Belanote

2 Capítulo 2 - Paz.


Notas iniciais
Não se esqueça de ler o ,Capitulo 1 - Prefacio, antes de ler o Capítulo 2 - Paz.

29 de novembro de 2043

A ditadura de Bashkim já se estendia por mais de oito anos. Os governos mundiais exerciam sua função fundamental de reger o povo e fazer a economia funcionar, mas há muito já não tinha força verdadeira. Uma empresa privada nomeada Frieden, dona da maior parte de Belanote já encontrado, que regia as potencias. Ela foi a patrocinadora da ONU, para com o protocolo Bashkim. Ela patenteara e produzia a formula secreta das cápsulas especiais de Belanote. O principal motivo de ser algo tão diferente e que agora os soldados poderiam usar quantas cápsulas fossem necessárias sem sofrer dos efeitos colaterais.

O próprio Homem era a arma biológica, as cápsulas especiais de Belanote se tornam a munição mais poderosa da humanidade.

“O braço pesado que mantinha a paz”, esse era o conceito dos soldados, eles eram supremos. Não entenda errado, não eram muitos, não precisavam ser muitos. Talvez cinco por cidade já bastassem, dependendo do tamanho das cidades apenas um soldado já bastava. Com o potencial e equipamento que tinham não precisava mais que isso. A rede de inteligência que os mantinha informados de delitos ou crimes maiores era rápida e precisa, assim não existia mais roubos, mortes e nem mesmo desentendimentos. O mundo perfeito, ideal. Utópico.

Isso tudo era muito bonito no papel dos livros nas escolas, nos discursos dos líderes políticos, na boca de sacerdotes corruptos e nas propagandas militares. Mas todos sabem que utopias só existem nas idéias de homens loucos e que ditaduras só e boas para quem ás comanda.

O povo vivia em medo, dês do início do regime de Bashkim as cápsulas passaram a ser proibidas a serem comercializadas para qualquer pessoa que tivesse ficha na polícia, alegando que poderiam aproveitar os dez minutos de frenesi para roubar uma loja ou matar alguém. Isso realmente já tinha acontecido.

Mas proibir as cápsulas para tantas pessoas só pelo perigo de violência era a mesma coisa que proibir o uso de sapatos. Assim como a internet no início dos anos 2000, o Belanote se tornou essencial para o mundo urbanizado. Já era impossível imaginar como seria ficar sem, voltaríamos a idade da pedra. Em todos esses 15 anos dês da sua descoberta a humanidade avançou no tempo. O problema dos combustíveis fosseis foi resolvido. Ninguém mais morria de fome.

Então, mais uma propriedade especial do Belanote foi descoberta, procurando uma forma de gerar energia limpa um cientista Sueco percebeu que a gema quando quebrada guardava em seu interior fragmentos menores e mais azulados, redondos e lisos. Como pequeninas perolas. Esses fragmentos foram testados e testados até que seu propósito foi descoberto.

Um dos princípios da física e que matéria não pode ser criada ou destruída, mas apenas transformada. Dessa forma foi difícil explicar, em primeiro momento, como as pérolas de Belanote podiam gerar energia. A resposta veio depois, as pérolas após serem retiradas do interior bruto da gema tinha a propriedade de absorver toda forma de energia ao redor e transformar a mesma em calor.

A perola deveria ter 1 centímetro cúbico, sua superficial era realmente mínima mas absorvia tudo dentro de uma área de 10 metros para todas as direções. No primeiro teste após a descoberta dessa propriedade, queriam ver como poderia ser usado em pratica, colocaram a perola em cima de um telhado em um prédio, no centro da cidade. De baixo da perola colocaram uma superfície que absorveria o calor o transformaria em eletricidade e mandaria para uma bateria poderosa.

A perola ficou lá o dia e a noite toda. O resultado absorvia qualquer energia na área. Sendo assim a fiação elétrica dos postes eram absorvidas e transformadas em calor, o impacto dos pingos de chuva no telhado era transformado em calor, os raios do sol eram transformados em calor, os pios dos pássaros e os sons de carros dentro daquela área desapareciam porque também tinham sido transformados em calor. Com o decorrer do teste a poderosíssima bateria que a perola estava carregando teve de ser trocada mais de uma vez. Gerando assim em apenas um dia metade da energia de uma hidroelétrica de pequeno porte gerava no mesmo tempo.

O segundo passo era reproduzir aquelas perolas em laboratório. Com muito custo conseguiram criar algo parecido, absorvia uma fração de energia comparada ao material original, mas já estava bom, o grupo de cientistas concordaram que reproduzir o Belanote seria impossível.

Tentavam explicar como um material, quase mágico, daqueles poderia existir de verdade e como fora criado naturalmente. O mais provável era que esses minerais foram trazidos por cometas que colidiram com a lua nos últimos bilhões de anos. A e as variações de extremo frio para extremo calor no vácuo infinito do universo eram o que geraram as rochas de Belanote. De um cometa feito de poeira estelar de um passado muito distante, vagou pelo espaço, passando perto de estrelas e longe delas, durante bilhões de anos até colidir com a lua. Ou simplesmente já estava lá dês de sempre, não se tem como saber afinal.

Usinas de petróleo e carvão, hidroelétricas e termoelétricas. Todas obsoletas e ultrapassadas. Tudo foi substituído por Usinas de Perle, semelhantes ao experimento no telhado do prédio a perola ficava suspensa em uma área estratégica e absorvia toda e qualquer energia, a convertia em calor que o mesmo era convertido em eletricidade e mandado para a mini-estação que distribuía para todos os demais locais. O Cabo que transformava o calor em eletricidade tinha que ser obrigatoriamente feito de chumbo para que a perola não o absorvesse de novo. A usinas eólicas já criadas continuaram sendo usadas, mas não foram construídas novas.

Os carros e transportes em geral diminuíram em muita quantidade nas cidades. A maioria absoluta era de bicicletas. O motivo foi que com as cápsulas de Belanote o corpo exigia exercício físico regular, quanto mais atlético seu corpo menos eram os efeitos colaterais no fim do frenesi. Assim podendo, em raras as vezes, ser usado mais de uma vez no dia.

O choque muscular gerado após o uso da pílula dependia do usuário e dependia também do esforço feito. Um sedentário que entrasse em frenesi de Belanote sentia muitas dores causadas pelo ácido lático e muita mais fome do que uma pessoa que mantem uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares. E talvez devido a dor muscular o sedentário nem mesmo possa usar a cápsula no outro dia.

Realmente, talvez a melhor coisa do Belanote não tenha sido a energia limpa ou a capacidade de todos se tornar super-humanos. Mas sim a mudança que fez em cada pessoa, a maioria esmagadora da população era obesa e agora esses números diminuíram para menos de 10%, o mesmo com o sedentarismo. A expectativa de vida nunca foi maior em toda história da humanidade.

O uso mais comum do frenesi do dia a dia era para locomoção, usar ela para correr em altíssima velocidade ou para pratica dos super-esportes.

Quase todos os esportes normais ganharam suas versões com as cápsulas de Belanote, alguns deles não usavam as cápsulas e sim arenas totalmente iluminadas com a luz radioativa assim não tendo tempo limite. Os que usavam a luz dessa forma eram os esportes de luta quase sempre clandestinos.

Dês do começo do regime Bashkim, esportes de luta ou qualquer ato de violência era severamente punido com prisão, ou é assim que se acreditava. Segundo os governantes: “A violência gratuita destrói o sonho de paz”. Sendo a paz o verdadeiro objetivo da humanidade, todos aqueles que apóiam e contribuem com a violência devem ser punidos.

Assim como as antigas brigas de galo, o UFC clandestino movimentava muito dinheiro no mercado negro, principalmente por ser algo difícil de manter com as apostas muitíssimo altas. Os lutadores treinavam todo tipo de arte marcial de Muay-Tai, karate, kung-fu, jiu-jitsu, box. Ate mesmo o Krav Maga.

Fora toda bagagem marcial que cada lutador ilegal tinha, eles também tinham rigoroso treinamento para suportar a luz de Belanote, uma versão muito mais otimizada do processo de resistência a radiação que os alemães criaram, permitindo que a pessoa ficasse por mais tempo na luz. Primeiro que a luta só acabava quando o oponente estiver completamente derrotado, não há lugar para desistir, ou você vence ou você sai seriamente ferido. Ou não sai.

Antes de começar todos os participantes ingerem uma cápsula de iodo para ajudar lidar com a radiação. A expectativa de vida de um lutador não é muito alta, aqueles que não morrem no ringe quase sempre morrem da radiação, não no dia seguinte, mas sim no decorrer dos anos. O principal problema e que eles lutam apenas com a sungas box de combate sendo assim quase todo o corpo fica exposto, claro aumentado o efeito da luz, se mostrando muito mais eficaz que a cápsula de Belanote, mas também expondo a toda aquela radiação mortal.

Alex sabia dos riscos, mas também sabia do dinheiro envolvido.

Notas finais
Capítulo 3 já postado.