Bela descoberta
4 Descoberta
Notas iniciais
As palavras a pegaram de surpresa e a deixaram assustada. — Cobra, para com essa brincadeira sem graça — Disse Karina, tentando sair dali — Me deixa ir embora. O rapaz estava alterado, não era mais o mesmo. — Sabe de uma coisa? — Cobra se aproximou mais da garota, coisa quase impossível — Eu sempre te achei... Gostosinha. Algumas lágrimas saíram dos olhos de Karina. Mesmo sofrendo com o fim do namoro e com a dúvida de sua paternidade, o mundo fez questão de tirar mais uma pessoa de sua vida, Cobra. – Para cobra — Gritou empurrando-o. O moreno cambaleou para trás, furioso. Seus olhos mostravam o quanto estava fora de si. Karina correu em direção à porta, mas antes que pudesse sair, Cobra a segurou pelo braço. — Ué marrentinha, não é você que gosta de apanhar de mim quando está mal? A única diferença, é que você vai gostar — Disse o moreno, sorridente. Com a mão livre, Karina deu um tapa no rosto do rapaz. O tapa mais forte que pudesse dar. Estava verdadeiramente ofendida e magoada. — Você é um monstro — Foi o que Karina disse antes de correr. Karina correu para casa como se estivesse sendo perseguida, de fato, era isso que a menina pensava estar acontecendo. Entrou em casa como um furacão, esquecendo-se completamente que o pai a ouviria. Sentou-se no sofá, arrasada. Não demorou para seu pai aparecer assustado. — Karina, é você? — Perguntou estreitando os olhos no escuro. Ao ouvir a voz do pai, Karina começou a chorar mais e mais. — Pai — Foi a única coisa que saiu de sua boca. Ao ouvir a voz suplicante e chorosa da filha, Gael se aproximou a passos rápidos. — O que aconteceu? — Perguntou abraçando-a — Onde você estava? Karina engoliu em seco ao ouvir as perguntas do pai. Tentou conter as lágrimas e estabilizar a respiração. Alguns segundos demoraram até que ela conseguisse falar. — Eu... — Respirou fundo — Eu não conseguia dormir, então sai pra tomar um ar. Gael se sentou no sofá, junto à filha. — Você ainda não me disse o motivo de estar chorando — Disse o pai. No mesmo instante, Karina percebeu que não podia perder mais pessoas em sua vida. Gael era SIM seu pai, que a amava e amaria por toda a eternidade e não importava o quanto as pessoas dissessem o contrário, essa era a única verdade. — Pai, eu não quero perder você também — Disse Karina abraçando-o forte — Me desculpa por duvidar de você. Algumas lágrimas ameaçaram sair dos olhos do pai, ao ouvir aquilo. — Filha, você não sabe o quanto estou feliz em ouvir isso — Disse Gael, abraçando-a mais forte do que pudesse aguentar. Assim permaneceram, até que Karina adormecesse.
[...]
No dia seguinte, Karina acordou cedo, foi direto para a academia e treinou até suas pernas não a sustentarem mais. Os alunos foram chegando aos poucos, junto deles veio Duca. O rapaz se aproximou de Karina, receoso. — Oi K. Você ainda está brava comigo? — Perguntou observando-a tirar as faixas das mãos. A garota o olhou de soslaio e continuou retirando seu equipamento. — No começo eu estava. Poxa Duca, Você escondeu tudo de mim — Karina o encarou — Mas depois eu me coloquei no seu lugar e cheguei a conclusão de que... Eu faria a mesma coisa se estivesse na sua posição. Duca sorriu com a resposta da amiga. — Sendo assim, Me da um abraço — Disse o lutador. Karina sorriu e o abraçou. No banho, Karina ouviu um barulho e se assustou. enrolou uma toalha no corpo, e saiu do chuveiro. Pedro estava parado, em frente à porta. Karina se enfureceu na mesma hora. — O que você ta fazendo aqui? Ta querendo morrer, moleque? — Disse se aproximando. Pedro se afastou alguns passos da garota, visivelmente amedrontado. — Esquentadinha, eu preciso falar com você — Respirou fundo — Me explicar. Karina soltou uma risada irônica. — Eu não preciso das suas explicações — Gritou. O garoto tentou se aproximar de sua amada, porém a cada passo que ele dava para frente, eram dois que ela dava para trás. — Vai embora daqui — Vociferou Karina — Ou você vai se arrepender. Pedro tentou permanecer ali, mas sua covardia o venceu, fazendo-o ir embora. Karina jurou para si mesma, que essas eram as últimas lágrimas que ela derramava por causa do ex. A garota se vestiu e foi rumo à escola. Ao sair da academia, Karina passou reto pelo QG, ainda amedrontada pela noite anterior. — K? — Chamou Cobra. A lutadora fingiu não ouvir ao chamado e apurou o passo. Contudo, Cobra a alcançou e encostando em seu ombro, falou: — Karina, me desculpa. — Não encosta em mim — Disse Karina, se afastando. No mesmo instante o Rapaz recolheu a mão. — K... — Para de me seguir antes que eu grite — interrompeu a garota, suando frio. Ao dizer isso, Karina começou a andar mais rápido, deixando Cobra para trás.
O rapaz entrou no QG, chateado. "E pensar que tudo isso foi por culpa da Jade". Cobra se sentou em uma cadeira e começou a recordar do primeiro beijo que deu na menina.
Flash back on: Cobra estava mexendo no computador, quando Jade apareceu no QG. O rapaz ficou animado na hora. — Fala, dama — disse ficando em pé — O que te trás ao meu humilde estabelecimento? Se aproximando do caixa, a garota sorriu. — Eu preciso de uma água, AGORA! — Disse com a mão na testa. Desapontado, Cobra seguiu até a geladeira e pegou uma água. Deu à menina, que no momento seguinte já estava saciando a cede. — Nossa, que água maravilhosa — Disse Jade, sentindo-se renovada. Cobra se aproximou da garota e com sorriso estampado em seu rosto, perguntou:
– Posso provar? — Claro — Disse ela, estendendo-lhe a garrafa.. — Não, não — Disse o moreno tirando a garrafa de sua mão e a colocando em cima do balcão — Eu quero experimentar direto da sua boca. Cobra simplesmente a beijou. Beijo esse, correspondido. Flash back off.
As lembranças ainda estavam frescas em sua memória, mas por mais que Cobra ainda gostasse de Jade, algo dizia para ele que não teria mais volta. — Cobra, você ta ai? — Perguntou Thawik, fazendo-o voltar a realidade. — Fala Thawik — Cobra se levanta. — Agora é o meu turno — Disse se aproximando do caixa. Cobra se anima com a notícia. — Que bom, eu to precisando de um ar — Falou saindo do local — Tchau. Cobra estava decepcionado consigo mesmo, por falhar novamente com Karina. Ela era uma das únicas pessoas que confiava nele, não o achava marginal. O rapaz sentou-se em um banco, Na praça de frente com o QG e deixou que suas lembranças por Karina tomassem conta de sua mente.
Flash back on: Cobra havia sofrido um pequeno acidente de moto. Estava no chão, com alguns hematomas. Karina o viu e correu para ajuda-lo. — Cobra, você ta bem? — Perguntou a garota, assustada. O rapaz se levantou com a ajuda da menina. Algumas pessoas estavam observando, mas nenhuma o ajudou, a não ser Karina. — To bem sim, não precisa me ajudar — Disse tirando os braços de Karina. No mesmo instante, o rapaz caiu no chão. — Olha isso Cobra, deixa esse orgulho de lado e apoia em mim — Disse a lutadora. Pela primeira vez, Cobra obedeceu a menina, pois sabia que suas condições não eram das melhores. Dentro do QG, a menina o ajudou com os ferimentos.
– Eu realmente não acredito que isso ta acontecendo comigo — Disse o moreno, rindo. — Pois é, mas aconteceu — Karina terminou mais um curativo. — Obrigado, de verdade — Disse Cobra, grato. Karina soltou uma risada. — Para de boiolisse, Cobra — Disse rindo. Flash back off.
Karina estava no ônibus, a caminho de casa. Tudo estava difícil para ela, pois muitas coisas a lembravam do ex. O ônibus, por exemplo, é o mesmo pelo qual os dois voltavam juntos, todo dia. Percebendo que as lembranças estavam voltando, a menina aumentou o volume de sua música. O problema de tudo que estava acontecendo, não era a traição ou a dor. Era porque mesmo com tudo isso acontecendo, ela ainda o amava e isso a impedia de esquece-lo.
Flash back on. Karina saiu furiosa do restaurante, estava voltando para casa quando Pedro a puxou. — Me solta moleque, antes que eu te bata — Disse tentando sair dali. — Você pode até me bater, mas antes vai ter que me ouvir — Disse Pedro, decidido. Karina cruzou os braços, furiosa. — Fala logo — Disse batendo o pé. — Por que você saiu daquele jeito do restaurante? — Perguntou o músico. A garota bufou ao ouvir isso. — Você acha que eu tenho cara de otária? — disse gesticulando com a mão — Eu já cansei das suas humilhações pra cima de mim. Karina se virou e continuou andando, após falar isso. Contudo, Pedro foi mais rápido e a puxou para um beijo. Flash back off.
As lágrimas que estavam ameaçando sair, logo foram reprimidas. Karina estava decidida a cumprir com seu juramento. O ônibus estava se aproximando de sua casa, então a menina apertou a campainha e esperou em frente à porta. Karina desceu do ônibus e começou a andas devagar. Estava passando em frente ao Aquazen, quando foi puxada para dentro do mesmo. Era Cobra. — Me solta — Disse Karina se debatendo. Cobra a soltou, porém quando ela foi correr, ele a segurou novamente. — Me escuta Karina — Disse o rapaz — Depois você pode correr o quanto você quiser. A garota parou de se debater e olhou nos olhos de Cobra. Isso o desconcertou, sempre o desconcertava. Dois profundos oceanos o observando. — K... — Gaguejou o lutador — Eu sei que passei dos limites com você, ontem. Queria que você me perdoasse. Karina se soltou de Cobra e o empurrou contra uma parede. — Jura que você passou dos limites comigo? — Gritou irônica — O que você fez não tem perdão. Não gosto nem de pensar, no que teria acontecido se eu não tivesse fugido. Cobra abaixou a cabeça, envergonhado e decepcionado consigo mesmo. — Olha — O moreno se aproximou devagar — Eu não espero que você volte a falar comigo, mas por favor, me perdoa. A menina sentiu sinceridade em seu olhar e em sua voz. Karina ficou em silêncio por algum tempo, olhou-o nos olhos novamente e disse: — Ta bom, eu te perdoo. Tomado pela felicidade, Cobra sentiu alívio. — Valeu K — Disse o rapaz, enchendo a amiga de beijos. Karina estava confusa, nunca vira seu amigo ser tão carinhoso. Cobra parou de dar beijos nela e a encarou. Formou-se um silêncio que só foi desfeito quando o rapaz a beijou.
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