Being A Happy Family
27 Cap. 26 | 2009 | Lima, Ohio | One And A Half.
— Um e meio, Santana. — a voz grave de Angélica reverberou pela cozinha. — o que você tem na cabeça? Minhoca? Quer virar uma porca? — a menina abaixou a cabeça e baixou o biscoito que tinha na mão, parecendo envergonhada. — Responde Santana!
- Não, mamãe... — ela disse, colocando o biscoito no prato.
- Você acha que eu sou idiota, Santana? Acha que eu esperei nove meses e tive uma gorda? — a voz da mulher cuspia desprezo e a menina podia sentir as lágrimas chegando aos seus olhos. — Você comeu mais do que devia! Eu disse que só podia comer um e meio e você comeu três!
- Mas... — ela tentou dizer, sendo logo cortada.
- Mas NADA! Se livre disso! Se livre disso agora! — a mulher praticamente gritou.
Flashes vinham na cabeça de Santana, uma menina de doze anos vomitando no vaso sanitário, lágrimas, gritos... Ela só queria ser amada, pela sua mãe, que ela nunca imaginou que um dia fosse machucá-los tanto... Sentiu o líquido escuro escapar de sua garganta e cair no vaso, então deu descarga e se encolheu debaixo da pia.
Abraçou os joelhos e encarou a escova de dentes na sua mão, uma escova azul que ela usava desde pequena para um único propósito, nunca entendeu porque fazia aquilo, começou com apenas nove anos, sua mãe a havia ensinado na verdade, e ela se pegava perguntando que tipo de mãe horrível ensinaria aquilo para sua filha de nove anos.
Mas na época, Angélica era apenas sua mãe, e que tipo de menina de nove anos questiona a mãe ou acha que talvez o que ela lhe ensina esteja errado ou não lhe faça bem? E cada vez que ela fazia aquilo, sua mãe parecia mais satisfeita com ela, e ficava feliz, e hoje... Só não conseguia parar. As lágrimas começaram a nascer em seu rosto enquanto ela se lembrava disso, ouviu batidas fracas na porta.
— Santy? — a voz doce de Brittany veio da porta e a morena enxugou as lágrimas com cuidado, se levantou e colocou a escova no copo ao lado da pia, então abriu a porta, a loira estava parada ali, ainda usando o uniforme das líderes, com uma bolsa vermelha de lado provavelmente com suas roupas.
- Como você entrou? — perguntou para a loira, passando por ela na porta e indo até sua cama.
- Seu pai deixou, ele disse que estava aqui em cima. — a garota esclareceu, sentando ao lado da latina na cama. — você está bem? Parece pálida.
- Ah... Claro, eu só... Estou cansada. — a morena sussurrou e deixou seu corpo cair para trás, Brittany a fitou ainda sentada, antes de se deitar ao lado da morena, fitando seu rosto, ela estendeu o braço e começou a brincar com as mãos de Santana que descansavam em seu abdômen.
- Santana? — perguntou depois de alguns minutos de silêncio e a morena a olhou. — você ama a Charlie? — ela foi direta, e aquilo fez o estômago da latina dar uma volta completa, ela se inclinou sobre a loira e fitou seu rosto. — Você... Olha pra ela, e fica cantando com ela, e tá sempre preocupada com ela.
- Claro... Claro que eu amo a Charlie, Britt... — a latina sussurrou, fitando o rosto de Brittany, que pareceu instantaneamente triste.
— Você me ama, Santy? Tudo aquilo... Os beijos... E o sexo... E aquilo... Tudo... Você... Me ama? — ela perguntou, entre lágrimas, Santana se sentou e pegou o rosto da loira entre as mãos, fazendo com que a garota a fitasse, com a respiração falha.
- Britt, Britt... Olha para mim! — a latina pediu, e a loira a olhou. — eu... Amo... Você... Mas eu amo a Charlie também, eu amo você, agora, aqui nesse quarto, eu amo você, e quando você sorri, e quando me olha desse jeito, e coloca meu cabelo atrás da orelha e quando olha nos meus olhos, eu SEI que eu amo você, mas... Mas eu também a amo, e amá-la tem doído em mim desde os seis anos, mas também me acalenta, é como dormir, me deixa descansada e alegre e é como se cada sorriso dela me recompensasse mais que o anterior, e... Te amar? Te amar não dói, te amar arde, arde de um jeito bom e de um jeito ruim ao mesmo tempo, me faz sentir flutuando e sentir seu cheiro o tempo todo, e... Eu sou uma completa idiota, eu não sei lidar com metade do que eu sinto, eu nunca soube, as pessoas sempre têm mais poder sobre mim do que eu mesma e eu acabo ficando presa por causa disso, e eu amo as duas pessoas mais incríveis que já pisaram na face dessa terra e não posso me permitir machucar nenhuma delas, simplesmente porque eu não resistiria, não resistiria machucar nenhuma de vocês. — nesse momento ela acariciou delicadamente a bochecha de Brittany, que já tinha os olhos azuis brilhando. — dói em mim também, amar vocês duas e não saber o que eu vou fazer da minha vida sem qualquer uma das duas, porque eu sou uma idiota, uma idiota que não seria capaz de dar adeus a nenhuma de vocês, e eu posso te machucar, tipo... Muito, eu posso partir seu coração em dois e o da Charlie também, e é isso que você precisa me perguntar, é isso que você precisa saber, nunca duvide que eu te amo.
- Eu nunca duvidei. — Brittany disse, então olhou bem fundo nos olhos de Santana, tentando ver mais alguma pista de como compreender o que tinha acabado de ouvir. — você não vai partir meu coração, enquanto você estiver por perto, você NÃO vai partir meu coração, porque meu coração... Ele só precisa de você para bater, só isso, nem mesmo isso, ele só precisa de metade, só metade, mesmo que nós nunca sejamos um casal, nunca sejamos duas... Não emocionalmente, mesmo que sejamos só... Uma e meia, eu vou passar o resto da minha vida, lutando para trazer sua outra metade até mim, ou morrerei tentando, porque... Mesmo que... Você a ame... Eu sei, que você me ama, agora eu sei, e eu só precisava saber disso. — a loira disse, acariciando a bochecha da morena com cuidado.
- Eu não mereço você. — Santana disse, então a loira se inclinou e beijou-a cuidadosamente, como se ela fosse de porcelana.
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- Ah, vamos lá! Você não precisava de mais bacon! — Quinn reclamava, pegando as chaves da bolsa para abrir a porta.
- Bacon é minha necessidade básica! Depois de quadrinhos e videogame! Que tipo de irmã é você que quer me tirar o meu bacon?! — perguntou Charlie, parecendo indignada enquanto a irmã gêmea abria a porta de casa.
- Tenha santa paciência! Bacon NÃO é a necessidade básica de nenhum ser vivo! A não ser um porco! — Quinn reclamou, enquanto as duas andavam pelo hall até a sala que vinha antes da cozinha.
- Quando você se tornou tão irracional?! — a loira dezessete minutos mais nova reclamou mas então as duas se calaram ao perceber que tinham visita, Maggie estava sentada no sofá, usando um vestido florido, com as pernas cruzadas, de frente para Russell Fabray, que olhou as duas meninas como se o tivessem cortado com uma faca. — Ma... Maggie? — Charlie perguntou, paralisada com as sacolas de compras na mão.
- Hey... Charlotte, Hey Lucy. — a mulher falou, parecendo nervosa. — eu só... Passei aqui para falar com Russell, podem se juntar a nós em alguns minutos?
- Ah... Claro, eu acho. — Quinn disse, e então ela e a irmã foram guardar as coisas na cozinha e depois foram para a sala, onde Russell e Maggie se olhavam longamente, eles pareciam não se reconhecer, e aquilo fez Charlie se sentir estranha, ela se pegou pensando se um dia se sentiria assim com Quinn ou Frannie, como se não as conhecesse.
- Sentem meninas. — Russell mandou, e as duas olharam de um sofá para o outro sem saber qual escolher e se fazia alguma diferença, acabaram se sentando nas poltronas. — Margaret veio falar comigo hoje, e... Eu devo dizer que estou decepcionado com vocês, as duas, por esconderem que a haviam encontrado.
- Russell... Eu as pedi para fazer isso, eu vim atrás delas, não as culpe por nada disso. — a garota falou, temerosa pelas sobrinhas, se ela bem conhecia o irmão, ele estava prestes a explodir.
- Não venha me dizer o que fazer! — ele gritou irritado, se erguendo um pouco do sofá. — Tem alguma ideia de como papai ficaria furioso com você, Margaret?! Vivendo no pecado! Casada com outra mulher! Isso vai te levar direto para o inferno! E ia sugar minhas filhas pro inferno também! Para o pecado! Você as estava levando para um ninho do demônio!
- Não me venha falar de inferno! — a mulher debateu. — eu tenho cinco filhos! Cinco filhos saudáveis e que vão ter uma vida boa e longa! Cinco! Eles são crianças maravilhosas, e quando eu me casei com Annie, eu casei porque a amava demais, não é isso que deus quer? Amor, Russell! Você nunca soube o que era isso! O que eu vivo não é um pecado. — ela falou a última sentença bem mais calma. — nunca foi, eu fui atrás de exatamente o que queria e hoje eu sou mais feliz do que um dia poderia imaginar, o meu deus não condena a felicidade, o meu deus, não condena a felicidade, o meu deus é amor, não castigo e condenação, queria meu irmão comigo, mas agora, eu vejo que você não mudou nada, continua sendo o mesmo atleta imbecil e egocêntrico que deixou a própria irmã por uma merda de uma herança, e sendo assim, EU é que não quero você perto dos meus filhos. -ela disse, então se levantou e deixou a sala, olhando uma última vez para as sobrinhas, que estavam atônitas, depois que a mulher foi embora, Russell parecia prestes a ter um ataque cardíaco, estava vermelho e apertava os punhos.
— Vão as duas para o quarto, AGORA. — gritou, e as irmãs se levantaram mais que depressa e subiram, sabiam que não adiantaria de nada falar com ele agora.
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Charlie terminou de arrumar o cabelo em frente ao espelho, ele caía em ondas nos ombros da loira, cobrindo um pouco do seu vestido cor de rosa shock colado no corpo, pegou os sapatos na mão e foi até a janela, pulou para o galho maior do Carvalho ao lado da sua janela e foi descendo pelos galhos antes de dar um grande salto com os pés descalços na grama fofa, mais á frente na rua ela viu a caminhonete de Mike e correu até o fim da rua, ela ia acompanhar o garoto em uma festa de seu primo.
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Enquanto isso, no banheiro, Quinn encarava o pequeno bastão nas mãos, ela o havia comprado escondido de Charlie no mercado, agora ali estavam, duas marcas roxas dentro do pequeno círculo. Positivo.
Notas finais
Bom, espero que tenham gostado do capítulo e do momento Brittana :3 Até o próximo capítulo e não esqueçam de comentar!
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