Being A Happy Family

10 Cap. 9 - Lima, Ohio - 2006 - Silly Love Songs.


Charlie Fabray nunca foi uma pessoa maliciosa, ela era a mais inocente das três irmãs, sabia muito pouco ou quase nada sobre sexo, mesmo tendo visto uma cena de sexo explícito na sua frente aos nove anos, da Sra. Lopez com o vizinho, mas algo havia mudado nela depois do "quase estupro" na festa de Frannie, não só ela começou a se assustar com qualquer pessoa que a tocasse com um pouco mais de força, mas ela estava com o que resolveu chamar de "síndrome da mocinha salva pelo herói".

Ela estava encantada pela sua salvadora, desde aquela noite, em que Santana não a largou nem por um minuto, passou a pensar na garota 24h por dia, se pegava muitas vezes observando a morena conversar com alguém, a forma como lambia os lábios, colocava uma mecha de cabelo para trás da orelha ou repousava as mãos no colo, aquilo primeiro passou despercebido, Quinn e Brittany atribuíram aquele comportamento estranho com o incidente que ainda estava recente, mas agora, quase dois meses depois, a situação ainda era a mesma, e até Judy começava a perceber que Charlie andava meio aérea, estava sempre sorrindo sozinha, cantarolando e suspirando pela casa, Frannie já se tocara dos sentimentos da loirinha por Santana bem antes, no episódio da menstruação, mas agora, Quinn também começava a assimilar.

E Mike também, aquela paixonite da loira o deixou incrivelmente triste, e ele começou a evitá-la, em qualquer circunstância aquilo teria aborrecido a pequena Charlotte, mas naquele momento não, ela não estava nesse mundo, todos da rodinha de amigos já haviam percebido, menos (por ironia do destino) a própria Santana, que andava meio desligada desde o divórcio de seus pais, Ricardo conseguiu a sua guarda graças á apelação da menina, e eles estavam se ajustando a uma nova casa, que tinha uma casinha na árvore na parte de trás, os Peterson também se mudaram, deixando para trás a cadela, Drizzle, o que foi um terrível ato de crueldade, mas ela amanheceu o dia dormindo no alpendre da casa dos Lopez e Ricardo não resistiu quando sua menininha lhe pediu para que a cadela ficasse.

Então em resumo, a morena estava com muitas preocupações para perceber que era o foco dos pensamentos românticos de uma de suas melhores amigas, aquela segunda feira, Charlie acordou ainda mais alegre, segunda era o dia que ela ia á casa dos Lopez sozinha para ajudar Santana com a decoração de sua nova casinha da árvore, já que Quinn tinha o primeiro dia em sua nova aula de dança, Mike e Sam tinham treino de futebol e Brittany estava enrolada junto com sua mãe para arrumar a festinha de aniversário de um ano da pequena Ally, irmãzinha da loira. Charlie foi a primeira a acordar, ela se levantou e esfregou os olhos, sorriu para o pôster da Mulher Maravilha que tinha colado na cabeceira da sua cama e o do Harry Potter que tinha acima da sua escrivaninha e foi ao banheiro tomar banho, cantando alguma música de amor das muitas que agora estavam em seu repertório de "cantarolação".

Se vestiu para a escola e olhou para o relógio, ainda eram 6h30min, sua aula era só nove horas, e mesmo que já ouvisse os barulhos de Frannie, Judy e Russell no andar de baixo, não estava disposta a enfrentar o mal humor matutino de Russell, as gêmeas só costumavam acordar depois que o homem já estava no trabalho, ela abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e tirou de lá um gibi do "The Creeper", Jack Ryder era um de seus favoritos, então ouviu batidas fracas na porta.

— Pode entrar! — avisou, e uma Quinn descabelada e ainda de pijama entrou no quarto que tinhas as paredes pintadas de azul escuro e cobertas por pôsteres, era bem diferente do seu próprio quarto, onde as paredes eram pintadas de rosa e cobertas de prateleiras com bichinhos de pelúcia que a loira colecionava.

— Hey... Char. — ela disse, se ajoelhando no chão perto da cabeça da loira, que tinha os pés virados para a cabeceira da cama. — onde vai hoje depois da aula? — Quinn apenas se fingia de desentendida para começar o diálogo.

— Na casa da Santy. — avisou, finalmente erguendo os olhos de seus quadrinhos e fitando os olhos da irmã gêmea, que estavam estampados em preocupação.

— Ah... Ahn... Charlie eu quero falar com você... Sobre a Santana. — colocou para fora e os olhos de Charlie se arregalaram um pouco. — você gosta dela? — decidiu ir direto ao ponto. A gêmea que estava na cama abriu a boca algumas vezes, mas não tinha ideia do que falar, até que desistiu e baixou o rosto, sentindo os olhos lacrimejarem. — Eu não acredito! Quando isso aconteceu?

— Na festa... — uma lágrima desceu pela bochecha de Charlie e ela limpou rapidamente.

— Ei... Não chora. — Quinn sentiu seu coração amolecer e se aproximou para abraçar a loirinha 17 minutos mais nova, ela andava bem protetora depois do incidente da festa. — Você tem que conversar com ela sobre isso, não pode guardar só pra você, Char... Eu tenho certeza que ela vai entender. — Quinn aconselhou, e Charlie apertou seu corpo contra o da irmã com mais força, ela já sabia o que queria fazer.

Depois das aulas, a mais nova dos Fabray saltou no Honda de Ricardo Lopez, que já estava menos abatido desde o divórcio, ele só se focava em criar sua filha com o máximo de conforto e felicidade possível, mesmo sem Angélica ali, a mulher havia sumido da cidade logo após a separação, ele já tinha planos de tentar entrar em contato dali a seis meses, no aniversário de 14 anos de Santana, a loira passou a viagem toda ouvindo Santana falar com o pai sobre a pintura da casinha da árvore que planejava fazer com a ajuda da própria Charlie aquela tarde.

— Drizz! — Santana gritou ao descer do carro, a enorme labrador chocolate correu para sua dona abanando o rabo e saltou em cima dela quase a derrubando no chão, Charlie sorriu involuntariamente ao ver a cadela lamber o rosto da latina.

As duas trocaram suas roupas por algumas mais velhas que podiam manchar de tinta (Santana emprestou um short e uma camiseta de Ricardo, já que as suas ficavam apertadas), quando estavam sozinhas pintando a casinha, Charlie olhou de relance para a morena, era a hora, ela sabia que era, juntou toda a sua coragem e se decidiu por inteiro, era agora ou nunca.

— Santy? — chamou, a latina se virou, passando a mão pelo queixo para tirar o cabelo da boca e deixando um pequeno risquinho de tinta azul, as duas estavam com os cabelos presos, a latina ergueu as sobrancelhas para que Charlie falasse. A loira respirou fundo e fechou os olhos, se lembrando de algo que tinha lido uma vez, 20 segundos de coragem vergonhosa, são capazes de qualquer coisa, vamos lá, só vinte segundos, arranque o band-aid. — Eu estou apaixonada por você. — falou de uma vez, e fixou seus olhos nos de Santana, que estavam assustados, a morena abriu a boca e fechou várias vezes, em choque, mas Charlie não ia parar por aí, agora que já tinha colocado para fora, que fosse tudo. — Eu não sei quando isso começou, e não sei quando começou a me afetar, mas sei que não vai passar... Eu gosto de você... Desse jeito, eu gosto do jeito que seus olhos brilham quando está feliz, eu gosto quando me defende, gosto desse seu jeito zangado, e de seus cabelos... E seu sorriso... Eu gosto de você, e eu não peço para retribuir eu só, queria que soubesse. — a loira sentiu como se um peso saísse de seu peito.

— C-como? — ela perguntou, por fim. — quando? Por quê? Ai meu deus, isso é sério, Charlie? — a latina estava em pânico, ela tinha medo, medo não, pavor, de perder suas amigas, e uma paixão entre elas, era como brincar de roleta russa.

— Tão sério quanto isso. — Charlie rapidamente colocou a mão na perna de Santana e a beijou profundamente, de uma forma que nenhuma das duas tinha experimentado, Santana primeiro estava em choque, mas logo não aguentou e se entregou ao beijo, prendendo sua mão na nuca da loira, pedindo passagem para a língua e invadindo a boca da loira, se separaram com um estalo, ficaram de olhos fechados por alguns segundos, sentindo as respirações das duas unidas, elas estavam ofegantes, mas logo que abriram os olhos, perceberam o que tinha acabado de acontecer ali, Charlie corou violentamente e Santana também sentiu seu rosto esquentar, mas não era tão perceptível.

— Charlie! Santana! O jantar! — Ricardo gritou da parte de baixo da casinha e elas desceram mais rápido que o normal, o clima permaneceu estranho pelo resto da tarde até que Frannie fosse buscar a irmã, quando elas trocaram um abraço mais longo que o normal.

Centro Comunitário de Lima — 16h30min

Judy deixou Quinn no centro comunitário logo após a escola, Charlie tinha ido para a casa dos Lopez e Frannie começava a sentir o peso das matérias universitárias que teria que enfrentar para se formar em direito, a menina desceu rápido com a bolsa no ombro e acenou para a mãe da calçada, era seu primeiro dia na sua nova aula de jazz, dada pela mãe de Brittany, que também dava aulas no estabelecimento. Ela foi ao banheiro feminino e colocou o collant, fazendo um coque nos cabelos loiros.

Ao sair do banheiro, ela esbarrou em uma menina, derrubando as pastas que ela levava no chão.

— Oh Deus, me desculpe. — disse, se abaixando para ajudar a recolher as coisas, então ergueu os olhos e travou no lugar, era a baixinha, a menina pequena de três anos atrás, que ela vira á distância no parque e foi motivo de um enfrentamento entre ela e Santana, a menina pequena que nunca esquecera, se levantou lentamente, ainda com os olhos nos da menina.

— Ahn... Não se preocupe, está tudo bem. — a morena disse, Quinn ouviu sua voz pela primeira vez e sorriu, era uma voz aveludada, mesmo que um pouco rouca, parecia perfeito para aquele corpinho pequeno e aqueles olhos redondos e brilhantes.

— Sou Quinn... Quinn Fabray. — a loira disse, sentindo seu rosto esquentar mesmo sem saber por que estaria corando, a menina usava um suéter vermelho de bichinhos e uma saia reta, além de meias três quartos e uma sapatilha, era a roupa mais abominável que já vira na vida, e incrivelmente, ela achou fofinho no corpo pequeno da garota.

— Ah... Sou Rachel Berry. — então esse era o nome dela... A morena pegou um caderno de capa amarela que a loira estendia e sorriu, achando ela uma gracinha, tinha olhos verdes incríveis, bem no momento que um homem alto usando armação de óculos grossa apareceu no fim do corredor.

— Estrelinha? — seus olhos passaram de Rachel para Quinn e ele franziu o cenho enquanto se aproximava. — Sra. Jacqueline está esperando no anfiteatro.

— Ah, sim papai, essa é Quinn, nós meio que nos esbarramos. Quinn esse é meu papai. — a loira franziu o cenho, pensando porque ela o apresentaria como seu "papai" ao invés de como seu pai, mas logo sorriu e assentiu fracamente, ainda focando na menina morena.

— Sou Quinn. — estendeu a mão, que o homem apertou.

— Hiram. — respondeu. — é um prazer...

— Você faz jazz? — Rachel perguntou, gesticulando para várias meninas com vestimentas parecidas com a de Quinn que entravam em uma porta com uma professora.

— Ah... Sim, tchau, vejo vocês por aí. — afirmou, indo com as outras meninas para a sala.

— Tchau. — ainda ouviu Rachel sussurrar do corredor antes de ser conduzida por seu "papai" para o anfiteatro.

Notas finais
Olá pessoas, gostaram do capítulo? eu espero que sim, pois deixamos de ter um bom e sossegado sono para poder deixar um capítulo pronto para vocês, que aliás, não comentam e isso machuca lá no meu coração u.u' Então por favor, passem a comentar agora e mostrar que vocês realmente estão gostando da fic :c