Behind Those Walls

7 Take My Breath Away


Notas iniciais
Gente os review me deixam cada vez mais motivada a continuar, obrigada *-* Aqui mais um capítulo pra vocês, espero que gostem!

A semana de provas estava apenas começando e Brittany já decidira que precisava de ajuda. Ela nunca conseguiria decorar todas aquelas fórmulas sem noção, nomes estranhos de autores e coisas à respeito das mais variadas guerras a tempo se ninguém explicasse de uma maneira mais simples que seus professores. A loira pegou Lord Tubbington do chão e o posicionou ao seu lado na cama. Pegou também um ratinho de borracha e pôs à sua frente para distraí-lo. Ela observou Santana entrar no quarto e sorriu para a garota, antes de se levantar para recebê-la com um selinho seguido de um abraço apertado.

“Chegou bem na hora, Santie!” A loira disse enquanto voltava para sentar na cama.

“Como eu prometi, minha linda.” Santana sorriu e tirou os livros da bolsa. Ajudar Brittany a estudar, além de ser divertido, deixaria as duas ainda mais próximas. Depois de sua conversa com Puck, a latina estava mais calma em relação à tudo isso. Não teria que encarar sua família até o recesso de Inverno, quando iria passar o Natal e Ano Novo na casa de sua avó paterna, e isso a deixava um pouco menos aflita. Pelo menos por enquanto.

“Então, podemos começar com Geometria?” Brittany perguntou tirando um lápis do estojo cor-de-rosa e agarrando um caderno.

“O que você preferir.” A morena sentou na cama à sua frente, abrindo o livro e olhando feio para o gato gordo. Ela odiava quando aquele bicho infernal miava durante a noite, e desejava matá-lo durante seu sono, mas como ele fazia sua Brittany feliz, Santana decidiu que suportaria conviver com aquele demônio no corpo de um gato obeso.

Depois de algum tempo, Brittany parecia estar finalmente entendendo a matéria, e percebeu que talvez não fosse tão mal na prova. A garota não queria nem pensar na possibilidade de ter que deixar a escola para sempre, seria horrível ter que voltar a estudar perto de sua casa, convivendo com sua mãe adotiva por quem nunca tivera grande carinho e ter de deixar Santana para trás. A loira sentia muita falta do pai, e por mais que ainda não entendesse como ele pudera acabar com a própria vida e às vezes se revoltasse com isso, Brittany nunca deixaria de amá-lo.

Santana observou enquanto a garota traçava círculos com o compasso em seu caderno, já exausta de tanto estudar aquilo e decidiu mudar a matéria. Depois de uma explicação detalhada sobre Literatura, e de uma revisão completa de História, Santana deitou-se na cama, fechando os olhos enquanto Brittany terminava de guardar os cadernos e tirava o gato de dentro do closet (para onde ele tinha fugido há mais ou menos uma hora). A latina sentiu quando Brittany deitou-se ao seu lado e abriu os olhos para contemplar a visão de seu sorriso. Não podia acreditar naquilo tudo, era tão surreal tê-la ali e ao mesmo tempo era a única realidade que Santana poderia imaginar.

Brittany abraçou a latina e as duas se aconchegaram melhor na cama, encaixando perfeitamente uma na outra. A loira beijou de leve o topo da cabeça da garota em seus braços, depois descendo os beijinhos por seu rosto, passando pelos olhos fechados, pelas bochechas, pela ponta do nariz até chegar à sua boca, onde depositou um último beijo antes que ambas se entregassem ao sono.

***

Quinn já estava farta daquilo. No começo da aula, Sr. Schue – o professor de teatro –, tinha escolhido pares para que durante essa semana, os alunos se alternassem contracenando ou a cena final de Otelo ou a cena da sacada de Romeu e Julieta. Quinn e seu par fariam a cena de Otelo, o que a deixou feliz. O garoto com quem contracenaria era alto, loiro, se chamava Sam e era novo na escola, ainda estava no primeiro ano; Mas parecia ser um garoto simpático, bem nerd, mas simpático. Já o par de Rachel era um dos idiotas do clube do xadrez, que não conseguia parar de encarar a morena como se estivesse a despindo com os olhos. O que irritava e enojava Quinn.

Rachel estava extremamente contente por representar uma de suas cenas preferidas de Romeu e Julieta, porém, seu ‘Romeu’ estava mais que a decepcionando. Numa escala em que ótimo é o melhor e péssimo o pior, ele já teria alcançado algo como ‘até um verme faz melhor que você.’ Rachel se perguntou como ele conseguira entrar no curso de teatro e se perdeu em seus pensamentos. Quando voltou a si, Rachel se pegou olhando para Quinn, e a viu revirando os olhos logo antes de o sinal tocar e a loira andar animadamente até onde a morena estava e abrir um largo sorriso para ela.

“Oi, Quinn!” Rachel disse agarrando o braço da loira e sussurando, para que Mark (seu ‘Romeu’), não a ouvisse “Pelo amor de Deus, me tira daqui.”

Quinn balançou a cabeça “Rach, acabei de lembrar que temos que ir logo.” Ela disse fingindo estar surpresa. “Até mais, Mark.” Quinn acenou para o garoto com a cabeça e puxou Rachel para fora da sala antes que ele pudesse protestar, sentindo-se bem melhor por ter finalmente arrancado a baixinha de perto dele.

As garotas chegaram no quarto rindo, e conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo. Ambas já tinham estudado demais para as provas do próximo dia e estavam dispostas a não fazer nada relacionado à isso nas próximas horas.

“Q, o que você acha de treinarmos nossas cenas?” Rachel perguntou enquanto entrava no closet para trocar sua saia xadrez e suéter de bichinhos por um shorts curto e uma camiseta mais confortável.

“Acho ótimo. Considerando que pelo visto ensaiar com Mark não deve ajudar muito.” Quinn riu, enaquanto seguia a morena para dentro do compartimento, resolvendo colocar uma roupa semelhante à dela e também mais confortável. ‘Rachel definitivamente poderia melhorar o que usa durante as aulas, não se deveria desperdiçar um corpo assim.’ Quinn pensou enquanto vestia o próprio shorts; a loira já tinha desencanado da ideia de que não deveria pensar em Rachel como mais que uma amiga, ela já admitira para si mesma que estava caindo de um penhasco pela baixinha.

Depois de prontas, Rachel separou as folhas e decidiram ensaiar primeiro a cena dela; já que o par de Quinn parecia ser mil vezes melhor e mais talentoso, além de bonito, o que deixou a morena um pouquinho enciumada. Rachel esperou Quinn sair do closet e lhe deu as folhas com as partes que ela teria que falar grifadas. Depois de ambas de posicionarem sentadas na cama e lerem silenciosamente o texto mais uma vez, Quinn acenou com a cabeça e Rachel entendeu que poderia começar.

“Já vai embora? Mas se não está nem perto de amanhecer!” Rachel exclamou virando-se para tocar o braço de Quinn “Foi o rouxinol, não a cotovia, que penetrou o canal receoso de teu ouvido. Toda a noite ele canta lá na romãzeira. Acredita-me, amor, foi o rouxinoul.” A garota terminou de dizer, agora com as duas mãos tocando suavemente a pele macia e pálida do braço de Quinn.

“Foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol.” Quinn olhou para a garota tocando seu braço e pôs suas mãos sobre as dela "Olha, amor, as riscas invejosas que tecem um rendado nas nuvens que vão partindo lá para os lados do nascente. As velas noturnas consumiram-se, e o dia, bem disposto, põe-se nas pontas dos pés sobre os cimos nevoentos dos morros. Devo partir e viver, ou fico para morrer.” Quinn recitou, seus olhos fixos nos lindos olhos cor de avelã de Rachel.

Rachel olhava para Quinn, dando graças a Deus por ter tão boa atriz contracenando com ela “Essa luz não é luz do dia, eu sei que não é, eu sei.” Rachel disse, sentindo cada vez mais como se fosse a própria Julieta, implorando para ter mais tempo com seu amor, suas palavras se tornando mais verdadeiras. “É só algum meteoro que se desprendeu do sol, enviado para esta noite portador de tocha a teu dispor, e iluminar-te em teu caminho para Mântua.” A morena tirou as mãos do braço de Quinn e as posicionou uma em cada ombro da loira “Portanto, fica ainda, não precisas partir.” Rachel suplicou.

“Que me prendam! Que me matem! Se assim o queres, estou de acordo.” Quinn entendia a dinâmica de Romeu e Julieta agora, as palavras faziam mais sentido quando pronunciadas por ela “Digo que aquele acinzentado não é o raiar do dia; antes, é o pálido reflexo da lua. Digo que não é a cotovia que lança notas melodiosas para a abóboda do céu, tão acima de nossas cabeças. Tenho mais ânsia de ficar que vontade de partir.” A loira pronunciou verdadeiramente, estremecendo ao se lembrar das mãos de Rachel pousadas em seus ombros, e colocando as próprias envoltas na cintura da pequena. “Vem morte, e seja bem-vinda! Julieta assim o quer. Está bem assim, meu coração? Vamos conversar... posto que ainda não é dia!” Quinn tirou uma de suas mãos da cintura de Rachel para tirar uma mecha de cabelos negros de seu rosto.

Rachel sentiu suas bochechas queimando, mas continuou, sem precisar olhar no papel para saber as seguintes falas “É dia sim, é dia sim. Corre daqui, vai-te embora de uma vez!” Disse aflita “É a cotovia que canta assim tão desafinada, forçando irritantes dissonâncias e agudos desagradáveis.” A morena afirmou com a cabeça e tirou as mãos de Quinn de si, afastando-se para o outro lado da cama. “Alguns dizem que a cotovia separa as frases melódicas com doçura; não posso acreditar, pois que ela vem agora nos separar. Alguns dizem que a cotovia é o odiável sapo permutam seus olhos; como eu gostaria, agora, que eles também tivessem permutando suas vozes!” Rachel virou a cabeça para olhar a loira, que tinha os dois pés em cima da cama e chegava mais perto dela, espiando o próprio papel, mas voltando a encarar Rachel rapidamente quando esta voltou a falar. “Essa voz alarma-nos, afastando-nos um dos braços do outro, já que vem te caçar aqui, com o grito que dá início à caçada deste dia. Ah, vai-te agora; ilumina-se mais e mais amanhã.” Rachel terminou de dizer e virou a cabeça evitando contato visual com Quinn. A baixinha não sabia explicar o porquê, mas sua atuação parecia mais real e convincente que nunca.

Quinn chegou mais perto de Rachel, que estava sentada na beirada da cama e disse em um tom mais baixo, perto de seus ouvidos “Ilumina-se mais e mais... enquanto anoitece em nossos corações.”.

Rachel estremeceu ao ouvir a voz doce de Quinn tão próxima à ela, Rachel virou-se para a garota, colocando-se inteiramente na cama mais uma vez e percebendo o quão próxima estava da loira, começando, então, a sussurar “Então, janela, deixe entrar o dia...” Rachel nunca terminou sua frase, ela sabia o que viria a seguir na cena, e fez algo parecido.

A morena tomou a cabeça de Quinn em suas mãos, puxando-a gentilmente para ficar perto da sua, sentindo uma respiração morna e tranquilizadora tocando seu rosto e as mãos delicadas da loira envolvendo sua cintura e deixando seus corpos ainda mais juntos. Rachel então percebeu o que seu cérebro parecia estar tentando esconder e negar até o momento. Ela se sentia extremamente atraída por Quinn Fabray, e depois que a conheceu melhor, não mais apenas atração por seu físico impecável, mas também pela garota doce que ela era.

Quinn puxou Rachel para ainda mais perto de si, de modo que suas testas estavam completamente grudadas. A loira entendeu o porquê das palavras de Romeu terem feito tanto sentido naquele texto; pois se ela estivesse em seu lugar, relutaria em deixar a amada. Quinn poderia ter ficado com ela e enfrentado qualquer um, coisa que Romeu não fez; quem sabe o final não seria diferente se tivesse o feito? Então, seus olhos encontraram os de Rachel e as duas se chocaram com o entendimento mútuo, não aguentavam mais prolongar aquilo. Quinn fechou os olhos e seus lábios roçaram os lábios carnudos da morena, fazendo uma onda de choques percorrer seus corpos.

Rachel estremeceu, mas isso só a motivava a continuar. Seus lábios se apertaram mais contra os de Quinn, e ela sentiu as mãos da loira subindo e descendo bem devagar por suas costas. Sua língua encontrou os lábios macios da garota, pedindo passagem, que foi concedida em milésimos de segundos, dando início a um beijo urgente e ao mesmo tempo delicado. As duas se encaixavam perfeitamente, e Rachel passava suas mãos pelos cabelos sedosos e loiros de Quinn, enquanto esta deixava o beijo mais intenso, fazendo a pequena perceber o quanto queria aquilo.

As garotas se afastaram ofegantes, e voltaram a olhar uma nos olhos da outra. Ambas assentiram, sem precisar trocar uma palavra sequer, para decidir que aquilo não fora um erro e sim um começo, o começo de algo inevitável.

Notas finais
Então, o que acharam? Críticas, dúvidas, sugestões? :3