Being A Happy Family

23 Cap. 22 | Columbus, Ohio | 2008 | A Therapist


- Então... Você está aqui por causa de um acesso de raiva? — a médica perguntou, ajeitando os óculos e cruzando as pernas em sua poltrona de couro marrom, ela tinha dedos longos e brancos, os olhos de Charlie se perderam naquele pequeno detalhe, antes que formulasse uma resposta aceitável.

- Não exatamente, foram dois na verdade. — a loira sussurrou, um pouco envergonhada, fitando as próprias mãos no colo, a sala da Dra. Patmore cheirava a pinho e ela ainda não acreditava que a haviam arrastado até Columbus só para uma consulta quando ela podia muito bem ter se consultado em Lima, ao lado da poltrona em que se encontrava tinha uma grande vasilha de vidro cheia de bolinhas para desestressar, Charlie pegou uma rápido e a apertou entre as palmas das mãos.

- Poderia descrevê-los? — a mulher pediu, os olhos presos em cada movimento da paciente, como se cada respiração devesse ser estritamente estudada, aquilo deixou a loira um pouco mais nervosa, os olhinhos escuros de pássaro da doutora brilhavam para ela, como se achasse cada piscar de Charlie interessante, ela se sentia como um peixe em um aquário.

- Ahn... Não sei se devo. — a menina disse, passando a bolinha de uma mão para outra várias vezes, ela tinha o padrão de uma mini bolinha de futebol, o que fez com que Charlie se sentisse mais segura, ela não sabia porque, mas sentiu cheiro da grama recém cortada nos treinos de abril.

- Eu estou aqui para te ajudar, Charlotte, espero que saiba disso, mas nós precisamos ter um quadro das informações para chegar em um diagnóstico, receio que não chegaremos a canto nenhum se não quiser falar, estou certa de que podemos manter o que me diz aqui em sigilo. — a mulher disse calmamente, ela era nova, parecia ter em torno de 27 anos, longos cabelos loiros, corpo esguio e usava roupas de cores escuras, ela era até bonita, e algo nela lembrava Charlie de Santana, aquilo a fazia querer contar o que aconteceu e ela se perguntou se aquilo não era um truque da terapeuta.

- O primeiro... — começou, trocando a bolinha por uma outra da tigela, essa era azul e tinha várias protuberâncias, a médica gesticulou para que a paciente continuasse. — minha melhor amiga... ela tem a minha idade, e... Esse ano, ela perdeu a virgindade. — Charlie disse, e então parou.

- Não conte nada a ela, Charlotte, isso não está certo, fique quieta, não fale nada. — Julie apareceu ao lado de Charlie, sussurrando em seu ouvido e ela tremeu de raiva, não queria discutir com Julie e parecer maluca na frente da médica.

— E ela ter... Perdido a virgindade te incomoda? — a médica perguntou, sem jeito, depois de anotar algo em sua prancheta.

— Não exatamente. — Charlie pensou em sua resposta, vendo Julie se materializar atrás da médica e espiar por cima do ombro da mulher. — o garoto... Não foi nada legal... Com ela, não foi exatamente um estupro ou algo assim porque ela queria, eu acho que queria, mas, depois ela estava muito mal e o garoto tinha machucado ela... De alguma forma, eu não sei como.

- E aí, você ficou com raiva desse garoto? — a mulher perguntou, arqueando as sobrancelhas bem feitas, Julie se sentou na terceira poltrona e imitou as ações da médica, o que deixou Charlie irritada.

- Pare com isso! — reclamou, irritada, para sua cópia, o que fez a médica arregalar os olhos e procurar com o que quer que Charlie falasse, na hora que percebeu isso, a loira mais nova se arrependeu. — Me desculpe, Dra. Patmore. Eu... Fiquei com muita raiva dele.

- Charlotte, tem mais alguém na sala com a gente? — perguntou, a garota abriu a boca para negar, mas percebeu que não adiantaria.

- E-eu não sei. — falou, percebendo que Julie sumira. — ela... É uma versão maldosa de mim, eu acho. — falou, insegura.

- Você está me dizendo que tem dois lados seus? — a doutora tentava entender.

- Existem dois lados de todo mundo, não é mesmo? — perguntou, arqueando as sobrancelhas.

— Com certeza, mas normalmente ele não se expressa fisicamente. — a mulher explicou, juntando as mãos no colo.

- Você acha que eu sou louca? — a garota perguntou, preocupada.

- Não, Charlotte, de forma alguma. — garantiu. — acho que nosso tempo acabou. — checou no relógio e se levantou, sendo seguida pela paciente. — entrarei em contato.

— Obrigada, Dra. — Charlie agradeceu.

- Eu que agradeço, você não é louca, Charlotte, está doente, mas isso nós podemos cuidar. — afirmou a médica.

- O que eu tenho? — os olhos de Charlie se encheram de lágrimas.

- Vou pedir exames, mas acredito, que pelo seu histórico, seja um transtorno bipolar, isso é perfeitamente tratável com medicamento e acompanhamento terapêutico. — explicou a médica, e a paciente assentiu.

- Obrigada, Dra. — repetiu, saindo da sala.

Lima, Ohio — Na mesma hora.

POVSantana

Eu e Brittany estávamos no meu quarto, eram por volta das 16h da tarde e nós trocávamos um beijo ardente, os Fabray tinham viajado e Brittany tinha dormido ali aquela noite. Beijar Brittany assim, na minha cama, não era incomum. A gente gostava de passar um bom tempo assim em nossos quartos: mais no meu do que no dela porque tia Karen e tio Peter desconfiavam e batiam toda hora à porta caso a gente demorasse um pouco mais, enquanto que Papi estava sempre ocupado demais para isso e na maioria das vezes ficávamos sozinhas.Mas Brittany estava com uma atitude diferente aquela tarde.

Era como se quisesse muito mais do que curtir nossos beijos e pequenas carícias. Ela tirou a camisola e ficou só de calcinha. Fiquei paralisada. Já a tinha visto nua inúmeras vezes, mas aquilo era diferente, eu sentia como se fosse diferente.

- San... – Brittany segurou o meu rosto com carinho, os olhos azuis brilhando – eu quero que você seja a minha primeira.

- Britt... – eu estava nervosa, detestava admitir isso – Agora? – ela acenou – Por quê?

— Por que sinto é o que devemos fazer, eu te amo, Santy, hoje é o dia perfeito. E estou com vontade.

— Isso dói! Não quero te machucar! — reclamei, tendo flashes da noite com Thomas e tremendo internamente.

— Por favor... – disse em voz rouca, suplicante, ela sabia que ganharia assim – eu preciso de você!

- Mas... — ainda tentei negar. Ela me cortou com um beijo. Pegou uma das minhas mãos e a levou até os seios. Eu já tinha tocado os seios dela, mas só por cima da roupa. Sentir a pele era incrível. Eram tão macios e convidativos. Brittany me encorajou a seguir adiante e experimentei levar um deles até a boca.

Gostei da sensação e Brittany pareceu apreciar muito mais. Gastei um pouco mais do meu tempo por ali, sentindo seu coração perto da minha bochecha. Então a senti abrir as pernas e começar a se tocar por debaixo da calcinha. Fiquei observando até sair da hipnose e tomar uma atitude. Tirei a mão dela de lá, retirei a última peça de roupa e decidi eu mesma explorar a área. Brittany saltou os quadris quando a toquei. Ela estava tão molhada. Mudei minha posição para entre as pernas e, ali sentada a massageei o clitóris dela, assistindo as reações que provocava na minha melhor amiga. Aquilo parecia ser muito melhor para ela do que era para mim.

Senti que fazia direito, que ela estava tendo todo prazer e eu também, embora não estivesse recebendo nada, aquilo era diferente, muito diferente, eu me sentia incrível por dar tudo aquilo a Brittany, fazê-la se sentir assim.

- San... – ela sussurrou, sem fôlego, tocando os próprios seios – Seja a minha primeira... por favor! – Precisava fazer certo, direito. Mas tinha medo de machucá-la se colocasse meus dedos. Pensei em usar a boca, como nos vídeos que via na internet antes da minha primeira vez. Depois daquilo nunca mais assisti pornô escondida na calada da noite. Tomei raiva. Mas estar ali com ela... era bom. Experimentei ainda hesitante. Não sabia se ia gostar. O odor que Brittany exalava era convidativo.

Respirei fundo e a toquei com a minha língua. Ela deu mais um salto nos quadris que me assustou.

— San... continua – nunca a vi tão ofegante na minha vida. Repeti o gesto com mais firmeza e comecei a beijá-la ali. Brittany segurou minha cabeça. Pediu para não parar. Eu não parei. Mais um pouco e o corpo dela estremeceu forte, a respiração parou. Então ela relaxou de vez. Pensei que ela teve um orgasmo, mas ainda tinha dúvidas. — San... – ela estava com um sorriso bobo nos lábios, os olhos brilhavam ainda mais do que antes – isso foi ótimo! Mas ainda falta...

- Britt, por favor. Isso dói – insisti. Depois de algo maravilhoso que tinha acabado de acontecer, não queria estragar tudo com penetrações dolorosas.

— Mas tem que ser você, San... eu te amo e a gente precisa fazer isso com quem mais se ama — Ela me encarou nos olhos. Me beijou com paixão e eu respirei fundo. Num ponto ela tinha razão: a gente precisava fazer aquilo pela primeira vez com quem se amava. Eu não fiz e me arrependi amargamente. Escorreguei minha mão até o sexo dela e a penetrei devagar com um dedo.

Ela respirou mais forte e eu me mantive estática. Depois inseri o segundo e aconteceu o mesmo. Sei que ela sentiu dor e incômodo, mas acreditava que não era tão ruim como aquilo que senti. Esperei que ela tivesse o tempo que não tive. Então Britt abriu os olhos e era incrível como aqueles azuis tão claros estavam escuros, pupilas dilatadas.

— Acho que você... precisa mexer agora. — ela sussurrou, parecia calma.

— Tem certeza? – e Brittany apenas acenou. Fiz o que ela pediu. Primeiro devagar, num ritmo constante. Era incrível a sensação de ter meus dedos lá dentro: quente, macio, pulsante e úmido. Ela pediu para fazer mais rápido. Obedeci e só parei quando o corpo dela se contraiu como na primeira vez para relaxar por completo depois.

Retirei os dedos e a abracei. Será que tinha feito certo? Será que eu a machuquei? Estava cheia de dúvidas, mas não me atrevi a fazer perguntas naquele instante. Queria respeitar o tempo dela. Por isso fiquei em silêncio por bons minutos com ela em meus braços.

— Obrigada! — os olhos de Brittany eram sinceros – Obrigada por ter sido você – e me beijou – Isso foi incrível!

- Mesmo? – sorri de volta, estava orgulhosa de mim mesma e aquilo era estranho. Fiquei surpresa com a forma enérgica que Brittany recomeçou as carícias. Fiz um esforço para afastá-la ainda que de forma gentil. — Espera... – eu estava ofegante, nervosa.

— Mas é a sua vez! — ela disse, a voz um pouco aguda.

- Eu... eu tenho medo! — assumi, sentindo meus olhos se encherem. — Você confia em mim? — ergueu uma sobrancelha, acariciando meu rosto.

- Com minha vida! — afirmei, e era verdade.

- Então me deixa fazer você sentir a mesma coisa que eu! Foi lindo, Santana! — ela declarou, e eu tentei relaxar meu corpo e permitir as carícias, senti a mão dela em meu sexo e tive um sobressalto, mas respirei fundo e tentei relaxar, ela tocou meu clitóris e meu corpo tremeu, aquilo era bom... Ela fez círculos e eu estava ficando molhada, coloquei a cabeça em seu pescoço e me agarrei em seu ombro para me impedir de gemer.

Então ela me penetrou com dois dedos e eu mordi seu pescoço levemente, soltando um gemido baixo, ela esperou um pouco antes de começar a se movimentar e eu comecei a gemer mais alto, cada estocada e eu me sentia melhor, mais livre, e não doía como eu pensava que doeria, demorou pouco para que começasse a me sentir fria, muito fria, e aquilo era estranho, mas não era ruim, e então foi como se tudo dentro de mim explodisse, e eu gritei alto, aquela foi a primeira vez que tive um orgasmo. Aquele foi o momento mais lindo que trocamos.

Notas finais
Hey, pessoal. gostaram do capítulo? Sim? então comentem :3 Charlie, meu bebê sofrendo ç.ç e Santana fornicando u_u sorry, I'm chartana Shipper. Espero que tenham gostado do capítulo, não esqueçam de comentar. :D