Being A Happy Family

43 Cap.42|2010|Lima,Ohio| I Don't want to say goodbye


A latina andou pelos corredores com a cabeça erguida e uma mão na cintura, sua saia balançando de um lado para outro enquanto todos os alunos se viravam e apontavam para ela, não esperavam que fosse voltar tão cedo, afinal, especulações de alunos são maldosas, principalmente se são baseadas em algum evento com os populares. Os palpites entre os nerds e losers iam de AIDS a câncer, claro que Quinn e Charlie faziam questão de dissipar quaisquer rumores, mas quase sempre, eles prevaleciam.

– Fala sério que depois do trabalho todo que eu tive com você esse final de semana você já ta com essa roupa de novo? — Charlie apareceu por trás cobrindo seus ombros com uma jaqueta de couro onde a morena sentiu o perfume da loira e sorriu. — vai ficar doente de novo.

– Me sinto muito melhor agora, não se preocupe – Santana respondeu, apertando a jaqueta contra seu corpo levemente, Charlie apenas sorriu levemente enquanto cruzava os braços.

–Eu tenho que me preocupar, você é minha melhor amiga – Charlie respondeu e Santana apenas engoliu em seco com o termo “amiga”.

– Não se preocupe tanto, eu sou grandinha... — a morena acariciou o braço da loira devagar e sorriu de lado, aquele sorriso filho da puta que sugava todo o ar dos pulmões de Charlie.

– Santana?! Ah! Graças a deus você agasalhou ela! — Brittany chegou rapidamente onde as duas estavam abrindo seu armário bem rápido e jogando uma pilha de coisas de gato dentro, as duas franziram o cenho, mas decidiram nem perguntar.

– Cadê a Quinn? — Santana perguntou, franzindo o cenho para Charlie, que apenas deu de ombros.

Enquanto isso no estacionamento da escola...

– ... E aqui é a lista dos 15 DVDs preferidos dela, o 15 é o cor de rosa porque não tem o nome na capa, ela dorme melhor com o cobertor de cordeirinho que era da Charlie e se você cantar "Dona Aranha" ela dorme melhor, aqui estão os números da pediatra, da secretária da escola, do trabalho da mamãe, da psicóloga de bebês, da Charlie, da Santana e da treinadora Sue caso precise... — Quinn despejava as informações em cima da irmã mais velha que a olhava assustada segurando a sobrinha.

–Quinn! – Frannie interrompeu – Fica calma, você só vai ficar longe dela por cinco horas e não pelo resto da sua vida – Disse revirava os olhos e olhava para a garotinha em seus braços que tinha o dedo na boca – relaxa. – completou olhando para a mais nova que respirou fundo.

– Ok – Quinn disse e deu um beijo na testa de Beth – é serio, qualquer coisa é só...

–Quinn! Eu posso cuidar da minha sobrinha – A Mais velha a interrompeu novamente.

– Desculpa, eu só... — Quinn tentou começar, mas a outra garota a cortou.

– Se preocupa? — tentou e a irmã mais nova assentiu fracamente.

– Eu quase fiquei sem ela, Fran... E acredite, essa menina tem pulmões de aço, você vai precisar de tudo o que eu to te dizendo. — a mais baixa disse com cara de dona da razão.

– Qualquer coisa eu te ligo, Quinnie, a baby Beth vai ficar bem... — Frannie a tranquilizou.

– Tá, mas lembra do que eu te disse sobre os bichinhos, o dinossauro verde...

– É pra tomar banho, o roxo ela gosta de deixar perto quando come, ela tem medo da boneca do vestido vermelho, não a boneca do cabelo vermelho, a do vestido vermelho, quando vai dormir, mas gosta de assistir televisão com ela, eu sei de tudo Quinnie, agora vai antes que se atrase para a aula. — Frannie completou, respirando fundo, mas se emocionando um pouco com as neuras da irmã caçula.

– To indo... Tchau meu amor... — ela beijou a cabeça da filha que lhe estendeu as mãos para ir para seu colo o que lhe quebrou o coração e a fez lhe dar outro beijo só que na bochecha. — Tchau Frannie, boa sorte, qualquer coisa, já sabe... — e com isso ela correu para dentro do McKinley deixando a mulher loira sozinha no estacionamento com o bebê louro no colo.

Já nos corredores Puckerman andava por ai com seu ar de Badass comum enquanto procurava certa loira de olhos esverdeados por ai, Encontrou Charlie em frente ao seu armário, colocando alguns livros na mochila.

–Hey – Cumprimentou enquanto cruzava os braços e apoiava seu corpo contra os armários ao lado do de Charlie que apenas arqueou a sobrancelha.

–O Que você quer?

– Só falar com uma das minhas loiras favoritas... — ele afirmou com um sorriso cafajeste.

– Uma das milhares por ai... — zombou a garota, pegando seus cadernos e fechando o armário.

– Char... Nós precisamos conversar... — o menino pediu, tocando o braço da menina.

– Não temos nada para conversar, Noah, aquilo na cozinha foi estúpido, um episódio que deve ser esquecido, então se me der licença, eu quero que me deixe em paz, você é o pai da minha sobrinha, e isso não pode ser certo. — Charlie falou, decidida enquanto andava para longe dele, mas ele apenas a seguiu.

–Pensasse nisso antes de ter enfiado a língua na minha boca! – Puck retrucou enquanto segurava seu braço fazia a garota lhe encarar. – Charlotte...

–é Charlie e eu não enfiei minha língua na sua boca! – a garota retrucou emburrada, Puck apenas sorriu. – agora me solta.

–Não depois de conversarmos como pessoas civilizadas.

–Você sabe o que significa “Civilizadas”? – Charlie perguntou enquanto estreitava os olhos.

–Eu procurei o significado ontem para poder usar agora – O Rapaz confessou e Charlie apenas sorriu levemente.

– Olha... Não importa, ok? Agora não importa mais, você teve um caso com a minha irmã, pelo amor de deus! — a voz da garota subiu um pouco e alguns outros alunos olharam para os dois o que fez com que a loira baixasse o tom. — vocês tem uma filha... E não venha me dizer que... Você não sente nada pela Quinn e nunca sentiu porque eu não acredito, só porque eu sou a gêmea dela, não quer dizer que podem me usar para... Substituir ela ou sei la. — ela gesticulou e deu para ver que seus olhos já tomavam aquele tom meio de azeitona, típico de quando Julie começava a tomar de conta.

– Char... Eu não quero substituir ninguém, de onde você tirou essa ideia? — ele perguntou franzindo o cenho enquanto agarrava no braço da menina para impedi-la de fugir dali.

–Por que é isso que eu sou, o prêmio de consolação de todo mundo – Charlie disse – Eu não sou a primeira opção de ninguém! – adicionou com a voz baixa, tentando parecer calmo, Puck franziu o cenho enquanto olhava para os olhos, agora escuros, de Charlie. – Agora me deixa em paz – pediu de uma forma vulnerável que o rapaz nunca tinha visto.

Depois da conversa, a menina correu para as arquibancadas e se sentou na grama fresca debaixo dos bancos, abraçando os joelhos enquanto as lágrimas escorriam pelos seus olhos, todo o corpo tremia com a força dos soluços que a sacudiam enquanto ela procurava algum lugar para se segurar até que sentiu braços longos e fortes em volta de si, primeiro ela hesitou, mas logo depois agarrou-se a outra pessoa com todas as forças, escondendo o rosto em seu pescoço com força e tentando ao seu máximo se manter respirando, mesmo quando era tão doloroso, foi como se o mundo caísse nas suas costas e ela simplesmente não conseguia respirar, ou falar, ou sentir nada á sua volta a não ser o cheiro doce do perfume da outra pessoa.

Ela sabia muito bem que grande parte daquele desespero repentino era devido á bipolaridade, mas aquilo pouco a importava naquele momento a não ser a dor insuportável em seu peito.

– Char... O que aconteceu? Puck te fez alguma coisa? — a voz de Quinn ecoou em seu ouvido e ela respirou fundo, mas logo desabou ainda mais em lágrimas ao ouvir o nome dele.

–Ele... Ele não fez nada.

–Você chorar assim só me diz o contrário- Quinn respondeu enquanto olhava nos olhos de Charlie, ela sabia que havia algo de errado, ela não chorava assim por nada, Puck tinha que ter feito algo.

–Ele só foi um idiota – Charlie disse enquanto fungava – o normal dele – adicionou.

– Char, dá pra você falar comigo direito? Eu não posso fazer absolutamente nada se não me disser o que aconteceu. — Quinn tentou novamente, acariciando os cabelos da irmã.

– Você quer saber o que aconteceu? — de repente sua postura mudou e ela se virou para a outra garota com a mão na cintura, era típico da bipolaridade aquele comportamento bizarro.

– Quero. — Quinn ergueu uma sobrancelha.

– O que aconteceu, é que eu nunca vou conseguir ser você, eu nunca vou conseguir ser a primeira escolha, nunca. — afirmou, dura, se mexendo para levantar, mas Quinn agarrou seu braço.

–Do que você está falando?– Quinn disse tentando olhar para a irmã que evitava lhe olhar nos olhos – Eu sou a sua irmã, fala comigo – Pediu enquanto sentiu algo apertar dentro do seu peito ao ver a irmã naquele estado e não poder ajudá-la. – Eu quero te ajudar.

– Quer me ajudar? – Charlie disse finalmente a olhando – Então pare me colocar na sua sombra – A Garota puxou seu braço para longe de Quinn que apenas a olhava, confusa.

Charlie correu para o campo e o atravessou o mais rápido possível, sentindo tudo dentro de si doer pelo esforço, mas logo ela correu ainda mais rápido até alcançar a rua, sem se importar com nada, continuou avançando pela calçada, o suor descia pelo seu pescoço e seus pulmões se esforçavam para manter o ritmo, até que ela alcançou a sua casa e entrou em um rompante, ela estava vazia, então a loira parou no meio do hall, bateu a mão em um porta retrato violentamente fazendo-o se quebrar contra a parede e libertar uma foto das gêmeas Fabray se abraçando sorridentes aos quatro anos, se encostou na parede e deslizou até o chão, escondendo o rosto enquanto tentava controlar sua respiração.

Então sentiu algo gelado em sua perna, olhou e era York que farejava a sua pele, ele logo mexeu a cabeça na direção da sala.

– Quer me mostrar alguma coisa? — perguntou Charlie, estranhando o comportamento do porco.

York apenas mexeu a cabeça em direção a sala e saiu correndo, Charlie franziu o cenho e deu de ombros enquanto levantava e seguia o porquinho, ela parou perto do sofá e vira York andar para trás da poltrona da sala, em passos lentos ela o seguiu, rindo levemente de como o porquinho conseguia se comunicar tão bem.

Ao ver o que estava atrás na poltrona, a loira arregalou os olhos, eram vários porquinhos rosados, ela olhou para York que estava deitado ao lado deles, Charlie colocou a mão no bolso de trás de sua calça e tirou seu celular, discou o número e quando escutou a voz, logo disse:

–Santana... Nós somos avós.

Santana nunca fugira da escola tão rápido, ela estava jogando seus livros na mochila quando ouviu alguém a chamar.

– Santana! Santana! — era Quinn, ela se virou para fitar a loira que estava ofegante da corrida. — tem algo sobre a Charlie que eu quero falar com você... — começou, fazendo a latina erguer uma sobrancelha.

– O que tem ela?

–Pra falar a verdade eu não sei – Disse e Santana revirou os olhos – Ela me parecia tão triste e mesmo que eu não goste de admitir, eu sei que você é a única que pode conversar com ela – Quinn respirou fundo e continuou a falar – Acho que eu dei a impressão de que era melhor do que ela, Quando na verdade ela é uma pessoa melhor do que eu – adicionou.

–Isso é verdade – Santana confirmou – Mas vocês duas são boas de um jeito diferente – disse e deu de ombros – eu vou falar com ela – completou enquanto Quinn assentiu e observava a latina sair rapidamente pelos corredores.

– Santana! — chamou a loira uma última vez. — ela disse algo sobre nunca ser a primeira, só pra se ela não quiser abrir o bico de novo.

– O-ok. — de repente, Santana se sentiu muito culpada, ela sabia que aquilo tinha a ver com ela, e simplesmente detestava quando Charlie lhe dizia que era só um prêmio de consolação, enquanto dirigia, a morena pensava no que poderia dizer, e então estacionou na frente da casa dos Fabray e desceu do carro.

Ela andou até a porta da casa e bateu algumas vezes, logo a porta fora aberta e Charlie simplesmente a puxou para dentro da casa e lhe deixou ali enquanto ia para a sala.

–Também estou feliz em te ver – a latina disse enquanto ia até a sala e parou onde estava ao ver Charlie sentada na poltrona com pequenos porquinhos em seu colo – Achei que a parada de “Sermos Avós” era só um motivo para me chamar aqui – disse.

– York é fêmea – Charlie disse enquanto arqueava a sobrancelha – não sabe a diferença entre um macho e uma fêmea Santana! – Charlie disse.

– Quem não sabia era o cara que me vendeu... Eu pedi macho, não acha mesmo que olhei lá embaixo, né? — ela perguntou, se abaixando e colocando um porquinho para mais perto da mãe onde os outros quatro mamavam. — Quinn me disse que você não estava muito bem hoje... — começou, se sentando no sofá e fitando os filhotes que mamavam em York.

–Eu estou bem – Charlie disse enquanto olhava para os porquinhos, mas ela sabia que Santana estava a olhando daquele jeito que só ela fazia, como se fosse conseguir, de um jeito ou de outro, fazer com que ela falasse. – é serio... Acho que meu lado maluco estava falando mais alto hoje...

–E a parada do nunca ser a primeira? – Santana perguntou e Charlie somente suspirou enquanto a olhava.

–E Não é verdade? – A Loira disse – Eu nunca fui a primeira escolha de ninguém, Russell sempre me afastou, eu não era legal como Quinn ou inteligente como a Frannie, eu sou uma bagagem de problemas, eu sou como uma boneca velha deixada de lado no armário e...

– E Eu te amo – Santana interrompeu e loira a olhou nos olhos enquanto sentia aquela velha conexão entre ambas retornar.

– Por que eu sou seu estepe então? — perguntou, determinada.

– Você acha que é meu estepe, Char? — perguntou a morena, e Charlie apenas assentiu. — então você não entende nada de carros. Porque um carro funciona sem seu estepe, Char... E eu não funciono sem você, desde o dia que você sentou ao meu lado naquele armário eu tenho que te ter ao meu lado, eu tenho que sentir que você está bem e segura para poder continuar com a minha vida, então não, você não é meu estepe. — Santana se ajoelhou no chão e parou entre as pernas da menina que estava sentada na poltrona e a olhava com os olhos marejados. — você é aquela pecinha bem pequenininha do motor, que ninguém, nem você mesma imagina que é importante, mas sem você, o motor esquenta, e vai engasgando e parando até que não funciona mais. — Santana encostou sua testa na da loira e respirou fundo enquanto sentia a mesma segurar seus braços e puxa-la para mais perto com os olhos fechados. — porque eu posso tocar em todos dos mais finos tecidos existentes, nunca vai substituir o toque da sua pele, e eu posso sentir os cheiros dos mais deliciosos perfumes existentes, nunca vai substituir sentir seu cheiro... Posso beijar os lábios de todas as pessoas do mundo... Só que isso não adianta de nada, porque eu não te mereço, Char, tem alguém lá fora que vai te amar e te fazer feliz, eu não confio em mim mesma para isso.

Charlie envolveu seus braços ao redor de Santana, a abraçando forte enquanto sentia seus olhos encherem de lágrimas, Ela podia sentir a latina tremendo levemente contra o seu corpo, o coração de ambas doía como nunca antes.

–Eu não quero dizer adeus pra você – Charlie disse enquanto se afastava e a olhava. – e nem que eu quisesse eu poderia – fungou e Santana passou o polegar pela sua bochecha e beijou o local em seguida.

–Talvez não devêssemos ficar juntas – Santana começou a falar – Ou não é o nosso tempo agora – continuou e entrelaçou seus dedos com os de Charlie – Mas eu amo você e você nunca seria um prêmio de consolação, sempre se lembre disso – Completou enquanto a abraçava novamente e sentia-se ficar mais calma com ao sentir o cheiro de Charlie. Tudo estava bem agora.

Notas finais
OLÁ POVO!
Gostaram do capítulo? espero que sim por que deu um trabalho enorme faze-lo u.u' Deixem seus comentários dizendo o mais gostaram.
Spoiler: Teremos mais Faberry. -q
Agora parem de ler isso aqui e vão comentar, NOW!