Behind blue eyes
2 Encontrando a mim mesma
Notas iniciais

Abri os meus olhos, ofegante, acordei: Estava deitada em uma cama, coberta com lençóis amarelos, minhas roupas sujas haviam sumido, estava vestindo uma camisa grande e somente isso. Olhei a minha volta, um quarto pequeno, havia uma televisão, um banheiro e uma entrada que a julgar pelo cheiro de comida, era a cozinha.
O cheiro estava ótimo, estava faminta, não sabia onde estava e nem como eu estava daquele jeito: Enfaixada, de camisa e deitada em uma cama, percebi que alguém cuidou dos meus ferimentos, estava com curativos na testa, braço esquerdo enfaixado e uma tala na perna. Então eu tentei reconhecer o local, nada, tentei me lembrar do que tinha acontecido e me lembrei de um homem que ja conhecia, sim Ikki, ele havia me salvo. Não pude concluir o meu raciocínio, logo uma voz grave me chamou a atenção:
– Que bom que você acordou, como se sente?
Olhei, Ikki acabava de sair da cozinha, estava com uma blusa preta entreaberta, calça e sapatos sociais, parece que ia sair pois estava cheiroso e de banho tomado. Ao ve-lo me senti envergonhada e não sabia o porque de algum jeito Ikki sempre me intimidou: No orfanato ele sempre protegia o seu irmão Shun e eu o olhava sempre mas ele nunca me notou, ninguém como sempre me notava, mas enfim, me limitei a responder:
– Bem você me salvou? Obrigada eu acho...
Falei melancólica e Ikki ergueu a sua sombracelha e me olhou como se não estivesse me entendido, então ele perguntou:
– Como assim acha? Não queria ser salva?
Aquela pergunta me fez imediatamente me lembrar pelo motivo que fui salva e uma dor no peito se apossou de mim mas eu me recuperei e me limitei a dizer:
– Não sei, acho que não, talvez...
Ele me olhava de um jeito estranho: Parecia que queria me decifrar, seus olhos azuis penetravam-me de forma única como se ele pudesse enxergar o meu espírito, a minha essência e eu me sentia perdida naquele vasto oceano. Após algum tempo me olhando ele finalmente me pergunta:
– Acho que toda pessoa normal quer viver a vida e quando corre perigo quer ser salva, você queria morrer? E se queria por que queria?
Gelei. Ikki me fez uma pergunta que não sabia se era capaz de responder, era capaz mas não sabia se queria, aquilo me causava muita dor e então com lágrimas nos olhos eu disse:
– Porque eu enxerguei o que era óbvio
Ikki foi em minha direção, me abraçou e quando ele fez isso, meu coração parou: Seu abraço era quente, convidativo e muito carinhoso, comecei a chorar no peito de Ikki sem medo de me conter, ele se afastou e disse:
– Eu te entendo Minu, nem sempre a gente pode ter o que quer, o Seiya e a Saori sempre se amaram e você não quis aceitar não foi?
Sua calma ao perguntar aquilo me fez ficar calma, sentia-me hipnotizada e por alguns instantes eu consegui esquecer Seiya, então respondi:
– Sim é isso, me descontrolei, perdi a cabeça e fugi
Logo me liguei e lembrei que Ikki era irmão de Shun e então logo perguntei:
– Você contou a alguém que eu estou aqui?
– Só ao meu irmão Shun, ele ficou de falar com os demais que você estava em segurança mas que estava se recuperando
Então ao ver que eu estava quase nua se não fosse pela blusa grande e pelos lençóis perguntei:
– Como eu vim parar aqui? Por que estou nesse estado?
– Eu a trouxe para cá, aqui é aonde eu vivo ou tento viver, chamei uma vizinha que é enfermeira, ela trocou você e fez os seus curativos, fiz a tala para o seu pé, você dormiu por um dia e meio.
– Nossa a Eiri, ela me ligou?
– Ela esteve aqui junto com Shun mas pedi para que eles não a levassem por enquanto, você deveria descansar.
– Entendo, obrigada Ikki.
Sorri espontaneamente, primeira vez que fiz isso após o incidente e sem saber o por que. Ikki foi até a cozinha e pegou uma sopa, parecia ser canja de galinha, ele então se aproximou e disse:
– Bem Minu você deve estar faminta, vamos nos alimentar.
Tentei mexer o braço mas doía, Ikki então disse:
– Vou ter que dar a comida a você, pelo menos até que recupere seus movimentos
Ikki dava a sopa para mim com a maior calma e atenção do mundo e cada vez que ele olhava para mim, sentia que o azul dos seus olhos ia invadir o meu corpo e levar a minha alma, comia a canja, estava gostosa, mas então comecei a chorar por se lembrar de coisas do passado nem tão distante assim e Ikki ao ver, interrompeu a refeição e perguntou:
– Está quente?
Neguei com a cabeça
– Está ruim?
– Novamente neguei com a cabeça
– O que foi?
– Nada eu só... bem nunca cuidaram de mim, só isso, sempre fui acostumada a cuidar dos outros e olha só onde fui parar
Chorei e Ikki em abraçou de novo com calma, senti confortavel e protegida com aquele abraço, sentia o perfume dele em meu rosto, que perfume maravilhoso, inebriante, algo dos deuses. Então ele me olhou, passou suas mãos enormes e grossas em minha face, enxugou uma lágrima minha com o dedo e disse:
– Minu eu conheci uma pessoa que cuidou de mim há muito tempo, ela era que nem você, cuidava dos outros mas ninguém cuidava dela, e então um dia, ela se foi...
Senti meu coração apertar quando ele disse isso e então fiquei calada, olhava-o fascinada, aquela altura Seiya nem passava pela cabeça, então ele disse:
– Sabe Minu uma garota como você deve valorizar-se, você se prendeu a Seiya por anos, criou expectativas e ela foram frustradas. Minu a vida não é fácil para ninguém, eu tive muitas perdas assim como os meus amigos, mas sempre seguimos em frente sem se importar o que acontecer, Minu você é bonita, inteligente e tem um bom coração, se matar seria um desperdício pois a humanidade precisa de pessoas como você!
Não conseguia esboçar reação mediante aquilo: Fiquei chocada mas ao mesmo tempo fascinada, Ikki tinha a fama de durão e de não se importar com ninguém ao menos com o seu irmão Shun e comigo ele me dava conselhos tão valiosos? Sorri como um reflexo de suas palavras, Ikki sorriu para mim e disse:
– Seu sorriso é lindo que que de agora em diante sempre sorria, mesmo que a vida lhe dê umas rasteiras entendeu? E quero que valorize-se, estude, cuide de si mesma e viva intensamente.
Sacudia a cabeça concordando com aquilo, ele então disse:
– Vou precisar sair, vai ficar bem?
– Sim claro que vou!
– Que bom quer ver televisão?
– Não mas deixa o controle perto que eu ligo depois!
– Está bem
– Vai aonde?
– Não é da sua conta
Meu sorriso se apagou mas ele deu uma risada e disse:
– Brincadeira, vou ver Shun
– Ikki por favor se quiserem me ver eu gostaria que...
– Já sei que você está descansando e que em breve voltará
– Obrigada Ikki!
Ele saiu sem olhar dizendo:
– Te vejo mais tarde
Saiu. Senti meu coração arder, estranha sensação, suas palavras em trouxeram conforto, paz, harmonia, voltei a cochilar e dormi novamente, mais leve, mais tranquila.
Acordei a noite, acho que era de madrugada, estava apertada para ir ao banheiro, olhei para Ikki, estava deitado no chão com lençóis e cobertores, vi o relógio, 2:00 da manhã, me assustei por ter dormido tanto, estava sem sono, me levantei devagar sem querer atrapalhar o sono de Ikki, no escuro fui andando devagar mas tropecei em algo: Acho que era a mesinha de centro, meu pé doeu mas não gritei, rangi os dentes de dor mas quando eu dei por mim, Ikki ja estava me segurando e disse:
– Se você quer ir ao banheiro, por que não me pediu?
Corei e disse:
– Ah Ikki não queria te acordar, além do mais eu não queria que você me visse indo ao banheiro, dá vergonha!
– Deixe de bobagem Minu, todos vão ao banheiro!
– Ah para Ikki!
Ele me levou ao banheiro e ascendeu a luz, fiz o meu pipi, voltei constrangida, ele me levou em seus braços e que braços, me colocou de volta na cama, ele me perguntou:
– Está sem sono?
– Sim estou, sabe é que eu não sei se eu ainda estou preparada para voltar ao orfanato, mas também não quero incomodar você!
– Você não me incomoda, pode ficar o tempo que quiser, pelo menos até você se recuperar!
– Bem eu agradeço ao convite, acho que vou ficar mais alguns dias, mas só isso, prometo que será rápido, depois eu volto e a Eiri pode me ajudar!
– Tudo bem se é assim que deseja
– A propósito Ikki: Obrigada por me salvar, de verdade mesmo!
– De nada!
– Boa noite Ikki!
– Boa noite Minu!
Dormi feito um bebê, as palavras de Ikki me fizeram tão bem que é como se eu estivesse pronta para enfrentar um leão.
Alguns dias se passaram e aos poucos fui me recuperando e tirando a torção do pé, tudo ja estava ao seu ritmo normal, então arrumei as minhas malas e pedi a Ikki que ligasse para Eiri para vir me buscar e enfatizei que Seiya não viesse, não queria ve-lo, assim ele fez.
Eiri veio com Hyoga e junto com Ikki me ajudaram a entrar no carro, eu olhava para Ikki e ele me olhava de forma profunda, o abracei e disse:
– Obrigada Ikki, por tudo!
Mais uma vez ele não me respondeu, segui de táxi para o orfanato e fiquei muda. Ikki disse a todos que havia sido raptada por cavaleiros negros que queriam vingança, assim a história parecia ser verídica e não precisava ser humilhada na frente de todos, As crianças me abraçaram muito, choraram e eu chorei junto com elas, me sentia culpada por ter desejado a minha própria morte, jamais poderia abandona-las, agradeci naqueles instantes muito a deus por Ikki ter me salvado, Eiri então logo tratou de tomar as rédeas da situação e disse as crianças:
– Muito bem meninos mas agora a tia Minu tem que descansar, depois nós a veremos
E assim Hyoga me acomodou, perguntou se precisava de alguma coisa, disse que não e foi-se. Eiri subiu ao quarto e com lágrimas nos olhos me abraçou e disse:
– Nunca mais faça isso comigo ouviu?
– Eiri mas eu...
Eiri olhou para mim e disse:
– Acha que sei que não fugiu? Por causa do Seiya? Minu tem idéia de como eu fiquei quando soube que você desapareceu? Não tivemos natal, só chorava, sem saber onde você estava, quase morri de preocupação, o Ikki me contou a história mas você realmente acha que acreditei naquilo de cavaleiros negros? Minu eu te avisei sobre o Seiya e você nunca me escutou!
Eiri estava totalmente certa, não adiantava engana-la pois ela sabia exatamente o que acontecia comigo, éramos amigas e não tinhamos segredos, então disse:
– Desculpa amiga por ser covarde mas saiba que agora tudo será diferente, quero mudar quero ser eu mesma, quero cuidar de mim e viver minha vida!
– Hum acho que o Ikki te fez bem não foi?
Fiquei vermelha e disse:
– Nada disso ah Eiri para com isso!
Conversamos por algum tempo e contei todos os detalhes, Eiri saiu e eu fui descansar. Feliz por enquanto mas antes de tentar viver havia algo que precisava fazer...
CONTINUA...
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