Bela Morta
28 Capítulo 27
Bruno e Ana faltaram o trabalho naquele dia, ambos se sentiam cansados, Ana nunca havia faltado um dia de trabalho sequer desde que começara sua carreira na Leictreonach Corporation, um telefonema para seu supervisor e pronto, ela tinha o dia de folga. Não se negava esse tipo de coisa a funcionários exemplares como ela, isso em empresas com gestão de pessoal inteligente como a Leictreonach Corporation.
Bruno até o final do dia teria um atestado médico, que justificaria sua ausência, afinal, ele havia caído de um telhado, Ana estava bem consciente disso e resolveu cuidar dele. Ela parecia tímida a maior parte do tempo, porém seus olhos confusos demonstravam algumas das emoções que atualmente dançavam em sua mente.
Durante a tarde, Bruno ligou rapidamente para uma das clínicas do seu plano de saúde e pediu um encaixe para que o médico pudesse dar uma receita com alguns analgésicos. A ligação foi breve e assim que Ana voltou do banheiro, Bruno já desligava o telefone.
Mesmo sem perceber, Ana já estava se tornando íntima da casa. E Bruno muito conscientemente sentia seu coração encher de prazer toda vez que Ana entrava em seu campo de visão vestida com suas roupas.
— Será que minhas roupas já estão lavadas? – questionou se referindo as peças que Bruno havia colocado em sua máquina de lavar.
— Acho que sim. Mas você já vai trocar de roupa? – ele parecia bem decepcionado com a ideia.
— Não, elas vão precisar secar primeiro.
— Claro, eu tinha me esquecido de estender a roupa. – respondeu agradecido por não ter uma secadora em casa.
— Não! Você está muito machucado, deixa que eu estendo. – determinou já caminhando para área de serviço.
Bruno a seguiu. Ele sentia seu corpo reclamar e os arranhões ardiam, o analgésico que estava tomando já tinha acabado o efeito, porém ainda não estava na hora de tomar mais um comprimido.
Ana estava consciente da presença de Bruno logo atrás dela, e mesmo não concordando com seus esforços de levantar e ir estender roupas com ela, não o impediu, gostava de sua presença, de seu calor, de seu sorriso, dos olhos intensos e que por vezes se perdiam em uma explosão de pensamentos, gostava de sua altura que permitia que ele parecesse pairar sobre ela toda vez que estavam perto.
Ana definitivamente gostava de Bruno e de tudo nele. Ela só ainda não entendia como esse gostar funcionava e como ela poderia demonstrar isso a ele.
— Você pode ficar aqui comigo, mas não vai estender roupa. – alertou enquanto abria a máquina de lavar.
— Não tem problema eu te ajudar.
— Bruno, eu faço todas as suas vontades, está na hora de você começar a fazer as minhas.
Da onde tinha vindo aquilo? Era óbvio que Bruno conseguia fazer Ana concordar com tudo que ele queria, já que ela não discutia e ele sempre tinha argumentos racionais ou no mínimo muito convincentes. O que ninguém sabia era que Ana tinha consciência disso e com suas novas emoções ela resolveu se impor, deixando surgir algo que não lidava fazia tempo, suas vontades e seu temperamento decidido.
Antes de toda a tragédia acontecer, Ana sempre fora tímida, carinhosa e reservada, isso Bruno já tinha descoberto. Contudo, Ana também era firme, decidida e sempre sabia o queria, isso só mudava em relação ao seu pai, pois era somente a ele que suas vontades se moldavam, de resto era ela que geria sua vida e fazia suas vontades valer.
Bruno ficou um tanto chocado com a afirmação de Ana, ele não esperava isso, pelo menos não agora, não tão cedo. Porém, logo um sorriso se formou no rosto de Bruno e ele se sentiu imensamente feliz com o novo comportamento de Ana.
— Você que manda. – respondeu encostando na parede, esperando que ela fizesse o serviço.
O momento era silencioso, a única coisa que se escutava eram os barulhos externos da rua, mas Bruno estava completamente alheio a esses sons, a única coisa que parecia existir para ele naquele momento era Ana e seus movimentos. O rapaz observava cada gesto da bela moça a sua frente, ele memorizava cuidadosamente a forma como sua blusa subia pelo corpo de Ana toda vez que ela se esticava para colocar o pregador segurando a roupa.
— Pronto. – Ana informou fechando a tampa da máquina.
— Obrigado. – respondeu com os olhos cheios de admiração, enquanto se desgrudava da parede e se aproximava dela.
— Por que você sempre tem que me olhar assim? – Ana não se incomodava com o olhar de Bruno, mas aquele olhar agitava suas emoções e ela ainda não sabia lidar com aquilo.
— Porque você é perfeita.
Assim que a frase chegou ao fim Bruno a beijou. As mãos café com leite emolduravam o rosto pálido, ao mesmo tempo em que seus corpos se aproximavam em conjunto. As investidas de Bruno já não eram sem resposta, Ana o abraçou pela cintura se deixando levar, sentindo todo seu calor e apertando mais os braços ao redor da cintura delgada a medida que o beijo deixava de ser um delicado roçar de lábios, para se tornar algo mais intenso e profundo. Não havia malícia ou segundas intenções, apenas um carinho profundo que precisava ser expresso com afinco.
Bruno desfez o beijo descansando sua testa sobre a de Ana e mais um pequeno milagre aconteceu naquele dia, Ana o beijou. Com as mãos apoiadas nas costas de Bruno, ela o puxou para si e o beijou, com carinho e vontade, algumas emoções já estava ficando íntimas de Ana.
— Seja minha namorada. — pediu em um tom suplicante.
— Eu já sou.
De noite as roupas de Ana já estavam secas e antes de voltar para sua casa, ela acompanhou Bruno até o médico. Eles já agiam feito um perfeito casal e isso se seguiu pelos próximos dias que vieram.
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