Being A Happy Family
55 Cap. 54 | Lima, Ohio | 2011 | Eu "Oops" você.
Sam abriu seu armário e suspirou ao ver um papel no fundo dele escrito “Me desculpe” e o nome de Charlie embaixo o que o fez suspirar e fechar o armário com raiva.
–Sam! – O Garoto olhou para trás e vira Charlie andando em sua direção o que o fez andar mais rápido, mas a garota o alcançou – me escuta, por favor...
–Eu não tenho que escutar o que você tem a dizer – Sam disse ainda chateado – Nós terminamos. É Isso. Você me colocou um par de chifres.
– Eu sei que o que fiz foi errado e eu sinto muito por isso. Eu só quero... – Charlie parou por um instante – Ter você como meu amigo de novo. – Adicionou e olhou nos olhos de Sam que mordeu o lábio inferior e depois suspirou.
–Não da Charlie – Sam respondeu enquanto se afastava da garota e seguia para a sua aula, deixando-a sozinha no corredor.
A garota olhou em volta com suas mãos em punho e chutou uma lata de lixo com força, que quicou e bateu na outra parede do corredor, então se encostou nos armários e deslizou até o chão, escondendo o rosto entre os joelhos e fechando os olhos com força enquanto lágrimas teimavam em escapar, ela se sentia tão inútil... Tão... Suja. Sabendo que tinha feito aquilo com Sam, que agora ele nunca a perdoaria, que ela nunca mais o teria perto de si de novo, aquilo a machucava, seu coração doía muito, quando sua vida virara uma bagunça tão grande? Quando ela ficara tão envolvida em todos esses problemas? Quando ela deixara de ser aquela menininha inocente cujo maior problema era sua irmã mais velha pegá-la jogando em seu Playstation?
– Ei... – Uma voz masculina a fez sobressaltar e olhar para o lado, lá estava ele, Mike Chang, seu melhor amigo que tinha uma namorada que o traíra e que ela nem mesmo tinha coragem de contar.
–O Que esta fazendo aqui? – Charlie perguntou enquanto secava suas lagrimas rapidamente.
–Bom, quando vejo uma garota chorar sozinha no corredor, eu tenho que fazer algo – Mike respondeu, sorrindo levemente. Charlie bufou.
–Da última vez que consolei uma garota chorando, minha vida se tornou uma bagunça. – constatou enquanto respirava fundo.
– Isso não foi quando você tinha dez anos, foi? Porque se a última vez que você consolou alguém foi aos seis anos seu cavalheirismo está bem adormecido. — o rapaz observou se sentando ao seu lado, fazendo com que ela sorrisse levemente. — desculpe não estar muito por perto, é só a Tina e todas essas coisas com meus pais...
"Tina", Charlie apertou suas mãos em punhos e de repente uma onda de coragem atravessou seu corpo. "Deve ser a Julie se manifestando", pensou, mas decidiu agir enquanto ainda tinha coragem, se virando para o asiático.
–Somos amigos não é? – perguntou e Mike assentiu rapidamente -... E Amigos... Contam segredos, não é? – perguntou e Mike franziu o cenho.
– O Que quer me dizer, Charlie?
– Você vai me odiar por esconder isso, mas... Eu só queria que você fosse feliz e não tivesse mais preocupações ou qualquer tipo de sofrimento e...
–Só me diga logo, Charlie! – Mike insistiu, parecendo levemente preocupado.
–Tina traiu você. – Charlie disse rapidamente – C-com Puck. – adicionou enquanto sentia como se tirasse um enorme peso dos ombros. — Por favor não fique com raiva de mim. — as lágrimas da loira começaram a descer pelos seus olhos sem que ela conseguisse controlá-las. — eu não posso perder você também. O Sam me odeia, a Quinn tá muito ocupada enfiando a língua na garganta da Berry, ela acha que esconde, mas eu sei que elas se pegam, a Beth sabe esconder as coisas melhor que a própria mãe! Machuca, Mike, machuca perceber que sua própria irmã não confia em você... Eu só... Não posso perder você, por favor. — Charlie praticamente implorava, fechando os olhos com força e se agarrando aos seus próprios joelhos.
– Eu... – Mike começou a falar, mas não encontrou palavras para descrever aquela dor que estava sentindo no peito, era tão grande quanto a dor que ele sentiu quando percebeu que Charlie gostava de Santana.
–Mike... – Charlie chamou enquanto olhava para o garoto que tinha os olhos lacrimejados, ele olhou para Charlie, parecendo magoado por ela ter escondido aquilo, ele levantou-se rapidamente e ela fez o mesmo – por favor, eu...
–Nós nos falamos depois. – fora tudo o que ele disse antes de sair dali o mais rápido que podia.
A loira pode sentir seu coração doer tanto que ela teve que se curvar sobre ele para não desmaiar, as lágrimas já saiam de seus olhos com uma abundância que fazia com que sua visão ficasse embaçada, até que ela sentiu o celular vibrar em seu bolso e o pegou para checar, era uma mensagem de Mike.
Você não vai me perder. Só preciso de um tempo — Mike xxx
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Santana olhou-se no espelho do banheiro enquanto engolia o choro, ela não podia acreditar no que estava acontecendo na sua vida, agora todos iriam descobrir que ela era lésbica, seu pai a expulsaria de casa, com toda certeza, sua cabeça doía e as lágrimas caiam cada vez mais enquanto seu coração doía no peito.
– Santana? — a voz de seu pai veio do lado de fora, ela podia imaginá-lo com o ouvido encostado na madeira esperando ouvir alguma palavra de sua única filha. — você está bem?
– Eu to saindo, pai... Pode descer e levar a Drizzle pro quintal? — pediu a menina, engolindo o choro, ela se sentia tão mal... Seu estômago estava revirando e tudo o que queria era se esconder, desaparecer, mas sabia que não podia esconder aquilo de seu pai por muito mais tempo, enganá-lo a matava, por isso ela precisava falar com ele, a morena lavou o rosto e amarrou o cabelo em um rabo de cavalo, saindo do quarto abafado e correndo pelo corredor até as escadas, podia ouvir seu pai pegando as panelas para começar a fazer o almoço, então entrou na cozinha e ele lhe deu um sorriso amoroso. — Papi, precisamos conversar, pode sentar aqui comigo, por favor?
–Algum problema, Mi Amor? – Ele perguntou confuso enquanto franzia o cenho e sentava à mesa – Já sei, tirou outra nota baixa em história não foi? – Tentou adivinhar enquanto cruzava os braços. Santana riu levemente e negou com a cabeça.
–Não, Papi... Tenho que dizer algo... Muito importante. – Santana respondeu enquanto reunião o máximo de coragem possível.
–Santana, você não está grávida ou com alguma DST, não é? – Ricardo perguntou assustado para a filha.
– Não pai... Mas... Tem a ver com isso. — a garota falou tímida, olhando para suas mãos no colo.
– Mi amor... Se você está bem... Eu não me importo com mais nada... Pode me falar, seja la o que for. — ele afirmou, mas foi naquele momento que a menina desabou, as lágrimas começaram a sair torrencialmente de seus olhos enquanto ela soluçava fortemente e caía de joelhos na frente do homem, colocando a cabeça em suas pernas e deixando que ele a apertasse forte, ela estava tentando ser forte, mas a mínima ideia de perder seu pai... A pessoa mais importante no mundo para ela, a cortava em pedacinhos e ela podia ouvir seu coração quebrar. — o que fizeram com você, Mi Hija...
– Eu sou gay, Papi. — ela soltou de uma vez e esperou que ele a empurrasse, mas ele apenas a puxou para mais perto.
– Vem cá... Ei... Não precisa tudo isso... — falou, puxando o rosto da filha e secando suas lágrimas. — tu és mi tesoro... Seja como for eu te amo... Te amo muito... Só tem uma coisa que quero te perguntar...
– Si, Papi... — ela pediu, emocionada, tentando controlar seus soluços.
– Você ainda é a pessoa que eu te criei para ser? — perguntou o homem, e Santana apenas assentiu com seus olhos se enchendo de lágrimas novamente. — então está tudo bem... — o homem a abraçou o mais forte que pôde, beijando sua testa. — você e a menina Fabray fazem um belo casal por falar nisso...
–Pai, eu não namoro a Charlie – Santana disse.
–Um dia vai namorar... – Ricardo replicou sorrindo abertamente.
–Como você pode saber?
–Os pais sempre sabem Santana, vocês um dia vão ficar juntas – Insistiu.
– E-eu estou com a Brittany, Papi... – Santana disse enquanto sentia suas bochechas esquentarem, Ricardo riu levemente e levantou as mãos em rendição.
–Estou apenas dizendo! – exclamou o que fez Santana sorrir e abraça-lo novamente — Estoy tan contente que tenga hablado conmigo mi hija, te amo muy. — o homem disse, beijando a testa da menina.
– Tambien te amo Papi.
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– E aí a menina baixinha beijou a mamãe! Na Bo-ca! — Beth relatava para Charlie, que parecia distraída encarando o carpete do quarto da sobrinha, Quinn estava fora e ela estava tomando conta de Beth, então a pequena estava lhe dando um relatório sobre o que acontecera na casa dos Berry, mas ela não poderia estar mais avoada. — tia Sarlie você ta bem?
– Ahn? To sim, meu amor, eu só... Errei muito com as pessoas que eu amo. — a garota falou, colocando um cacho loiro da pequena atrás de sua orelha.
– É nomal pessoas elalem... Pincipalmente com quem você ama. — falou a pequena, sabiamente. — você me ama, tia Sarlie?
– Amo muito minha pequena. — Charlie falou, sentindo lágrimas se formarem em seus olhos ao ver o quanto aquela menininha estava crescida, tão pequena e tão inteligente...
– Você não me magoou... Você é a pessoa mais fote que eu conheço. — falou a menininha abraçando a tia.
– Awww... Quanta meiguice – Charlie olhou para porta e vira Quinn sorrindo levemente enquanto ia em direção a filha – Oi meu amor... – Disse, fazendo com que a garotinha risse levemente.
–Hey, Quinn... Como foi seu encontro com Rachel? – Charlie perguntou, o que fez Quinn a olhar surpresa e percebeu que a irmã parecia levemente magoada. – Vai me dizer que achava que eu não sabia?
– Mãe! — Quinn gritou da porta do quarto de Beth e Judy apareceu alguns minutos depois.
– Oi filha. — a mulher estava limpando as mãos em um pano de prato.
– Leva a Beth lá pra baixo e dá o lanche dela, por favor? — pediu, pegando a filha e passando-a para sua avó.
– Claro, vamos, amorzinho? — e então deixou as duas sozinhas.
– Char... Desculpa não ter te falado... É que foi tudo tão rápido... — Quinn começou a falar, mas Charlie apenas a cortou.
– Estou feliz por você. A Rach é uma boa garota. — Charlie sorriu fracamente, as lágrimas voltando aos seus olhos, ela estava tão angustiada... Seu coração doía mesmo quando tinha recebido uma notícia boa como aquela.
– O que aconteceu? Por que você está assim? — a gêmea 17 minutos mais velha perguntou.
Charlie passou as mãos pelo cabelo e andou até Quinn rapidamente, a abraçando, Quinn franziu o cenho, mas abraçou a irmã de volta enquanto a sentia tremer em seus braços e chorar baixinho.
–Ei, fala comigo, Char – Quinn pediu enquanto passava a mão pelo cabelo de Charlie que chorava cada vez mais.
– Eu fiz tanta merda... — a garota chorava torrencialmente, escondendo o rosto no pescoço da irmã. — eu magoei todo mundo, Q...
– Char... Ei... O que aconteceu? — perguntou a outra loira, puxando a irmã para se sentar no sofá que tinha perto do berço de Beth, a loira mais nova começou a contar tudo, do começo até o fim e se deixou desabafar no ombro de sua irmã.
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– Hey docinho... Vai querer algumas para levar? — a garçonete perguntou do outro lado do balcão enquanto via o menino asiático observar a estante de garrafas de vodka em uma loja de departamentos.
– Sim... Duas por favor. — pediu, pegando os produtos e indo até o balcão para pagar, planejando entrar logo no carro e ir ver como a sua melhor amiga estava antes de se esconder em algum lugar e afogar as mágoas.
Ele saiu dali rapidamente e logo entrou em seu carro indo até a casa dos Fabray, ele sentia-se péssimo, mas sabia que Charlie se sentia um pouco pior. Ele caminhou rapidamente até a porta da frente e bateu algumas vezes até ser atendido por uma sorridente Judy.
–Mike! – A Mulher loira cumprimentou animadamente, fazendo o rapaz sorrir. – Charlie está lá em cima com Quinn – disse antes mesmo que ele pudesse perguntar.
– Você pode chamá-la para mim, por favor? — pediu o garoto, ele realmente só queria ficar sozinho e só fora ali para dizer a Charlie que estava tudo bem, que ele a entendia, por isso não queria entrar na casa.
– Claro. — a mulher disse simplesmente e subiu para trazer a filha, segundos depois a garota loira desceu as escadas correndo e parou na frente do asiático, ele se sentiu mal por ter feito mal aquela garota tão doce, seus olhos estavam inchados e o brilho de seus olhos tinha desaparecido.
–Oi. – O Garoto disse timidamente e pode ver o lábio inferior de Charlie tremer enquanto ela andava até ele e o abraçava fortemente – eu disse que você não ia me perder – Mike murmurou no ouvido de Charlie. Mike segurou a mão dela delicadamente e a levou para fora da casa.
– Aonde nós vamos? — perguntou a menina um pouco desanimada.
– Á minha casa... Eu comprei algumas garrafas de vodka com uma identidade falsa e achei que você podia gostar de esquecer algumas coisas comigo... — o garoto sugeriu, puxando-a para o carro.
– Eu adoraria esquecer algumas coisas com você Mike. — a loira sorriu e entrou no carro.
Mike dirigiu até sua casa enquanto Charlie apenas via as casas passarem rapidamente pela janela, aquele silêncio no carro era confortável, quando o garoto estacionou em frente da casa, logo ambos saíram do carro e seguiram até a casa, Mike trazia consigo o saco com as garrafas de vodka dentro, ele ainda sentia-se mal, ele realmente gostava de Tina e saber que ela tinha feito algo daquele tipo a ele machucava e muito.
Ao entrarem, foram logo para o quarto de Mike que entregou uma garrafa para Charlie que respirou fundo enquanto abria a mesma e tomava um gole, sentindo-se leve desde a última vez que havia bebido.
–Sabe de uma coisa? – Mike perguntou enquanto tomava um gole de vodka e sentava na cama ao lado da loira – Garotas são idiotas – Mike resmungou – Menos você, você... Nunca me machucaria como Tina fez – adicionou enquanto Charlie continuava a beber e acenava levemente.
– Nisso eu concordo completamente... — engrolou, sua língua enrolando com a força da bebida enquanto tomava outro gole que desceu queimando pela sua garganta e lhe deu uma sensação engraçada no estômago. — garotas... Só dão... Problema... — falou, e então começou a tossir ao tomar um gole maior que o normal. — Esse negocio é divertido! — ela afirmou, beijando o topo da garrafa e então a virando novamente.
– Eu senti sua falta, sabia... — o garoto observou, olhando para a loira que estava deitada em seu tapete rindo para o teto e então bebendo outro gole.
– Agora eu to aqui, Mikey... — ela falou, então rindo da própria fala, quando terminou de rir, se sentou ereta com um pouco de dificuldade e olhou nos olhos de Mike um pouco perto demais. — quer ver uma coisa irada?
– O que? – rapaz perguntou enquanto apenas via Charlie se aproximar dele e beijá-lo nos lábios, Mike fechou os olhos automaticamente enquanto sentia-se vibrar, era meio que seu sonho poder beijar Charlie, mesmo estando com Tina e realmente gostando dela, aquela garota loira que estava lhe beijando fora seu primeiro amor e sua melhor amiga, a probabilidade dele superá-la era pouca.
Charlie moveu seus lábios contra os de Mike que deixou a garrafa de vodka de lado e colocou sua mão na cintura da loira que se inclinou um pouco mais em direção ao asiático.
Devagar, Charlie se arrastou pelo tapete e subiu na cama puxando o garoto pra cima de si, separou seus lábios e começou a deixar beijos leves em seu pescoço, até chegar ao colarinho de sua camisa e começar a desabotoá-la, passando as mãos pelas suas costas por baixo da blusa e fazendo Mike começar a respirar ofegante, então ela arrancou sua própria camiseta revelando um sutiã de renda preta que fez o garoto arregalar os olhos, mas antes que pudesse falar alguma coisa ela o puxou para outro beijo, deslizando a mão para desabotoar seus jeans, e então ele se afastou.
– Tem certeza? — perguntou o garoto e ela olhou fundo em seus olhos.
– Tenho. — afirmou a garota, puxando-o para outro beijo que tirou seu fôlego completamente antes de se afastar novamente.
– E a proteção?
– Eu tomo pílula. — afirmou a garota, voltando a beijá-lo.
30 minutos depois...
Charlie bateu a porta do quarto de Mike com força enquanto saia do quarto rapidamente enquanto escutava o garoto chamá-la do topo das escadas, ela estava furiosa demais para lhe dar alguma atenção, Ao entrar no carro ela começou a acelerar sem saber para onde estava indo. Como ele podia? Charlie havia lhe dado algo importante, sua virgindade e Mike estragara tudo falando o nome de Tina, Aquela asiática idiota que ela realmente queria bater. Suas mãos estavam tremendo e sua vista estava levemente borrada, talvez por conta do álcool. Ela desacelerou rapidamente e respirou fundo enquanto tentava manter o resto de controle que ainda tinha.
A loira realmente não sabia como tinha chegado até a casa dos Lopez sem bater em ninguém, mas rapidamente estava na entrada da garagem, desceu da caminhonete de Mike e correu até a porta, sem se importar com a campainha, batendo com o punho na porta só para ver se conseguia descontar um pouco da raiva que sentia.
– Charlotte? — o pai de Santana atendeu a porta com uma espátula na mão e um avental branco onde tinha escrito "Kiss The Cook" o que começou a dar vontade de chorar em Charlie, porque a lembrou de quem ela tinha beijado minutos antes e do que tinha acontecido, uma lágrima desceu pela sua bochecha e Ricardo de repente pareceu muito preocupado. — eu vou chamar a Santana.
Charlie apenas assentiu enquanto via Ricardo subir as escadas, pulando alguns degraus, a loira suspirou e virou-se, encarando o carro e finalmente lembrando que praticamente havia roubado o carro de Mike, mas ainda achava que ele merecia.
–Char...? – a loira virou-se rapidamente e vira Santana parada na porta a olhando, a latina franziu o cenho para os olhos sem brilho da loira, Santana fechou a porta atrás de si e segurou na mão de Charlie, puxando em direção à casa da arvore.
– O que foi? Alguém te machucou? — a morena perguntou quando elas já estavam lá em cima e a loira lutava com todas as suas forças para não desabar e chorar.
– Eu fiz uma coisa muito, muito ruim, Sanny... — falou, sentindo algumas lágrimas escaparem pelas suas bochechas e a latina colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. — eu me sinto tão... — as palavras morreram, entalaram em sua garganta, ela se sentia suja, nojenta, se sentia uma vagabunda, por ter feito aquilo com Mike, sua primeira vez! E ela havia perdido por puro medo de ficar sozinha, talvez Mike não a deixasse se ela desse a ele o que os homens querem... Talvez ele voltasse a amá-la, mas agora ela sentia nojo de si mesma, tanto nojo que rapidamente pegou uma lata de lixo que tinha ali e vomitou, vomitou tudo o que tinha no estômago enquanto Santana segurava seu cabelo e acariciava suas costas, extremamente preocupada.
–Cha-Bear, fala comigo, algum idiota machucou você? – Santana perguntou via a garota soluçar levemente, seu nível de preocupação tinha aumentado cada vez mais, não era normal ver a loira chorar daquele jeito, tão desesperadamente.
–E-eu... Mike – Charlie gaguejou enquanto chorava a Santana franziu o cenho sem compreender, ela segurou a mão da loira firmemente, fazendo-a lhe encarar.
–Ei... Pode falar comigo.
A loira apenas se curvou de novo e vomitou mais uma vez, os soluços começando a escapar de sua garganta, foi ali que a latina percebeu que não conseguiria muitas respostas de Charlie naquele momento, então apenas a abraçou forte e deixou que ela soluçasse em seu ombro.
–Ei, Cha-Bear, olha pra mim – Santana pediu e Charlie a olhou, com os olhos cheios D’água, Santana segurou o rosto de Charlie em suas mãos – Oops – fora tudo o que disse antes de Charlie lhe abraçar novamente enquanto murmurava diversos “Oops” contra o pescoço da latina que apenas a aconchegou em seus braços.
– Você ta bem... Você ta segura comigo... Sempre vai estar... Pode falar... — Santana tentou mais uma vez.
– Você vai me odiar... — Charlie falou entre soluços, apertando o corpo da morena o mais próximo de si possível, enterrando o rosto em seu pescoço e sentindo-a apertá-la de volta.
– Eu nunca poderia te odiar... Oops, lembra? — a morena falou, puxando-a de si o suficiente para que pudesse ver seu rosto, colocando uma mecha de seu cabelo loiro atrás de sua orelha.
–E-eu... Fiz aquilo – Charlie gaguejou e Santana apenas levantou as sobrancelhas e apertou a garota levemente em seus braços, querendo que o “aquilo” não fosse o que ela estava pensando – Com o M-mike – adicionou e Santana sentiu uma onde de raiva dentro de si, mas apenas mordeu o lábio.
–O Que ele fez? Machucou você? Ele... Ele te forçou a fazer algo? – Santana perguntou enquanto tentava disfarçar a mistura de desespero e preocupação na sua voz. Charlie apenas negou com a cabeça.
–Ele... Ele disse o nome da Tina – Charlie murmurou. “Eu vou matá-lo” Santana pensou enquanto via as lágrimas voltarem aos olhos da loira.
–Não, Baby, não chora. Ok? – Disse a abraçando novamente – Garotos são idiotas. – adicionou enquanto lhe dava outro beijo na testa. — Você quer que eu cante pra você? — a morena tentou, apertando Charlie o mais perto de si que podia. — eu posso cantar pra você e aí nós vamos resolver nossos problemas juntas, ok? Seja lá o que você queira fazer, eu vou te ajudar... E te apoiar, você não tem ideia do quanto eu quero ir à casa daquele asiático e matar ele... Acabar com ele mesmo, mas você não precisa disso, você só precisa de alguém aqui com você, e eu me lembro de quando éramos pequenas e você cantava para mim quando ficava triste... Se você precisar de mim para fazer isso por você... Se isso for tudo o que você quer que eu faça, só estar aqui e cantar pra você... É o que vou fazer.
– Você pode cantar All My Loving? Eu amo quando você canta ela. — a loira pediu deixando um pequeno soluço escapar da sua garganta, como podia se sentir tão bem ali? Nos braços daquela garota.
– Close your eyes, and I'll kiss you... Tomorrow I'll miss you, remember, I'll always be true...– a latina cantou baixinho em seu ouvido, sentindo uma lágrima descer pela sua bochecha enquanto Charlie fechava os olhos e relaxava em seus braços, porém seu lábio inferior continuava a tremer.
Santana continua a cantar baixinho enquanto a respiração de Charlie ficava cada vez mais calma e seus soluços iam diminuindo, ela baixou um pouco a cabeça e sorriu levemente ao ver a loira que os olhos fechados e os lábios um pouco entreabertos, Santana suspirou e lhe dera um beijo leve no canto dos lábios e se afastou enquanto olhava para a garota dormindo.
–Eu Oops você... – Santana murmurou levemente e sorriu quando Charlie se mexeu um pouco, se aconchegando contra ela.
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