Bela Morta

15 Capítulo 14


Por mais estranho que pudesse parecer, no dia seguinte Bruno não chegou alegre e leve, mesmo depois de ter abraçado e beijado Ana no dia anterior. Não, ele não tinha desencantado! Bruno só não sabia mais que estratégias usar, ele precisava de mais reações da bela morta, porém não sabia como provocá-las. Ele estava viciado pelas reações humanas de Ana e cada segundo sem elas, fazia o mundo de Bruno se descolorir. Aquilo tudo estava indo para além de uma paixonite.

— Olha só, não está vomitando arco-íris hoje. — Tiago implicou organizando suas coisas para iniciar o trabalho.

— Eu preciso de um plano mais efetivo para fazer Ana reagir.

— Já a convidou para o seu aniversário?

— Ainda não.

— Qual o seu problema? Convida logo!

— Eu vou, hoje no almoço.

— Você vai almoçar com ela, esperto. — elogiou.

— Sabe? Ontem foi um bom dia, nós saímos para tomar sorvete, mas eu não consigo deixar de sentir falta das emoções dela. — confessou frustrado, porém não cogitava a ideia de desistir.

— Cara, você ouviu no sábado. Ana pode ter aquela doença com o nome esquisito, alexmia, sei lá.

— Alexitimia. — corrigiu.

— Isso aí! E pelo que eu entendi isso não se resolve de uma hora para outra.

— Mas nós nem sabemos se ela realmente tem isso.

— Se você quiser desistir da moça eu estou aqui para te apoiar.

— Eu não posso desistir, eu não consigo… Eu estou preso a ela de uma forma que você não entenderia.

— Dá para perceber.

A falta de ânimo e alegria de Bruno fez com que ele conseguisse se focar completamente no trabalho, o que era algo que ele estava precisando, porém ao chegar a hora do almoço sua mente logo foi para outro mundo, também conhecido como Ana.

O simples fato de ver Ana caminhado até a porta do departamento de contabilidade para ir ao restaurante da empresa, fez com que Bruno tivesse seu coração preenchido de uma plena euforia e nervosismo, o mundo voltava a ter cor e a dependência tornava-se inegável.

Não importava quantas vezes Bruno desanimasse, acreditasse que Ana realmente não tinha emoções e nunca teria, no momento em que seus olhos pousavam sobre aquela criatura alva, de olhos mortos, seu coração batia forte e a certeza de que ela era a mulher da sua vida gritava mais alto.

— Vim te buscar para almoçar. — informou sorrindo assim que Ana se aproximou.

— Ok, vamos. — respondeu monótona caminhado próxima ao rapaz.

— Tenho um outro convite para você. — informou voltando a ser o Bruno empolgado.

— Você gosta muito de convites.

— Realmente, e esse é muito especial.

— O que é?

— Eu quero que você vá ao meu aniversário. — ele poderia fazer o mesmo suspense do dia anterior, mas estava muito ansioso para isso.

— Aniversário… vai ser a noite? — ela ponderou por um momento.

— Vai. — respondeu apreensivo.

— Eu não saio a noite. — na verdade ela não saia.

— Por favor, meu aniversário não vai ser completo sem você.

— Tudo bem, eu vou. — e a esperança voltava a vida de Bruno.

Ana faria mais um esforço por ele, mesmo que Bruno não tivesse a completa noção disso, ela aceitar ir ao seu aniversário, mesmo sendo algo incomum a sua rotina esquisita, era o bastante para fazê-lo voltar a ter esperanças em um relacionamento com Ana.