Being A Happy Family
7 Cap. 6 | 2004 | Lima,Ohio | Revelações no Jardim.
- Tem certeza disso? — Brittany perguntou, se ajoelhando na grama para perto da latina que espiava pelas frestas da cerca alta que separava a casa dos Lopez da elegante casa vitoriana dos Peterson, um casal simpático que esperava pelo seu primeiro filho, uma menina que se chamaria Jillian, a morena se virou levemente para encontrar cinco pares de olhos a encarando, nervosos, Brittany e Charlie na frente, Quinn um pouco mais atrás e Mike e Sam em pé a olhando de cima.
— Já está na hora, Britt Britt, meu pai tem que saber, e se o boca de truta abrir a sua enorme boca, já sabe... — ela disse, olhando ameaçadoramente para o garoto loiro, Quinn olhou do menino para Santana.
— Já cuidei disso, ele está sob ameaça de morte pelo silêncio. — a loira afirmou, Ray e Frannie tinham ido ao cinema e Ray deixou Sam e John Lee, o bebê de um ano, com Judy, que estava entusiasmada com o namoro de Fran com um honorável (além de bonito) garoto de família, mas então Santana ligou avisando que precisava das duas na casa dos Lopez e que Britt e Mike já estavam lá, as meninas pegaram suas bicicletas para ir até a casa da amiga, mas Judy disse que só iriam se levassem Sam junto. Santana olhou o menino como se quisesse confirmar e ele assentiu levemente.
— Vamos fotografar então, preciso que meu pai saiba, ele nunca acreditaria em mim. — a morena divagou, se lembrando do dia fatídico em que descobriu sobre o caso de Angélica.
FLASHBACK ON — 2002 — Lima, Ohio
— Joga para mim! — Santana gritou, saltando na grama fofa de seu jardim, ela, Quinn, Charlie e Brittany jogavam vôlei na parte de trás de sua casa com a sua nova rede que tinha ganhado de presente do pai pela sua nota perfeita no teste de matemática.
Brittany e Santana estavam no mesmo time e as gêmeas jogavam contra elas, aos nove anos, Brittany era a que tinha o corpo mais desenvolvido, já apresentava seios pequenos, uma bunda maior e as pernas começavam a se definir, Santana também já tinha começado a ter seios e a cintura já estava bem delineada, as pernas começavam a se desenhar por suas aulas de natação e ginástica que ia praticamente arrastada por Angélica, as gêmeas eram as menos desenvolvidas, das duas, Charlie tinha o corpo um pouco mais bonito por conta do futebol que jogava com Mike e Sam na escola, já Quinn, havia largado as aulas de balé e detestava futebol, além de recentemente ter começado a ganhar peso.
Charlie bateu na bola com um pouco mais de força do que pretendia, fazendo-a passar voando por cima da cabeça do time das "Panteras", como Santana gostava de chamar, ela lançou um olhar irritado á loira quando a bola ultrapassou a cerca do vizinho.
— Eu vou buscar! — a morena disse, correndo até a cerca, Charlie foi atrás.
— Vou com você! — ela disse, enquanto Quinn e Brittany se jogavam na grama e pegavam garrafas de água, já fazia uma hora e meia que estavam jogando vôlei. Santana se ajoelhou entre o canteiro de peônias azuis da empregada, Julian, e empurrou uma das tábuas, que se ergueu facilmente, aquela passagem tinha sido cavada pela cadela dos Peterson, que sempre atravessava, Santana gostava disso, já que sempre simpatizou com a fêmea de labrador chocolate, que sempre passava para o outro lado só para brincar com a pequena latina, atravessou engatinhando por debaixo da tábua e Charlie foi atrás, o quintal era escuro por causa de um enorme salgueiro, tinha um deck de madeira com uma piscina, entre a casa e a cerca, tinha um canil com uma pequena porta de grade, de onde Drizzle, a cadela, balançou o rabo para Santana.
— Shhh... — ela fez para o animal, que sentou e a observou com os grandes olhos escuros como se entendesse.
— Ali está. — Charlie apontou para o brinquedo perto de um canteiro de arbustos que tinha perto da escada da porta dos fundos, onde logo acima tinha uma janela que ela imaginou ser a da cozinha.
A morena engatinhou pela grama até a bola branca, quando já a segurava, ouviu um barulho vindo de dentro da casa, ela teria ignorado se não reconhecesse aquela voz, ela esticou um pouco as costas e olhou através do vidro, seu coração falhou uma batida ao ver a dona da voz, Angélica estava sentada em cima do balcão da cozinha de mármore, despida completamente da cintura para baixo, com o Sr. Peterson se movendo freneticamente entre as suas pernas, Santana viu aquilo saindo e entrando entre as pernas de sua mãe e seus olhos lacrimejaram ao ouvi-la gritar de prazer e agarrar os cabelos escuros do homem, que tirou o pênis de dentro da mulher e a virou violentamente, começando a penetrá-la por trás, enquanto ela se apoiava na bancada, foram mais alguns minutos sem que nenhuma das meninas conseguisse sequer se mexer quando ele diminuiu os movimentos e urrou alto, agarrando na cintura da mulher, movimentou mais um pouco, bem lentamente e foi a vez de Angélica gritar e se agarrar á bancada, os dois haviam chegado ao orgasmo.
Santana não era nenhuma garotinha ingênua, sabia o que era aquilo e sabia o que significava, Charlie parou ao lado da latina e na hora soube o que era também, ela e Quinn haviam ouvido uma conversa de Frannie com sua melhor amiga, Gaby, falando sobre isso, e desde então elas sabiam. Santana estava em choque e acabou soltando a bola, que caiu pesadamente sobre uma telha de vidro que tinha entre os arbustos, causando um barulho alto e fazendo Drizzle começar a latir incessantemente, os dois adultos na cozinha pararam o que faziam enquanto Charlie puxou Santana de frente da janela e as duas correram na direção do canil, entrando na casinha de concreto, se esconderam no canto, onde ele só veria se entrasse, Santana começou a chorar copiosamente e Charlie a apertou em seus braços, tentando mantê-la em silêncio enquanto ouvia passadas apressadas na grama lá fora e algumas vozes.
Drizzle deitou aos pés de Santana, que ainda chorava, ela estava com o mais puro nojo de Angélica, não acreditava que ela podia fazer isso com seu pai, e doía seu coração pensar que ele podia ir embora por causa disso, que ele podia deixá-la sozinha com a mãe, Charlie a apertava contra si e acariciava seus cabelos, ela estava acostumada a consolar as pessoas, recentemente, o casamento de Russell e Judy vinha passando por uma crise. Eles brigavam quase toda noite, e quando acontecia, Quinn vinha de seu quarto geralmente pelo banheiro que elas dividiam e se deixava consolar pela irmã gêmea, se as coisas ficassem muito feias elas iam as duas para o quarto de Frannie, que as acolhia e abraçava as duas.
— O que era? — a voz de Angélica veio do lado de fora e a loira apertou Santana mais forte, quando ela gemeu, não queria nem mesmo ouvir a voz da mãe naquele momento.
— Só uma bola, deve ser da sua filha, você disse que ela tava jogando vôlei com as amigas. — falou o homem.
— É, é a bola da Santana. — a mulher falou com desinteresse. — joga por cima do muro. Vamos voltar para dentro. — ela disse, e Santana se encolheu ainda mais no colo de Charlie. Elas voltaram para o quintal dos Lopez e Charlie explicou tudo, enquanto Santana se escondia entre os braços longos de Brittany e desejava repetidamente não ter visto aquilo.
FLASHBACK OFF
Santana sentiu seu corpo se arrepiar ao lembrar daquele dia, desde então ela simplesmente não sabia o que fazer, tinha nojo da mãe, tinha raiva dela por fazer aquilo com um homem que a amava tanto, mas ao mesmo tempo, exatamente porque ele a amava muito, saber da traição o destruiria, ela escondeu aquilo por dois anos, suas conversas com Angélica se tornaram monossilábicas, ela não queria que aquela mulher fosse a sua mãe, queria uma mãe como Karen, ou mesmo Judy, ou a mãe de Mike ou de Sam, todas elas eram mães dedicadas aos seus maridos que nunca em um milhão de anos os trairiam, ou trairiam aos seus filhos, já que Santana se sentia traída também.
Só que recentemente, ela percebeu que o pai estava começando a desconfiar, e aquilo a matava, vê-los brigando, vê-lo sofrer, pela primeira vez ela o viu chorar, agora ele percebera que estava perdendo sua amada Angélica, Santana odiava aquilo, ela não podia saber e simplesmente não contar, seu pai tinha o direito de saber, pelos seus quase quinze anos juntos, ela percebeu que ele sofreria ainda mais se descobrisse mais tarde, e ele era Ricardo Lopez, ele descobriria em algum momento, Santana tinha puxado dele sua insistência quando desconfiado, então ela decidira que ia tentar fotografar Angélica beijando o Sr. Peterson.
— Vamos logo com isso. — pediu ela, entregando a câmera para Sam. — você tira as fotos, Boca de Truta. — Angélica tinha saído de casa em mais uma de suas escapadas enquanto Ricardo estava no trabalho.
— Ok. — o loiro disse, balançando a cabeça rapidamente para tirar a franja dos olhos azuis.
— Vamos então, melhor irmos só nós dois, se for muita gente vamos acabar fazendo barulho. — disse a latina, os dois passaram por baixo da tábua engatinhando e foram até a janela da cozinha, a latina ainda tinha arrepios perto daquela janela, olharam para dentro e estava vazio, atravessaram a parte de trás e foram para o outro lado, quando olhou a primeira janela, viu Angélica e George se beijando, chamou Sam com a mão e ele tirou várias fotos, enquanto ele clicava, Santana fungou, parecia prestes a chorar, mesmo que odiasse Angélica, ela era sua mãe e sabia que a estaria traindo de alguma forma, ele desceu a lente da câmera e tocou o ombro dela delicadamente, ela o olhou e ele sorriu para ela, fazendo-a rir.
— Você é muito corajosa. — falou, ela ruborizou e deu uma risadinha, eles voltaram para o seu quintal rápido, Santana escondeu as fotos debaixo de alguns papéis na mesa de seu pai, o inferno na sua vida estava apenas começando, aquela foi a pior época de sua vida, o divórcio de seus pais foi infernal, por sorte ela conseguiu ficar com o pai, mas nunca se arrependeu de ter revelado, desde aquele dia, ela passou a confiar em Sam, mais tarde ele seria o pai biológico de seu filho e seu melhor amigo, ela só não sabia disso ainda.
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