Notas iniciais
Está aí mais um capítulo. Completamente atrasado :s, me desculpem. Esse eu fiz na visão da Karina. Espero que gostem!!

Fiquei estática por um momento. Foi então que eu percebi. Ele estava me zoando.

– Claro que sente né Cobra?! – Falei rindo – Eu sou apaixonante.

Ele se virou, olhando-me nos olhos. Seu rosto estava sério, deixando claro que não era uma brincadeira.

– De quanto dinheiro você tá precisando? – Falei olhando em seus olhos, nervosa – Quanto é que a Bianca tá te dando pra você me falar isso?

Tentei reprimir as lágrimas, coisa impossível. Uma escapou, deixando Cobra assustado. O rapaz tentou repousar a mão em minha bochecha, mas eu dei um passo para trás.

– Não é nada disso – Disse ele por fim.

Foi a minha vez de ficar de costas para ele. Não conseguia acreditar em suas palavras, não depois de tudo que me aconteceu nos últimos tempos.

– Olha pra mim Cobra – Falei virando-me – Quem em sã consciência sentiria algo pela “sapa hétero”?

Ao ouvir isso, Cobra foi em direção ao seu “quarto” nos fundos do QG. Algum tempo se passou até que ele retornasse com um espelho em mãos.

– O que você quer com isso Cobr...

O lutador posicionou o espelho em minha frente.

– Que foi? – Perguntei.

– Olha bem pra esse espelho – Falou depois de um silêncio constrangedor.

Mesmo relutante, eu o fiz. O espelho refletia um rosto abatido, desesperado. Meus olhos transmitiam um vazio tão grande, que era doloroso de olhar.

– Como em sã consciência, você tem coragem de falar que ninguém pode se apaixonar por você? – Perguntou Cobra.

– É só olhar pra minha car...

– Eu tô olhando – Interrompeu – E sabe o que eu tô vendo? Uma menina linda. Olha bem o seu rosto, você é perfeita! Sua maçã do rosto, sua boca e seus olhos. Cada vez que eu os olho, tenho a sensação de que são de mentira, por serem perfeitos de mais.

Aquilo me desconcertou, porque por mais que eu não acreditasse aquela era a verdade dele, ELE realmente acreditava no que estava falando. Para mim, Cobra sempre fora um irmão mais velho e protetor, então aquela confissão me causou espanto e um certo conflito interior.

– Cobra, eu não passo de uma pirralha. Não passo de uma irmãzinha que luta com você e que volte e meia te da concelhos – Falei.

O garoto soltou uma risada abafada. Ele deixou o espelho em cima do balcão e se aproximou de mim. A centímetros da minha boca ele sussurrou:

– Você pode ser tudo isso que falou, mas saiba, que foram apenas motivos a mais que eu tive para querer fazer isso.

Antes que ele pudesse me beijar, meu pai apareceu na porta do QG.

– O que tá acontecendo aqui? – Perguntou me puxando pelo braço.

Ao contrário do que eu imaginava ficar paralisada em uma situação dessas, fui rápida.

– Nada, é... – Cocei a cabeça – Vamos embora, pai.

Meu pai me fez várias perguntas, as quais nem tinham resposta de fato. Após meia hora tentando convence-lo de que NUNCA haveria um relacionamento em mim e Cobra, consegui sossego. Eu estava no banho havia um tempo e a única coisa que passava pela minha cabeça, eram as palavras do meu amigo. Todo o acontecimento era como um grande “flash back” que não saía da minha cabeça. O problema era que eu estava chateada. Não porque eu havia perdido um amigo ou porque aquilo tudo me abalava. Eu estava chateada, porque meu pai aparecera no instante do beijo, que deixou de existir. E tudo aquilo acabou se tornando muito mais confuso pra mim. Eu não deveria estar chateada por isso, mas por algum motivo, eu estava.

Jantei em silêncio. Bianca finalmente havia entendido que ela não existia mais para mim, e isso já era um motivo para comemorar. Eu já estava farta de todas as conversas que ela tentava manter comigo. Apenas o mestre Gael que tentava nos unir, mas eu não o culpava por isso. Ele apenas queria que suas duas filhas vivessem em harmonia. Levantei da mesa e fui para a cama. Eu realmente precisava de uma noite de sono. Infelizmente, não foi só cair na cama e pegar no sono. Fiquei rolando na cama por um bom tempo, só criando alternativas para a suposta “paixão” repentina de Cobra. Cheguei a conclusão de que, independente se voltarmos a nos falar e ele perceber que está equivocado, definitivamente, nossa amizade não será a mesma.

Um mês havia passado. Um mês sem contato direto com meu único amigo, apenas troca de olhares e nada além disso. No momento, eu estava discutindo com meu pai. Ele não estava querendo me deixar participar do exame de grau que teria daqui a um mês.

– ...Falta pouco tempo pra eu tirar o gesso, pai – Falei andando pela sala de estar – Eu vou estar mais do que preparada para fazer o exame de grau.

Ele ficou de pé e segurou em meu ombro, fazendo-me parar.

– Nada disso Karina. Mesmo que você estivesse perfeitamente pronta, eu já te falei, você pode até treinar comigo, mas eu nunca vou permitir que você lute profissionalmente.

– Eu já tô cansada de ouvir isso – Gritei – Já chega.

Andei até a porta, decidida.

– Aonde você vai? – Perguntou me seguindo.

Saí de casa a passos rápidos e cumpridos.

– Karina para, AGORA – Gritou o mestre.

Antes que meu pai me alcançasse, entrei dentro de um ônibus, sem rumo. O ponto final ao qual desci, era em frente à praia. Andei pela areia por algum tempo, até que decidi me deitar. Era bom sentir o calor do sol sobre o meu corpo, fazendo-me relaxar. Confesso que nunca me senti muito animada em vir à praia, porém naquele dia, assim que desci daquele ônibus eu decidi que era na praia que eu deveria estar. Foi estranho, mas por um segundo consegui esquecer tudo. Meu pai, Bianca, Pedro e Cobra, e tudo que envolvia eles.

Eu estava deitada sobre a areia, quando alguém caiu em cima de mim. Era um garoto todo sarado, só de bermuda. Empurrei-o com o braço engessado. Me arrependi na hora, pois no segundo seguinte percebi o quanto isso doeu.

– Porra – Gritei de dor.

O garoto ficou em pé e se aproximou de mim, preocupado.

– Desculpa garoto, é que... – Falou até perceber que eu era uma menina – Desculpa garota, é que eu não te vi.

Furiosa, fiquei em pé e limpei a roupa de toda a areia.

– Que seja – Falei saindo dali.

Incrível como em poucos segundos, perdi toda a paz que a semanas eu não tinha. Comecei a andar pela passarela em frente à praia. Era estranho observar as pessoas sorrindo, se abraçando, se beijando e dando risada. Pareciam ser sentimentos tão distantes da minha realidade.

– Karina?

Procuro em volta, o dono da voz. Um carro cinza está parado do lado esquerdo da rua. Dentro dele, está Cobra.

– Cobra? O que você ta fazendo aqui? – perguntei me aproximando do carro.

– Eu é que deveria te perguntar isso – Falou abrindo a porta do passageiro – Entra.

Entrei dentro do carro e coloquei o sinto de segurança. No mesmo instante, ele ligou o carro.

– Ah Cobra, meu pai – Falei gesticulando – Ele não entende a importância que o Muay thay tem sobre mim.

Olhei-o de soslaio, ele continuava se concentrando no trânsito.

– Eu sei como é – Falou por fim – Ou você acha que eu vim pro Rio por quê?

Coloquei a perna sobre o painel do carro e não demorou para ser repreendida por Cobra.

– Nem vem Karina, limpei o carro hoje – Falou tirando minha perna do local.

Olhei-o novamente, desta vez mostrando que estava olhando. Cobra parou o carro em uma vaga.

– O que foi? – Perguntou.

– Você é chato ein – Falei socando seu braço com a mão livre – Mas não deixa de ser meu amigo e eu estava com saudades das nossas conversas.

Abracei-o colocando a cabeça em seu ombro. Cobra ficou tenso com o meu toque e tirou meus braços de seu corpo.

– Para Karina – Falou se afastando – Eu não mereço que você faça isso.

Fiquei confusa. Eu ansiava tanto por um abraço do meu amigo, que não percebi o quanto ele estava sendo seco comigo.

– O que aconteceu Cobra? – Perguntei o olhando – Você ta muito diferente comigo.

O rapaz soltou uma risada irônica e me olhou com raiva.

– Jura que você não sabe? Eu te falei que estava apaixonado por você e desde então você não falou mais comigo.

Foi então que eu percebi o quão enganada estava. Nós nunca mais seriamos amigos.

– Desculpa – Falei – Eu sinto muito, mesmo. Imaginei que você tivesse percebido que eu nã...

– Eu percebi – Falou ligando o carro novamente.

O caminho todo foi um completo silêncio. Eu estava me preparando psicologicamente para o surto do mestre Gael. Mas mais importante do que isso, eu estava tentando entender o que se passava na cabeça do lutador que estava ao meu lado.

– Tchau – Falou assim que parou o carro. Ele estava sem expressão, era torturante.

– Tchau – Falei saindo do carro – Desculpa por eu ser... Eu.

Mal pus os pés na rua, até meu pai aparecer furioso. Ele segurou meu braço e me puxou para dentro de casa. Meu braço já estava doendo quando entramos em casa.

– Para pai – Falei tentando me soltar.

Mestre Gael me soltou, sem ainda dizer nada.

– Você sabe que está de castigo – Falou por fim – Nada de academia e MUITO menos exame de grau. A partir de hoje é de casa para a escola e visse e versa.

Me joguei no sofá pegando o controle remoto.

– Já imaginava – Falei ligando a TV.

Meu pai puxou o controle remoto da minha mão.

– E sem TV – Falou – Agora já para o seu quarto.

Foi oque eu fiz. Fiquei andando pelo quarto todo, aproveitando que Bianca estava fora. Estudei um pouco, ouvi música e li algumas coisas. Estava tudo muito tedioso. Era por volta das 19:40 quando decidi ir até a varanda. Foi quando vi um casal adentrando ao QG.

Notas finais
Comentem!! Quem vocês acham que será esse casal??