Behind the Warrior.
1 one way
Notas iniciais
Era tudo escuro, mal conseguia enxergar um palmo diante de seus olhos, apenas algumas vezes que umas luzes verdes passavam diante de seus olhos. A ilha das sombras era conhecida por abrigar as almas de todos os tipos de seres que morriam, um local onde também há grande possibilidade de algumas dessas almas voltarem à “vida”, o que aconteceu com esta garota. Apoiava-se com as mãos no chão onde estava sentada, havia uma neblina estranha, ouvia algumas vozes, sussurros enquanto se levantava e limpava sua roupa. Olhava ao redor a procura de algo, enfim olhou para as próprias mãos, tinha braceletes no antebraço que protegia de golpes, uma ombreira pontuda e ambos dourados.
Olhou agora para seu corpo e reparou que suas roupas estavam rasgadas, era um Quimono preto com detalhes vermelhos curto com a parte de trás longa e a frente aberta ao meio, mostrando suas pernas cobertas por uma meia calça escura e uma tornozeleira vermelha, seus pés estavam descalços. Seus cabelos negros e longos pairavam sobre seu rosto amedrontado, ergueu as mãos para um local onde pudesse enxerga-las e percebeu que estava usando um anel dourado no dedo anelar da mão direita. Começou a caminhar pelo local, não sabia para onde, mas em algum lugar onde poderia ter informações ela talvez chegasse. Finalmente a luz da lua pode iluminar onde passava, reparou que havia algumas lápides no chão e nesses fungos proliferavam-se.
O que aconteceu para parar naquele lugar não fazia ideia, mas precisava de respostas. Reparou que estava diante a um mausoléu de pedra, com uma data escrita na porta.
– Ora ora o que temos aqui. – Soou de uma voz tenebrosa atrás de si. Rapidamente olhou para trás e reparou que era um esqueleto vestindo uma roupa preta também rasgada, com alguns ossos de enfeite. Uma chama verde emanava deste.
– E-eu preciso de ajuda. Onde estou? Que lugar é este? – Sua voz saiu rouca.
– Está na Ilha das Sombras minha cara.
– Como eu pude vir parar aqui?!
– Vai me dizer que sua ficha não caiu? Está morta, sua vida acabou faz um ano. De fato teve uma alma muito forte para conseguir virar um espectro. – Ao ouvir as palavras da assombração a sua frente sentiu seu corpo tremer, apoiou-se na parede do mausoléu.
– Isso não é possível. Eu não me lembro de nada! Como posso ter morrido se nem lembro... De estar viva?!
– E do que isso adianta? Não poderá sair daqui, está presa como todas as outras almas das quais eu tomo conta. – Disse ele, levantando a lanterna que segurava com a mão esquerda, sem toca-la. – Está querendo adiar o inevitável, uma hora voltará para onde não deveria ter saído.
– Eu preciso de minhas memórias, eu preciso saber o que aconteceu... Eu faço qualquer coisa! – Estava exaltada, aproximou-se ligeiramente do ser enquanto o fitava e este parou, parecia estar pensando enquanto olhava para a garota.
– Um contrato. Se você me proteger sempre que eu precisar de ajuda, ou sempre que eu quiser sua ajuda, posso deixar que saia deste lugar e tenha liberdade. – Sua voz era macabra, provocava arrepios na garota que assentiu positivamente. – Ótimo. Tome isso. – O ser lançou um tipo de mágica na garota, tornando-a sólida ao invés de ser apenas uma alma. Pegou a mão direita da mulher e nesse instante correntes surgiram em seu tornozelo. Olhou para ele que estava rindo, respirou fundo. – Seu nome é Naomi. Acho que encontrará as respostas para suas perguntas em uma terra chamada Ionia. Meu nome é Thresh, sempre que avistar uma lanterna, agarre-a, é para que venha para perto de mim.
– Ionia? Tudo bem. Até mais ver. – Disse ela, se afastando do ser.
– Só mais uma coisa. Se fizer algo de errado, as correntes que estão em seus pés irão prendê-la no chão até que eu apareça e lhe puna por isso. – Disse ele com um tom sombrio. A mulher assentiu e continuou seu caminho, avistando uma praia e neste um imenso mar. Thresh percebeu que esta não conseguiria sair dali nessas condições. Foi então que com sua lanterna, abriu uma passagem sombria para ela que entrou e apareceu em uma cidade bem colorida do outro lado da passagem.
Olhava para os lados e reparou que as pessoas naquele local a fitava de maneira estranha, tinha algo errado com ela, mas não sabia o quê. Deu alguns passos e sentou-se no banco de uma praça, embaixo da sombra de uma árvore, a luz do dia lhe incomodava. Reparou que alguém se sentou ao seu lado, uma mulher usando roupas de policial, seu cabelo era rosa e seu rosto era de poucos amigos, encarava a garota que estava pálida e séria, seus olhos eram verde claro enquanto os da policial eram azuis. A policial segurava uma rosquinha de morango com confeitos coloridos e logo mordeu um pedaço.
– Nome? – Perguntou ela assim que engoliu o pedaço da rosquinha, fitando a garota que desviou o olhar para o lado oposto.
– Naomi. Vim de um lugar distante em busca de respostas. Não aqui, mas em Ionia. Sabe onde fica?
– Resposta pra que?
– Sobre quem eu sou e... Por que eu tenho um anel desses. – Mostrou a mão direita para a mulher que pouco se incomodou e a segurou, tirando o anel do dedo de Naomi. – E-EI! Isso é meu!
– Veja isso. – A mulher levou o anel próximo aos olhos de Naomi, que pode ver um nome escrito nele. – Eu conheço esse nome, já ouvi falar. Olha, meu nome é VI, sou companheira da xerife dessa cidade. Ouvimos falar desse cara, dizem ser um andarilho.
– Andarilho? – Bufou.
– Pelo visto perdeu as memorias não é? Eu posso te levar ao encontro de alguém que pode te ajudar. Ele é um cientista bem louco. Não me admira que possa talvez trazer sua memoria de volta. – A mulher se levantou, chamando Naomi com a mão direita que levantou e a seguiu enquanto começava a caminhar pela praça, saindo desta e passando pelas calçadas das ruas de Piltover.
~~
Um laboratório com vários robôs e protótipos de coisas estranhas, planos escritos em folhas e desenhos geométricos com cálculos espalhados para todos os lados. O Yordle passeava pelo cômodo como se estivesse saltitando, uma mão mecânica que saia de algum lugar de sua cabeça coçava a mesma algumas vezes enquanto observava Naomi de pé no centro do local, com alguns fios colados em seu corpo ainda vestido.
– Impressionante, meu relatório diz que você já morreu faz quase um ano. Como poderia explicar que ainda está viva e nem mesmo tem decomposição de parte alguma do corpo? Parece que suas memórias ficaram num inconsciente muito distante, além do que imagina, algo ou alguém as prendeu em um lugar. Quando disse para olhar para o seu anel e o nome lá entalhado, suas emoções floresceram e seu coração bateu mais forte; parece que o contato com as coisas que fizeram parte de sua vida lhe faz relembrar de pequenos traços; não sei se lhe ajudei, mas lhe dei um caminho. – Ria de forma esquisita, fechando os olhos quando o fazia.
– A-ah... – Ele falava coisas demais para que entendesse tudo.
– Se dizem que é para ir para a antiga Ionia, vá, não custa nada tentar minha jovem! – Pulou com entusiasmo, afinal era o primeiro ser morto vivo que estudara, era fascinante para Heimerdinger. Naomi descolou os fios que estavam em seu corpo. Respirou fundo e agradeceu ao cientista, saindo do local e voltando para a cidade de Piltover.
Estranhas fumaças negras tomava conta dos céus e barulhos de explosões poderiam ser escutados; mas ignorou o fato e seguiu seu caminho, não poderia se meter demais por conta de seu contrato. Uma mulher de longos cabelos trançados azuis corria em sua direção, parando ao lado de si. Tinha um olhar psicótico, seu corpo era magro, possuía algumas tatuagens e seus olhos eram magenta.
– Hey, fique atenta, elas estão chegando! – Disse ela, rindo e não se importando em estar metendo um inocente em uma de suas travessuras. Naomi olhava para a mulher, assustada, ao mesmo tempo em que VI e outra mulher, uma morena alta usando óculos e roupa de policial se aproximava. A morena possuía um tipo de rifle enquanto VI tinha um tipo de manoplas em suas mãos. Pararam a alguns metros de distância.
– Não acredito que está do lado desta peste! Eu achava que era uma turista comum, Naomi! – Gritou VI. Naomi se assustou mais, não sabendo o que dizer, aliás, deveria dizer algo?
– E-Eu não fiz nada, ela simplesmente...
– SHH! – A garota levou a mão á boca de Naomi, calando-a e sussurrando em seu ouvido. – Não vá ser chata e interromper minha diversão, vai? Zap não ficará feliz se o fizer. – Naomi pouco se importou no tom de voz da mulher, preocupou-se mais com as correntes em seus pés se prendendo ao chão, indicando que seu mestre logo apareceria no local e aquilo não era bom pra ninguém. Rapidamente Naomi levou as mãos em direção aos braços magros da mulher que desviou, mas seu cabelo voou para frente de seu rosto e foi nele mesmo que agarrou e puxou para baixo, fazendo a mesma tombar no chão, grunhindo de dor, se sentando rapidamente. – HEEY! Como pode fazer isso com sua companheira Jinx?! – Gritou.
– Jinx... Ao menos sabe o nome de sua parceira, Jinx? – Perguntou Naomi num tom sombrio, enquanto algumas faíscas saiam da ponta de seus dedos da mão e seus olhos ficavam totalmente brancos. Olhava-a de cima com desprezo.
– Pois é... Você me pegou. – Ria enquanto se levantava e se afastava rapidamente da mulher enquanto VI e sua companheira observava a situação, assustadas por conta da eletricidade envolta de Naomi.
– Exatamente. – A mulher levantou a perna direita e bateu com o pé no chão, provocando ondas magnéticas ecoarem pelo local ao mesmo tempo em que faíscas quicavam pelo chão, fazendo com que Jinx ficasse paralisada por alguns instantes, não afetando as duas policiais por estarem mais distantes. As duas correram para o local, mas de maneira impressionante Jinx se recuperou antes mesmo das duas a alcançarem, correndo para longe dali e sendo seguida pela morena, VI permaneceu no local por um tempo.
– Te devo desculpas pelo que eu disse.
– Não, você estava mais do que certa de pensar aquilo. Só vá para longe, não é seguro ficar aqui. – A mulher falava enquanto o desespero se estampava em seus olhos. Abaixou a cabeça e olhou para seus pés, provocando que vi fizesse o mesmo e visse seus pés acorrentados e percebesse uma fumaça esverdeada saindo de seus pés.
– Você tem...
– Vá! Não é seguro para pessoas vivas! – Virou o rosto ao gritar para a mulher que apenas concordou e correu para a mesma direção em que sua companheira foi. Esperou três minutos e logo seu mestre aparecera no local, aproximando-se da mulher e levantando seu queixo com a mão esquerda, fazendo-a fita-lo.
– Não esperava que arranjasse confusão assim que a libertei. Que decepcionante.
– Você estava me vigiando?
– Eu vigio todas as almas que vem para a Ilha, mesmo que elas tenham ganhado vida. Desta vez não a punirei, afinal de contas estava passando e aquela mulher a meteu na situação sem que houvesse como reagir, não é? – Ria enquanto desprendia as correntes do chão com seus poderes. – Pois então, continue procurando o que precisa. Mas da próxima vez não terá esta colher de chá. – A mulher assentiu e abaixou a cabeça novamente ao que o esqueleto se afastava do local, entrando numa fumaça negra esverdeada. Pode ouvir a palavra “Litoral Norte” em meio às vozes que escutava saindo do local onde ele entrou. Talvez fosse para aquele local mesmo.
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O som das arvores batendo umas nas outras acalmavam os três enquanto caminhavam em direção ao litoral, era outono e as folhas destas caiam e a vista do local era bonita demais. Precisavam voltar para sua terra afinal procurar pelo inimigo em qualquer um dos territórios cansava demais. Akali, Shen e Kennen estavam cansados de mais uma procura por Zed, agora que tudo estava em paz em Ionia os três poderiam treinar ou fazer o que bem entendessem e escolheram isso para aqueles três últimos dias.
No litoral entre Noxus e Zaun haviam deixado um barco por onde embarcaram para aquele local e ao chegar no local, Akali sentou-se na borda do barco, com os pés para fora enquanto Kennen e Shen entraram nele, aprontando-se para sair para o mar. A garota avistou uma silhueta se aproximar e alguns passos junto com esta. Saltou do barco e segurava seus Karmas junto com si, esperando que o talvez inimigo se revelasse, quando este apareceu reparou que era uma mulher, que não estava muito bem.
– Quem é? – Sua voz provocou os garotos que saíram de dentro do barco e se aproximaram, observando da proa o que acontecia ali.
– Naomi, de Ionia. Ou eu acho que sou. Preciso de ajuda para chegar até lá.
– Como terei certeza de que não é uma espiã de Noxus ou algo do tipo? – Um silêncio surgiu no local, mas logo fora quebrado.
– Eu perdi minha memoria, mas acho que a roupa que uso deve ter alguma exclusividade de Ionia... Não tenho nada em mãos... – Disse levantando os braços para provar a mulher, que se aproximou de Naomi ainda com suas armas em mãos, observando os detalhes de sua roupa. Ao virar para as costas de Naomi, olhou onde normalmente fica a etiqueta do fabricante e reparou que havia um selo do antigo imperador que fora morto na invasão de Noxus. Assustou-se com o que viu.
– Você... Sobreviveu á invasão deles?!
– Não... Eu estou morta... Sou um espectro meio-humano vindo da ilha das sombras em busca de respostas para o que me aconteceu, para que eu finalmente possa descansar em paz assim eu creio... Podem me ajudar? – Akali virou-se para o barco e reparou que os outros dois aceitariam a decisão de Akali como resposta e esta disse que poderia vir com eles, mas se algo saísse dos padrões poderia ter certeza de que nunca mais veria Ionia. As duas subiram no barco, que começara a movimentar-se assim que entraram.
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