Beijo de Boa Noite
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Caio segurava a caneca fumegante, cheia de chocolate quente, enquanto encarava o amigo sentado no sofá a sua frente. Pedro estava estranhamente calado nos últimos dias e ele sentia que o loiro estava prestes a fazer algo que não iria gostar nem um pouco. Seu coração apertou ao imaginar que, talvez, ele estivesse se preparando para ir embora.
– O que você acha que vai acontecer?
A voz o tirou dos pensamentos e Caio fitou os olhos castanhos por algum tempo, apenas observando-o em silêncio. Sabia do que o amigo estava falando, mas não tinha ideia do que lhe responder. Ele havia perdido os pais há alguns anos e podia entender o que Pedro sentia no momento. Seu coração apertou e resistiu a vontade de envolvê-lo em um abraço, beijar-lhe o topo da cabeça e sussurrar-lhe que tudo ficaria bem, que sua dor nunca iria passar, mas depois de um tempo, ela diminuiria e que ele estaria sempre ao seu lado. Sempre.
Pedro parecia tão sensível e machucado que lhe dava a impressão de que iria quebrar ao menor toque. O moreno suspirou passando a mão direita pelo rosto. Caio detestava vê-lo desse jeito, mas não podia simplesmente confessar-se em meio a dor alheia.
A verdade é que sempre amou Pedro. Desde o momento em que o conheceu, ao mudar-se para a vizinhança em seus plenos dezesseis anos, após ter perdido os próprios pais e ter ido morar com os tios, Caio soube que aquele loiro de olhos castanho-mel, que lhe sorria docemente ao estender-lhe a mão e apresentar-se, o faria mudar seus conceitos de "somente diversão, sem compromisso" que havia adotado ao aceitar sua sexualidade.
Pedro era encantadoramente inocente em alguns assuntos, era tímido com outras pessoas, menos com Caio, incrivelmente bondoso, o que gerava várias brigas entre os dois, já que o moreno detestava vê-lo sendo feito de bobo pelos outros. Descobriu estar apaixonado pelo loiro após alguns meses que se conheceram e o chamou para dormir em sua casa. Depois de jantarem e subirem para o quarto do moreno, Pedro comentou o quanto seus pais eram simpáticos e legais e assustou-se ao ver como os olhos verdes de Caio entristeceram.
– Eles não são meus pais, são meus tios... Meus pais morreram há alguns meses.
Lembrava até hoje o modo como o loiro abriu a boca em surpresa e a cobriu com uma mão. Viu como os olhos dele demonstraram o quanto se sentia culpado e, quando sentiu os braços do mesmo o rodearem e os sussurros de perdão que Pedro lhe dizia, sentiu como se seu coração fosse saltar pela boca e derreter ao mesmo tempo. Escondeu a cabeça no pescoço de Pedro e logo sentiu os dedos longos acariciando seus fios negros, seus batimentos dispararam e um nó se formou em sua garganta.
Naquela noite Caio chorou o que não havia chorado desde sua perda e Pedro não o soltou em nenhum momento, pelo contrário, o aconchegou em seus braços e aguardou silenciosamente que o amigo se acalmasse, balançando seus corpos lentamente.
No dia seguinte, quando descobriu e admitiu estar perdidamente apaixonado pelo loiro, tentou não demonstrar seus sentimentos e não fazer nada que o denunciasse, pois mesmo que nunca tivesse visto ou confirmado algo, sabia que Pedro era hétero e que não possuía nenhuma chance.
O que Caio não sabia, e muito menos imaginava, era que Pedro nutria os mesmos sentimentos por ele. Naquela noite, ao ter o amigo preso em seu abraço e ouvir cada soluço que ele soltava, sentiu como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu peito e pisoteado. Sua vontade era de beija-lo e arrancar toda a dor que ele estava sentindo, confessar-se para ele e prometer que o faria feliz. Pedro faria o que fosse possível para fazer Caio feliz, tinha certeza disso.
Foi por isso que apenas continuou em silêncio, abraçando-o e o aconchegando até que o choro parasse. Sorriu docemente ao ouvir o pedido de desculpas envergonhado do moreno por ter se descontrolado, e apenas sorriu tocando a bochecha molhada, limpando as lágrimas com a ponta dos dedos, mesmo que sua maior vontade fosse de apaga-las com beijos, controlou-se, e fitou os olhos verdes intensamente. Caio não fazia ideia do quanto era lindo e como sua beleza era maculada com toda aquela tristeza. O silêncio perdurou por algum tempo, até Pedro ter certeza das bochechas alheias estarem secas, e o cortou com o juramento de estar sempre ao lado do moreno quando ele precisasse e que o ajudaria a ser feliz. O sorriso tímido que ganhou fez seu coração disparar e pensar outra vez em como o moreno era lindo. Caio, ao notar como o momento estava perturbadoramente íntimo, e perceber seu autocontrole se esvaindo enquanto a vontade de jogar-se novamente nos braços do outro e beijar-lhe como nunca, aumentava, afastou-se e disse um "Obrigado, cara" seguido de uma risada envergonhada.
Ao lembrar-se daquele momento, Caio percebeu o que deveria fazer novamente e, assim como quando o encontrou aos prantos ao descobrir da morte dos pais, levantou-se da poltrona, depositando a caneca na mesinha de centro, sentou-se no sofá ao lado de Pedro e o puxou para um abraço. Aconchegou-o em seus braços e beijou o topo dos cabelos loiros, logo começando a acaricia-los.
– A leitura do testamento ficou marcada pra quando? — Forçou-se a perguntar e sentiu o suspiro que Pedro soltou.
– Faltam dois meses ainda... — Respondeu e relaxou nos braços do moreno. Caio o trazia uma espécie de calma inexplicável.
– Você deu sorte. O dos meus pais levou seis meses. — Comentou e ouviu a risada sem humor do outro. — Desculpe. — Apressou-se e tentou esconder a tristeza que sentiu quando Pedro findou o abraço.
– Sabe que sou grato por tudo o que me fez, não sabe? — Perguntou e sorriu ao ver o amigo acenar positivamente com a cabeça. — Eu não sei o que teria sido de mim nesses dois meses se não fosse você, Caio. Acho que não teria conseguido seguir em frente, talvez eu...
– Ei... — Interrompeu o loiro e encarou intensamente os olhos castanhos que começavam a marejar. — Você cuidou de mim quando descobriu sobre os meus pais, não é? — Procurou a mão de Pedro e a apertou. — Você disse que estaria sempre comigo quando eu precisasse, não disse? – Os olhos verdes não se decidiam em qual ponto do rosto a sua frente se fixar. — Também disse que me ajudaria a ser feliz, não disse? Então, — continuou quando o loiro balançou a cabeça, concordando com um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. — eu também lhe digo isso. Nada mais justo do que lhe retribuir o que me deu aquele dia Pedro. — O dia em que me ensinou um outro tipo de amor. O dia em que me fez ficar apaixonado e me prendeu a você. Concluiu em pensamento e resistiu a vontade de soltar um suspiro.
Então era isso? Pedro sentiu o sorriso em seus lábios morrer e sumir lentamente. Caio não estava fazendo aquilo porque sentia algo a mais do que amor fraterno por ele. O moreno só estava fazendo aquilo porque se sentia na obrigação de lhe retribuir o favor. O nó em sua garganta aumentou e desviou o olhar. Se continuasse encarando aquelas duas bolas verdes e brilhantes sabia que começaria a chorar e não queria isso. Chega de ser fraco na frente de Caio. Ele teria de aprender a ser forte ou nunca conseguiria cumprir a promessa de fazê-lo feliz.
Mas antes...
Seus olhos voltaram a fitar os do amigo e Pedro mordeu o lábio inferior ao descer o olhar para a boca do outro. Ela lhe parecia tão convidativa e ele precisava prová-la, pelo menos por uma única vez, já que sabia que seria a primeira e última. Havia se decidido que iria embora, pois Amanda, uma garota que não escondia o quanto era apaixonada por Caio, lhe disse o quanto deveria estar sendo um incômodo para o amigo. Estar hospedado há dois meses na casa dele com aquele ar depressivo... Caio deveria estar sofrendo tanto! Logo ele que era alegre e animado o tempo todo. Aquelas palavras foram como um tapa na cara de Pedro. Ele reconhecia o quanto o amigo se esforçava para que ele se distraísse e não se entristecesse ainda mais, sempre inventando coisas novas.
Com um suspiro de resignação, levantou-se do sofá e tentou ignorar a face confusa do amado. Já havia tomado sua decisão, iria embora de madrugada, antes que Caio acordasse, e deixaria uma carta em cima do travesseiro. Sabia que se tivessem de se despedir, o moreno o faria mudar de ideia e não queria que isso acontecesse. Virou a cabeça e encarou os olhos verdes que lhe faziam uma pergunta muda. Seu coração acelerou e ele ligou o foda-se. Baixou o corpo lentamente e observou como Caio encostou-se ao sofá, encarando-o de volta intensamente, quase como o desafiando a prosseguir. Pedro pensou em desistir, mas lembrou-se de que não haveria outra chance. Suas mãos moveram-se para o rosto ansioso do moreno e tocaram as bochechas, sua boca se aproximou e tocou lentamente nos lábios de Caio, em um selinho longo e casto.
Afastou-se e se endireitou rapidamente, preparando-se para sair da sala quando a mão de Caio em seu pulso o impediu.
– O que foi isso? — Perguntou, sentindo como se seu coração tivesse se transformado em uma escola de samba e a esperança cresceu em seu peito. Tentou não demonstrar o quanto havia ficado mexido e controlou-se para não puxar Pedro e o agarrar imediatamente. Antes precisava ouvir sua resposta.
O loiro sentiu a garganta secar e, resistindo a vontade de desviar o olhar, continuou o encarando intensamente. Esperava que Caio ficasse surpreso o bastante e em choque para que o desse tempo de correr. Respirou fundo e puxou a mão que era segurada firmemente.
– Apenas um beijo de boa noite. — Respondeu simplesmente, torcendo para que o outro engolisse e o deixasse ir.
– Beijo de boa noite? — Caio arqueou uma sobrancelha e o encarou, desconfiado.
– Sim. Vou dormir agora, até amanhã. — Pedro respondeu e deu-lhe as costas, controlando-se para não sair correndo.
Caio observou o loiro desaparecer pelo corredor e tocou os lábios. Beijo de boa noite, né? Claro que sim... Mentiroso. Pensou consigo mesmo. Sua suspeita de que o amigo estava escondendo algo se confirmou e não gostou nem um pouco disso.
Fugido. Pedro sabia que havia fugido, mas como não fugir depois de ter feito o que fez? Como havia tido coragem de beijar seu melhor amigo e ainda fingir tanto descaso? Passou a mão pelos cabelos loiros, bagunçando-os ainda mais e encarou as malas arrumadas e prontas. Eram apenas uma mochila e uma bolsa, não havia trazido tanta coisa para a casa do moreno já que não pretendia passar tanto tempo, mas toda a vez que começava a insinuar sua partida, Caio ou mudava de assunto ou deixava claro que não aceitaria que fosse embora. Suspirou e decidiu dormir, afinal, acordaria as quatro da manhã para voltar a sua casa e encarar a realidade de frente.
Caio não havia pregado o olho. Apagou todas as luzes da casa, fingindo ter ido deitar-se também, mas sentou-se novamente na poltrona de antes, que ficava parcialmente escondida na sala e tinha a visão da porta da frente. Tinha certeza que Pedro planejava ir embora e ficaria ali aguardando-o, pronto para impedi-lo, nem que precisasse usar de violência para tal. Agora que finalmente podia desfrutar da sua companhia diariamente ele planejava deixá-lo? Ainda mais depois daquela desculpa ridícula de "beijo de boa noite"! Quase não acreditou ao sentir os lábios macios de Pedro sobre os seus, pensou que seu coração fosse explodir de tão rápido que batia! Logo quando estava pronto para abrir a boca e aprofundar o beijo casto, ele se afastou e fugiu como um gato assustado sem nem lhe dar a chance de falar alguma coisa.
Ou se confessar.
E era exatamente isso que Caio tinha em mente e pensava em várias maneiras de como, finalmente, esclarecer para o loiro seus reais sentimentos, quando ouviu o barulho do despertador interromper o silêncio e sendo desligado rapidamente, provavelmente para não acorda-lo. Sorriu amargamente ao pensar em como tinha razão. Pedro realmente pensava em abandona-lo sem ter nem coragem de olhar em seus olhos e se despedir. Os barulhos no quarto de hóspedes o fazia imaginar os movimentos do loiro e logo ouviu a porta se abrir lentamente. Respirou fundo e preparou-se para o confronto. Não deixaria que Pedro fosse embora... Não depois daquele beijo.
Observou a silhueta do loiro adentrar a sala e parar no meio do caminho para a porta. A casa ainda estava na mais completa penumbra e isso fazia com que Pedro nem suspeitasse do olhar penetrante de Caio em suas costas. O loiro olhou ao redor, já sentindo a tristeza e nostalgia tomar-lhe e suspirou. Sentiria falta dos dias que passou ali, ao lado do moreno, mesmo que não fosse do modo que desejava. Respirou fundo e recomeçou a andar lentamente, como que tentando adiar o momento da partida. Sentia-se mal por estar agindo escondido daquele jeito e sabia como o amigo ficaria ofendido e magoado com sua atitude, mas temia que, se se despedissem, não conseguiria mais esconder seus sentimentos e acabasse confessando seu amor, destruindo assim a amizade de anos dos dois. Preferia estar ao lado do moreno apenas como amigo do que correr o risco de não tê-lo mais consigo, mesmo que sofresse calado o resto de sua vida.
Seus pensamentos foram interrompidos pela voz cortante do moreno, que povoava sua mente quase toda hora, assim que destrancou a porta e tocou na maçaneta.
– Onde pensa que vai?
Pedro estancou, seu coração foi a mil e começou a suar frio. Droga! Fechou os olhos com força e baixou a cabeça. Droga, Caio... Por que não podia facilitar as coisas para ele e apenas deixá-lo ir? Por que precisava complicar ainda mais sua situação? Encostou a testa na porta e rezou para estar sonhando, pelo silêncio tenso que se seguiu.
– Me responda, Pedro... Onde pensa que vai? — Repetiu, sentindo a raiva tomar conta de si. A dor que o invadia era imensa ao encarar a mochila nas costas do loiro e a bolsa em sua mão esquerda e constatar que estava certo.
O loiro encolheu o corpo ligeiramente ao que Caio, em toda a revolta que sentia, levantou-se e acendeu a luz da sala, iluminando-os. Pedro não tinha coragem de virar-se e encarar o olhar reprovador e magoado que sabia estar estampado no rosto do moreno. Respirou fundo, criando coragem, afinal não era mais um garoto de dezesseis anos e sim um homem! Precisava começar a agir como um e enfrentar seus medos, antes que fosse tarde demais.
– Eu to indo embora, Caio... — Respondeu, sua voz soou baixa, porém firme e isso o deixou menos nervoso.
– Porra nenhuma! — Exasperou-se e se aproximou do loiro, detestando o modo como ele evitava olhá-lo. — Que merda é essa agora de "to indo embora" assim, do nada? — Estava com raiva, sim, mas o desespero começou a cutucá-lo.
– Eu só... Só preciso de um tempo pra pensar um pouco.
– Pode fazer isso aqui, sabe que não precisa ir embora pra isso, cara. — Rebateu e fechou as mãos em punhos. Não queria parecer tão abalado, mas simplesmente não podia acreditar e muito menos aceitar que ele estava indo embora. Lembrou de sua determinação e decidiu que estava na hora. — Olha pra mim, Pedro. — Ordenou e viu quando o loiro tremeu levemente. Suas mãos coçaram para agarra-lo pelo casaco e virá-lo para, finalmente, encarar seus olhos castanhos e poder cuspir seus sentimentos. Quando estava prestes a cumprir o pensamento, o corpo do outro virou-se lentamente em sua direção, mas os olhos estavam voltados para o chão. — Não desfaça de mim, Pedro.
O olhar do mais novo arregalou e correu de encontro para o orbes verdes. E lá estava o brilho magoado causando uma pontada em seu coração que batia acelerado.
– Eu nunca desfiz de você, Caio! — Apressou-se a responder e largou a bolsa no chão, ao lado de seus pés.
– Não? Então como explica o que fez ontem?
Ah, merda. Foi o que sua mente pensou. Era por causa daquele maldito beijo que o moreno estava tão emputecido daquele jeito? Sentiu suas bochechas corarem e desviou o olhar. Não fazia ideia do que responder, então soltou uma risada, desesperada. Queria sair dali o mais rápido possível, correndo!
– Foi só um beijo de boa noite, cara. Não pensei que fosse ficar tão bravo por causa daquilo. Só esquece e...
– Mentiroso.
A palavra o calou de imediato e o fez arregalar os olhos. Caio começou a aproximar-se lentamente, encurralando-o aos poucos contra a porta.
– Por que tá mentindo pra mim?
– Não to mentindo pra você, cara. Que isso? — Desconversou e soltou uma risada sem graça.
– Não? Então por que tá indo embora de madrugada, querendo sair escondido daqui? Por que não me falou nada, porra? Não podia ter chegado e dito "Ei cara, to indo nessa, valeu por ter me deixado ficar na sua casa" como um homem de verdade teria feito e pelo menos olhado na minha cara? — Sua voz aumentava de tom a cada frase proferida e Pedro começou a sentir-se sufocado. Queria que um buraco se abrisse a sua frente e o engolisse, tamanha era sua vergonha.
– Eu sabia que se fosse falar com você que tava querendo ir, você ia dar um jeito de me impedir como das outras vezes e me fazer ficar... Amanda também me disse umas coisas e me fez perceber que...
– Pera aí, Amanda? — Interrompeu-o e quase rangeu os dentes ao vê-lo assentir.
Caio sabia que aquela escrota tinha que ter dito alguma coisa para o loiro quando veio os "visitar" há quase uma semana. Desde então notou como Pedro havia ficado mais calado e pensativo e o modo que se esquivava de suas perguntas. Ele já estava desconfiado, mas agora ao receber a confirmação dos lábios do homem a sua frente somente conseguia sorrir um sorriso carregado de sentimentos e que fez Pedro encara-lo um pouco surpreso.
– Você disse que eu daria um jeito de te impedir... — Começou e aguardou a confirmação do outro. — Sabe por quê eu ia te impedir? — Sentiu seu coração acelerado, era agora. Ele se confessaria agora e que se foda o depois! Caio já não aguentava mais esconder e guardar para si seus sentimentos. Pedro negou com um aceno da cabeça e esperou a resposta, enquanto tentava decifrar o brilho nos olhos verdes. – Eu te impediria porque agora que posso ter sua companhia todos os dias, não quero que vá embora. Porque eu não aguento mais esconder o que sinto e tentar resistir a vontade de te agarrar. Eu te amo há anos, Pedro, e não quero mais mentir e fingir que não tenho ciúmes e não ligo pra você.
As palavras corriam de sua cabeça sem freio e Caio não tinha coragem para olhar nos olhos castanhos e correr o risco de enxergar nojo, desprezo ou qualquer outro sentimento de repulsa que pudesse afastá-lo de si. Pedro não sabia se ria ou o agarrava de uma vez. A felicidade explodia dentro de si, quase não acreditava na confissão envergonhada que recebia e seu coração parecia prestes a entrar em combustão. Decidiu por fazer as duas coisas e puxou-o pelo braço, rindo baixinho. Caio fechou os olhos com força ao sentir o puxão, imaginando que seria agora que o loiro o daria um soco, mas nada aconteceu por alguns segundos e sentiu a mão tocar em seu rosto de forma delicada.
– Olhe pra mim, Caio. – Repetiu as palavras do moreno e não demorou que seu pedido fosse atendido.
Pedro era uns bons centímetros mais alto, então teve que levantar o queixo para olhar nos olhos castanhos do outro, vendo o sorriso que estampava os lábios dele. Calou-se e encararam-se intensamente por alguns segundos e a risada baixa do loiro fez seus pelos do braço arrepiarem.
– Por que não disse antes?
E, sem dar tempo para que o moreno o respondesse, Pedro abaixou a cabeça e acabou com a distância, encostando seus lábios nos dele. Caio não acreditava que aquilo estava acontecendo e não esperou um segundo sequer para abrir a boca e acolher a língua que já pedia passagem. Suspiraram em deleite e felicidade ao primeiro toque de suas línguas e os braços do menor rodearam o pescoço de Pedro, que puxou-o pela cintura para mais perto de si, grudando seus corpos. Sua mão esquerda subiu lentamente pelas costas de Caio e alojou-se na nuca acariciando os fios negros com suavidade. O sentimento de realização era enorme e tudo o que mais desejavam era perder-se naquele momento e que ele durasse para sempre.
Pedro findou o beijo aos poucos, com pequenos selinhos e puxou o lábio inferior do menor, sugando-o em seguida. Os dois estavam ofegantes e Caio escondeu o rosto na curva do pescoço do loiro, depositando leves beijos na pele exposta, ouvindo o suspiro cruzar os lábios vermelhos do amado.
– Eu também te amo, Caio. – Sussurrou no ouvido alheio, mordendo e sugando o lóbulo macio e adorando o modo como o viu arrepiar. Ele não podia conter suas ações, sua felicidade o fazia agir sozinho e o turbilhão de sentimentos o fazia ficar sem saber o que desejava realizar primeiro.
– Nunca mais me dê um beijo de despedida, seu imbecil.
Caio declarou ao parar com os beijos no pescoço do amado e encarar os brilhantes olhos castanho-mel que lhe sorriam de volta. Os dois soltaram risadinhas divertidas e voltaram a beijar-se lenta e calidamente, concordando mentalmente que os únicos beijos que trocariam a partir dali seriam de tudo, menos de despedida.
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