Being A Happy Family
48 Cap. 47 | Lima, Ohio | 2011 | Be a Little Selfish, Charlie
– Então, há quanto tempo você vem tendo esses... Hábitos? — a mulher de cabelos ruivos engoliu em seco ao fitar a garota com uma cara claramente mal humorada sentada em uma cadeira de frente para sua mesa.
– Já disse que não são "hábitos", eu passei mal com aquela comida odiosa da cantina, só isso, agora posso ir? — tentou a garota, mas Ms. Pillsbury apenas balançou a cabeça negativamente.
– Ms. Lopez, eu tenho várias razões para crer que o que está me dizendo é mentira... — engoliu em seco novamente ao ver a menina cruzar as pernas e apertar os braços contra os seios. — isso é um problema sério que não deve ser ignorado, Santana... É um distúrbio...
– Motivos... Quais? Alguém te disse algo? — perguntou, parecendo mais curiosa do que nervosa, como se tivesse perguntado se ela era ruiva natural. Desde que a professora a pegara vomitando no banheiro ela havia adotado essa postura fria e dura, o que só preocupava Emma ainda mais.
– Esses seus hábitos só irão lhe prejudicar futuramente – a mulher disse enquanto Santana franzia o cenho ao vê-la passar uma flanela na mesa pela vigésima vez desde que entrara naquela sala.
–Pela milésima vez. A culpa foi da comida – Santana disse – Aliás, o que faço ou deixou de fazer na minha vida, não é da conta de ninguém. – adicionou irritada e sentia uma enorme vontade de jogar aquela flanela nas mãos de Emma para longe.
– É da conta das outras pessoas sim, quando você tiver vinte e um ou vinte e dois anos, pagar suas próprias contas e viver na sua própria casa, vai poder fazer o que você quiser, mas por enquanto tudo o que faz diz respeito a seus responsáveis, e enquanto está na escola, diz respeito a seus professores então se não quiser conversar comigo tudo bem... Posso ligar para seus pais aí eles podem decidir. — falou a mulher dando de ombros, o que fez Santana soltar o ar pelo nariz irritadamente.
– Tudo bem, o que você quer saber? — perguntou, fitando os olhos castanhos da conselheira.
– Há quanto tempo você vem apresentando esse distúrbio? — perguntou, colocando as duas mãos na mesa perfeitamente polida.
– Desde que tinha nove anos. — falou sinceramente.
– Alguém sabe sobre isso? Da sua família talvez? — perguntou, mais preocupada ao saber que já fazia tanto tempo.
– Minha mãe, ela mora em Nashville então não vai te ajudar em nada... Foi ela que começou tudo isso, que me ensinou... — confessou, fazendo Emma fazer uma cara bastante surpresa, que tipo de mãe faria aquilo, afinal?
– Eu também soube sobre você... Huh... Ter alguns – ela parou por um momento enquanto procurava pela palavra certa – Cortes. – Finalizou e Santana descruzou os braços, parecendo surpresa com o que ela havia dito.
–Quem te disse isso? – perguntou parecendo nervosa. Logo lembrou-se de Brittany e se perguntou se garota tinha falado algo para a mulher ruiva a sua frente.
– Eu não posso revelar isso. — a professora falou, engolindo em seco novamente. — vou te dar alguns panfletos para você dar uma olhada e quero que venha me ver todos os dias.
– Eu sei que foi a Brittany. — avisou, ignorando os panfletos que a mulher tinha deslizado pela mesa e continuando com os braços cruzados.
– C-como você? — a mulher perguntou, com as mãos tremendo, como uma aluna podia ser tão assustadora?
– Por favor, Brittany é a única que sabe essas coisas... Eu vou matá-la. — disse, emburrada, olhando a mulher com raiva.
– Ela só está preocupada com você, Santana, todos nós estamos. — a mulher falou, fitando os olhos castanhos da menina.
–Eu não quero a preocupação de ninguém – Santana disse – Eu estou bem... Não preciso desses... Panfletos estúpidos! – esbravejou irritada enquanto levantava rapidamente, saindo da sala e batendo a porta com força fazendo com que Emma sobressaltasse em sua cadeira.
Santana saiu pisando forte pelos corredores enquanto esbarrava em todos e não se preocupava em pedir desculpas, ela procurava por Brittany com os olhos e a encontrou em seu armário acompanhada das gêmeas, a latina não hesitou em ir até ela.
– O QUE VOCÊ FEZ? — fechou a loira nos armários com muita força, a fúria em seus olhos queimando como chamas, o que fez Brittany olhá-la com muito medo.
– D-do que você T-ta falando? — gaguejou, enquanto Charlie e Quinn fitavam as duas assustadas.
– O que você disse pra Emma?! — perguntou, já sem o mínimo controle na sua própria voz. — Fala! O que. Você. Disse. Pra ela? — e bateu as costas da menina fortemente contra o armário.
– Santana... Santana, já chega... Vamos conversar direito, o que deu em você? — Charlie a puxou para longe da outra loira delicadamente, mantendo-a longe da menina.
– Esta... Esta... Ella dio a Ms. Pillsbury mi secretos! Yo pensé que pudese confiar en Ella! — a garota esbravejou em espanhol, enquanto Charlie tentava a todo custo segurá-la.
– Vem comigo, Santana, já chega... — Charlie a puxou para longe da multidão que havia se formado.
Brittany apenas respirou fundo enquanto via a garota levar Santana para longe, a puxando pelo braço, Quinn apenas colocou a mão no ombro da amiga enquanto via a irmã se afastar.
Charlie abriu a porta para o vestiário, agora vazio, e fez Santana entrar, a latina apenas bufou irritada enquanto chutava o ar.
–Qual o seu problema? Faz ideia do que estava fazendo! – A Loira esbravejou irritada – Você poderia ter machucado a Brittany!
–Ah, não enche! Você sabe que a louca aqui é você – Santana disse irritada e logo percebeu o que havia dito e virou-se rapidamente para olhar para Charlie. — Me desculpe... Eu... Droga... Eu só perco o controle! O tempo todo! — então a menina desmoronou, ela caiu no chão como se seus joelhos tivessem virado água e começou a chorar, e ela chorava tanto que nem mesmo conseguia segurar as lágrimas, que caíam no chão de azulejos, Charlie deu um passo a frente e se ajoelhou ao lado da menina, ela nunca vira Santana assim, em doze anos que a conhecia, nunca, e realmente achava que conhecia todas as facetas da menina. — agora todos vão saber! Por culpa dela!
– O que... O que aconteceu? — perguntou, passando a mão pelos cabelos escuros da menina, então percebeu algo quando a morena ergueu o braço para limpar as lágrimas, ultimamente ela vivia com seu casaco das Cheerios ou com roupas de manga comprida, mas a loira nunca tinha parado para pensar naquilo, até aquele momento, até que viu aquelas marcas.
Rapidamente ela pegou os braços da menina e puxou a manga, várias cicatrizes brancas a marcavam em linhas retas e obviamente provocadas, aquilo fez o coração de Charlie doer tanto que ela teve que fechar os olhos para não chorar, precisava estar ali para a latina naquele momento.
– Por favor... Só fique comigo agora – Santana soluçou e Charlie envolveu seus braços ao redor dela enquanto a abraçava, a garota respirou fundo e se afastou um pouco para beijar a testa de Santana.
–Olhe pra mim – Pediu e Santana a olhou – Somos... Melhores amigas – Disse e limpou as lágrimas da bochecha da garota. – Não importa onde você esteja ou com quem esteja, é só você gritar por mim e eu estarei lá... Sempre. – Adicionou e Santana apenas assentiu e lhe abraçou novamente – Você tem que falar com a Brittany...
–Não! – Santana exclamou enquanto se afastava e levantava, Charlie fez o mesmo, ficando confusa com o surto da latina – por que você sempre tem que fazer isso! – exclamou e empurrou a loira sem muita força.
–Do que você esta falando Santana? – Charlie perguntou, preocupada ao ver que Santana estava chorando novamente.
–Por que você não pode ser egoísta pelo menos uma vez! – disse e tentou empurrar Charlie novamente, mas sem sucesso. – Por que você sempre tem que se sacrificar desse jeito... – Disse baixo e Charlie apenas a puxou pelo braço e a abraçou. Santana esperou por uma resposta, mas nunca veio.
Elas só ficaram ali, sentadas no chão, a cabeça de Charlie girava por respostas, e pela primeira vez na vida, ela apenas deixou que seus braços envolvessem a mulher que amava, que seu nariz deslizasse pelos cabelos da garota e repousassem em seu pescoço, inalando o cheiro doce da latina, por alguns minutos os soluços da morena pararam e ela deixou que sua cabeça se apoiasse no ombro de Charlie, apertando seu pescoço com força, nenhuma das duas queria que aquele momento acabasse, só que naquele momento, elas não sabiam, que assim como muitos momentos que dividiram e dividiriam, ele seria eterno.
Enquanto isso Quinn falava ao telefone no corredor sendo seguida por uma Brittany cabisbaixa.
– Dá pra você parar de pedir desculpa? Só resolve isso! A Beth vai fazer dois anos e eu quero que esteja tudo perfeito! Perfeito, entendeu? Ou eu mesma arranco seu pescoço! — gritava com o homem da agência de festas que havia contratado enquanto o homem tentava explicar porque a piscina de bolinhas não estaria disponível, ela detestava quando essas coisas davam errado, estava dobrando no corredor quando sentiu seu corpo bater com o de uma garota baixinha.
– Opa, calma aí. — Rachel suspirou.
–Huh, Rachel! Desculpe – a loira disse sentindo suas bochechas esquentarem — Nós, resolvemos isso depois! – disse para o homem no telefone e desligou rapidamente enquanto sorria para a judia a sua frente.
–Huh, você viu o Finn? – Perguntou Rachel e Quinn pareceu cabisbaixa, o que fez Brittany franzir o cenho para a cena – Não o vejo desde o intervalo – comentou e Quinn deu de ombros.
–Não faço ideia, Talvez ele esteja no campo – disse ainda parecendo chateada.
– O que houve? — perguntou a judia, franzindo o cenho para Quinn, que apenas a fitou, confusa.
– Como assim? — questionou.
– Você parece irritada. — observou timidamente, analisando o rosto da loira.
– Só alguns problemas com a festa de dois anos da Beth. — falou, mordendo o lábio. — vai ser esse fim de semana, quer ir?
– Serio? Você realmente me quer lá? – A Judia perguntou surpresa e Quinn riu levemente e assentiu.
–Eu não te chamaria se não quisesse – Respondeu com um meio sorriso e Brittany apenas levantou as sobrancelhas e apenas observava a interação entre as duas. – Então... Vai ou não?
–Huh... Eu vou falar com Finn e quem sabe nós poderemos aparecer por lá – disse animadamente e Quinn deixou o sorriso vacilar um pouco.
– Ah... Ok... — nesse momento Finn entrou no campo de visão e acenou levemente para Rachel, que se despediu das meninas e foi até o namorado.
– Ok... Isso foi estranho. — Brittany se virou para a melhor amiga.
– O que? Eu só estava convidando a Berry para o aniversário da Beth. — justificou-se a garota, dando de ombros.
– Por que você iria convida-la? Vocês nem se gostam... A não ser que eu esteja errada... — a mais alta ergueu as sobrancelhas para a mais baixa.
– Me deixe em paz, Brittany. — pediu Quinn, saindo para sua aula.
Enquanto isso, Rachel falava animadamente com o namorado.
– A Quinn nos chamou para o aniversário da Beth amanhã! Não é emocionante? — perguntou, segurando no braço do namorado que olhava em volta no corredor procurando por algo, até que ouviu o que a namorada disse e franziu o cenho para a judia.
– A Quinn o que?
–Ela nos convidou para o aniversário da Beth – Rachel repetiu sorrindo mais abertamente enquanto envolvia seu braço no de Finn enquanto andavam pelo corredor – ah meu Deus! Eu tenho que escolher um presente pra ela! O Que você acha, Finny? – Perguntou enquanto olhava para o rapaz.
–Um bacon de borracha?
–Ela é uma menininha, Finn e não um cachorro – Rachel o repreendeu e voltou ao seu monologo, enquanto Finn apenas tentava encaixar as peças, Quinn havia lhe ameaçado por “flertar” com a garota nova e agora havia convidado ele e Rachel para o aniversário da Beth. Ele só queria saber se Quinn realmente ainda gostava dele ou não.
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