Belanote
9 Capítulo 9 - Tempo.
Notas iniciais
Por mais que a história que você esteja contado possa ser realística e bem acreditável para pessoa que te escuta, sempre existe meia dúzia de coisas que podem fazer ela perder totalmente a credibilidade.
A mais óbvia e citar coisas que estão fora do que a população acha que e verdade, como extraterrestes e magia. Em contrapartida, milagres são uma exceção, visto a sociedade católica que existe.
Mas nunca aposte suas fichas na exceção.
A outra e, qualquer coisa na verdade, que cite viajem no tempo.
Toda história seja verdade ou não, ou uma explicação da situação em geral. Vai existir sempre alguém para perguntar: “Como você sabe disso tudo”. E esse caso, nunca responda: “porque eu sou do futuro”. Por mais verdade que seja, por mais que a situação peça essa resposta de você, jamais a de.
Dito isso podemos continuar, ambos os argumentos apresentados são fictícios, visto que magia e nada mais que tecnologia para quem não intende o que tecnologia é. Extraterrestes e um assunto que eu não gosto nem de pensar, pôs se ainda não encontramos nenhuma cultura alienígena quer dizer que não existe e estamos sozinhos no universo ou eles nos encontraram primeiro e não querem entrar em contado com a escória humana.
E claro, como sabem, viajem no tempo e o maior dos tabus.
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— Maldito seja esse rato desgraçado, filha de uma- parou no meio do xingamento quando percebeu ser observado por alguém.
Virou o corpo de vagar não querendo pisar em nada a não ser o chão, sujo e úmido.
— Bom dia madame Selene. – jovem de smoking sorria de não muito longe – Vejo que ainda tem problemas com esse lugar, posso oferecer chamar alguém para limpa-lo para a senhora? – perguntou ajeitando a gravata borboleta com as mãos enluvadas.
— Para você também, — respondeu Selene ajeitando o cabelo grisalho em um coque mal feito — apesar de não ter nada de bom no dia de hoje. – se virou novamente tomando o mesmo cuidado da ultima vez – Você sabe que não confio em mais ninguém a não ser eu mesma pra cuidar dessas malditas antiguidades, – Ela olhou em volta e deu um suspiro frustrado — isso e um enorme pilha de lixo, não é? – perguntou.
— Se a madame se importa então não e – respondeu em tom jovial e alegre, algo que não combinava com a aquela masmorra. – Eu irei preparar tudo para mais tarde, qual quer coisa não hesite em me chamar.
Selene fez um gesto para que o mordomo pudesse se retirar em quanto procurava algo entre as paginas antigas e livros podres.
O fedor não era algo que a incomodava. Nada e tão ruim que não valha a pena. No final a pessoa se acostuma com qualquer coisa. Ela ficava repetindo isso com frequência, eventualmente ela acostumaria. E já faz tantos anos...
Aquele lugar sujo e antigo carrega memorias, não tão boas do passado. Coisas aconteceram ali muito antes dela nascer, talvez muito antes daquele lugar ser construído na verdade.
Memorias de violência e terror, pobres pessoas não sabiam o que estavam fazendo. Sofreram pelos pecados de outras. Mas o fim e igual para todos.
Não importa se você e quem sofre pelas mãos de alguém ou se você e a mão que faz sofrer. O fim e igual e imutável. A morte e a única certeza.
Selene pensava nessas coisas com frequência e eventualmente acreditava nelas.
Aquele lugar era de seu pai, e antes tinha sido de seu avô e antes do seu bisavô e essa herança se estende por mais gerações do que se pode lembrar. Espalhados pelo chão estava séculos de documentos históricos, uma mina de conhecimento.
Mas uma mina de ouro dos tolos.
Nada daquilo era visto como verdade, era como se por um incontável tempo toda história registrada fosse uma mentira mal contada.
Selene dedicava algumas horas de seu dia tentado achar alguma coisa que fizesse sentido, algum código ou algo do tipo. Mas por mais que ela olhasse tudo parecia apenas mais vergonhoso.
Era como cada fato histórico fosse contado por um antepassado, mas eles nunca eram o que a história tinha de fato registrado. Era interessante, como um livro de ficção, mas o que deixava tudo mal visto era que não era uma ficção, eram relatos precisos. Horas, segundos. Locais, nomes que ninguém nunca tinha ouvido falar. Era as vezes assustador pensar como alguém conseguiu criar uma mentira com tantos detalhes.
Ela já era uma velha cansada, não era nem um pouco como antigamente. Agora só sobrou o mal humor, e nenhum filho. Sua vida estava contada e era triste pensar que não tinha nada melhor do que revirar velharia em um porão também velho. Tudo a sua volta parecia estar tão cansada quanto ela, tão sem credibilidade e tão sem amor.
Sobrava o jovem que ajudava na casa, era o filho que ela nunca teve. Amava a criança mas não era do seu sangue, então pouco importava a essa altura. O legado iria morrer com ela ali no porão úmido, nas folhas sem vida e com os ratos de testemunha.
Riu de seu devaneio. E continuou a pesquisa.
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Já se aproximava da hora, ela acendeu as velas, grossas e vermelhas, em cada um dos pontos do pentagrama e desenhou todos os símbolos necessários por perto.
— Eu espero que tudo funcione como planejado desta vez madame – disse o jovem de smoking em quando colocava a criança no centro do desenho.
— Tem eu dar – a senhora respondeu com rispidez – eu não tenho mais tempo para falhar.
A criança estava inconsciente e nua, era uma garota de não mais que oito anos, elas precisam ser novas, Selene se forçava a acreditar, e eventualmente..
No teto existia uma lâmpada de Belanote do século passado, era arcaico quase mas iria funcionar.
— Acenda-a e saia – falou quase num sussurro para o rapaz – o resto e comigo.
E ele fez, ao sair desejou boa sorte e passou um cadeado na porta as trancando lá dentro.
Alguns momentos se passaram e a luz já estava fazendo efeito em ambas, Selene se sentia oitenta anos mais jovem e muito mais forte do que jamais foi. A criança acordou em um susto, cobrindo as suas partes com as mãos e chorando.
— Shhhh... – colocou o dedo indicado na frente dos lábios pedindo silencio – Vai ficar tudo bem criança, a velinha aqui vai cuidar de você.
— Aonde estão meus pais – disse entre os soluços de choro – quem e você? O que vai fazer comigo?
— Vai ficar tudo bem – Selene repetia sem parar para a criança – Vai ficar tudo bem...
A criança tentou correr para fora do pentagrama mais colidiu com o campo invisível. A sua cabeça começou sangrar no lugar do impacto, ela cambaleou para trás e caiu sentada.
— Fique quieta! Não danifique o corpo! – trovejou a mulher, tirando a mascara de boa senhora, isso so fez a criança chorar mais.
Selene deu alguns passos e pegou seu caderno de anotações, ele era em couro e tão velho quanto a senhora. Era ali que ela anotava tudo que achava importante. E hoje ela finalmente tinha algo que podia dar frutos.
O ritual teve início.
Ela começou a dançar e falar tudo que tinha anotado pra aquela tarde. Tudo que dizia era em uma língua esquecida, talvez os experimentos tivessem todos dado errado ate então por não dizer as palavras corretamente afinal como poderia saber? Mas essa já era a a decima terceira criança, e uma hora alguém ia descobrir.
Para quem escutava era como um enxame de abelhas, mas para ela cada palavra tinha sentido, ela não sabia o significado de verdade, mas os sentia no seu corpo, então soube que dessa vez iria funcionar.
O ela não precisava do Belanote pra ficar mais forte ou agiu, mas precisava de sua melodia. A dança era pra que cada movimente fizesse a luz soltar a nota necessária. As palavras eram ditas no ritmo. Um idioma novo, era algo além da humanidade.
Selene tinha juntado as peças a algum tempo, mas coloca-las juntas eram complicado.
Mas conseguiria agora, estava muito próxima do sucesso.
Ela continuava a dançar e cantar as palavras, a criança chorava. Os símbolos começavam a se iluminar e rachar o piso e as paredes. Ela tão tinha chegado tão longe.
Ate que tudo finalmente se tonava um. Ela fechou os olhos e por um momentos só escutou as notas doces das luz. Quando os abriu viu a garota.
Ela estava em pé com uma cara seria. Ela apontou para a Selene e repetiu as palavras:
— Você conseguiu. – sua voz era gutural, não era humana. Fez com que todo o resto se cala-se, a lâmpada quebrou em um clarão.
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O rapaz abriu a porta depois de perceber que todo o barulho havia cessado. A sala estava destruída, as paredes e chão rachados, as velas derretidas e a lâmpada quebrada.
Dentro do pentagrama estava o copo da criança carbonizado. E sem nenhum sinal da madame Selene.
Tinha dado certo.
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