Bela Morta

21 Capítulo 20


Bruno estava diante do computador, sentado diante da mesa de jantar que era constantemente visitada por Dona Omara e seus protestos, porém ele não conseguia perceber a presença de sua mãe. Havia uma missão importante ali e Bruno faria de tudo para cumpri-la.

A primeira coisa buscada foi a melhor rota para chegar a Pinheiral, porém após a chegada a cidade, Bruno precisaria de mais informações, apesar de não ser muito grande e possuir uma grande área verde, ainda era uma cidade inteira para vasculhar, ele precisava de um recorte menor para buscar.

O velho truque de dar uma investigada na pessoa pela internet teria que funcionar, lembrando que em um dos novos arquivos do seu projeto de trabalho, constava o nome todo de Ana, Bruno acessou seu e-mail e achou o arquivo copiando o nome da amada, abrindo em seguida uma nova aba no navegador, buscou pelo nome todo de Ana mais o nome de sua cidade de origem, em milésimos um novo mundo se abriu para o jovem apaixonado.

Informações sobre um grave acidente de carro na Rodovia Benjamin Constant enchiam a tela do computador, o acidente havia sido fatal para todos que estavam no carro atingido pelo caminhão, dois adultos e uma criança. Pela reportagem e os nomes era fácil, entender que se trava dos pais e do irmão mais novo de Ana.

Agora tudo fazia sentido. Perder alguém amado é algo terrível, que dependendo do grau de proximidade pode mudar toda a sua vida, seus sonhos e sua perspectiva sobre a sua existência no universo, agora imagine perder três. Era de se esperar que após a tragédia, ter sentimentos por alguém era algo que Ana podia temer, ou até mesmo se tornar incapaz disso. Juntando os pontos, a compreensão começou a chegar para Bruno, o desconforto de Ana em meios de transporte, não querer falar da família e do passado, ele finalmente conseguia enxergar que existia um motivo para Ana ser assim.

Bruno poderia ter parado toda sua pesquisa e até mesmo abortado sua ideia de ir a Pinheiral, após a nova descoberta. Contudo, ele só havia descoberto a parte desastrosa sobre a vida de Ana, ele queria saber mais, ele precisava entender mais coisas, precisava conhecer o lugar onde Ana vivia com sua família, como era relação deles e como as coisas foram mudando para ela depois daquela tragédia.

Ainda mais determinado do que no começo, Bruno pesquisou mais algumas coisas anotou alguns endereços e informações no bloco de notas do celular, se despediu dos pais, quase sendo amarrado ao pé da mesa pela mãe, entrou em seu carro novo e partiu para Pinheiral sem pensar em mais nada, torcendo para precisar apenas de estabelecimentos que aceitassem cartão de crédito.

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Depois de uma longa estrada, Bruno chegou ao seu destino, mais especificamente ao bairro de Chalet, um lugar de área verde extensa que não ficava muito próximo do centro da cidade. Ele parou o carro ao lado de uma padaria e foi até lá em busca de algumas informações e de algo que aplacasse sua fome.

— Boa tarde! Poderia me ver um café com leite, por favor? — Bruno falou logo que se sentou diante do balcão.

— Já é boa noite, meu filho. E o café com leite é pra já, mas já aviso que já vamos fechar. — um senhor baixinho, de barba branca e cabelos ralos respondeu.

— Obrigado. Prometo não demorar, só preciso de mais uma coisa além do café com leite.

— Um pão na chapa?

— Ah, isso seria ótimo também, mas eu preciso mesmo é de uma informação.

— Se eu souber, posso te ajudar.

— O senhor já ouviu falar de Ana Silvério Fontes? — questionou um pouco ansioso.

— Claro! A Aninha, filha do Fontes. Tava outro dia mesmo me perguntando onde essa menina se meteu. — falou com um tom de intimidade, porém o olhar do senhor tornou-se saudoso e triste.

— Então o senhor a conheceu? Pode me dizer aonde ela morava? — Bruno começou a se empolgar com sua sorte.

— Você tá bem curioso, rapaz! Por que quer saber disso? — perguntou começando a ficar desconfiado.

— Bem... eu conheço a Ana, ela atualmente mora na mesma cidade que eu, trabalhamos no mesmo lugar e digamos que somos... próximos. — respondeu sem saber direito como conduzir aquela situação.

— Próximos? Acho que entendi. — devolveu com um sorrisinho de lado.

— É! Mas mesmo estando bem próximos, ela não consegue se abrir comigo. Recentemente descobri o que aconteceu com os pais dela e o irmão, mas eu preciso saber como ela era antes desse trauma, tentar entender a cabeça dela. — ele tentou ser o mais sincero e sucinto o possível.

— Antes do acidente. Aninha era uma garota muito sorridente, sempre foi meio tímida e calada, mas sempre com um sorriso nos lábios. Lembro que ela vinha toda semana aqui com o pai ou com o namorado. — respondeu acreditando em Bruno.

— Namorado? — não chegava a ser ciúmes, mas ele ficou muito surpreso por Ana já ter tido um namorado.

— É, o José. Mas fica tranquilo, rapaz! O moço já tá casado, eles namoraram quando criança. — respondeu com sorriso tranquilizador.

— Ele ainda mora por aqui? — José poderia ser a chave para o passado de Ana.

— Mora sim e trabalha na borracharia aqui perto, pela hora ele já deve tá indo embora. — informou.

— Então suspende o café e me dá só esse pão mesmo. — falou tirando o dinheiro da carteira apressado.

— Tudo bem. Aqui está. — falou entregando o pão a Bruno e pegando o dinheiro antes do rapaz sair apressado.

Bruno correu até a borracharia que podia ser vista da padaria, sem ligar para as poucas pessoas que haviam na rua que estranharam um homem correndo com um pedaço de pão na boca pela rua. Chegando a borracharia, ele terminou de mastigar e engolir um pedaço de pão e perguntou por José, mas o dono do local disse que ele tinha ido embora há muito tempo. O jovem apaixonado se sentiu temporariamente frustrado, agradeceu o moço que o atendeu e se retirou terminando de comer.

Por um momento Bruno pensou em voltar a padaria, mas o senhor que lhe atendeu havia dito que ia fechar e mesmo acreditando em sua história, provavelmente não se sentiria confortável em dar o endereço de José para ele. Ainda com fome, sede, sentindo-se cansado e sem saber que próximo passo dar, o rapaz viu que tinha uma lanchonete um pouco mais para frente, que parecia que não fecharia agora e resolveu ir até lá.