Being A Happy Family

3 Cap.2 - Aniversário do tio Cody - 1999 - Lima


- Quinnie! Venha falar com a vovó! — Judy chamou, a garotinha de seis anos loira correu até o alpendre da casa dos avós com o maior dos sorrisos, abraçando a senhor de cabelos grisalhos que sorriu e ergueu a pequena no colo.

- Como está grande, Lucy! — sorriu Kirsty, sorrindo para a neta.

- Vovó! — foi a vez de Charlie, que praticamente saltou do carro e correu o gramado até a mulher, abraçando sua cintura, ela colocou Quinn no colo e abraçou as duas meninas.

- Como estão lindas, minhas meninas! — falou, enquanto Russell vinha com as malas para o alpendre. — É tão bom poderem estar todos aqui no aniversário de Cody! Pena que Fran não pôde vir. — ela disse, ficando ereta, Charlie foi para perto de Judy e se escondeu debaixo de seu braço. Cody, irmão mais velho de Judy, estaria fazendo 50 anos naquele domingo, Russell, Judy e as gêmeas vieram de Akron, para onde haviam se mudado no último mês para a festa enquanto Frannie tivera que ficar para o acampamento de sua escola de balé. — Venham me ajudar com os doces! Pode deixar isso aí, Russell, Louis e Harry pegam depois. — Louis era o filho mais velho de Peter, tinha 21 anos e Harry era o enteado de Lois, e tinha 18.

- Oba! Bolo! — gritou Charlie, entrando na casa correndo, fazendo Quinn revirar os olhos, desanimada e logo depois seguir a irmã. Ela estava um pouco irritada aquela manhã, o que fez Judy e Kirsty darem risadinhas, até então, os momentos de mau humor de Quinn (herdados de Russell) eram fofinhos, mal sabiam eles que em menos de dez anos, aqueles momentos se tornariam os maiores temores de toda a sua família, e uma certa baixinha dos olhos cor de chocolate, a única capaz de acalmá-la.

Mas quando Charlie atravessou o hall até a cozinha, a casa lhe parecia vazia e ela ouviu um choro baixinho vindo do armário embaixo da escada, seu pequeno cenho se franziu e ela virou-se levemente para a porta branca, viu lá dentro uma menina, toda encolhida, braços envolvendo os joelhos e os cabelos escuros caindo por sobre os joelhos nus, os ombros se moviam nos espasmos do choro.

- Oi... — chamou, se ajoelhando perto da menina e tocando seu braço que tremia, a menina ergueu os olhos inchados e olhou para a loirinha, Charlie encarou as íris escuras. — Por que está chorando? — a menina não respondeu, apenas escondeu o rosto de novo e voltou a chorar, Charlie se arrastou no chão para mais perto, o lugar que elas estavam não passava de um cubículo de no máximo 3 metros quadrados, tinham vários casacos pendurados em ganchos e um aspirador branco e moderno com o cabo enrolado em um dos ganchos. A doce e ingênua Charlie normalmente teria medo de encontrar um daqueles vilões que ela viu enquanto folheava os gibis do primo Harry, (que também morava em Akron) na escuridão, mas naquele momento, ela estava preocupada, mesmo que nunca tivesse visto aquela menina na vida, ela tinha a pele da cor de madeira de canela, como o beliche que tinha em seu antigo quarto com Quinn, antes que a garota exigisse ter seu próprio quarto e o móvel fosse vendido, ela nunca reclamou, porque já tinha chorado muito escondida por ter que se separar da irmã gêmea, e uma vez, Quinn a achou chorando dentro do armário das duas e a chamou de bebê chorão, aquilo a magoou, porque ela não entendia porque Quinn tinha que ser tão má ás vezes, se ao menos ela soubesse que a irmã quinze minutos mais velha apenas tentava protegê-la de uma mágoa maior, mesmo que Russell tentasse a todo custo esconder sua antipatia das próprias filhas, Quinn já havia percebido que as duas não eram igualmente favorecidas á Frannie, Charlie costumava ser sua favorita, pelo menos das duas, talvez por sua personalidade, incrivelmente apaixonante.

E Quinn tentava mantê-la como a favorita a todo custo, pelo menos em relação a ela, já que o pai praticamente a ignorava, primeiro ela se importava, mesmo que escondido, e chorava para sua mãe ou para Frannie, que já havia chegado a ter discussões calorosas com os pais a respeito da relação do pai com as gêmeas, mas mais ou menos aos cinco anos ela parou de chorar e parou de se importar, decidiu que poderia se virar sem ele, ela era forte o suficiente, já Charlie? Ela era frágil, se magoava fácil, e amava Russell com todas as forças de menina de seis anos, por isso Quinn começou a se dedicar quase integralmente a manter Charlie perto de Russell, e ele vê-la chorando por causa de Quinn destruiria tudo aquilo, além disso, ser rude com Charlie também fazia com que a menina mantivesse a imagem de bebê do papai, mas Charlie não sabia de todos os esforços da gêmea e acabava ficando chateada, na mente de Charlie, ela preferia mil vezes se próxima a Quinn a ser próxima a Russell, mas a gêmea não sabia disso, e só ia chegar a saber anos depois.

- Meu nome é Charlie, Charlie Fabray. — ela disse docemente, estendendo a mão, mas a garota morena nem sequer olhou, e se encolheu ainda mais, a loira respirou fundo e se arrastou pelo chão até estar ao lado da garota morena, lá fora, Quinn estava na cozinha com Kirsty, Judy tinha ido falar com os irmãos e os sobrinhos, Charlie era conhecida por sumir ás vezes em ambientes novos, todos ali sabiam que ela estaria de volta em alguns minutos, quando acabasse de explorar a casa e reparar em tudo interessante. Mas a loira se manteve ali, ao lado da menina por alguns minutos, até que ela começou a se acalmar.

- Santana Lopez. — disse, fungando baixinho e secando as lágrimas que desciam pela bochecha enquanto um soluço.

- Por que estava chorando, Santana Lopez? — perguntou, sorrindo e se inclinando levemente para a garota.

- Mi madre le dio a mi perro, ya que quiere tener otro bebé! — reclamou a morena, Charlie demorou alguns segundos para perceber que ela falara espanhol e quando já ia pedir por tradução, Quinn apareceu na porta do armário.

- Charlotte! Mamãe está te procurando! — reclamou a garota, com as mãos na cintura. — Quem é essa garota?! — Charlie devolveu para ela um olhar reprovador enquanto passava a mão nas costas de Santana para tentar consolá-la, mesmo que não tivesse entendido direito o que ela disse. — Ah, claro, desculpe, sou a irmã gêmea da Charlie, Quinn.

- Sou Santana. — a morena disse, ela já estava mais calma, até sorriu um pouco sem jeito para Quinn.

- Você é a filha da Angélica? — Quinn perguntou, se lembrando de uma mulher morena procurando por Santana no quintal, Santana Lopez era a única filha de Angélica e Dr. Ricardo Lopez, que sempre atendia Kirsty e seu marido Joseph, com o passar dos anos, os Lopez se tornaram amigos da família, por isso foram convidados para as festividades do aniversário de Cody.

- No quiero ver a mi madre ahora. — balbuciou em espanhol, ela sempre falava espanhol quando estava com raiva ou triste, Quinn se ajoelhou ao lado dela.

- Português, por favor, garota chicana. — pediu a loira, fazendo Santana olhá-la atravessado. — Explique o que lhe levou a estar trancada no armário (n/a: sem piadinhas, please) com duas garotas, chorando em plena casa da minha avó?

- Minha mãe quer ter outro bebê. — se explicou, secando as bochechas e olhando as duas, Charlie estava ao seu lado e Quinn na sua frente, ela não sabia, mas muitos momentos de consolo se seguiriam aquele primeiro, mas também momentos de tristeza e muitos momentos de alegria, aquelas meninas loiras estavam em sua vida para ficar. — E por isso ela deu meu cachorrinho... Ela disse que era por causa de mi hermano, mas eu não quero um irmãozinho!

- Eu entendo você, tenho duas e não aguento, vai por mim, é horrível. — Quinn falou, fazendo uma careta.

- Quinnie! — resmungou Charlie, chateada, aquilo fez Santana rir um pouco e as duas se sentiram incrivelmente satisfeitas com isso.

- Talvez devesse falar com ela sobre isso, diga a ela que está triste e que não quer um irmão, quem me dera eu pudesse ter tido a chance! — Quinn resmungava, apenas para irritar Charlie, ela nunca admitia, mas no fundo, no fundo, bem lá no fundo mesmo, ela ficaria triste sem Frannie e Charlie para atormentar, dos Fabray, com certeza Quinn era a mais peralta.

- Quinnie! — resmungou Charlie de volta, e mais uma vez Santana riu.

- Vocês são engraçadas. — afirmou a morena, no momento que uma mulher morena e alta chegava ali.

- Santy! — reclamou, se abaixando e pegando a filha no colo, apertando-a nos braços. — nunca vuelvas a hacer eso! ¿De acuerdo? Nunca!

- Desculpa me, Mamá. — pediu a garotinha, parecendo realmente triste, Angélica beijou sua bochecha e a apertou mais perto, as gêmeas escaparam de fininho para deixar mãe e filha terem seus momentos a sós, Judy sempre lhes dizia que momentos como esses não era para nenhuma delas, a não ser que envolvesse alguma das duas.

As gêmeas viriam a ver Santana Lopez seis meses depois, quando Russell decidia por levar a família para morar em Lima, em um dia fatídico para as quatro, elas se tornariam oficialmente inseparáveis junto com uma loirinha inocente dos olhos azuis metida a bailarina. O destino delas se encontrou ali, naquele armário de vassouras escuro, e nunca mais iria se separar.

Notas finais
espero que tenham gostado, pessoal! :) Ate o próximo capítulo, não esqueçam de comentar :D