Notas iniciais
Primeira missão do Muramasa.

É passado dois anos desde aquela ventura na floresta, estava ansioso naquela manhã ensolarada, pois em poucas horas me encontraria em minha primeira missão a favor do clã, eu já havia aprendido o básico em artes ninjas, cabia a mim aprimorar meu ninjutsu e minhas destrezas em missões instruídas pelo líder Yon, finalmente é chegada a hora de por em campo de batalha o que fui capaz de aprender em simulações, em meus árduos treinos no clã dos ninjas, estava deitado e acordado a horas esperando aquele momento, levantei-me da cama e vesti meu uniforme tradicional de shinobi que sempre uso em treinos e inclusive o mesmo que foi usado outrora na floresta em meu primeiro evento ao lado de Kaito, o ninja burlesco, peguei também alguns simples e básicos acessórios como kunais e shurikens e apesar de já ser um perito em katanas decidi levar comigo as garras tradicionais dos ninjas e também um arco ao invés de espadas, logo fui as pressas com desejo de chegar ao local para encontrar-me com o meu instrutor e os companheiros que me ajudariam naquela missão, por sinal nem sabia quem eram, apenas sabia que deveria vê-los na floresta das ilusões.


Chegando ao campo designado, nos arredores da vila havia uma linda floresta munida de grandes arvores que interceptavam parcialmente os raios estonteantes do sol formando pequenos e lindos feixes luminosos que pouco tocavam o solo, com uma grama verde farta de vida e uma brisa leve e gostosa de sentir ao se colidir com a mesma, os pássaros a cantar em harmonia encantavam quem estivesse acerca, também notei alguns animais quadrupedes a ter gozo de um renque de águas cristalinas que refletiam de forma deslumbrante a luz solar, a famosa floresta das ilusões, após uma pequena jornada havia encontrado três figuras ao qual formaria um grupo mais tarde, para minha surpresa, haviam reunidos ali, vários ninjas novatos como eu sendo liderados por Kaito, este havia se tornado um líder e estava guiando os ninjas dali, também notei um grupo de guerreiros denominado Soldier, um poderoso grupo da vila do clã dos ninjas, logo formei um grupo de três com Amy e Lune, tínhamos como líder o Kairy, outro novato, porem diferente de nós este era uma dadiva, mas nunca fui bem com a cara de tal, e assim desembarquei em minha primeira missão e confesso que estava um tanto nervoso.

Apesar de todos os ninjas e guerreiros do clã estarem peregrinando juntos pela floresta das ilusões a procura de indícios que revelassem o paradeiro atual das entidades malévolas, alguns de nós ninjas e também guerreiros formávamos pequenos grupos sendo cada um de uma especialidade diferente, alguns de cura, alguns do tipo
rastreador, alguns de combatentes, enfim. Meu instrutor Kairy havia me informado tudo respeito da missão, estávamos a fins de aniquilar qualquer monstro dali para que a vila não corresse perigo de ser surpreendida futuramente, todos nós notamos um sinal de um jovem guerreiro da Soldier que havia encontrado várias pegadas próximo de onde estávamos, também fiz uma breve analise destas pegadas estranhas, mas nem todas eram semelhantes e se dividiam pelas variedades de caminhos, pois o mesmo havia se tornado múltiplo naquele ponto da floresta, depois de uma conferencia organizada em prol de decidirmos o que fazer, nos separamos por grupos em que cada um deveria ir por um lugar designado pelo líder do mesmo, Lune, Amy e eu, logo seguimos uma das veredas de acordo com a supervisão de Kairy enquanto os outros foram por outros caminhos de rastos, seguimos uma trilha de pequenas pegadas, o estranho era que elas eram muito separadas umas das outras, e pelo tamanho e profundidade o dono delas deveria ser muito pequeno e leve, sendo Kairy o nosso líder caminhava a nossa frente como sempre fechado a diálogos, não portava expressões no rosto, usava o uniforme tradicional do clã sendo constituído por simples e leves vestes, este carregava uma katana, assim como Lune e Amy que também usavam as vestes de costume do clã dos ninjas, para nossa desgraça as pegadas simplesmente haviam acabado defronte uma arvore gigante e cheia de vida, ‘’O que faremos agora? Senhor líder’’, falei com certo desprezo, odiava aquele cara, ‘’Ficaremos aqui por enquanto, mantenham-se atentos, principalmente você... Muramasa’’, disse me olhando nos olhos, também com certo desprezo, fiquei furioso, por que principalmente eu? Eu não era o leigo do clã.


Estávamos na guarda já fazia um bom tempo, ‘’Nossa, que tédio’’, falava baixinho suspirando profundamente em meio ao tempo que aquela preguiça atenuante me consumia, olhei para o lado e vi Kairy como sempre sério ali sentado e encostado na grande arvore como eu e os outros dois membros de nosso grupo, no entanto Lune e a jovem Amy haviam dormido, em breve eu também acabaria em sono profundo, pois já não aguentava toda aquela chatice, meus olhos aos poucos começaram a fechar lentamente, estava adormecendo... Adormecendo... Adormeci. ‘’Despertei!’’, subitamente acordo, que horas são? Essa não, quanto tempo fiquei ali adormecido? Eu deveria estar mais apto para situações como aquela, fiquei decepcionado comigo mesmo, nesse ponto eu perdi feio para o meu rival Kairy, mas... No meu interior eu sabia que grandes eram as nossas diferenças, Kairy é bem mais hábil do que eu, e em momentos raros eu admitia aquilo. Ao acordar deparo-me com meus três companheiros sentados ao redor de uma rocha próximo dali, o que será que eles estavam fazendo? Logo me levanto e me dirijo para lá, queria me indagar, sentei-me ao lado deles e para minha surpresa, eles estavam conversando com um pequenino ser.

– O que é isso?

Perguntei para Kairy apontando o dedo indicador de minha destra para aquela pessoa pequenina, seria um brinquedo? Ou seria um demônio disfarçado? Analisava para descobrir.

– Não é o que é isso, mas sim quem é essa!

Respondeu aquele ser pequenino, parecia brava, notei que esta apertara os punhos.

– Tenha mais respeito pela Feeh, Muramasa.

Responde Kairy como sempre chato aos meus olhos, aquele feitio sério me dava muita raiva.

– Então essa bonequinha fala? O mundo esta mesmo ficando moderno.

Respondi um tanto impressionado, como poderia um brinquedo falar? Coçava a cabeça confuso, tentava entender.

– Ela é tão fofinha, podemos ficar com ela? Diz que sim Kairy, diz que sim por favor, diz que sim.

Bradava a jovem Amy com tom esfuziante, parecia bem animada, e Lune que apenas nos escutava fitando a pequena pessoa logo falou:

– Hum... A julgar pela a aparência e tamanho eu presumo que você seja uma fada da floresta, estou certo?

– Isso mesmo! Sou uma fada da floresta, não sou um objeto, não sou um brinquedo, nem tampouco cãozinho de estimação, sou uma fada ouviram ? Uma fada!

Exclamava aquele ser que tinha pouco mais que vinte centímetros e de aparência tinha longos lindos cabelos de tonalidade branca, munidos de grandes madeixas que dançavam com a massa de ar, no mesmo poderia ser notado um pequeno broche no formato de borboleta, esta usava uma linda roupa com singularidades a parte, resumia-se em um grande vestido com mangas longas e um sobretudo pormenorizado, verde em tom escuro que entrava em contraste com outras partes de um tom verde mais claro, também usava duas botas, mais era um tanto estranho, pois a direita não era totalmente igual a esquerda, esta portava grandes asas em relação ao seu tamanho minúsculo, estas mais pareciam folhas de arvores, pelo seu aspecto poderia ser deduzido que tratava-se de uma criança devido a aparência e candura da mesma.

Logo nosso grupo começara a ouvir passos que surgiam por detrás das arvores, alguém se aproximava correndo, seria um demônio? Levantamos e mantivemos total atenção para evitar ataques inesperados. Uma jovem garota misteriosa veio à tona para nossa surpresa, ela corria em nossa direção aparentemente para nos atacar, suas vestes eram de tom verde como o da fada, suas grandes mangas escondiam as palmas de suas mãos e sua calça tinha um dos lados menor revelando outra calça estranha, seus sapatos para nós eram únicos pois nunca tínhamos visto iguais, usava uma jaqueta por cima de uma espessa camisa de cor preta, a única peça de roupa que não tinha tom esverdeado, seus cabelos sendo curtos e castanhos combinavam perfeitamente com seus olhos, ela logo parou defronte de nós, parecia ofegante, uma lamina surgira descendo rapidamente quase a tocar o solo, vindo de sua manga direita, nos olhando com bravura logo falou:

– Demônios malditos, não deixarei quem levem a nee-chan, vou manda-los de volta ao lugar de onde nunca deveriam ter saído!

Exclama a jovem cujo nome ainda era um mistério, apontando a lamina em nossa direção.

– Demônios? Em qual aspecto ?

Disse Kairy, e Feeh ainda em pé sobre a rocha logo levantou voo para impedir um possível conflito, ficou entre o grupo e a jovem, logo falou olhando para a misteriosa e disse:

– Não ne-chan! Eles não são demônios! São amigos.

– Amigos? Bem... Nesse caso... Desculpem-me, é que nessa floresta não vemos muitos humanos, e também demônios que vem aqui são muito parecidos com pessoas. Chamo-me Alicia, sou amiga da Feeh, nós moramos nesta floresta, vocês já devem conhecer a Feeh, somos inseparáveis, e vocês quem são?

Disse a jovem cujo nome Alicia sorrindo desleixadamente enquanto coçava a cabeça com a mão esquerda, parecia um tanto envergonhada, o tom de pele levemente corado em sua face revelava isso.

Depois de um tempo de apresentações e conversações eu estava começando a achar que tinha perdido meu tempo precioso seguindo aquelas pegadas, que por sinal pertenciam a Feeh, eu queria que aquela missão acabasse logo, era uma verdadeira chatice estar ali sem fazer nada, e eu que estava tão feliz com a missão, que decepção, mais logo notei que Kairy parecia preocupado com algo, fitei-o, fechou seus olhos e levantou seu antebraço destro pondo a sua mão em sua testa, estava bastante concentrado, ‘’Fiquem aqui! Eu tenho que fazer uma coisa.’’, inesperadamente ele falou, e logo correu saindo dali. Ficar ali? Pensava e discordava, eu não queria ficar ali esperando que nada acontecesse, quero fazer parte desta missão, afinal foi para isso que fui convocado, então segui Kairy sorrateiramente deixando de lado os outros, logo cheguei à conclusão de que ter seguido tal foi uma boa ideia, levando em consideração que este estando exasperado baixava imensuravelmente sua guarda, ou talvez não, afinal nada excepcional acontecia naquela floresta, logo Kairy se encontrava defronte um grande cristal cintilante de tom rosado que flutuava a alguns metros do chão, Kairy se seguia estranho, estando perspicaz com sua destra a tocar levemente sua testa aparentava estar conversando com alguém em seu interior, logo pude deduzir isso, pois já tinha ouvido falar em tal técnica, mais não tinha certeza, pois para mim tal destreza era surreal ate mesmo para ninjas, Kairy tocou sua mão no cristal brilhante e inesperadamente o brilho ficou mais enlevado me obrigando a fechar os olhos, a ultima coisa que fui capaz de notar foi um grande pilar luminoso se formar rente o meu companheiro Kairy, logo o brilho desvaneceu e ao abrir os olhos Kairy já não estava ali. ‘’Que?!’’, o que está havendo aqui? Perguntava-me, não estava entendendo mais nada, para onde o Kairy foi afinal? O cristal o absorveu? Eu heim, procurei-me aproximar mais para averiguar, analisava cuidadosamente o cristal, toquei-o, nada aconteceu, toquei-o novamente, nada, disferi alguns golpes no mesmo, seria falha técnica? Pois geralmente as pessoas resolvem os problemas a respeito de mal funcionamento
exprimindo seus sentimentos por meio de pancadas, era o que estava fazendo, entretanto, aquela fora a ultima vez, uma densa neblina escura logo veio a tona surgindo do cristal, e ao
planar no ar dava origem a uma criatura, pelas suas vestes, fisionomia e aspecto animalesco poderia ser deduzido que tratava-se de um dos malditos que atacavam a vila do clã dos ninjas, ele usava um quimono longo com figuras gravadas nele e também uma katana que por sinal estava estendida para minha direção, sua expressão era ameaçadora, logo estando eu com
minhas garras tradicionais dos ninjas mantive-me em guarda, finalmente algo aconteceu rompendo aquele desalento atenuante e monótono, rodeávamos aquele cenário encarando um ao outro na expectativa de uma iniciativa de ataque, ao contrário de muitos novatos eu era um tanto experiente em situações como aquela, apesar de ser minha primeira missão.

Notas finais
Próximo capítulo de Belígeros Celestes será... A luta de Muramasa contra o demônio malévolo. :D