Behind blue eyes
4 O Parquinho
Notas iniciais

De onde eu parei mesmo? Ah sim me lembrei, parei no dia em que Ikki e eu nos encontramos por acaso no bar. Bem depois desse dia, muitos dias se passaram, acho que se não me engano, uns três meses, bem e eu? Ficava triste por ver que Ikki realmente havia sumido, sempre perguntava por ele através de seu irmão Shun e o mesmo dizia que ele estava bem, e eu como fiquei? Bem diferente do que vocês poderiam pensar comecei a mudar radicalmente a minha vida, bem na verdade nem tanto: Eu ainda tomava conta junto com a Eiri das crianças do orfanato mas diferententemente dessa vez, eu resolvi viver minha vida mantendo a minha mente ocupada: Consegui me matricular na faculdade e comecei a cursar psicologia da educação durante a manhã, a tarde até o início da noite, eu continuava tomando conta das crianças do orfanato e a noite resolvi ir a academia e me inscrevi no clube de luta feminina, tendo advinhem só quem como instrutora? Ninguém mais e ninguém menos que Shina, a minha ex concorrente e amazona grega lá do santuário, depois que acabou as guerras e os tempos de paz surgiram, Shina começou a trabalhar em um dojô com várias especialidades em artes marciais. Lembro-me que no começo Shina pegou pesado comigo mas depois acho que fui me acostumando e hoje em dia somos até amigas ve se pode? Ela assim como eu já desencanou do Seiya e disse que tava de olho em um gatinho chamado Sorento mas isso ela mal me conta pois é tímida. Então eu chegava em casa morta de cansaso mas essa rotina me fazia muito bem, apesar disso tudo eu ainda pensava no Ikki mas a vida agitada me ajudava a me controlar, minhas atitudes incentivaram Eiri a procurar algo além do orfanato: Ela fazia serviço social a tarde malhava na academia a noite, mal nos víamos mas isso era bom pois nossa amizade ficava cada vez mais forte e aos fins de semana quando conversávamos, ficávamos horas fazendo isso.
Mas enfim estava vivendo muito bem, feliz e sem tentar me preocupar, preenchi os meus espaços vazios com atividades produtivas e isso me ajudava a não lembrar de traumas passados. Mas e o nosso coração como fica? Bem no meu caso não ficava, não sei se foi porque eu comecei a me arrumar melhor ou colocar maquiagem ou mudar o corte de cabelo mas os homens viviam em cima de mim, eu sempre dispensava, Eiri me recriminava por isso e disse que eu não deveria ficar jogando fora as oportunidades que a vida me dava, bem eu nunca chamei isso de oportunidade, mas o fato é que eu simplesmente sentia meu corpo arder de dor, paixão e um fogo que nossa... só de pensar...
Bem a vida seguia sua rotina mas o destino tratou de pregar uma peça em mim, uma peça muito boa devo dizer, o fato é que Kira e mais dois meninos: Akimoto e Jiro, brincavam de cavaleiros de Athena, vê se pode? E o cenário, lógico tinha que ser o parquinho, nesse dia em especial, Eiri havia saído com Hyoga, Shunrei com Shiryu e os demais idem. Eu por minha vez estava sozinha com as crianças, era uma sexta feira, estava mais distraída nesse dia que nos outros e fui fazer a comida: Deixei o feijão queimar, sem querer, tive que fazer algo que não precisasse de feijão e fiz uns temakis de carne. Tudo ia bem, quando na cozinha eu escuto um barulho de coisas quebrando e quando dou por mim, Kira, Akimoto e Jiro, junto com outras criancas, destruíram o parque praticamente todo, como eu não sei, só sei que fizeram e o estrago foi feio. Quando eu vi fiquei desesperada: Não tinha ninguém para me ajudar, retirei as crianças de lá e dei-lhes uma bronca, liguei para Eiri e nada dela atender, para o Seiya e nada, um a um e ninguém me atendia, o maldito azar. Bem sem esperanças eu mandei uma mensagem a Ikki onde dizia: " Ikki estou com problemas me ajuda a consertar o parquinho?", mandei a mensagem quase certa de que não seria respondida e realmente não fui.
Muito tempo depois Eiri me mandou uma mensagem dizendo que ia curtir com Hyoga um final de semana romântico, quase infartei quando eu vi aquela mensagem, então estava só no fim de semana: Crianças travessas e parquinho quebrado, sim aquele provavelmente era o pior final de semana da minha vida, era o que eu achava.
No sábado de manhã tive que acordar cedo: Aprontar o café da manhã das crianças, acordá-las, inventar algo para elas fazerem no final de semana inteiro que não precisasse sair de casa, mas para a minha séria e enorme surpresa, Akimoto me disse:
– Tia Minu advinhem quem está aí?
– Quem?
– O tio Ikki!
– AI MEU DEUS, AKIMOTO, DIZ AO IKKI QUE JA VOU ATENDE-LO!
Corri: Subi para o meu quarto, peguei a minha toalha, tomei um banho rápido mas esfreguei bem o meu corpo, passei creme no cabelo, coloquei um vestido que tinha comprado na Gucci, verde água, com um decote mais ousado, era simples mas com um quê de chique ou um simples sem ser casual como eu prefiro chamar, fiz uma maquiagem correndo, coloquei uma flor no cabelo e claro me enchi de perfume,na verdade de Docce galbana que fiz questão de comprar. Me olhei no espelho: Bonita? Bem esperava que sim, vi que estava tudo certo, pensava: "Não sei o que estou fazendo mas hoje eu ainda tiro uma casquinha desse Ikki!"
Meu coração acelerou ao chegar a porta: Desci as escadas, fui a sala e as crianças rodeavam ele, que estava com a sua roupa de sempre: Blusa de malha azul, calça vermelha e sapatos, quando eu o vi, suspirei, sem querer, ele me olhou e foi em minha direção e disse:
– Você está linda!
Sabe ele me olhou por uns trinta segundos de cima a baixo, nesse instante já havia imaginado como a cena: Ele me agarrando e me beijando loucamente, mas para minha decepção porém nem tanto, ele me abraçou, senti que ele respirou em meu pescoço, quase caí de emoção, suas mãos me apertavam, sussurou em meu ouvido:
– Senti saudades
Sério gente eu senti uma emoção única nesse momento, estava nas nuvens e então ele disse:
– Vim consertar o parquinho, você disse que estava com problemas e então eu voltei!
– Bem o parquinho está horrível
– Eu o vi Minu pode deixar que eu ja sei o que fazer
Seu tom de voz era calmo, me deixava tranquila, então disse a ele:
– Tudo bem eu preparo algo para você comer depois que consertar
Então Ikki foi ao parquinho e começou a consertar item por item a começar pelo cercadinho, seguindo ao escorrega, aos ferros, gangorras e balanços, enquanto ele consertava, ele tirou a camisa pois fazia calor naquele dia, eu olhava da porta, aquele homem suado, sem camisa e com um corpo daqueles, e que corpo com algumas cicatrizes mas que realçavam a sua beleza, trabalhado e esculpido pelos deuses. Só de olhar para aquilo eu comecei a suar junto, então eu preparei um suco e um sanduíche, fui até ele e disse:
– Pausa para um lanche!
Ikki sorriu, pegou o suco e o sanduíche e começou a comer, eu o observava e etnão quis mais: Toquei em seu braço forte para sentir os seus músculos que eram duro feito pedra. Ele percebeu e me olhou de volta, fiquei constrangida mas logo dei uma desculpa:
– Nossa como você está suado, está quente aqui hoje não?
– E normal eu estar assim, afinal estou trabalhando ?
Nossa o Ikki realmente tem essa mania: Em momentos ele te trata com carinho, em outros com foras horríveis mas eu ja me acostumei com isso mas naquela época nem tanto e então e disse:
– Desculpa eu não queria te atrapalhar
– Não me atrapalha ja disse, só não gosto de responder coisas óbvias!
Mais uma patada, bem percebi naquele dia que quando se tratada de Ikki, o confronto direto nunca é uma boa saída, então tentei uma abordagem mais sutil, coloquei as mãos em seus ombros fortes e disse:
– Deve estar estressado, digo com tanta coisa na vida né, é assim mesmo
Ikki me olhou profundamente novamente como se estivesse tentando me decifrar, como que tivesse sido por acaso, o que não foi, retirei as minhas mãos e disfarcei:
– Bem eu não vou te atrapalhar, vou esperar você terminar, então até mais!
Saí sem me virar para trás, em nenhum momento queria demostrar medo ou insegurança, o que era praticamente impossível, mas voltei ao orfanato e Ikki voltou a fazer o que estava fazendo, então espere do lado de dentro do orfanato: O sol ardia lá fora e ao ver Ikki se esforçando, voltei lá, desta vez com um copo de água e uma travessa de gelo em cubos, então Ikki ja havia terminado o serviço, ele então falou:
– Bem só falta pintar de novo, possofazer isso para você depois!
Ofereci a água a Ikki e coloquei três pedras de gelo, mais uma vez eu resolvi provocar:
– Ai Ikki esse calor ta horrível, ainda bem que tem esse gelinho para se refrescar!
Comecei a comer e chupar o gelo na sua frente, depois eu dava lambidas de leve nas pedras de gelo, propositalmente, deixei uma pedra de gelo cair em meu busto, dentro do decote. Ikki não conseguia parar de me olhar, estava hipnotizado, comigo? Nossa nem podia acreditar com isso, então ele voltou ao normal e disse:
– Bem to sujo vou voltar para casa e vou tomar banho, depois a gente se vê
– Tudo bem
Falei aquilo decepcionada: Esperava que ele me agarrasse ali mesmo, com o corpo sujo de suor, eu ia saborear cada pedaço dele como uma leoa faminta, mas ele deu pra trás, não sei se foi medo ou ele foi muito forte porque provocar eu provoquei muito bem. Então ele disse:
– Quer sair mais tarde? Digo comer uma pizza?
– Ah Ikki eu bem que gostaria mas as crianças estão comigo hoje e a Eiri não está aí!
– Bem eu passo aqui e fico com você e as crianças, compro pizzas, trago alguns jogos que tal?
Nossa quando ele me disse aquilo explodi de emoção por dentro mas por fora me mantive calma e disse:
– Tudo bem então vai ser ótimo para as crianças: " Melhor ainda para mim". pensava.
Ikki se despediu sem me abraçar porque segundo ele não queria sujar o meu vestido novo de grife, maldita Gucci, mas enfim ele me deu um beijo na bochecha e foi-se. Sabia que a noite do orfanato prometia e então providenciei tudo:
Limpeza da casa, arrumação e produção minha, organizar e arrumar as crianças, efim fazer todo o resto, fora o banho e a limpeza pessoal que eu gosto de fazer com calma. Á noite eu estava vestida com o vestido vermelho, ele de blusão social preto e calça jeans, então a campainha tocou e ele disse:
– Posso entrar?
CONTINUA...
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