Já se passava das três da manhã, a rua estava completamente deserta e não se ouvia mais barulho algum vindo das casas próximas. Dentro da tão planejada casa de Bruno o único barulho soando era o tic tac incansável do relógio, o qual as batidas já eram iguais ao ritmo do coração de seu dono, que olhava fixo para o tapete verde da sala de estar, o felpudo tapete que sua mãe lhe dera para decorar sua casa nova, o lugar do menino grande como ela dizia para Bruno desde que ele resolvera morar sozinho.

Bruno tentava inutilmente repassar em sua cabeça as memórias com sua mãe ou com qualquer outra pessoa, mas tudo o que ele tinha na cabeça, tudo que lhe cabia na mente, tudo que preenchia de forma sufocante, cada pequeno espaço dos seus pensamentos era um nome, um único nome que lhe tirava o fôlego, um nome cheio de significado e emoção, o nome de tudo que desejava, de tudo que duvidava. Um nome. O nome. Ana.

Ana, a mulher com quem nunca sonhara, a mulher a qual nunca tinha idealizado.

Ana não era a mulher que Bruno tinha planejado, ela definitivamente não fazia parte do Plano, ela não tinha os pré-requisitos para dar certo, para agregar valor ao Plano, fazer ele acontecer, ela não se encaixava nas etapas, datas e ocasiões que consistia o Plano, mas talvez pudesse haver um Plano B, ou talvez, ele pudesse fazer parte do plano de Ana, mas o problema é que Ana não tinha um plano. Ele a havia perdido.

Não havia mais plano de ambos, não havia um mapa, um guia, um sentido, um ponto de partida ou retorno. Não tinha mais como voltar atrás e ninguém sabia como ir para frente. Bruno nem ao menos sabia como respirar, se ele conseguisse pensar agradeceria pelo ato de respirar ser involuntário, sem necessidade de raciocínio lógico. Lógico. Ele sempre foi lógico, lógica era a única coisa inquestionável na vida de Bruno, lógica, um axioma. Porém, não mais, não depois de ...

— Ana! — Bruno falou baixo, mas cheio de esperança ao ver a porta da casa se abrir.