Being A Happy Family

4 Cap. 3 - Primeiro Dia no Balé - 1999 - Lima, Ohio


Quando Charlie e Quinn souberam que estariam se mudando de novo, mesmo que fizessem apenas seis meses que estavam em Akron, não ficaram muito felizes, principalmente depois que Frannie começou a esbravejar como aquilo era uma má ideia. Frannie era uma defensora assídua das duas irmãs caçulas, principalmente quando o pai a favorecia descaradamente e a mãe fechava os olhos para a situação, com isso, até Charlie começava a perceber que era melhor elas se unirem como boas irmãs e tentarem ignorar quando Russell tratava qualquer uma delas mal. Ele estava perdendo seu poder dentro da própria casa para uma menina de doze anos e duas de seis anos, e era egocêntrico demais para sequer perceber isso.

Mas ele ainda tinha muito poder naquela casa e sua palavra ali era lei, os protestos só diminuíram quando descobriram que iam para Lima, em Ohio, Frannie parou de reclamar, pois sempre quis ir morar perto da vó Kirsty e do filho de seu tio Peter, Louis, por quem era secretamente apaixonada, já Charlie e Quinn ainda pensavam na garota morena e em como seria legal poder vê-la de novo. Na outra semana estava tudo ajeitado, morariam em uma casa vitoriana de três suítes (apenas um pouco menor do que a de Akron) a apenas duas ruas da casa de Kirsty e quatro quadras da casa de Joel, que andava meio adoentado, Russell sempre que podia ia visitá-lo, apesar de não manter muitas relações com ele dês de que assumiu completamente o poder na empresa, Russell era frio, preconceituoso, calculista e extremamente problemático e cansativo, mas nunca seria capaz de fazer com nenhuma de suas filhas o que Joel fez com Margaret, e ele se lembrava de tal detalhe todo santo dia. Mal sabia ele que estaria vendo sua irmãzinha em breve, bem mais mudada do que poderia imaginar. A nova casa ficava a três casas da mansão enorme e moderna dos Lopez, mas as meninas ainda estavam um pouco longe de descobrir isso. Quando foram para Lima duas semanas depois de receber a notícia, as três iam ficar com sua avó enquanto Russell e Judy resolviam os últimos problemas em Akron antes de se mudar definitivamente, quando se hospedaram na casa da avó, ela estava tomando de conta da outra neta, Isabelle, filha caçula de Lois, uma adorável menina de oito anos quando estava na sua frente e uma máquina de agressões, empinadas de nariz e puxões de cabelo para com as primas pelas suas costas, claro que só Quinn e Charlie, já que Frannie seria capaz de intimidar até o irmão postiço de Isabelle, Harry, se tentasse.

– Sai! Aaaaaaaaaah sai Belle! — gritava Charlie, correndo escada abaixo com Isabelle atrás dela, a menina tinha na mão uma pequena aranha de plástico. — Vovó K! — gritou, correndo até a senhora e se escondendo atrás dela.

– Calma, Charlotte! — ela detestava completamente que a chamassem de Charlotte, para ela, seu nome era Charlie e haviam errado no cartório, assim como o nome de Quinn era Quinn e não Lucy, mesmo que a menina fosse sua irmã gêmea, ás vezes ela ainda se pegava em momentos de confusão. "Lucy? Que Lucy? Ah, está falando de Quinnie!" — O que houve? — perguntou a mulher, olhando a neta ofegante.

– Isabelle! Ela vai colocar uma aranha no meu cabelo! — reclamou, enquanto Frannie vinha da sala.

– Aquela pirralha vai fazer o que?! — perguntou, indignada, seu estágio de irmã protetora começando a acordar, Quinn surgiu atrás dela e observou a cena. — Ah, de jeito nenhum,ela vai se ver comigo e é já pra aprender a mexer com as minhas irmãs!

– Ora, Fran, deixe de ser boba! Bel não vai colocar nada em seu cabelo, Charlo... Char, e você, Frannie, por favor, elas são crianças, não brigue com crianças. — pediu a mulher, calma e olhando Frannie como se a estudasse enquanto a menina engolia os milhões de pensamentos conflitantes sobre como Isabelle não era uma criança e sim um demônio vindo do inferno. — Além disso, falei com Sra. Pierce hoje, a principal professora da escola da Srta. Pinky, a melhor de Lima, e ela concordou em assistir a seu teste, Frannie, com sorte poderá participar das festividades de natal! — falou, Frannie sorriu fracamente, aquela era uma das coisas que ela gostava na avó, Kirsty estava sempre procurando uma forma de ajudá-las.

– Vovó! Você é a melhor! — afirmou a garota, abraçando a avó com força.

– Eu sei disso, agora vamos almoçar antes que a comida esfrie. Isabelle! Almoço! — gritou, enquanto todas elas se sentavam á mesa, a pestinha apareceu alguns minutos depois com a cara toda manchada da inconfundível maquiagem caríssima de Frannie.

– E aí, Família! Olha como eu tô linda, vestida como uma bailarina! — disse a garota, imitando Frannie, o que fez a menina soltar uma espécie de rosnar gutural e saltar da mesa.

– Sua diabinha do inferno! — começou a correr atrás da menina pela casa enquanto ela gritava, Kirsty e as gêmeas almoçavam calmamente.

A família Fabray era uma família interessante, o filho mais velho de Kirsty e Joseph, Cody, tinha um filho único com sua esposa, chamado Cody Jr., depois tinha Lois, a segunda filha, ela tinha uma filha de vinte anos de seu antigo casamento chamada Danielle, então ela se casou de novo com um homem que já tinha Gemma, de 22 anos e Harry, de dezoito anos, e com ele teve Isabelle, que hoje tinha oito anos. Peter tinha Louis, de 21 anos com sua ex mulher Martha, mas nunca se casara de novo. E então tinha Judy com Frannie e as gêmeas. O lado de Russell parecia extremamente tedioso, a não ser pelo mistério ao redor de Margaret Fabray. O caminho para a escola de balé da Srta. Pinky foi caótico, Charlie jogava Assassin's Creed escondido no PSP de Frannie, Quinn cantava alguma música da Dionne Warwick, que sempre ouvia porque Judy adorava, igualmente quanto á sua xará, Judy Garland, Frannie tentava bater em Isabelle no banco de trás e Kirsty tentava conter as quatro sem bater o carro.

– Amém! Chegamos! — a mulher mais velha falou. — Desçam todas vocês! — abriu a porta e as meninas saíram devagar, todas usavam roupas de balé, menos Isabelle, que considerava dança de patricinha (o que gerou alguns petelecos da parte de Frannie). Elas entraram e uma mulher loira, alta e elegante veio falar com Kirsty.

– Kitty! — cantarolou, saudosa, Kitty era o apelido de Kirsty entre sua roda de amigos quando ia aos projetos de caridade.

– Karen! Como estão as aulas? Me disse que podia trazer minhas meninas para fazer o teste. — perguntou a mulher, Karen as olhou e sorriu.

– Essas são suas netas? Deixe-me ver se consigo adivinhar, Frannie. — ela apontou para Frannie, realmente. — Charlie. — Errou, apontou para Quinn. — Quinn.

– apontou para Charlie. — E Isabelle. — Acertou.

– Na verdade eu sou a Charlie e ela é a Quinn. — a garotinha explicou, fazendo a professora sorrir.

– Ora, desculpe. — falou, acariciando os cabelos loiros de Quinn. — Vou precisar de Frannie agora, a classe das meninas mais velhas acabou de começar, Esther, leve Quinn e Charlie para a sala de espera, por favor? Vamos cuidar bem de suas meninas, Kits. — disse, abraçando Kirsty, que foi embora com Isabelle.

As gêmeas foram com Esther para a sala de espera, que era onde as alunas ficavam antes das aulas, tinha algumas mesinhas, alguns brinquedos e uma televisão onde passava um recital de balé em Milão, o chão era de uma madeira escura e as paredes eram brancas repletos de quadros das bailarinas que já passaram por ali, mas nenhuma delas viu nada disso além de uma morena pequena sentada em uma das cadeiras ao lado de sua mãe.

– Santana! — Charlie gritou, indo abraçar a pequena latina, que ficou surpresa, mas retribuiu o abraço com o mesmo entusiasmo, e logo depois abraçou Quinn.

– O que fazem aqui?! — perguntou, ainda surpresa.

– A gente vai fazer aulas aqui também! Você estuda aqui desde quando? — perguntou Quinn, estudando a morena, que era uns quatro dedos mais baixa que ela.

– Comecei hoje porque certa mamãe não consegue me deixar assistir TV em paz! — resmungou um pouco mais alto para que Angélica ouvisse, fazendo a mulher dar um sorrisinho.

– A gente vai se mudar para Lima daqui a quatro dias, estamos na casa da vovó K. — Charlie explicou, e nesse momento Esther colocou a cabeça para dentro da sala e sorriu docemente para as três meninas.

– Karen perguntou se não querem ver a aula das meninas mais velhas... Tem algumas cadeiras vagas... — ofereceu, e as meninas foram com ela, enquanto Angélica ia embora, pois tinha combinado de ir buscar Santana no final da aula. As três sentaram em cadeiras de madeira clara encostadas ao canto da sala de balé, que era um salão de piso claro totalmente forrado com espelhos e corrimãos para as bailarinas se apoiarem, todas ali pareciam ter de 12 a 16 anos, dançavam graciosamente, comandadas pela professora loira e elegante, que gritava os nomes dos passos em francês e era prontamente atendida, as três só conseguiam pensar no quanto aquilo parecia difícil.

– Muito bem, meninas, vamos nos preparar agora para começar a ensaiar para o primeiro ato do recital de natal e... Ah, Olá, Brittany! — todos se viraram para a porta, uma menininha loira muito parecida com Karen, usava o collant preto da escola, os cabelos presos em um coque e tinha os olhos azuis muito claros, ela não parecia ter mais de seis anos. — Obrigada, querida, resolveu tudo com Bárbara? — Santana não conseguia tirar os olhos dela, assim como as gêmeas, mesmo que todas as alunas agissem com indiferença.

– Sim, mamãe, ela disse para usarmos o enfeite de fundo que usamos em Lago dos Cisnes na cena do suicídio. — ela falou, olhando a mãe com atenção. — Só nunca entendi como um cisne se afogou em um lago, cisnes não respiram embaixo d'água? — perguntou, com um semblante sério, Karen apenas riu e a empurrou levemente em direção ao canto da sala.

– Se alongue e se junte ás outras meninas. — ordenou, voltando a falar os comandos, as gêmeas voltaram a assistir as meninas dançando (inclusive Frannie, que parecia pegar os passos incrivelmente rápido com a ajuda de uma garota mais velha que ajudava a professora e passava para as novatas a coreografia), mas Santana ainda olhava atentamente a menina loira que seguia todos os passos das mais velhas com perfeição, ela era filha da professora, pelo que havia entendido, mas como uma menina tão nova estava em uma classe de meninas tão mais velhas? Depois que a aula acabou, todas as alunas foram embora, menos Frannie, que se sentou nas cadeiras para ver a aula das irmãs mais novas, e a filha da professora, Brittany, que se sentou em um canto, ofegante pelos treinos e observou enquanto as alunas mais novas entravam na sala e falavam com a professora, que já havia cumprimentado as gêmeas e Santana devidamente.

Karen estava apenas começando a ensinar crianças menores, já que nas antigas escolas em que lecionou, as diretoras a colocaram com meninas mais velhas, geralmente as que tinham um maior futuro no ramo, mas ela gostava de ver crianças tão novas ali, era importante que conhecessem a dança desde bem cedo, ela mesma se orgulhava que sua filha única começara a dançar aos dois anos, tanto que agora, aos seis, já assistia aulas com meninas no mínimo dez anos mais velhas, claro que Brittany tinha um dom natural, desde que aprendera a andar ficara bem óbvio sua desenvoltura, mas mesmo assim, acreditava que podia ser muito divertido para crianças menores. Agora Brittany encarava Santana de seu lugar no cantinho, nunca havia visto uma menina tão bonita.

– Muito bem, meninas, hoje nós temos alunas novas, deem as boas vindas para Quinn, Charlotte e Santana. — apresentou Karen, e todas as meninas fizeram uma reverência que sempre faziam para alunas novas. — Muito bem, Lillian, pode vir aqui? — chamou a aluna que fazia á mais tempo, uma menina de oito anos ruiva, ela andou até perto da professora. — passe para as meninas os comandos básicos de pé e mão, por favor? — ela pediu, mas então se lembrou de uma coisa. — Aliás, você precisa ficar na segunda fileira, não podemos atrasar os ensaios dos bichinhos da floresta. — reclamou, pensativa. — Ah, já sei, Britt, querida, venha aqui!

– Sim, mamãe? — perguntou a loirinha, indo para perto da mãe, que pediu a mesma coisa que disse para Lillian. — venham comigo. — chamou a loira, conduzindo as gêmeas e a latina. — eu sou Brittany. — se apresentou, fazendo a reverência. — tia Bárbara insiste para nos apresentarmos a outras meninas assim aqui dentro.

– Prazer, Brittany, sou Quinn. — a garota tentou fazer a reverência, mas se enrolou toda, causando risadas em todas elas.

– Você pega o jeito. — afirmou Britt, rindo.

– Sou Santana. — afirmou a latina, fazendo a reverência com destreza.

– E eu sou a Charlie. — a pequena afirmou docemente. A aula correu rápido enquanto Brittany passava os passos básicos da coreografia que via a mãe ensinar todos os dias, no final da aula, elas se reuniram na sala á espera de suas mães (Karen ainda tinha uma aula para a classe de iniciantes adultos), elas ficaram brincando com blocos de lego até que Angélica e Kirsty chegassem, estava formada ali uma linda amizade entre as quatro, que nunca iria se romper, mesmo que se desgastasse, um laço para a vida toda.

Notas finais
Hey pessoal, gostaram do capitulo? espero que sim! comentem por favor :D