado, então Fred foi correndo naquela direção.
— Está na hora, Romeo — falou animado, então pareceu notar as expressões dos dois e ficou sério. — O que há com vocês?
— Nada — falaram juntos.
— Tenho que ir, nos falamos no Salão Comunal.
Amélia continuou a fingir que comia. Hermione e Rony se juntaram a garota e ficaram conversando animadamente sobre os possíveis planos dos gêmeos, o resto do Salão Principal estava na costumeira barulheira de vozes e o som dos talheres batendo no prato, até que…
BUUM!
O piso todo tremeu e todo o lugar ficou em completo silêncio por alguns segundos até que algumas pessoas gritaram assustadas enquanto outras se seguravam nas mesas para não cair, outras corriam para ver a origem do barulho. Amélia, Hermione e Rony se entreolharam e foram atrás.
Não foi difícil saber. Em algum dos andares acima, reinava o pandemônio. Alguém (e Amélia sabia bem quem) aparentemente tocara fogo em uma enorme caixa de fogos mágicos.
Dragões formados inteiramente por faíscas verdes e douradas voavam para cima e para baixo nos corredores, produzindo explosões e labaredas pelo caminho; rodas rosa-choque de mais de um metro diâmetro zumbiam letalmente pelo ar como discos voadores; foguetes com longas caudas de estrelas de prata cintilantes ricocheteavam pelas paredes; centelhas escreviam palavrões no ar sem ninguém acioná-las; rojões explodiam como minas para todo lado que Amélia olhava e, em vez de se queimarem e desaparecerem de vista ou pararem crepitando, quanto mais olhava mais pareciam aumentar em energia e ímpeto.
Filch e Umbridge estavam parados no meio da escada, parecendo pregados no chão. Enquanto todos assistiam, uma das rodas maiores pareceu decidir que precisava de mais espaço para manobrar: saiu rodando em direção a Umbridge e Filch com um ruído sinistro. Os dois berraram de susto e se abaixaram, e a roda voou direto pela janela às costas deles e atravessou os terrenos da escola. Entrementes, vários dragões e um grande morcego roxo que fumegava agourentamente aproveitaram a porta aberta no fim do corredor e escaparam para o segundo andar.
— Depressa, Filch, depressa! — gritou Umbridge. — Eles vão se espalhar pela escola toda se não fizermos alguma coisa: Estupefaça!
Um jorro de luz vermelha projetou-se da ponta de sua varinha e bateu em um dos foguetes. Em vez de se imobilizar no ar, o artefato explodiu com tal força que fez um furo no retrato de uma bruxa piegas no meio de um relvado; ela fugiu bem a tempo, e reapareceu segundos depois no quadro vizinho, onde dois bruxos que jogavam cartas se levantaram rapidamente e abriram espaço para acomodá-la.
— Não os estupore, Filch! — bradou Umbridge furiosa, como se ele fosse o responsável pelo feitiço.
— Pode deixar, diretora! — chiou Filch, que, sendo um aborto, não poderia ter estuporado os fogos nem tampouco os engolido.
Ele correu para um armário próximo, tirou uma vassoura e começou a bater nos fogos que voavam; em poucos segundos a vassoura estava em chamas. Amélia já vira o suficiente; abaixou e correu para uma porta que ela sabia ser de uma sala que normalmente ficava vazia.
Os fogos continuaram a queimar e a se espalhar pela escola toda durante a tarde. Embora causassem muitos estragos, particularmente os rojões, os outros professores não pareceram se importar muito com isso.
— Ai, ai — exclamou a Profª McGonagall ironicamente, quando um dos dragões entrou voando em sua sala, emitindo fortes ruídos e soltando chamas. — Srta. Brown, se importa de procurar a diretora para informá-la que temos um dragão errante em nossa sala?
O resultado de tudo isso foi que a nova diretora passou sua primeira tarde no cargo correndo pela escola para atender aos chamados dos professores, que não pareciam capazes de livrar suas salas dos fogos sem a sua ajuda. Quando a última sineta tocou e todos iam voltando à Torre da Grifinória com suas mochilas, Amélia viu, com imensa satisfação, tinha que admitir, uma Umbridge desarrumada e suja de fuligem saindo com passos vacilantes e o rosto suado da sala do Prof. Flitwick.
— Muito obrigado, professora! — disse Flitwick na sua vozinha esganiçada. — Eu poderia ter me livrado dos fogos, é claro, mas não estava muito seguro se teria autoridade para tanto.
Sorrindo, ele fechou a porta da sala na cara da Umbridge, que parecia prestes a rosnar.
Fred e Jorge foram heróis naquela noite na Sala Comunal da Grifinória. Até Hermione se esforçou para atravessar a aglomeração de colegas excitados e dar parabéns aos gêmeos. Mas Amélia não ficou para aproveitar a festa, além de não estar com animação para tal coisa, estava morrendo de sono.
Enfiou-se na cama, bocejando. Virou para o lado oposto a janela e imaginando como a Umbridge estaria se sentindo em seu primeiro dia no lugar de Dumbledore, e como Fudge reagiria quando soubesse que a escola passará a maior parte do dia num estado de avançada desintegração. Sorrindo com seus botões, fechou os olhos.
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