Believe
1 Oneshoot
Notas iniciais
Believe
Aquela estação de trem quase vazia indicava a cidade pacata em que Kiseop morou durante sete anos com Jaeseop. As poucas pessoas que ali estavam, se recolhiam para dentro fugindo da chuva. O ruivo logo garantiu seu lugar ao lado de uma janela onde os pingos não permitiam que nada fosse visto do lado de fora, mesmo assim ele não tinha vontade de olhar para outro lugar. Estava mergulhado em pensamentos, queria ter a certeza de que AJ iria ler o bilhete deixado na mesa da cozinha anunciando sua partida. Não agüentava mais o fato de morar sob o mesmo teto da pessoa que desejava ter mais do que como amigo. O loiro nunca aceitaria, mas já não dava para suportar o fato que Kiseop o amava e queria que ele fosse apenas seu, portanto resolveu fugir e deixar declarado em uma folha de papel todos os seus sentimentos mais profundos até mesmo aqueles que envolviam o desejo da carne. Era totalmente constrangedor um homem querer o outro, e por isso queria ir embora dali o mais rápido possível. Queria tentar esquecê-lo, tentar desvencilhar-se de todos aqueles sentimentos, de todas aquelas lembranças. De todos os momentos compartilhados entre eles, lembrou-se de que nunca mais os teria. Nunca mais poderia sorrir ao ver o sorriso de AJ, não poderia mais chorar em seu ombro, acariciar seu rosto, vê-lo acordar. Teria que conviver com o fato de que nunca mais o veria, e assim, tão distante ficariam. “Ficar longe de quem eu amo”, pensou ao mesmo tempo em que uma lágrima discreta escorria pelo rosto. Seus dedos tocaram a janela fria, comparou-a com seu coração que naquele momento desejava nada mais nada menos do que algo que desse um fim aquele sofrimento. Mordeu o lábio inferior como se aquilo o fizesse segurar toda a tristeza da partida. Arrependeu-se por alguns segundos de não ter dito adeus de forma apropriada. Desejou ter olhado nos olhos do outro, ter segurado suas mãos em direção ao seu peito para que ele sentisse pelo menos um terço do que realmente queria demonstrar. Desejou ter tomado os lábios de Jaeseop e ter envolvido-o em um sentimento verdadeiro, que jamais outra pessoa haveria de lhe dar. Voltando a realidade percebeu que a chuva estava ainda mais forte. Das poucas pessoas que estavam lá, percebeu uma senhora olhando de uma forma contrariada para ele. Juntou as pernas ao peito e escondeu o rosto. Inevitavelmente começou a chorar em silêncio, ninguém precisava saber que estava sofrendo. Aquela dor o consumia.
-O trem a caminho de Bucheon encontra-se na plataforma. Partirá em cerca de trinta minutos.
Então era isso. Lee Kiseop enxugava o rosto com a manga de sua camisa e caminhava para frente da estação, esperando a hora certa para atravessar aquele dilúvio. A senhora que antes o observava parou ao seu lado abrindo um guarda-chuva e estendendo para oferecer uma “carona” para o ruivo.
-Obrigado, mas ele vem comigo.
Antes mesmo que pudesse perceber, algo molhado havia envolvido o braço esquerdo de Kiseop. AJ estava segurando o rapaz quando deu a única e última palavra para a idosa e virou-se, levando o menor com ele.
Longe da estação, em meio à chuva, Kiseop resolveu arriscar.
-A... Jaeseop, o que está fazendo?
O moreno nada respondia.
-Vamos ficar resfriados... a minha mochila já ta toda ensopada como eu vou---
-QUIETO!
Jaeseop apertou o braço do ruivo mais forte enquanto respondia com um grito. O silêncio voltou a reinar entre os dois até o momento em que finalmente estavam em casa. Kiseop foi arremessado para dentro, o estrondo da porta se fechando fez com que virasse para traz a tempo de sentir o peito de AJ encostar no seu, sua costa ser pressionada pelas mãos do outro fazendo ambos os corpos se tocarem em todas as partes. Sentia o coração do maior batendo mais forte, seus cabelos molhados grudando na bochecha do menor mostrando a aproximação deste para sussurrar ao ouvido de Kiseop.
-...Idiota.
O ruivo sentiu-se um pouco frustrado, pois para o momento pensou que teria algo a mais, que os seus sentimentos estavam sendo correspondidos ou algo assim. Foi então que percebeu que AJ estava chorando. Sua cabeça agora encostava no ombro do outro procurando se esconder.
-Eu pensei... Eu realmente pensei... Que não chegaria a tempo. Que você ia partir... Por minha culpa.
Mal conseguia falar. Soluçava tanto em meio as lágrimas que Kiseop ficou algum tempo sem reação. Elevou as mãos uma na costa do loiro e outra a acariciar seus cabelos úmidos. Sentia-se totalmente envergonhado. Jaeseop demonstrou que realmente não queria que o ruivo fosse embora, tinha sido burro de achar que o melhor amigo o criticaria pelo fato de sentir algo em relação a ele. Quem sabe se antes tivessem tido uma conversa, nada disso teria acontecido. O sentimento de culpa o invadia, misturado em uma felicidade extrema quando percebeu que nunca tinha abraçado AJ daquela forma. Como estavam molhados, o vento fazia com que Kiseop tremesse de frio, por não ter muita massa corpórea também.
-AJ... Me desculpa. Eu não devia ter partido dessa maneira... Mas agora eu to com frio e... Vamos nos secar e conversar, certo?
Antes que Kiseop tentasse separar seu corpo do de AJ, o loiro fez um rápido movimento para segurar o pescoço do menor encostando sua testa na dele olhando-o fixamente em seus olhos. O ruivo gelou completamente, seu estômago vazio, suas mãos trêmulas encostadas no peito do maior... Aquela cena devia se perpetuar, e Jaeseop deu-se o trabalho de fazer isso quando lentamente aproximou seus lábios dos de Kiseop, selando-o. O mais velho ficou durante algum tempo surpreso com o ato repentino, observou o rosto sereno de AJ enquanto suas bocas se tocavam, mas apenas isso. Não havia movimento algum. Esperaram alguns segundos assim até que o loiro foi se afastando, suas mãos segurando delicadamente o rosto de Kiseop de uma forma que seus olhos fixos um ao outro conversassem. O menor, a essa altura, procurava respostas em palavras não ditas por seu amado. Nunca nada parecido aconteceu entre os dois. Nunca nem existiu uma esperança de um relacionamento. A atitude tomada por Jaeseop fez surgir vários pontos de interrogação.
-Kiseop eu...
O próprio AJ mostrava-se surpreso e envergonhado.
-AJ...
Kiseop não queria criar expectativas de algo que nunca aconteceria. Estava cansado demais para suportar aquele sentimento...sozinho então, era pior. Esperança era tudo o que não queria ter. Retirou as mãos que estavam em seu rosto lentamente.
-... Certo. Eu vou fingir que isso não aconteceu. Ok? Eu... Vou me enxugar e me trocar e você deveria fazer o mesmo.
-Não.
Jaeseop segurou o braço do menor antes que este se distanciasse novamente.
-Me escuta... Por favor.
-AJ você ta me assustando. Você bebeu algo?
-Por favor Kiseop, me escuta. Eu... Tenho que te falar isso agora... Antes que eu te perca de novo.
O ruivo voltou-se para AJ, completamente molhado e mesmo assim parecia realmente desesperado para dizer algo. Se parecia tão importante, não custava nada perder alguns segundos para escutar.
-Eu... acordei de manhã esperando te ver como todos os dias me oferecendo o café da manhã, então eu vi no lugar uma carta... Com palavras duras.
-Olha eu já pedi desculp---
-Deixa eu terminar! Por favor... Só me escuta. Foi só lendo aquela carta que eu percebi o quanto fui idiota. Como eu pude não perceber que você gostava de mim? Quando eu li que você ia embora, eu não pensei duas vezes e corri para a estação. E enquanto eu corria, eu só pensava em você... Eu tive medo de não chegar a tempo e te ver partir sem fazer nada. Eu tive medo que por minha culpa você fosse embora. Eu tive medo, que se você soubesse da verdade você me rejeitasse.
-Do que você ta falando? Por que eu te rejeitaria?
-Porque eu gosto de você. Porque eu te amo. Por que você não sabe como eu me sinto. Eu sempre tentei esconder isso de você e vejo que esse foi meu erro. Porque se eu tivesse contado antes... Ah Kiseop, se eu...
AJ aproximou-se do ruivo com as mãos novamente no rosto assustado deste. Mas evitou um contato mais próximo ao ver que lágrimas escorriam por seus olhos.
-Não... Não me iluda. Não faz isso comigo. Por favor... Dói muito.
-O que? NÃO NÃO! Kiseop, não. Não é ilusão. Acredite. Acredite que meu amor por você é verdadeiro. Meus sentimentos são verdadeiros. Eu só tentei me aproximar de você porque eu gostava de você, sempre gostei. Eu fiquei tão feliz quando você aceitou morar comigo e por isso tive medo de ser rejeitado... Escondi o óbvio mesmo você não vendo. Não me diga que não acredita no que eu estou falando agora. Eu não posso respirar sem você.
-AJ... Eu te amo.
Jaeseop não esperou um consentimento. Ao ouvir aquelas doces palavras, moveu-se para beijar o menor. Dessa vez de uma forma mais ardente e com mais movimentos. Os movimentos das mãos intensificavam-se de acordo com o beijo. AJ agarrou a cintura de Kiseop enquanto este envolvia seu pescoço aproximando-os mais ainda. O loiro deu um impulso para carregar o outro no colo e caminhar para o quarto. Deitaram na cama, Jaeseop por cima, ainda ligados por aquele ato carinhoso. O maior afastou-se para retirar a própria camisa e em seguida a do outro. As roupas ensopadas foram arremessadas para longe. Não importava onde elas cairiam. AJ começou a beijar carinhosamente o peito de Kiseop, sua barriga, e descendo até ser impedido de continuar pela calça do ruivo em que “magicamente” o loiro abriu o botão e o zíper com a boca. Aquilo “acordou” o menor de tal forma a se deixar visível o volume em sua Box preta. Os dedos de Jaeseop caminharam para abaixar a roupa íntima, fazendo com que o membro de Kiseop fosse erguido para fora. Era óbvio perceber pelo rosto completamente vermelho do ruivo que estava constrangido, portanto pegou o travesseiro mais próximo e afundou sua cara nele. O loiro soltou uma breve risada e lambeu a cabeça do membro a sua frente fazendo o dono deste se contrair um pouco. Passou sua língua por toda a extensão do pênis e logo em seguida abocanhou-o fazendo movimentos lentos de subida e descida. Após intensificar o movimento, ficou assim por uns dez segundos apenas escutando as arfadas do outro, abafadas pelo travesseiro, subiu até a glande e deu uma leve mordida no lugar. O ruivo soltou imediatamente, junto com seu líquido, um alto gemido que não pode ser disfarçado.
-Kiseop...
AJ abriu o zíper de sua calça tirando o próprio membro para fora e masturbando-se, chamou a atenção do menor que tirou o travesseiro do rosto e observou a cena por alguns segundos até perceber que quem deveria estar fazendo aquilo era ele. Mas, tinha uma idéia melhor.
-AJ... Você pode... Me fazer seu.
Kiseop puxou o outro dando-lhe um beijo rápido e engolindo seu “resto” que tinha marcado sua boca, virou-se retirando o resto de roupa que ainda tinha e deitou de costas para cima na cama. Jaeseop adorou aquilo tudo, começou a investir carícias e mordidas no pescoço do menor, procurando descer com as mãos e acariciar o membro deste fazendo com que ergue-se a cintura para encostar suas nádegas no membro ereto do moreno. Este que posicionou-se atrás do ruivo e introduziu a cabeça de seu pênis na entrada do outro, que apertava os lençóis e cerrava os olhos. Ficou imaginando por alguns segundos que pelo fato de estarem molhados, não havia nenhuma preparação necessária para que começassem o ato, e embora não quisesse que a primeira vez fosse tão rápida, não impediu que AJ fizesse qualquer coisa. Queria se entregar completamente aos braços do amante, não só uma vez, mas para sempre.
Seus pensamentos foram cortados quando sentiu Jaeseop introduzir seu membro por completo dentro do menor. Os gritos de dor e prazer ecoavam por todos os cantos daquele quarto. Entre quatro paredes, os movimentos livres de mãos pelos corpos e as investidas continuaram. AJ não queria nada bruto, mas não conseguia mais se controlar. Seus movimentos ficavam cada vez mais rápidos, mas aquela posição não lhe agradava mais. Retirou-se de dentro de Kiseop e puxou-o para que sentasse de frente para si em seu colo. O ruivo teve o trabalho de mover-se em cima daquele membro enquanto procurava os lábios de seu amante. Os beijos descompassados transformavam-se, uma vez que algumas mordidas podiam ser sentidas e suas línguas enrolavam-se uma na outra. A separação de bocas fez com que um filete de saliva se quebrasse lentamente. O menor sentia-se envolvido cada vez mais, seu coração batia tanto contra o peito que era capaz de sair na primeira oportunidade que tivesse, e o que deixava isso ainda mais vivo era o fato de que percebia que aquele sentimento não era unilateral, que não sentia aquilo sozinho. Podia perceber pelo olhar que AJ também estava apaixonado por ele. Não conseguia impedir aquela vontade que tinha em manter seus lábios grudados aos dele, e assim foi novamente em um beijo que conseguia transmitir todos aqueles sentimentos confusos. O mais velho então sentiu seus mamilos serem atacados pelas mãos do outro, agarrou os cabelos deste enquanto descia e subia em seu membro, tocando o seu próprio para aliviar o que ainda restava. Quando finalmente pôs-se por completo no colo do outro, Kiseop deixou-se “jorrar” em seu próprio peito, gemendo o nome de Jaeseop com a voz rouca. Este, ao escutar seu nome saindo daquela forma e encarando a cena do menor coberto com aquele líquido misturando-se com o água da chuva e suor em seu corpo, não conseguiu se conter e liberou-se dentro do ruivo.
Deixaram seus corpos cairem na cama um ao lado do outro. Precisavam respirar. As vozes quase não saíam. A respiração pesada apenas permitiu que virassem um para o outro e tentassem novamente um lance entre lábios e línguas. O rosto de Kiseop era tocado e acariciado por AJ, ambos ficaram a se encarar assim que assumiram a derrota para o pulmão adquirir ar. Aquela sensação de alívio misturada com a felicidade que estavam ao fazer o que há muito tempo desejavam fez com que os sorrisos ficassem a mostra
-Kiseop...
-hum?
-Não é à toa que você já foi modelo. Seu corpo é lindo, seu rosto... Mas o que eu mais admiro em você é seu sorriso.
-Então saiba que ele só existe quando eu to com você.
-Tanto tempo desperdiçado... Podíamos ter isso a mais tempo. Esse sentimento, essas palavras.
-Vamos ter. Porque eu quero ficar com você pra sempre. Eu te amo, AJ.
-Eu te amo, Kiseop.
E encostando as testas, uma na outra, aquele momento ficou marcado como o primeiro de muitos que ainda viriam. Aquele relacionamento não seria baseado apenas no desejo da carne, porque existia algo a mais ali. Não importando o tempo, não importando as tantas brigas e tantos momentos felizes que viveram e ainda iriam viver, uma coisa ambos tinham certeza: Não importa o que aconteceria entre eles, existiria sempre amor. E isso nem o tempo é capaz de mudar.
-Ah...ah...ATCHIM!
-AIGO! EU DISSE QUE ERA PRA GENTE TER SE ENXUGADO PRIMEIRO!
-fim-
Notas finais
Tudo bem, se você pelo menos gostou deixe a sua review que eu terei um prazer inenarrável em responde-la. Kiss ;*
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