Cap.1 – O começo do dia

Não posso abri-los, mas tenho que fazer. O dia já raio, mas esse sono não deixa abri-los. Posso ouvir minha avó na cozinha. Vou me atrasar novamente.

-O café está pronto!

-Eu já vou! — não tem jeito, vou abri-los de uma vez. Tenho que correr! Já são 6hs!

-Isabelle, vai se atrasar!

-Eu já vou vovó!

Odeio segunda-feira, mas hoje vai ter um teste para viajar pra Inglaterra. E melhor com tudo pago, minha nunca teria dinheiro pra uma viagem dessas.

-Já esta pronta?!

-Tô vovó só beber uma água e comer um biscoito.

-Isa só isso?!

-Tudo bem vó é o bastante!- preciso correr para não atrasar minha avó.

-Isa me ajuda aqui com o sutiã. -eu sempre ajudo minha avó, ela sente muita dor nos braços. Ela é bem jovem, ainda não fez 60 anos. O problema que ela é professora e trabalha muito pra cuidar de mim. Minha mãe é muito descuidada e irresponsável, não tem nem mesmo emprego fixo não pode cuidar de mim.

Minha avó paga minha escola a Santa Rosa. É um colégio de freiras onde as melhores notas são bem recompensadas. No meu caso eu não sou tão boa aluna, mas não é por falta de esforço e que não sei me concentrar qualquer coisa me tira atenção. Ainda mais que aquelas freiras do capeta (desculpa Deus por minha heresia) só contrataram professores jovens, bonitos e malhados.

Voltando onde estava... Minha avó e eu saímos correndo praticamente, entramos no carro e ela me deixou na porta da escola. Foi quando esbarrei em um homem. Ele estava vestido traje a rigor, de cartola e tinha um ar gentil. Era um rapaz bem atraente, de cabelos ondulados e ruivos, olhos castanhos escuros quase negros e seu rosto era doce. Poderia ter menos de vinte anos ou parecia ter.

-Desculpa, eu estou distraído senhorita. — ele foi tão gentil e cavalheiro que fiquei tímida e não falei nada.

-Eu estou atrasado para falar com a diretora da escola, mas estou perdido poderia me guiar senhorita?-ainda estava sem fala então só balancei a cabeça.

-Então não vai se incomodar que eu leve sua mochila?! – gentilmente tomou meus pertences de minhas mãos.

-Nossa a senhorita é bem forte, carrega esse peso sem menor esforço. – o que há de errado comigo eu não falo nada. Ele está sendo tão cavalheiro comigo. Será que ele é um novo professor. O corredor estava cheio de alunos. Nós fomos andando e ele tomou minha mão para segurar. As pessoas do corredor paravam de conversar ou mudavam de assunto para olhar e fofocar sobre nós.

Ainda me pergunto por que ele decidiu carregar minhas coisas e mais ainda segurar minha mão não é um pouco demais. Eu estava constrangida que continuei calada, comecei a ficar fria. Acho até que ele notou. Mesmo quando comecei a suar ele não solto minha mão e não parava de sorrir. Tentou duas ou três vezes puxar assunto falando do clima e do tempo do país. Foi quando caiu a ficha que ele não é do Brasil. Falou que era da Escócia, mas tem anos que mora na Inglaterra. Ele contou que viria aplicar o teste e escolher os viajantes.

Quando finalmente chegamos à porta da sala da diretora, as minhas três melhores amigas aparecem falando.

-Isa você viu o gato ruivo dos corredores, ele estava acompanhado por uma mina sortuda. Disseram-me que os dois estavam até de mão dadas. – eu soltei a mão dele e elas finalmente notaram que ele estava do meu lado. Eu juro que se eu tivesse um lugar para esconder minha cara eu faria.

-Senhorita Isa, obrigado por me guiar nos corredores! E espero vê-la novamente. Quem sabe viajando! – ele devolveu minhas coisas e sorriu gentilmente para minhas amigas e eu. Abriu a porta e entrou.

Nós trocamos olhares e eu nem sabia se ficava com raiva delas ou constrangida com todo o ocorrido.

-Humm... Senhorita Isa! – eu vou matar essas criaturas.

-Sei bem onde ele quer te ver novamente... – Rosa e Rose (são minhas melhores amigas) a vida dessas duas esta por um fio.

-Desencano Isa, a gente só tá gastando contigo. – peguei uma mão de cada e puxei para longe daquela porta antes que ele decida sair de lá.

-Vamos para sala não quero mais saber de papo com vocês duas. Só ficam pensando em sexo. – o pior que é mesmo elas sempre passa a conversa para esse assunto.

-Ai tá bom Isa desculpa a gente era só zueira... E além do mais vc não fale assim da gente até parece que somos rodadas ou mais experientes que você. –elas podem até nem terem conhecimento pratico, mas a teoria elas sabem em detalhes.

Enfim chegamos à porta da sala. Em silencio, eu queria dar um gelo nelas. Nesse breve momento de silencio notei que eu não sabia o nome dele. Mal parei na porta. Rebeca apareceu do nada.

-Isa soube que está pegando um cara muito gato. O que você fez para ele te querer... Kkkk — estava demorando de essa garota aparecer.

-Não Beca, eu não estou pegando ninguém... – ela colocou no rosto aquele sorriso sínico.

-Claro um gato daquele não ia querer uma gorda como você... Kkkk — eu já estava com aquele olhar de assassino.

-Pelo menos eu não sou tabua como você. – eu não me acho por causa do peito, mas ela tá pedido.

-Tadinha a gorda feia se acho por que tem peitões. – quando eu ia dar uma resposta o professor Nataniel entrou pela porta como um raio. Tropeçou em meus pés, tentou se apoiar em mim (com tanta gente em volta ele se segura na garota sem equilíbrio aqui). Não deu dois tempos eu caí em cima dele e para piorar meus peitos foram direto para acara dele. Acho até que o sufoquei.

-Ai, desculpa professor! – levantei depressa para ele nem entender o que aconteceu, mas não deu certo ele já esta até corado.

-Desculpa Isa, hoje parece que estou mais desastrado que o normal. – ele levantou devagar mais corado que antes.

-Professor não quer ir para a enfermaria? Você tá todo vermelho! – Beca sempre dá em cima dele, acho que ela sabe que eu gostava dele (nota das amigas: “gostava”).

-Não é descesario Rebeca. – ele sempre é frio e distante com ele, mas acho que ele a ouviu falando mal de mim. Não sei por que, mas o professor sempre parece cuidar de mim.

-Isa você não se machucou, né? – ele pegou minha mão e segurou bem forte. Quando olhou nos meus olhos voltou a ficar corado soltou minha mão e deu uma mexida no cabelo. Ele sempre faz isso quando estamos conversando, acho que é um tique.

A aula tinha que começar, ele já estava atrasado. Fomos todos nos sentar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.