Beijo Mortal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem!
— Ó nobre senhor, por favor não deixe-me aqui neste local, estou com frio e abandonado, senhor por favor, poupe-me desta dor e desta desgraça, apenas venha e ajude-me — havia um homem esguio no chão, possuía uma aparência jovem, nenhuma ruga no rosto, nenhuma imperfeição. O que um homem daquele estaria fazendo abandonado pelas ruas pedindo esmola para senhores ricos e importantes? Após o final da primeira guerra começou a ser comum encontrar veteranos nas ruas pedindo por abrigo, mas, aquele homem não parecia um veterano da guerra — não ignore a mim senhor! Poderia ser a ti neste lugar miserável que ocupo.
O senhor atendeu ao homem que agonizava no chão. Estendeu a mão à ele que de prontidão a agarrou e levantou. Ele era bem mais alto do que aparentava e não possuía uma aparência doentia, ele era atraente.— Por que um homem como tu estás na rua assim, largado por aí? — o senhor indagou.— A vida não é justa com os mais pobres senhor, tive toda a minha família trucidada nesta guerra, minha pobre família que não tinha culpa de nenhum dos desentendimentos destes governos — os olhos do homem encheram d'água, mas ele resistiu às lágrimas.— Que Deus tenha piedade de ti! Levar-lhe-ei à minha casa, lá terá banho e comida até encontrar algum local para ficar — o senhor fora muito generoso com um homem que acabara de conhecer — espero que sinta-se confortável, estou sozinho há algum tempo, não tenho notícia dos meus filhos desde o começo da guerra e não converso com ninguém já faz um bom tempo, será ótimo ter uma visita em casa!— Muito obrigado senhor — o homem segurou fortemente as mãos do senhor que lhe ajudara — eu me chamo Jean Lamartine. --- Após horas de viagem até a casa do senhor, Jean, teve uma longa e profunda conversa com o mesmo. Seu nome era Robert Terrence, um homem muito rico, herdou está riqueza de seu pai John Terrence II, dono de uma fábrica influente em sua época. Robert casou-se novo com Margaret Terrence, ambos possuíam 17 anos, tiveram dois filhos, porém Margaret faleceu enquanto dava à luz a um natimorto. Robert então entrou em uma depressão profunda que só pôde ser detida com a presença de seus filhos em seu lado. Com a chegada da guerra, Michael Terrence, filho mais velho de Robert teve que ir lutar e Justine Terrence, sua filha, fugiu para o Brasil e casou-se com um brasileiro.— Jean, contei-te toda a minha história de vida — Robert passou a mão em sua nuca — conte-me a tua. Jean estava desconfiado, nunca havia contado sua história a ninguém e concluiu que Robert não seria o primeiro. — Claro, contarei com muito prazer — mentiu — minha mãe era inglesa, casou-se com um francês qualquer que ela encontrou, ela disse-me que foi amor à primeira vista, mas nunca contou-me seu nome — Jean estava nervoso passou a mão sobre a boca violentamente — ele foi assassinado na rua quando eu ainda era um bebê e minha mãe viu-se obrigada a usar seu nome de solteira novamente.— Perdoe-me por interrompê-lo, mas nós chegamos — Robert desceu do carro e abriu a porta para Jean, ele se impressionou com o tamanho da casa, mas logo se tocou que velhos ricos e estupidos tem casas gigantes para morarem sozinhos, aquilo Jean considerava um extremo egoísmo — espero que sinta-se a vontade! Jean, ainda um pouco nervoso e trêmulo adentrou os portões da casa, havia um lindo jardim de hortênsias azuis e amarelas que eram do tamanho de um girassol. Atordoado por causa do Sol, não conseguiu ver o resto do vasto jardim da casa então entrou na mesma.— O banheiro é logo ali, irei preparar algo para você comer, as roupas, pode usar alguma do meu filho, você quem sabe. O velho estava sendo muito generoso e Jean começou a achar que havia algo de errado, como podia um senhor rico levar um morador de rua qualquer para dentro de sua casa e cuida-lo como se fosse um filho? Ele temia o que podia acontecer consigo, mas sabia que era mais forte do que Robert. Jean foi andando pela casa, via algumas das fotografias que estavam em estantes ou penduradas nas paredes. Pessoas ricas e mais pessoas ricas, antigos moradores e o velho Robert, ele costumava ser um homem forte e robusto, agora parece um velho assustado. Porém, continua robusto. O banheiro era completamente vitoriano, o que aquela família fizera de tão importante para ter uma banheira detalhada a mão com os mais raros metais? Jean imagina que tenha sido roubada ou contrabandeada de algum lugar, você precisa ser realmente alguém muito influente para possuir uma dessas. Mas ele não deu a mínima, despiu-se de sua roupa e entrou na banheira com água quente. Quando sua pele fria entrou em contato com a água, o mesmo sentiu um arrepio percorrendo seu corpo esguio, aquilo era reconfortante, era como se tivesse recuperado algo que não tinha há muito tempo. Logo caiu a ficha. Tinha que agir. ---— Eu esquentei uma sopa que havia feito no almoço — Robert servia o caldo amarelo em dois pratos de cerâmica brancos-marfim — quer vinho? Tenho um ótimo da época de meu avó!— Sim, claro — Jean começou a tremer novamente — o que eu mais preciso agora é de um vinho — deu uma risada para disfarçar o nervosismo, mas ele mesmo sabia, estava sedento novamente.
— Este vinho tem minha idade! Foi fabricado pelo meu avô em comemoração ao meu nascimento em 1855! — Robert gabava-se por seu vinho e por sua longa data de nascimento. Jean estendeu a taça e o velho despejou o vinho tinto, conforme a taça enchia, mais sedento Jean ficava.(Os dois têm a mesma cor vermelha, quem dera tivesse o gosto.)— Um brinde ao meu novo amigo — Robert estendera a taça para o alto e Jean repetiu o ato. Sua mão tremia muito e o velho percebeu. Ele não conseguia mais se conter e o sabor do vinho não enganaria sua sede. Sentiu seu sangue ferver, seus músculos se enrijecendo, o velho parecia catatônico, não tirava os olhos dele. Jean o atacou. (Velho tolo! O que eu disse era mentira! Tolo! Tolo! Agora seu sangue é meu, você pertence a mim! Seu pedaço de carne podre! Você matou aos seus filhos! Mentiroso, estrupício da humanidade! São homens como você que queimam no inferno! Então queime! Monstro!) Seu rosto estava pálido, ele matara Robert com uma mordida forte em seu pescoço, sugara todo o seu sangue e o pouco de vida que lhe restara. Ele estava revigorado, a sede passara. Por pouco tempo.
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