Being A Happy Family

18 Cap. 17 | Lima, Ohio | 2008 | Landslide


No último dia de babá de Charlie, a loira experimentou uma sensação que nunca havia sentido, colocou Liam na cama com cuidado, ele havia adormecido em frente á TV há pouco tempo, olhou os gêmeos que dormiam calmamente em seus berços e quis silenciosamente que nunca tivesse que lhes dar adeus, ela tinha gostado, tinha gostado das confusões de Liam, do sorrisinho fofo de Johnny e dos passos hesitantes de June.

- Charlotte? — Annie apareceu na porta do quarto e olhou para a loira antes de checar as três crianças dormindo. — Maggie chegou, ela disse que quer falar com você.

- Ah... Ok, só vou... Terminar de ajeitar o Liam. — a loira disse, um pouco nervosa, o que Margaret poderia querer falar com ela? Será que tinha alguma reclamação? Será que Blaine teria percebido suas entradas furtivas em seu quarto? Depois de cobrir o pequeno, ela saiu pelo corredor até a sala, Annie e Maggie estavam de mãos dadas no sofá, Margaret parecia nervosa, sua perna tremia, o que fez Charlie arregalar os olhos, quase podia ver Russell fazendo aquilo quando estava impaciente, ou Quinn, que tinha a mesma mania.

— Hey, Charlotte. — Maggie gesticulou para que a mais nova se sentasse em uma poltrona de frente para o sofá.

- Charlie... Por favor. — a loira se sentou na poltrona cautelosamente. — o que houve?

- Nada, querida, você foi simplesmente maravilhosa com eles. — Maggie sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, dessa vez, a imagem de Frannie veio á mente da loira mais nova, Charlie forçou sua mente para tentar achar algum parente perdido, mas até onde sabia, seu pai tinha uma irmã mais nova que desapareceu e ela não sabia o nome, poderia ser Margaret? — o que eu queria conversar com você... É algo bem diferente, eu esperava que suas irmãs estivessem aqui, mas... Achei que você fosse aceitar melhor antes de enfrentá-las.

— Prossiga. — Charlie estimulou, cruzando as pernas e olhando a mulher loira com curiosidade, será que sua teoria recém formulada estaria certa?

— Joel Fabray conheceu Lucy Levesque em um pub, pelo menos foi essa a história que ele contou, Joel era duro, uma pessoa ridiculamente bruta, preconceituosa e religiosa, eles se casaram e tiveram dois filhos, Russell John Fabray e Margaret Julie Fabray. — ela falou rápido demais, e o queixo de Charlie caiu.

- Mas... Mas, como? — perguntou, chocada, ela não sabia se estava feliz, chateada, irritada, se abraçava Maggie, se gritava com ela, se chorava, eram um turbilhão de emoções que ela com certeza não estava pronta para lidar tão cedo.

— Quando eu tinha dezoito anos, percebi que estava em um beco sem saída, papai já planejava me casar com um cara asqueroso, filho de um amigo dele, eu não queria aquilo, não queria ser uma dama da sociedade com um casamento infeliz, cinco filhos que nunca quis ter e uma família com problemas mascarados, como a que vivi. — Charlie quase derramou uma lágrima, ela sabia como sua suposta tia se sentia, só tinha quinze anos e mal sabia lidar com todas aquelas emoções que vinham lhe tomando aqueles últimos anos, lembrava de seu pai, que mataria uma das filhas por um filho homem, das brigas com Judy que tantas vezes havia presenciado com suas irmãs, brigas que ninguém nunca teria conhecimento, enterradas na eterna fachada de família perfeita que na verdade nunca existira nem por um segundo. — eu tinha um sonho de ser bailarina, enfrentei meu pai, e primeiro Russell ficou ao meu lado e me disse que pediria para papai, mas logo ele ameaçou tirar o nome do filho mais velho do testamento e meu irmão me deixou, fui sozinha para NY fiz a minha carreira, lutei pelo que queria, consegui uma pequena fortuna, comprei uma casa um pouco antes de Blaine nascer, eu tinha 26 anos, eu conheci Annie três anos depois, ela já tinha o Cooper, que na época já era grandinho... Fiz a minha vida, nunca procurei por nenhum deles durante todos esses anos, eu me sentia traída, como se eles tivessem me matado internamente, e realmente o fizeram, me deixando sozinha quando mais precisei, passei todos esses anos longe deles, ressentida, mas quando os gêmeos nasceram no final do ano passado, a irmã de Judy entrou em contato comigo, ela me falou de vocês, de Quinn, Frannie, disse que eram maravilhosas, e eu soube na hora que tinha que conhecê-las, Annie aceitou que viéssemos para Lima porque era algo que eu queria muito, logo eu estava trabalhando na Dalton e foi sorte tê-la encontrado na loja naquele dia, você é uma menina incrível, Charlotte, só espero que não fique chateada comigo.

- ISSO É MUITO LEGAL! — a loira saltou da cadeira em cima de Maggie e a abraçou apertado, fazendo a loira mais velha se assustar.

POVSantana

Depois dos treinos das Cheerios eu estava realmente cansada, Sue pegou pesado com as meninas hoje, fazendo todas nós tentarmos o salto mortal duplo de costas individualmente, só eu e Brittany conseguimos, ela vinha treinando esse comigo desde o começo do ano, eu gostava de passar algum tempo com ela, Britt era uma de minhas melhores amigas e era realmente legal ouvir todas aquelas teorias maluquinhas dela, depois de um banho demorado, o vestiário já estava vazio, foi aí que me lembrei que não tinha carona, estava esperando ir com Charlie, mas ela já tinha ido ao seu emprego de babá, meu carro estava com um problema no motor e eu realmente tinha que ter me lembrado de avisar Char, torci os lábios em desaprovação e peguei meu celular, discando o número de abuelita. Ela atendeu depois de três toques.

- Oye, hija ¿dónde está? — a voz parecia animada na outra linha, o que me fez sorrir.

- Yo estoy en la escuela, abuelita ¿puede venir a buscarme? — pedi, me apoiando em um dos bancos do vestiário, ouvi um barulho perto da porta que ia em direção ao campo enquanto abuela resmungava alguma coisa para tio Gabriel na outra linha.

- Por supuesto, querida, sólo tiene que esperar un poco, sú tio Gabriel se me llenaba. — sorri com a voz de indignação de abuela.

- Tchau, abuelita, te quiero. — desliguei o telefone e resolvi ver se tinha alguém no campo, abri a porta e vi aquele grande espaço de grama completamente vazio, olhei para atrás da arquibancada e vi Brittany lá, ela estava estirada na grama fresca, os fones nos ouvidos e o ipod branco em cima da barriga nua, ela usava um top azul curto e um short preto, a camiseta preta jogada na grama ao seu lado, me aproximei cuidadosamente e joguei meu corpo na grama ao seu lado, mas ela não percebeu, o que eu achei engraçado, então cheguei um pouco mais perto e beijei seu pescoço delicadamente, então tirei seu fone e mordi o lóbulo de sua orelha, ela usava um delicado brinco de diamantes.

- Santana? — perguntou, de olhos fechados e com um sorriso no rosto.

- Hey Britt. — falei, pousando a mão na barriga nua dela e me deitando encostada ao seu corpo. — O que faz aqui? — perguntou ela, seus olhos azuis brilhando calmamente em um brilho divertido.

- Mi abuela está vindo me buscar, era pra eu ir com Charlie, mas acabei esquecendo de avisá-la. — falei, ajeitando uma mecha de seu cabelo dourado, era normal que eu fosse assim com as meninas, carinhosa e próxima, pelo menos com Brittany e Charlie, gosto de pensar que minha amizade com elas é diferente da minha amizade com Quinn.

- Mamãe está demorando por causa da aula de jazz da Alicia. — explicou Britt, e eu sorri, acariciando sua bochecha com as pontas dos dedos.

- Você sabe que eu te amo, né? — perguntei, olhando-a seriamente, eu não sabia ao certo porque, mas agora me parecia certo lhe dizer aquilo, ela me olhou de baixo, a respiração levemente ofegante e assentiu muito fracamente, movendo sua mão para tocar a minha.

- Eu amo você também. — avisou, acariciando o dorso da minha mão, desviei meu olhar que estava em seus olhos azuis para nossas mãos se encontrando e o contraste de pele bonito que ficava, então vi o ipod.

- O que estava ouvindo? — perguntei, delicadamente, pegando o fone que tinha tirado de seu ouvido. Era Landslide, do Fleetwood Mac, em meio aos versos, nossos olhos se encontraram e trocamos um olhar intenso.

Now I've Been Afraid of Changing, cause I built my life, around you, but time, makes you bolder, children get older, and I'm, getting older, too.

Me aproximei mais e ela fechou os espaço entre nós com um beijo tão profundo que senti meu estômago inchar em um milhão de borboletas enquanto jogava uma perna para o outro lado de sua barriga e ficava em cima dela, pela primeira vez na minha vida desde o beijo com Charlie na casinha da árvore, eu me senti viva.

Notas finais
gostaram? sim? então comentem u.u gosto de comentário e comentários são legais. Espero que estejam gostando da sequência de fatos :3